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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

O que entorpecentes e animais silvestres têm em comum?

O que entorpecentes e animais silvestres têm em comum? No universo dos crimes, os dois são mercadorias que, muitas vezes, são traficadas por uma mesma quadrilha. A informação não é nova, pois há bastante tempo polícia e agentes de fiscalização sabem que para os traficantes não importa o produto: tanto faz ser  a fauna ou a droga, o negócio é não perder oportunidades de obter lucro no mercado negro.

Já em 2001, a ONG Rede Nacional de Combate ao Trafico de Animais Silvestres (Renctas), publicou no 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico da Fauna Silvestre, em que há um capítulo específico para o tema – “Ligação com Outras Atividades Ilegais”.

“O comércio ilegal de animais silvestres está ligado a outros tipos de atividades ilegais, tais como drogas, armas, álcool e pedras precisas. Na América do Sul, os cartéis de drogas têm grande envolvimento com o comércio ilegal de fauna silvestre, muitas vezes se utilizam da fauna para transportarem seus produtos. Frequentemente são encontradas drogas dentro de animais vivos ou em suas peles.” - texto do Relatório


Pássaros silvestres, drogas e armas apreendidos pela Polícia de Santa Catarina em 2010
Fonte: Polícia Civil SC

Como os métodos para traficar drogas e animais são semelhantes e as rotas coincidem, há muitas quadrilhas que atuam nos dois ramos do crime. De acordo com a Renctas, em 2001 havia entre 350 e 400 quadrilhas organizadas no comércio ilegal de fauna silvestre, sendo que, desse total, cerca de 40% possuem ligação com outras atividades ilegais.

Para não ficar apenas em estatísticas e pesquisas, vamos aos fatos: “PM apreende 150 quilos de maconha e mais de 100 animais silvestres” – site do jornal O Dia, 28 de junho de 2011.

“Cerca de 150 quilos de maconha e mais de 100 aves silvestres foram apreendidos por policiais militares do 3º BPM (Méier) durante operação nas favelas Boca do Mato e Morro do Amor, no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio, na manhã desta terça-feira. Não houve troca de tiros com traficantes.” – texto de O Dia

A mesma notícia também foi pauta da TV Record e do site do grupo, o R7.

“Os agentes estavam em busca de traficantes,quando se depararam com um sítio, onde foram encontrados gansos, galinhas, cavalos e coelhos, entre outros animais.

Os policiais ainda acharam um viveiro com cerca de cem pássaros silvestres, entre eles tucanos e um conhecido como bico-de-pimenta.

Todos os animais foram recolhidos e levados para a delegacia. De lá, serão transferidos para o Centro de Triagem de Animais Silvestres de Seropédica, na Baixada Fluminense.”
– texto do site R7

Após serem entregues no centro de Seropédica, uma nova epopeia ocorrerá para, com muita sorte, parte dessas aves voltar para a natureza. Esses animais, já tão sofridos pela forma com que são capturados em seus hábitats, transportados em péssimas condições, alimentados (quando o são) inadequadamente e pouco hidratados, passarão – caso sobrevivam ao rotineiro manejo inadequado no período imediatamente após a apreensão - por uma nova longa jornada até a liberdade... ou a vida inteira em cativeiro.

- Leia a matéria do site de O Dia.
- Leia a matéria do portal R7, da Record.
- Conheça o trabalho da Renctas.

- Assista à matéria sobre a apreensão da TV Record:

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