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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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segunda-feira, 5 de março de 2012

Começar a semana pensando...

...no exemplo de Corumbá (MS): plano para lidar com animais silvestres em área urbana.

Alguns municípios têm equipes treinadas para capturar animais silvestres que entram na área urbana. Outras, bem poucas, têm algum centro de recepção para esses animais. Mas não conheço cidades brasileiras que tenham um trabalho integrado entre instituições sobre como agir corretamente em ações de resgate de fauna silvestre em ambiente urbano.

Corumbá dá o primeiro passo. Pode ser um exemplo:

“Um plano geral de contingências, em fase de finalização em Corumbá, será de extrema importância para estabelecer e padronizar ações de forma ordenada, em caso de surgimento de animais silvestres na área urbana. O documento está sendo desenvolvido por técnicos de vários organismos do setor público, inclusive pesquisadores que atuam no setor, tudo visando uma captura segura do animal e, ao mesmo tempo, evitando riscos para a população.

 Grupo que está preparando o plano
Foto: Kleverton Velasques - Prefeitura de Corumbá

O assunto foi debatido na tarde de terça-feira (28) na Fundação de Meio Ambiente e Desenvolvimento Agropecuário (Funterra), com participação de representes da própria Fundação, do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, Embrapa Pantanal, Gerência Municipal de Defesa Civil, Ministério Público Estadual e Instituto Homem Pantaneiro.”
– texto da prefeitura de Corumbá, publicado em seu site em 29 de fevereiro de 2012

O motivo para tal ação é a frequente entrada de animais na área urbana do município que, lamentavelmente, foi tratada como “invasão” por quem escreveu o texto ou pela diretora-presidente da Funterra:

“Luciene Deová, diretora-presidente da Funterra, explicou que a elaboração do plano surgiu a partir de invasões de animais silvestres na área urbana de Corumbá, em virtude de queimadas ou cheias no Pantanal.”

A integração, visando a segurança do animal e da população, foi pensada.

“O documento cita inclusive a formação de um cenário de, tanto para o animal silvestre quanto para as comunidades envolvidas, quando da ‘visita indesejada' na área urbana, considerando o enorme grau de curiosidade e inquietude, gerada pela presença do felino. Por conta disso, o plano tem como foco principal, viabilizar procedimentos padronizados para que os diversos segmentos ligados na operação e na linha de segurança, através de suas estruturas operacionais, promovam as ações dentro de um nível razoável de sincronismo, eficiência e integração, de forma a garantir as respostas mais salutares para o bem estar e a segurança tanto do animal, quanto da população abrangida.”
– texto da prefeitura

Senti falta da existência de um representante de algum Cetas (Centro de triagem de Animais Silvestres) do Ibama ou de outra instituição credenciada para receber esses animais para uma avaliação e posterior (quando possível) soltura na natureza.

Esse tipo de plano pode evitar situações como a ocorrida em 27 de julho de 2011, em Patos de Minas (MG), e que relatei no post “A morte de uma onça-parda e a estrutura do poder público no manejo de animais” (2 de agosto de 2011). Na oportunidade, uma onça-parda que estava no porão de uma casa morreu durante o resgate realizado pelo corpo de bombeiros. Havia suspeita de enforcamento do animal por imperícia.

Onça-parda que morreu durante "resgate" em Patos de Minas (MG)
Foto: Toninho Cury

Que o plano de Corumbá entre em vigor logo e com sucesso para que sirva de exemplo para outros municípios.

- Leia o texto completo da prefeitura de Corumbá
- Releia “A morte de uma onça-parda e a estrutura do poder público no manejo de animais”, de 2 de agosto de 2011

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