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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quinta-feira, 29 de maio de 2014

Lorena (SP): prefeitura sinaliza preocupação com tráfico de animais

Quando se aborda a atuação do poder público no combate ao tráfico de animais, normalmente a responsabilidade é passada para a União e os Estados. Não são muitos os prefeitos que orientam a guarda municipal a reprimir a venda ilegal de silvestres e a criação doméstica sem autorização, bem como poucos são os que investem em centros de triagem (Cetas) para receber os bichos apreendidos e dar uma destinação adequada aos mesmos.

A cidade de São Paulo mantém uma Divisão de Fauna, em que atende animais apreendidos e dá um destino adequado a eles. Bragança Paulista (SP) firmou um convênio com a Associação Mata Ciliar para a organização atuar em seu Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras). São Penas alguns exemplos, dos poucos que existem.

Agora foi a vez de Lorena (SP), município situado no Vale do Paraíba. No município já existe um Cetas, administrado pelo Ibama e situado dentro da Floresta Nacional de Lorena. A iniciativa da prefeitura é intensificar a repressão ao mercado negro de animais.

Entrada da Floresta Nacional de Lorena, onde funciona o Cetas
Foto: ICMBio

“Lorena será a sexta no Vale do Paraíba e litoral norte a contar com serviço da atividade delegada, conhecido como 'bico oficial' da Polícia Militar. Inicialmente, seis policiais atuarão com objetivo de reforçar a fiscalização e segurança no município. Os trabalhos estão previstos para terem início no segundo semestre.

(...) A lei para autorizar a atividade delegada em Lorena foi assinada pelo prefeito Fábio Marcondes (PSDB) na última terça-feira (13). Segundo a prefeitura, a expectativa é que o convênio seja assinado pelo Comando de Policiamento do Interior 1 (CPI-1) e pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Os policiais em trabalho extra ficarão responsáveis pela fiscalização de ruídos, comércio irregular e apoio ao transporte alternativo e escolar. "Uma das maiores reclamações que temos na cidade é quanto a ruídos, mas também vamos atuar com apoio ao transporte e na zona rural, para combater tráfico de animais e outras irregularidades", afirmou o secretário de Segurança Municipal, Benedito Donizetti da Rosa.”
– texto da matéria “Lorena será sexta cidade do Vale a aderir ao 'bico oficial' da PM”, publicada em 15 de maio de 2014 pelo portal G1

Parabéns à prefeitura de Lorena por ter a defesa da fauna entre os objetivos desse reforço policial.
Foto: site prefeitura Lorena
Mas vale lembrar ao prefeito Fábio Marcondes (foto ao lado) que o combate ao tráfico de animais não pode ficar restrito a ações de fiscalização e repressão. Como o município já possui um Cetas em seu território (que como todos do Ibama vive em dificuldades), o poder público deve investir na mais prioritária das frentes: educação ambiental.

Prefeito Fábio Marcondes, só existe quem vende porque tem quem compra. Por isso, invista em campanhas e atividades permanentes para conscientizar a população do problema que é criar animais silvestres como bichos de estimação (principal motor do tráfico de fauna no Brasil).

Estimativa de 2001 da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) indica que 38 milhões de animais são retirados da natureza todos os anos para abastecer o comércio ilegal (sem contar peixes e invertebrados). Além do dano ambiental, que pode levar a extinções regionais de espécies, desequilíbrio de ecossistemas e a uma infinidade de crueldades contra os bichos, o poder público tem de pensar nos problemas de saúde pública envolvidos.

Mais de 180 zoonoses (doenças transmitidas por animais a humanos) relacionadas ao tráfico de animais já foram identificadas. Os animais retirados diretamente da natureza podem levar para as residências muitas doenças. A raiva é uma delas.

Invista em educação ambiental com projetos permanentes. Mudanças de habito demoram, mas acontecem. Envolva as secretarias de Meio Ambiente, Educação e Cultura.

O meio ambiente agradece e os cofres da prefeitura, que gastará menos com a redução de doentes, também.

- Leia a matéria completa do portal G1

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