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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Tráfico de animais com invasão de espécies e hibridismo

Artigo do biólogo e doutor em zoologia, Fabio Olmos, publicado em 16 de abril de 2013, pelo site O Eco ("O Planeta dos Macacos Mestiços") aborda um problema também gerado pelo tráfico de animais:

“Donos de bichos malcriados e autoridades ambientais com um ou vários micos na mão soltaram incontáveis saguis originários da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica do nordeste em variados locais fora de sua área de distribuição original. A esses se juntaram os primatas espertos que fugiram para uma vida de liberdade e caíram fora da psicose humana de tratar bicho como brinquedo. Dois exemplos foram o sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) e o sagui-de-tufos-negros ou mico-estrela (C. penicillata).

Sagui híbrido na Mata Atlântica de Ubatuba (SP)
Foto: Fabio Olmos

Hoje, uma ou ambas as espécies podem ser encontradas em vida livre em locais como a Baixada Fluminense, a Floresta da Tijuca, a Ilha Grande, o litoral de São Paulo, Florianópolis, Curitiba e outros lugares onde nunca ocorreram naturalmente. Áreas com geadas cada vez menos intensas, como Curitiba, permitem que esses imigrantes mais tropicais se sintam em casa.”

Esse recorte do texto de Olmos não traz exatamente a intenção de seu artigo – que vale ser lido inteiro para chegar na ótima conclusão: “E foi assim que a Terra se tornou o planeta dos macacos mestiços, alguns dos quais ainda falam em raças puras.”

Mas o que interessa para o Fauna News são os problemas causados por animais exóticos (não nativos de uma determinada área) e híbridos. Toda vez que bichos escapam do cativeiro ou são soltos em áreas em que não ocorrem naturalmente, há a possibilidade de ocorrer algum desequilíbrio em algum ecossistema. Um só animal não fará a diferença, mas quando a quantidade está envolvida, aí sim há um problema a ser enfrentado. Veja o exemplo dos saguis usado por Olmos:

“Esses invasores exóticos (porquê de outros biomas) se tornaram um novo componente em ecossistemas onde as demais espécies não co-evoluíram com um primata de pequeno porte e generalista. Há tipos de gaviões que agradecem o acréscimo ao seu cardápio, mas há lugares onde os micos (predadores de pequenos vertebrados) podem impactar, por exemplo, as populações de aves, anfíbios e lagartos. Além disso, competem com espécies nativas similares, como os ameaçados micos-leões-dourados.”

No caso dos micos-leões-dourados, a ameaça de competição envolve o mico-estrela e o também ameaçado mico-leão-da-cara-dourada, que por causa do tráfico de animais chegou a Niterói e à região de Abreu. O risco de ocorrer o hibridismo obrigou a realização de capturas de micos da-cara-dourada para sua soltura em seu hábitat natural, o sul da Bahia (leia sobre em "Cara-dourada na área do dourado: consequência do tráfico de micos-leões", publicado pelo Fauna News em 27 de março de 2013)

Quantas espécies, principalmente de aves (as maiores vítimas do tráfico de fauna), não devem estar sofrendo com o problema da competição e do hibridismo com outras espécies? Impossível prever as consequências.

- Leia o artigo completo de Fabio Olmos em O Eco
- Releia sobre “Cara-dourada na área do dourado: consequência do tráfico de micos-leões “, publicado pelo Fauna News em 27 de março de 2013)

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