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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Nos canaviais, quando não queimam, matam animais com máquinas

“Dois filhotes de onça-parda foram recolhidos na madrugada da segunda-feira (2), em um canavial de Naviraí a 359 km de Campo Grande. De acordo com a Polícia Militar Ambiental (PMA) que fez o resgate, um dos filhotes não resistiu aos ferimentos causados pelas máquinas de cortar cana e morreu.

Filhote de onça-parda morto por máquina
Foto: Divulgação PMA/MS

Ainda segundo a PMA, os militares foram acionados por funcionários de uma usina sucroalcooleira onde estava sendo realizada a colheita da cana com máquinas.” – texto da matéria “Polícia ambiental recolhe filhotes de onça-parda em canavial em MS”, publicada em 2 de julho de 2012 pelo portal G1

Filhote que sobreviveu
Foto: Divulgação PMS/MS

A notícia novamente chama a atenção para o problema dos danos causados à fauna silvestre durante a colheita da cana. Normalmente, em lavouras não mecanizadas, os animais são vítimas das queimadas realizadas para preparar a retirada da produção.

Em 22 de maio de 2012, o Fauna News publicou um caso no mesmo município, em que um gato-do-mato foi encontrado com vários ferimentos provocados por queimaduras nas orelhas e os olhos e, possivelmente, iria ficar cego.

Gato-do-mato queimado em maio de 2012
Foto: Divulgação PMA/MS

“A antiquada prática da queima da palha da cana-de-açúcar contrasta com a propaganda do etanol como combustível sustentável. Pode ser menos poluente para a atmosfera no momento de sua queima nos motores, mas seu processo de produção ainda deixa a desejar.

As lavouras não mecanizadas ou pouco mecanizadas ainda utilizam a queima da palha da cana como parte do processo de colheita. O processo é economicamente arcaico e de visão administrativa de curto prazo, afinal o solo empobrece com os incêndios agrícolas obrigando mais investimentos em insumos.

Ambientalmente, o processo é um desastre. Primeiramente por depor contra a intenção do uso do etanol como combustível menos poluente, afinal de contas as queimadas lançam gases e também prejudicam a saúde dos moradores de muitas cidades vizinhas das propriedades rurais.


Canavial em chamas: temperatura chega a 800°C

Outro motivo é o impacto que essas queimadas causam na fauna silvestres. Os animais acabam mortos e feridos pelos incêndios agrícolas que se alastram com extrema velocidades e atingem temperaturas de 800°C.”
– texto do post do Fauna News “Mais uma vítima da queima da palha da cana”

Mas o que aconteceu com as duas oncinhas alerta para a necessidade dos administradores dos canaviais fazerem buscas prévias bem detalhadas nas áreas de colheita (seja com o uso de fogo ou com maquinário) para evitar danos à fauna.

O etanol só será um combustível sustentável quando, em seu processo produtivo, esse tipo de problema acabar. Não é só a comparação com a gasolina e o diesel que o fará “verde”.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Releia o post do Fauna News “Mais uma vítima da queima da palha da cana”

Um comentário:

Adriana Mello disse...

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Qual é a solução então??!! Para os canaviais???!!!! Não tê-los???!!!
As queimadas causam danos na terra e sua biovida microscópica associada, e as máquinas podem destruir vidas também.
Abração cheio de vida e esperança.
Adriana Mello