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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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terça-feira, 2 de abril de 2013

Cetas de Recife virou depósito de animais. E o futuro não é promissor

“O centro de triagem de animais silvestres do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no bairro de Casa Forte, no Recife, está passando por dificuldades. O espaço que abriga os animais apreendidos pela polícia e órgãos ambientais está superlotado, o que acaba atrapalhando a recuperação dos bichos que precisam voltar à natureza.

 Fachada da sede do Ibama em Recife, onde funciona o Cetas
Imagem: Reprodução TV Globo

(...) No espaço onde caberiam no máximo 200 animais, 300 estão sendo mantidos. Como os resgates não param de ocorrer, o Ibama passou a ocupar uma área além do abrigo, dentro do terreno da instituição, onde os animais passam o dia, e à noite voltam para a área que é mais protegida. O Ibama continua na busca para conseguir um lugar melhor para abrigar toda a demanda. "Já foram apresentadas seis propostas de locais e nós criamos uma comissão de técnicos para avaliar todos, porque há uma série de fatores. Continuamos buscando mostrar e sensibilizar as autoridades sobre a necessidade de nos ceder algum espaço", afirma a superintendente do Ibama em Pernambuco, Ana Paula Ponte. Ainda de acordo com ela, ainda não houve um consenso sobre o local mais adequado entre os membros da comissão.”
– texto da matéria “No Recife, abrigo do Ibama de animais silvestres sofre com superlotação”, publicada em 29 de março de 2013 pelo portal G1

O Cetas não tem instalações adequadas
para manter e recuperar os animais
Imagem: Reprodução TV Globo

Não é de hoje que muitos Cetas estão com sua estrutura comprometida e se transformaram em depósitos de animais. Quando não é a falta de espaço, o problema é a falta de técnicos ou de suprimentos. Veja:

‘Ontem (5 de outubro de 2011), o Fauna News publicou “O drama da pós-apreensão: o lado pouco divulgado do tráfico de animais”, em que a presidente da ONG ECO - Organização para a Conservação do Meio Ambiente, Kilma Manso, relata o esforço dela e de outros voluntários em cuidar e alimentar as 517 aves apreendidas com dois homens no interior de Pernambuco. Os animais foram levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Recife (Cetas).

O caso deixou evidente a deficiente gestão da fauna silvestre pelo Ibama – não estou falando dos servidores que, em sua maioria, se esforçam para atender às demandas. Além do narrado por Kilma, veja o que o portal G1 publicou em 4 de outubro de 2011:

“Com apenas três funcionários, o Cetas teve que pedir ajuda. Segundo Edson Lima, analista ambiental do Ibama, tudo começou com uma mensagem via e-mail para um grupo de cinco pessoas. “A mensagem foi colocada em sites de relacionamento e houve uma ‘explosão’ de voluntários nos procurando para alimentar esses animais”, disse Lima. (...)”’
– trecho do post “517 de filhotes de aves escancaram o descaso do poder público com a fauna silvestre” publicado pelo Fauna News em 6 de outubro de 2011
                              
Animais ficam amontoados em gaiolas impróprias. Estresse e doenças comprometem o bem estar dos bichos e inviabilizam qualquer trabalho de recuperação para retorno à natureza
Imagens: Reprodução TV Globo

Será que o Ibama realmente se esforçará para conseguir uma noa área para seu Cetas em Recife. Afinal, aos poucos o órgão federal tem passado para os Estados a gestão da fauna silvestre.

Em 8 de dezembro de 2011, a presidente Dilma Rousseff assinou a Lei Complementar nº 140, que determinou exatamente quais são as funções da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal na gestão e fiscalização ambiental. Dentre as funções específicas dos Estados (artigo 8º) estão:

“XVII - elaborar a relação de espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção no respectivo território, mediante laudos e estudos técnico-científicos, fomentando as atividades que conservem essas espécies in situ;

XVIII - controlar a apanha de espécimes da fauna silvestre, ovos e larvas destinadas à implantação de criadouros e à pesquisa científica, ressalvado o disposto no inciso XX do art. 7o;

XIX - aprovar o funcionamento de criadouros da fauna silvestre”.


Isso fez com que o Ibama deixasse de ser o órgão responsável por tais atividades, que devem ser exercidas pelos Estados. Mas isso não vai ser fácil, já que muitas unidades da federação não possuem infraestrutura para assumir a responsabilidade.

O futuro não está nada promissor...

- Leia a matéria completa (com vídeo) do portal G1
Releia:
- “O drama da pós-apreensão: o lado pouco divulgado do tráfico de animais”, publicado pelo Fauna News em 5 de outubro de 2011
- “517 de filhotes de aves escancaram o descaso do poder público com a fauna silvestre” publicado pelo Fauna News em 6 de outubro de 2011

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