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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Traficantes de animais atacam até os empalhados

Ontem, em “Rinocerontes: resolveram matar o paciente!”, escrevi sobre a decisão do governo da África do Sul em permitir que os chifres de rinocerontes fossem serrados como forma de parar a matança desses animais. Afinal, é mais fácil arrancar a valiosa parte do animal no mercado negro do que realizar uma fiscalização efetiva e eficiente.

Mas o assunto não foi esgotado. Ao menos para mim. Veja o porquê.

Um quilo de chifre de rinoceronte, em pó, vale cerca de US$ 97.500 no mercado negro. Mais que ouro, heroína ou cocaína. Valor tão alto é explicado pela grande demanda da China e dos países do sudeste asiático, onde o produto é considerado afrodisíaco ou remédio contra câncer, rente à pouca oferta – já que a caça do animal é ilegal e as populações das espécies estão em franco declínio.

Como está cada vez mais difícil conseguir na natureza, os traficantes de partes de animais agora estão atacando os espécimes empalhados de museus da África do Sul e da Europa. Uma das vítimas foi o Museu de Ipswich, no Reino Unido, em 28 de julho. Dois homens arrombaram o local e nem se interessaram, por exemplo, pela máscara mortuária egípcia folheada a ouro de 2 mil anos. A dupla quebrou o chifre do rinoceronte que está em exposição desde 1907.


Rinoceronte atacado do Museu de Ipswich
Foto: David Corio para The New York Times

Os ladrões, segundo matéria do The New York Times publicada em 26 de agosto de 2011, fariam parte de uma quadrilha conhecida como “viajantes irlandeses” (também envolvida com entorpecentes e lavagem de dinheiro) e que já atacou um castelo tcheco e museus e antiquários na Alemanha, França, Itália Portugal e Suécia.

O último caso aconteceu no Museu de Ciências Naturais, em Bruxelas, na Bélgica.

“A dupla entrou na galeria do museu e carregou até o banheiro a cabeça do rinoceronte, que pesa cerca de 30 kg. De lá, desceram a peça pela janela até uma van que aguardava no local.” – texto da matéria “Ladrões roubam museu de ciência e levam cabeça de rinoceronte” da Folha de S. Paulo de 1º de agosto de 2011

http://stoprhinopoaching.com/
“De acordo com o jornal britânico Guardian, nos últimos seis meses, museus europeus registraram cerca de 20 roubos desse tipo. Nos EUA, o Times diz que, neste ano, pelo menos 30 ocorrências desse tipo foram relatadas.” – texto da matéria “Ladrões roubam chifres de rinocerontes”, publicada pelo portal R7 em 30 de agostos de 2011 com a infeliz chamada “Esquisitices” e o primeiro parágrafo em tom de brincadeira mais infeliz ainda:

“Parece uma brincadeira besta, mas, se você estiver em um museu e reparar que há alguém ao seu lado rapelando o chifre de um rinoceronte empalhado, chame os seguranças imediatamente.”

- Leia a matéria do The New York Times (em inglês)
- Leia a matéria da Folha de S. Paulo
- Leia a matéria do portal R7
- Conheça o movimento “Stop Rhino Poaching” (pare com a caça ilegal de rioncerontes)
- Releia “Rinocerontes: resolveram matar o paciente!” publicada em 28 de setembro de 2011 pelo Fauna News

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