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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Chimpanzés e peixes. Hoje é dia de dois em um

Uma pequena nota publicada dia 1º, na página A24 de O Estado de S. Paulo, me chamou a atenção por abordar a reação dos chimpanzés à morte. O texto noticia que pesquisadores do Instituto Max Planck de Psicolinguística, da Holanda, relataram, com detalhes, o comportamento desses primatas quando ocorre a morte de um filhote. Curioso, busquei mais informações sobre o assunto e encontrei no portal R7 – que veicula seu material jornalístico sobre animais na área de Entretenimento, o que considero um ponto de vista atrasado e, no mínimo, equivocado – e no portal IG matérias mais completas sobre a pesquisa, inclusive com o vídeo feito pelos estudiosos em Zâmbia, que me impressionou.

Imagem do vídeo do Instituto Max Planck
Foto: Divulgação Instituto Max Planck

Tocante. É o mínimo que posso comentar. Após o primeiro impacto, lembrei da reação similar que as elefantas fêmeas manifestam quando ocorre a morte de algum filhote. O que li e observei no vídeo cada vez mais confirma o fato de que os seres humanos não são os únicos privilegiados em possuir e manifestar sentimentos complexos, como a dor pela perda de um semelhante. Afirmar, hoje em dia, que os animais só manifestam reações como alegria e medo, por exemplo, é ir contra as evidências contundentes da necessidade de mudar a forma como tratamos e lidamos com os animais – sejam eles selvagens ou domésticos.

Aproveito para reiterar meu protesto perante a classificação das matérias sobre animais em uma área de Entretenimento, feita pelo portal R7, da Record. Esse tipo de postura é o mesmo que sustenta parte do tráfico de animais silvestres, que abastece colecionadores de espécimes e a venda de aves nas periferias das grandes cidades – que capturados em seus hábitats acabam por parar em gaiolas nas residências.

Finalmente, os peixes...
Na página B6 do caderno Mercado da Folha de S. Paulo de hoje, está publicada a matéria “Japoneses já pescam atum no Nordeste”. Conforme se espera de um texto de uma página de economia, relata-se uma série de informações sobre uma companhia brasileira de pesca que venceu um edital para arrendar 16 embarcações com tecnologia e pessoal do país asiático e enviar 65% do que for produzido para o Japão.

O que chama a atenção está no Saiba Mais intitulado “Produção japonesa caiu 38% desde 1995”, que alerta para um problema mundial: a sobrepesca. Com a exploração excessiva da vida marinha em seu território, o Japão não mede esforços para ampliar suas fronteiras de atuação e manter abastecido seu mercado interno.

Atum pescado no Mar Mediterrâneo
Foto: Bruno Torrentino/site O Eco

Mas esse fenômeno não é uma exclusividade do Japão. Em recente relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o crescimento da produção mundial de peixes e seus derivados subiu de 142 milhões de toneladas em 2008 para 145 milhões no ano seguinte.

Essa informação está na matéria “Consumo de peixe bateu recorde”, publicada ontem do site O ECO, em que também destaco:

“A crescente demanda por peixes destaca a necessidade de uma gestão sustentável dos recursos aquáticos. O relatório recomenda uma abordagem ecossistêmica da pesca, que é uma abordagem integrada para o balanceamento de objetivos sociais com o estado da atividade pesqueira e seu ambiente natural e humano.”

Dos males o menor: dessa vez a Folha ainda preparou um Saiba Mais, mesmo que bem superficial, sobre o problema da sobrepesca. Defendo que as questões ambientais devam ser tratadas no jornalismo, assim como em todas as áreas (principalmente no setor público), de forma transversal. Não deveríamos ter cadernos específicos sobre Meio Ambiente se todas as editorias abordassem o assunto em suas matérias. Mas não é o que acontece.

Quando isso ocorre, os textos trazem pouquíssima informação e não ajudam a aprofundar o debate na sociedade. Creio que, por enquanto, os cadernos e seções específicas sobre meio ambiente ainda são necessárias.

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