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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Onça atropelada: deu sorte e não morreu

Por pouco uma onça parda não passou a ser parte de uma das mais tristes estatísticas que envolvem a fauna brasileira: 475 milhões de animais silvestres morrem por atropelamento todos os anos nas estradas e rodovias nacionais (estimativa do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas).

“Uma onça parda foi atropelada, nesta terça-feira (3), no quilômetro 336 da rodovia Marechal Rondon (SP-300), próximo ao chamado “trevo da Eny", em Bauru.

A onça sofreu ferimentos graves
Foto: Douglas Reis

Segundo o Policiamento Rodoviário, por volta das 7h, os militares foram informados de que o animal estava ferido no canteiro central da rodovia. Equipes do Zoológico Municipal de Bauru e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para ajudar no resgate.\

(...) O animal foi conduzido para Botucatu com o auxilio da PM Rodoviária e encaminhado ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas) da Unesp.

De acordo com o responsável pelo Cempas, professor Carlos Roberto Teixeira, a onça sofreu fratura no úmero da pata dianteira e apresentou um quadro de hemorragia devido ao impacto da colisão. "Nós estabilizamos a hemorragia e o quadro de saúde dela está estável. Nesta quarta-feira, às 14h, o animal passará por processo cirúrgico e o risco de morte é mínimo", afirmou.”
– texto da matéria “Bauru: onça parda é atropelada na Marechal Rondon”, publicada em 3 de dezembro de 2013 pelo site do Jornal da Cidade (Bauru – SP)

Ainda não há informações sobre sequelas. Se a sorte continuar do lado da onça, ele poderá voltar a desfrutar da vida livre. Mas existe a possibilidade de, se algum problema físico impedi-la de sobreviver na natureza, ela passar o resto da vida em cativeiro – o que para seu ecossistema é o mesmo que a morte.

O caso desse felino lembro o da onça-parda Anhanguera.

A história da onça-parda Anhanguera é uma das mais emblemáticas quando se aborda o conflito entre estradas e animais silvestres. Às 5h de 14 de setembro de 2009, o felino, um jovem macho com idade variando entre 10 meses e um ano, sai da mata e chega às margens da via Anhanguera, na altura do município paulista de Louveira. Decidido a chegar ao outro lado, ele arrisca, avança para o meio da pista e acaba atingido por um veículo.

A rodovia foi parcialmente fechada até a chegada de bombeiros e profissionais da Associação Mata Ciliar, ONG de Jundiaí (SP) que mantém uma parceria com a concessionária CCR AutoBan para atender animais resgatados na estrada e que possui o Centro Brasileiro para Conservação de Felinos Neotropicais. A onça foi então sedada, levada para a sede da ONG e ganhou o nome da rodovia.

Resgate de Anhanguera em 2009
Foto: Divulgação CCR AutoBan

Foram diagnosticadas fraturas em costelas e um dente canino quebrado. Apesar das lesões, foi constatado que Anhanguera tinha potencial para voltar à natureza. O processo de recuperação do felino durou um ano e seis meses, até sua soltura em 10 de março de 2011 em uma mata da Serra do Japi.

A história de Anhanguera foi tratada como um caso de sucesso.  O felino, com um rádio-colar, foi monitorado por meses, até a bateria do equipamento acabar. Por pouco mais de um ano, ele viveu novamente a plenitude de sua condição selvagem.

Repetindo o ocorrido em 2009, Anhanguera novamente voltou a estar na margem de uma estrada. Era 18 de abril de 2012. Dessa vez a faixa de asfalto tinha outro nome: rodovia dos Bandeirantes. Na altura do km 55, o felino aventurou-se para chegar à mata do outro lado e foi atropelado. A sorte não se repetiu: o impacto causou fraturas na coluna e nas costelas, além de ruptura do fígado e do diafragma. A morte foi instantânea.

“A onça Anhanguera foi um marco da nossa luta pela conservação. Houve uma comoção muito grande quando soubemos da sua morte porque todos acompanhavam sua história e torciam por um final feliz. No entanto, ele mostrou que o fato de estar livre não garante a sobrevivência, isto é, o ambiente natural está sendo cada vez mais modificado e com tal rapidez que os animais não conseguem se adaptar”, salienta a veterinária e Coordenadora de Fauna da Associação Mata Ciliar, Cristina Harumi Adania.

A Associação Mata Ciliar atualmente conta com um centro cirúrgico especializado em atendimentos a animais silvestres, uma ambulância para resgates e mantém uma equipe com cinco veterinários que atende 24 horas. A ONG recebe, em média, 150 animais por mês (número que inclui os atropelados).

- Leia a matéria completa do Jornal da Cidade

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