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sábado, 24 de agosto de 2013

Resumo da semana

Saiba o que foi destaque esta semana no Fauna News.

Segunda-feira (19 de agosto)
Começar a semana pensando...
“Um mundo sem elefantes é difícil de se compreender, mas é uma possibilidade real”, afirma Dame Daphne Sheldrick, da ONG The David Sheldrick Wildlife Trust.

Rodovia AM-070: duplicação e indução de urbanização afetando animais. Cadê o poder público?
A duplicação da rodovia Manuel Urbano (AM-070) e as recentes invasões na região têm dispersado a fauna silvestre e provocado acidentes no decorrer da pista.

A duplicação custará R$ 224 milhões
Fotos: Adriana Santos

Terça-feira (20 de agosto)
BR-163 (MS): anta morre o motorista fica ferido. Rodovia precisa de atenção
Ernano Torquatro ficou gravemente ferido após atropelar uma anta e capotar seu Fiat Pálio na rodovia BR-163, entre Sonora e Pedro Gomes (MS). Medidas para evitar acidentes com animais têm sido tomadas. Mas será que são suficientes?

Anta envolvida no acidente
Foto: Sidney Assis

Entrega de 14 jabutis: preocupação com a Justiça e não com os animais
Um morador de Marialva (PR) procurou a Polícia Ambiental de Maringá para fazer a entrega voluntária de 14 jabutis que pertenciam a sua mãe, recém-falecida. Ele teria tomado a decisão para evitar problemas com a Justiça.

Quarta-feira (21 de agosto)
Macaco Chico: dilema entre o bem estar animal e o combate ao tráfico de fauna
Dezesseis dias depois de ter sido apreendido pela Polícia Militar Ambiental, o macaco-prego fêmea Chico retornou para a família que o criou ilegalmente durante 37 anos em São Carlos (SP). Ela foi devolvida em cumprimento de uma decisão liminar da Justiça em favor do pedido de Elizete Farias Carmona, de 71 anos.

Chico no reencontro com dona Elizete
Foto: Fabio Rodrigues/G1

Em Ponta Grossa (PR), prenderam caçadores do tráfico
A Polícia Ambiental prendeu dois homens e apreendeu mais de 30 pássaros silvestres ( boa parte havia acabado de ser capturada) em Ponta Grossa (PR). Eles forneciam aves para a venda ilegal em São Paulo.

Quinta-feira (22 de agosto)
Atropelamentos e captura ilegal de preguiças na BR-101 em Pernambuco
Operação resgatou seis preguiças de uma mata localizada às margens da BR-101, no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes (PE). A ação foi deflagrada por causa da ocorrência de atropelamentos dos animais e de denúncias de que moradores da região estariam capturando os bichos e levando para casa.

Preguiça com filhote sendo capturada
Foto: Valter Andrade/PMJG

Sexta-feira (23 de agosto)
Até baleia é atropelada
Uma baleia foi localizada morta no litoral de Prado (BA). Da espécie jubarte, o animal foi visto por pescadores na região conhecida como 'barra'. Uma das hipóteses para a morte é o atropelamento por um navio pesqueiro ou cargueiro.

Reflexão para o fim de semana: qual a história deste bugio?
Bugio é encontrado por moradores do bairro Belém Novo, em Porto Alegre (RS) amarrado a um poste.

Foto: Matheus Piccini/AE

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Até baleia é atropelada

O Fauna News seleciona e comenta notícias sobre dois assuntos: tráfico de fauna e os impactos que rodovias causam nos animais silvestres, sendo que os casos de atropelamentos são uma constante.

Hoje, o Fauna News vai fugir um pouco de sua linha editorial. Um animal silvestre foi atropelado, mas no mar...

