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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

A morte de uma onça-parda e a estrutura do poder público no manejo de animais

Em 28 de julho de 2011, escrevi “O encontro com animais silvestres e a falta de estrutura do poder público”, em que abordei a orientação dada pela Polícia Militar paulista a pessoas que haviam encontrado um bicho-preguiça no quintal de uma residência em Mogi das Cruzes. Sem ter equipe da PM Ambiental disponível para atender o caso, os moradores ouviram do atendente que deveriam soltar o animal no mato.

Fiz as seguintes considerações:

"- o avanço da ocupação humana nos hábitats da fauna silvestre fará com que casos como os acima noticiados sejam cada vez mais comuns;

- exatamente por causa dessas ocorrências se tornarem freqüentes, o poder público tem a obrigação de ter infraestrutura adequada para atendimento e orientação à população. Mandar pessoas leigas manejar o bicho-preguiça (que poderia estar doente e necessitando de cuidados, além do risco de causar ferimentos nas pessoas e transmitir alguma zoonose), soltá-lo na mata (será que o local de soltura a ser escolhido será o adequado?) foi o correto?

Com certeza não."

E essa falta de infraestrutura para atender esse tipo de situação pode ter causado a morte – por enforcamento - de uma onça-parda em Minas Gerais. Em 27 de julho de 2011, em Patos de Minas (MG), um grupo do Corpo de Bombeiros realizou o resgate do felino que estava no porão de uma casa.


Onça-parda sendo capturada pelos bombeiros
Foto: Toninho Cury
“Durante os trabalhos, o animal morreu. Bastante debilitada, talvez por falta de alimento e água, a onça foi laçada e não resistiu, morrendo antes de chegar a uma clínica veterinária para receber cuidados necessários. A causa pode ter sido por enforcamento.

O subtenente Fernandes, do Corpo de Bombeiros, afirma que a captura foi feita de acordo com a necessidade para o momento, evitando a fuga do animal. Segundo o subtenente a morte da onça não foi em virtude da captura, mas sim pelo estado de saúde da sussuarana.

Após a captura, o animal foi encaminhado para um especialista, o veterinário  Marcos Paulo, que avaliou o estado de saúde da sussuarana. O veterinário afirma que a onça estava realmente debilitada e doente e apresentava quadro de anemia. O estresse durante a captura pode também ter colaborado para a morte do animal antes de receber cuidados do veterinário.”
– texto da matéria “Onça morre ao ser capturada em Patos de Minas”, publicada no site Clube Notícia


Onça-parda morta no consultório veterinário
Foto: Toninho Cury

Será que os bombeiros envolvidos na ocorrência têm o treinamento necessário para avaliar o estado do animal e decidir a melhor maneira de captura? Será que esses profissionais tinham o equipamento correto para efetuar o trabalho nas circunstâncias daquele momento?

Alguém pode me responder?

- Leia a matéria “Onça morre ao ser capturada em Patos de Minas”, publicada no site Clube Notícia em 27 de julho de 2011.
- Leia a matéria do Fauna News “O encontro com animais silvestres e a falta de estrutura do poder público”, de 28 de julho de 2011.
- Saiba mais sobre a onça-parda (site do Zoológico de São Paulo).

Assita ao vídeo sobre a morte da onça-parda em Minas Gerais:

video

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