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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Construção e duplicação de rodovias: impacto zero não existe, mas deve ser a meta

“Apesar de nem sempre serem vistos pelas pessoas, muitos animais silvestres vivem às margens das rodovias. Em iniciativa da Cart, empresa responsável pela administração de rodovias da região, é realizado o resgate e transferência para local seguro anfíbios, mamíferos, répteis, aves e insetos encontrados nas áreas das futuras obras de duplicação de vias e que não conseguiriam dispersar-se por meios próprios.

Felino sendo resgatado na área de duplicação da Raposo Tavares (SP)
Foto: divulgação Nature

De acordo com a empresa, eles são soltos em áreas próximas que não sofrerão interferência das obras. O Projeto de Remanejamento de Fauna foi aprovado pela Cetesb e pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, informa a Cart, que contratou uma empresa especializada em soluções ambientais, que utiliza métodos de captura e manejo da fauna.

Após a obtenção do licenciamento ambiental, mas antes que as máquinas comecem a trabalhar na supressão da vegetação, é feito um inventário da fauna existente no trecho onde serão realizadas obras. Os animais silvestres encontrados na área da futura obra, quando constatada a impossibilidade de se dispersarem por próprios meios, são removidos.

Números
Na duplicação da Rodovia Raposo Tavares, nos municípios de Rancharia e Martinópolis, em 2013, foram resgatados 241 animais, entre anfíbios, mamíferos, répteis, aves e insetos. Ninhos com ovos ou filhotes e até colmeias de abelhas nativas também são realocados.”
– texto da matéria “Animais são retirados de áreas próximas de rodovias”, publicada em 4 de junho de 2014 pelo Portal Prudentino (Presidente Prudente - SP)

Toda estrada e rodovia causa impacto na fauna. Sempre. O simples fato da construção da via já fragmente o hábitat de alguma espécie, tornando-se uma barreira – que pode ser intransponível para alguns animais ou um obstáculo perigoso a mais para outros. O som dos veículos em movimento, a emissão de poluentes no ar, os derramamentos e vazamentos de combustível e óleo, o lixo jogado pelos motoristas, os atropelamentos e a ocupação das margens por empreendimentos residenciais e comerciais, entre tantos outros, afetam a vida dos silvestres.

Antes da construção das estradas e rodovias, esses impactos têm de ser previstos, dimensionados e reduzidos o máximo possível – inclusive com a alteração do traçado da via. Nesses casos e nas duplicações (como da Raposo Tavares), os animais têm de ser retirados antes do início das obras e transferidos para áreas com as mesmas características do hábitat original de cada espécie.

Infelizmente, esse trabalho todo nem sempre é feito com o cuidado que merece – nenhuma referência ao serviço feito pela empresa contratada pela Cart. E mesmo quando o é, ainda haverá algum bicho que poderá sofrer danos durante as obras.

O monitoramento deve ser constante durante a construção ou duplicação, com operários trabalhando com cuidado e devidamente orientados a acionar profissionais capacitados para o resgate do bicho encontrado.

Impacto zero não existe, mas deve ser a meta.

- Leia a matéria completa do Portal Prudentino

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Silvestres na rodovia Raposo Tavares (SP): quem sabe um futuro melhor

“A Rodovia Raposo Tavares deve receber, até 2015, túneis para a travessia de animais. A obra será executada pela Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), que administra o trecho na região de Presidente Prudente e visa diminuir o número de atropelamentos registrados, que segundo especialistas, é a principal causa de morte de animais vertebrados no Brasil.

Nova passagem de fauna na rodovia Raposo Tavares (SP)
Foto: divulgação Cart

O investimento total neste projeto será é de mais de R$ 4 milhões e passa também pela Rodovia João Baptista Cabral Rennó, com a construção de cerca de 60 passagens para a fauna. Na primeira fase, o objetivo é construir ou adaptar as passagens sob o asfalto para evitar que haja a travessia da fauna pela pista. Nos pontos com maior quantidade de animais de médio e grande porte, também serão colocadas telas dos dois lados das vias, formando uma barreira que irá guiá-los até o túnel debaixo da pista.

Nos trechos no qual já existiam os túneis, serão realizadas obras para reformá-los. Os pontos escolhidos para as construções foram apontados em levantamento realizado durante cinco anos pela Cart dos locais onde houve mais atropelamentos, além um estudo do ecossistema da região que apontou onde mamíferos e répteis são maiores – em geral, próximos aos rios.

Na Rodovia Raposo Tavares, serão construídos ou adaptados, 54 pontos de passagens. Entre os quilômetros 471 e 542 (de Maracaí a Regente Feijó), a obra está na fase de instalação de telas. Já do quilômetro 576 a 654 (Álvares Machado a Presidente Epitácio), ainda será feita as construções dos túneis. Ainda nesse trecho, há a previsão da colocação de 226 secções nas barreiras new jersey, separando as pistas, para facilitar a travessia dos animais que adentrarem as vias.

Além destas instalações, sinalizações serão reforçadas nas vias, com placas de advertência do tipo “Animais Selvagens”, que serão colocadas entre 50 e 80 metros das proximidades das regiões com maior incidência de animais.”
– texto da matéria “Túneis de travessia de animais serão instalados em rodovia”, publicada em 21 de maio de 2014 pelo portal G1

A iniciativa parece ter sido bem estudada e planejada. Passagens de fauna, cercas, abertura nas barreiras que separam as pistas para permitir a travessia de animais que chegam às pistas, sinalização. E tudo em trechos indicados após levantamentos. Muito bom.

Apesar de tudo, duas iniciativas poderiam também ser aplicadas: a instalação de radares para controle de velocidade nos trechos com maior incidência de atropelamentos e a realização de campanhas permanentes de divulgação em rádios, jornais e emissoras de televisão da região.

Parabéns à Cart. E, se sentirem a necessidade, não deixem de investir nos radares e nas campanhas.

Sobre a apuração do portal G1, seria interessante para o leitor saber quais as espécies são as mais atropeladas na região e qual a quantidade de silvestres atingidos. Deu para perceber que a matéria não foi feita com base em entrevista, mas apenas com as informações de um release (texto de divulgação) da concessionária.

- Leia a matéria completa do portal G1