“Na manhã desta sexta-feira, dia 15, uma quarta baleia foi localizada morta no litoral do município do Prado, no extremo sul da Bahia. Da espécie jubarte, o animal foi visto por pescadores na região conhecida como 'barra'. Uma das hipóteses para a morte por ter sido atropelamento por um navio pesqueiro ou cargueiro. As suspeitas sobre o atropelamento devem-se à presença de navios na mesma rota das baleias.

Urubus comendo os restos da baleia
Foto: site Primeiro Jornal

(...) Segundo a médica veterinária do instituto Baleia jubarte, Adriana Colosio, essa é a quarta baleia Jubarte encontrada morta, num período inferior à um mês, apenas no município do Prado. "Devido ao fato do acesso dificultado, fica impossível realizar os exames necessário no animal. Aguardamos que a correnteza do mar desloque os restos para a praia, quando será possível realizar todos os procedimentos", destacou.”
– texto da matéria “Quarta baleia jubarte encontrada morta em Prado”, publicada em 16 de agosto de 2013 pelo site baiano Primeiro Jornal

Esse é o quarto caso em menos de um mês, mas outros já foram registrados este ano. Inclusive com suspeita de atropelamento por navio:

“Uma baleia jubarte macho com 13 metros de comprimento e peso estimado de 35 a 40 toneladas foi encontrada morta, na praia de Barra Velha, em Nova Viçosa, litoral sul da Bahia.

Primeira jubarte morta em 2013
Foto: Divulgação Instituto Baleia Jubarte

É o primeiro caso de baleia jubarte encontrada morta em 2013.

Pesquisadores do Instituto Baleia Jubarte (IBJ) se deslocaram nesta quarta-feira (12) para o local para averiguar sinais de fratura na baleia, que pode ter sido atropelada por um navio.

As suspeitas sobre o atropelamento, segundo o instituto, devem-se à presença de hemorragia intensa próxima à região dorsal e de alguns hematomas no corpo da baleia.”
– texto da matéria “Baleia jubarte é encontrada morta no litoral sul da Bahia”, publicada em 12 de junho de 2013 pelo site do jornal Folha de S. Paulo

Todo ano as baleias jubarte migram para o litoral baiano, especialmente para a região do Arquipélago de Abrolhos. Estimativa do Projeto Baleia Jubarte indicam que cerca de 9 mil jubartes vindas da Antártida frequentem nosso litoral entre julho a novembro, período reprodutivo.

Jubarte saltando na costa brasileira
Foto: Divulgação instituto Baleia Jubarte

Uma pergunta: será que não é possível desviar as rotas de navios e grandes embarcações nesse período ou preparar alguma rota em que haja monitoramento para evitar esses atropelamentos?

- Leia a matéria completa do Primeiro Jornal
- Leia a matéria completa da Folha de S. Paulo
- Conheça o Projeto Baleia Jubarte e saiba mais sobre a espécie

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tubarões e arraias: do perigo de extinção à falta de informação

“Das 169 espécies (de tubarões e arraias que ocorrem no Brasil), duas estão “Regionalmente Extintas” (RE) e 60 se encontram em alguma categoria de ameaça, sendo 29 “Criticamente em Perigo” (CR), sete “Em Perigo” (EN) e 20 “Vulnerável” (VU). Apenas 31, foram avaliadas como "Menor Preocupação" (LC) e 16 como "Quase Ameaçada" (NT).” Essa  é uma parte do texto que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Ministério do Meio Ambiente, utilizou para divulgar os resultados da avaliação preliminar de uma pesquisa sobre os riscos de extinção desses peixes.

O trabalho, que envolveu mais de 50 especialistas, começou em 2009 e agora está na fase de validação para sua publicação final. Além de quase um terço dos chamados elasmobrânquios (tubarões e arraias) estarem ameaçadas de desaparecer, o estudo apresenta outro dado preocupante:

“O número de espécies com "Dado Insuficiente" (DD) foi considerado especialmente alto (59), indicando que as incertezas taxonômicas e a falta de informações populacionais são um grande problema de conservação para esse grupo.” – texto original do ICMBio.

