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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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terça-feira, 27 de março de 2012

Peixes: vítimas pouco lembradas quando se fala em tráfico de animais

Mamíferos, aves, répteis e anfíbios são lembrados constantemente quando o assunto é tráfico de fauna. Seja pelo poder público, seja pela imprensa, pelas ONGs ou pela população. O alarmante número de 38 milhões de animais silvestres retirados da natureza brasileira anualmente para o tráfico, veiculado pela ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), não inclui peixes e invertebrados.

Mas esses animais são vítimas tanto quanto qualquer outro. Só que com menos atenção.

“A Polícia Federal do Amazonas apreendeu, neste domingo (25), 940 espécies de aruanã-negra no Aeroporto de Tabatinga, a 573 km de Manaus. A ação ocorreu durante vistorias de bagagens e faz parte da "Operação Sulamba" de combate ao tráfico internacional de alevinos na fronteira entre Brasil e Colômbia. A ação é coordenada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Os peixes são transportados em sacos plásticos
Foto: Divulgação Ibama

De acorco com informações divulgadas pelo Ibama, os alevinos vieram do município de Novo Airão, a 115 km da capital, e teriam como destino a Colômbia, onde seriam comercializados como peixes ornamentais. Ainda segundo agentes ambientais do Instituto, eles possuíam em média quatro centímetros e estavam acondicionados em duas malas, dentro de sacos plásticos com água.” – texto da matéria “Operação apreende 940 alevinos de aruanã-negra em aeroporto no AM”, publicada em 26 de março de 2012 pelo portal G1

E essa apreensão não é um fato isolado. Na Amazônia, o contrabando de peixes ornamentais é um problema sério.

“Uma casa localizada no Bairro da Floresta foi transformada em um aquário. Na residência, os cômodos eram ocupados por tanques que possuíam um sistema de manutenção do ambiente para peixes como acari, raia e peixes ornamentais. Alguns desses animais foram trazidos do município de Altamira.

Tanques improvisados com piscinas pelos traficantes
Foto: Notapajos.com

(...)Na casa foram presos dois estrangeiros, sendo um alemão e um colombiano, um maranhense, e uma doméstica natural de Itaituba. A mulher foi apontada como a responsável por vigiar os tanques. (...)” – texto da matéria “Quadrilha é presa acusada de tráfico de animais ”, publicada em 2 de novembro de 2011 pelo site Notapajos.com (PA)

Em 15 de julho de 2011, o jornal A Crítica  (AM), publicou “Maioria dos filhotes de peixe ornamental apreendidos pelo Ibama no AM não sobrevive”. A matéria repercutiu a apreensão de 1.206 aruanãs apreendidos na semana anterior:

“A maioria dos alevinos que seriam contrabandeados para o exterior e que são apreendidos na fronteira do Amazonas com a Colômbia morre por estar distante de seu habitat natural e por não existir estrutura adequada para acondicionar os animais.”

Vou destacar: a maioria morre porque o Ibama não tem estrutura para receber esses animais após a apreensão.

“Para evitar mais óbitos, o Ibama de Tabatinga enviou a última carga apreendida a Manaus para que os alevinos sejam abrigados em aquários ou enviados para o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e criadouros credenciados.

Gomes disse que também já solicitou da superintendência do Ibama um aquário para acondicionar os peixes após a apreensão.”


A inoperância do Ibama para as situações pós-apreensão é gritante. Não bastasse os problemas dos Cetas (Centros de Triagem de Animais Silvestres), a fauna aquática também seta desamparada.

E não dá para alegar que a demanda é pouca ou que o problema é novo (afinal até a rota já foi mapeada pelo órgão de fiscalização) para retardar o investimento em estruturas para acolher os peixes. Veja:

“Em uma outra apreensão realizada este ano, o Ibama e a PF chegaram a apreender 10 mil alevinos de aruanã. (...)

A rota do tráfico de alevinos inclui Altamira, Santarém (ambos no Pará), Manaus e Tabatinga. A viagem chega a durar 12 horas.

O plano é passar pela fronteira, por meio de Tabatinga, e chegar na Colômbia. A partir deste país, os animais são enviados para outros continentes.”
– texto da matéria publicou “Maioria dos filhotes de peixe ornamental apreendidos pelo Ibama no AM não sobrevive”

- Leia a matéria do portal G1
- Leia a matéria de Notapajos.com
- Leia a matéria de A Crítica

Um comentário:

Newton disse...

Muito pertinente esse post. Tomei a liberdade de compartilhar via Facebook.
Abraços