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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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sexta-feira, 20 de junho de 2014

O tráfico de animais e a extinção de espécies. Foi assim em Belém (PA)

A extinção de espécies motivada pelo comércio ilegal de animais tem na ararinha-azul seu caso mais emblemático no Brasil. Pela perda de hábitat e ação do mercado negro, essas aves já não existem mas na natureza – o sertão baiano. Menos de 100 delas vivem em cativeiro.

Mas esse tipo de situação (que inclui o tráfico de fauna e o comércio de animais em época em que a atividade não era proibida) é bem mais comum do que se imagina. É o que se verificou na região de Belém (PA).

“Publicada recentemente na revista internacional Conservation Biology, pesquisa aponta que 47 espécies de aves podem ter desaparecido na região metropolitana de Belém nos últimos duzentos anos. Os últimos registros destes animais foram antes de 1980. Este é um dos grupos que sofreram perdas dentro da Área de Endemismo Belém, a mais ameaçada da Amazônia com apenas 28% de floresta original. A pesquisa foi realizada pelo INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia e a Rede Amazônia Sustentável (RAS). A pesquisa é liderada pelos ornitólogos Nárgila Moura, Alexander Lees e Alexandre Aleixo, todos vinculados ao Museu Emílio Goeldi (MPEG).

A partir de uma extensa análise de coleções científicas e de documentos históricos, como os relatos de naturalistas do século XIX, os pesquisadores puderam identificar 329 espécies de aves de terra firme que ocorriam na região metropolitana. Destas, 14% não foram mais vistas, o que pode significar uma perda de 0.28 espécies por ano. Para se ter uma ideia, em um intervalo de 117 anos a perda anual na Mata Atlântica, na área de Lagoa Santa (MG), foi de 0.11. De acordo com o estudo, o período de perdas mais intensas foi no século XX, com 80% de registros entre 1900 e 1980.

Causas
Os dados históricos foram comparados aos inventários de biodiversidade de Paragominas (PA), um dos locais de estudo do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia e da Rede Amazônia Sustentável. O município é o que possui a maior extensão de florestas na área de endemismo Belém. Os pesquisadores identificaram que as espécies que desapareceram da região metropolitana têm ocorrência restrita às áreas de floresta intactas em Paragominas. A hipótese da extinção local está relacionada à suscetibilidade destas aves à perda de habitat e à caça.

Treze espécies registradas antes de 1900 possuem massa superior a 1 kg. São aves de caça, aves de rapina e psitacídeos de alto valor comercial, como o jacamim-de-costas-escuras (Psophia obscura), gavião-real (Harpia harpyja) e ararajuba (Guarouba guarouba), respectivamente. A explicação que os pesquisadores dão é a de que as extinções destes animais maiores ocorreram devido à caça para alimentação, além da perseguição de aves que atacavam criações de animais e do comércio ilegal.”
– texto da matéria “Em Belém, PA, 47 espécies de aves estão provavelmente extintas”, publicada em 12 de junho de 2014 pelo site Amazônia, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira

Ararajuba: desaparecida da região de Belém
Foto: João Carlos Medau

Extinções locais são mais comuns do que se pensa e pouco se divulga sobre o fenômeno. Muitas podem ser as causas e entre elas pode estar o tráfico de animais. O mercado negro de fauna é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores ataques à biodiversidade promovidos pelo homem.

De acordo com a ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza brasileiras todos os anos pelo mercado negro de fauna (dado de 2001).

- Leia a matéria completa do site Amazônia

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