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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Ainda sobre a Mata Atlântica: 5ª floresta mais ameaçada do mundo

"De acordo com a Fundação SOS Mata Atlântica, 80,5% das áreas remanescentes do bioma estão fora de unidades de conservação geridas pelo poder público - ou seja, dependem de particulares. A entidade ambientalista foi uma das primeiras a reconhecer que não é preciso esperar apenas do poder público ações para conservar os 15 milhões de hectares que restaram da mata - 10,5% da área original, se forem considerados também os pequenos fragmentos de menos de 100 hectares. "Se a sociedade quiser realmente conservar a floresta, um dos cinco hotspots mais ameaçados do mundo, deve convencer os proprietários a não destruir o que resta dela em suas terras", afirma Érika Guimarães, coordenadora do Programa de Incentivos às RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural - tipo de Unidade de Conservação em que a área protegida permanece totalmente com seu proprietário - explicação que não consta na edição da revista) da Aliança para a Conservação da Mata Atlântica. Chamam-se hotspots as 25 áreas ricas em vida vegetal e animal que correm maior risco de desaparecer."

Escrevi o parágrafo acima na matéria Esta floresta tem dono, que pode ser lida na íntegra no texto que publiquei ontem. O que me fez novamente destacar a reportagem veiculada pela revista Horizonte Geográfico foi o anúncio feito, dia 2, pela ONG Conservação Internacional da lista dos dez hotspots florestais mais ameaçados do planeta. E a Mata Atlântica está em 5º lugar - atrás de remanescentes existentes nas Regiões da Indo-Birmânia (1ª), Nova Zelândia (2ª), Sunda - Indonésia, Malásia e Brunei - (3ª) e Filipinas (4ª).

Manguezal do sul da Bahia
Foto: Dimas Marques

Leia o que a Conservação Internacional destacou sobre a Mata Atlântica:
"A Mata Atlântica se estende por toda a costa atlântica brasileira, alongando-se para partes do Paraguai, Argentina e Uruguai, incluindo também ilhas oceânicas e o arquipélago de Fernando de Noronha. A Mata Atlântica abriga 20 mil espécies de plantas, sendo 40% delas endêmicas. Ainda assim, menos de 10% da floresta permanece de pé. Mais de duas dúzias de espécies de vertebrados ameaçadas de extinção – listadas na categoria “Criticamente em Perigo” - estão lutando para sobreviver na região, incluindo micos-leões-dourados e seis espécies de aves que habitam uma pequena faixa da floresta no Nordeste. Começando com o ciclo da cana-de-açúcar, seguido das plantações de café, a região vem sendo desmatada há centenas de anos. Agora, a Mata Atlântica está enfrentando pressão por conta da crescente urbanização e industrialização do Rio de Janeiro e São Paulo. Mais de 100 milhões de pessoas, além da indústria têxtil, agricultura, fazendas de gado e atividade madeireira da região dependem do suprimento de água doce desse remanescente florestal."

Lembro que a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu 2011 para ser o Ano Internacional das Florestas e aproveito para destacar que o termo "floresta" não é um amontoado de árvores. Parece bobagem escrever isso, mas muita gente ainda pensa se tratar apenas de vegetação, em que a preocupação do setor público e da sociedade civil deve estar focada em preservação e manejo sustentável da flora.

Floresta é fauna, flora e muitos outros recursos naturais que formam ecossistemas interdependentes. Mas não vamos complicar com definições. O que quero deixar como ponto de reflexão, em um blog sobre fauna, é a necessidade de enxergarmos as florestas como um organismo complexo e que dados divulgados sobre aumento ou redução de áreas desmatadas não implicam apenas na retirada da vegetação. A perda é muito maior - e pouco mensurada pelos órgãos de pesquisa dos setores público e privado e raramente divulgada pelas matérias publicadas na grande imprensa.

Preste atenção nas matérias sobre aumentos e reduções de desmatamento na Amazônia, por exemplo. Essas reportagens estão diariamente nos meios de comunicação com porcentagens, gráficos comparativos, imagens de satélite e por aí vão, seguindo quase o mesmo compasso dos textos sobre economia.

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