Essa última afirmação indica que o número de espécies em risco de extinção pode ser ainda maior e escancara a falta de informações sobre a biodiversidade marinha brasileira.


Tubarão pescado ilegalmente apreendido em abril no Pará
Foto: Divulgação/Ibama

Segundo Monica Peres, da Coordenação de Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade do ICMBio, “a pesca excessiva e não regulamentada foi, e continua sendo, a maior ameaça para esse grupo nas águas brasileiras. Pescarias importantes no passado estão hoje colapsadas, como a pesca de cação-anjo, do cação-bico-doce, entre outras. Apesar de muitas espécies já constarem em listas oficiais de espécies ameaçadas, elas continuam sendo ameaçadas pela captura acidental em diversas pescarias ao longo da costa brasileira.”

A ação exploratória do homem, aliada às taxas de fecundidade e mortalidade natural extremamente baixas – o que reduz bastante a reposição populacional -, são apontadas como as causas dos problemas enfrentados por tubarões e arraias no Brasil.

Enquanto desconhecemos (afirmação do próprio ICMBio) nossa super-explorada biodiversidade marinha...

“O Brasil pretende construir “modernos” navios de pesquisa nos estaleiros do país para integrar a frota que será usada no mapeamento da plataforma continental brasileira. A informação foi dada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, depois de reunião com representantes da Marinha nesta terça-feira (21) no Rio de Janeiro.

A ideia do Ministério da Ciência e Tecnologia é conhecer os 4,5 milhões de quilômetros quadrados do mar territorial brasileiro e da zona econômica exclusiva do país, a fim de identificar potenciais econômicos, conhecer a biodiversidade e estudar os efeitos das mudanças climáticas e da poluição no mar brasileiro.”

Eu teria ficado feliz caso eu não tivesse lido até o fim a matéria acima, de 21 de junho do jornalista Vitor Abdala, da Agência Brasil. Afinal, na sequencia está: “O mapeamento ainda está sendo planejado, em parceria com a Marinha, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a estatal petrolífera Petrobras e a mineradora privada Vale.”

E quando o dedo das multinacionais que exploram petróleo está envolvido, fica difícil confiar em ações que não promovam problemas ambientias:

“Chegou ao fim um dos maiores berços da vida aquática do Brasil, o Arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia. Rota das baleias que vêm fugir do frio, a região sofrerá com a presença de 5 multinacionais, inclusive a Petrobras, que explorarão 16 concessões de poços na área. A liminar obtida pelo Ministério Público da Bahia proibindo a atividade no Parque Nacional Marinho de Abrolhos foi cassada por decisão do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. Agora só resta esperar uma definição final do Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se libera ou não as licenças para que a Petrobras (11 blocos), Perenco (2 blocos), Queiroz Galvão, Shell e ONGC iniciem as operações.” – nota do site Bahia Negócios on line (edição de hoje). Observação do Fauna News: as áreas a serem exploradas não ficam dentro do perímetro do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, mas na região."

Dados divulgados pelo Greenpeace:

“O caso que melhor ilustra esse embate está no entorno do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, um área relevantíssima para a reposição de nossos estoques pesqueiros e que, por isso mesmo, deveria no mínimo ter um cinturão de proteção adicional à sua volta. A região é local de reprodução de baleias jubarte e aporta os maiores recifes de corais do Atlântico Sul. Garante ainda o sustento de 20 mil pescadores, que contribuem com 10% da produção pesqueira nacional.”

- Leia a matéria do portal G1 sobre a pesquisa do ICMBio sobre tubarões e arrais no Brasil.
- Leia a matéria da Agência Brasil sobre a construção de navios para pesquisa.
- Leia a nota do Bahia Negócios on line sobre a exploração de petróleo na região de Abrolhos.
- Leia um texto do Greenpeace que aborda a exploração de petróleo em Abrolhos.