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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Silvestres na rodovia Raposo Tavares (SP): quem sabe um futuro melhor

“A Rodovia Raposo Tavares deve receber, até 2015, túneis para a travessia de animais. A obra será executada pela Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), que administra o trecho na região de Presidente Prudente e visa diminuir o número de atropelamentos registrados, que segundo especialistas, é a principal causa de morte de animais vertebrados no Brasil.

Nova passagem de fauna na rodovia Raposo Tavares (SP)
Foto: divulgação Cart

O investimento total neste projeto será é de mais de R$ 4 milhões e passa também pela Rodovia João Baptista Cabral Rennó, com a construção de cerca de 60 passagens para a fauna. Na primeira fase, o objetivo é construir ou adaptar as passagens sob o asfalto para evitar que haja a travessia da fauna pela pista. Nos pontos com maior quantidade de animais de médio e grande porte, também serão colocadas telas dos dois lados das vias, formando uma barreira que irá guiá-los até o túnel debaixo da pista.

Nos trechos no qual já existiam os túneis, serão realizadas obras para reformá-los. Os pontos escolhidos para as construções foram apontados em levantamento realizado durante cinco anos pela Cart dos locais onde houve mais atropelamentos, além um estudo do ecossistema da região que apontou onde mamíferos e répteis são maiores – em geral, próximos aos rios.

Na Rodovia Raposo Tavares, serão construídos ou adaptados, 54 pontos de passagens. Entre os quilômetros 471 e 542 (de Maracaí a Regente Feijó), a obra está na fase de instalação de telas. Já do quilômetro 576 a 654 (Álvares Machado a Presidente Epitácio), ainda será feita as construções dos túneis. Ainda nesse trecho, há a previsão da colocação de 226 secções nas barreiras new jersey, separando as pistas, para facilitar a travessia dos animais que adentrarem as vias.

Além destas instalações, sinalizações serão reforçadas nas vias, com placas de advertência do tipo “Animais Selvagens”, que serão colocadas entre 50 e 80 metros das proximidades das regiões com maior incidência de animais.”
– texto da matéria “Túneis de travessia de animais serão instalados em rodovia”, publicada em 21 de maio de 2014 pelo portal G1

A iniciativa parece ter sido bem estudada e planejada. Passagens de fauna, cercas, abertura nas barreiras que separam as pistas para permitir a travessia de animais que chegam às pistas, sinalização. E tudo em trechos indicados após levantamentos. Muito bom.

Apesar de tudo, duas iniciativas poderiam também ser aplicadas: a instalação de radares para controle de velocidade nos trechos com maior incidência de atropelamentos e a realização de campanhas permanentes de divulgação em rádios, jornais e emissoras de televisão da região.

Parabéns à Cart. E, se sentirem a necessidade, não deixem de investir nos radares e nas campanhas.

Sobre a apuração do portal G1, seria interessante para o leitor saber quais as espécies são as mais atropeladas na região e qual a quantidade de silvestres atingidos. Deu para perceber que a matéria não foi feita com base em entrevista, mas apenas com as informações de um release (texto de divulgação) da concessionária.

- Leia a matéria completa do portal G1

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Trafegando em estradas que cortam unidades de conservação

Estradas e rodovias, quando cortam unidades de conservação de proteção integral (como parques, reservas biológicas e estações ecológicas), devem ter tratamento especial. Afinal, o risco de animais silvestres se arriscarem na faixa de asfalto é grande. Infelizmente, apesar das iniciativas para tentar reduzir os atropelamentos de fauna na BR-471 corta 17 quilômetros da Estação Ecológica do Taim, no Rio Grande do Sul, os resultados ainda são preocupantes.

“O alto índice de mortes de animais na estrada que cruza a Reserva Ecológica do Taim, na Região Sul do Rio Grande do Sul, preocupa os administradores do local. Em 2013, foram 320 casos. No ano passado, o número chegou a 450.

Capivara se arrisca em travessia na BR-471
Imagem: RBS TV

A BR-471 corta 17 quilômetros do Taim. Para evitar danos à fauna, em 2011 o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) começou a colocar telas em uma extensão de dez quilômetros, a fim de não fragmentar as comunidades de animais. A proteção ainda não foi concluída, mas o número de atropelamentos está fazendo com que o Instituto Chico Mendes mude de ideia e queira aumentar a área de proteção.” – texto da matéria “Mortes de animais no RS preocupam administradores da Reserva do Taim”, publicada em 14 de dezembro de 2013 pela página Nossa Terra do portal G1

Os 10 quilômetros de cerca não estão resolvendo, tanto que o gestor da estação ecológica, Henrique Ilha, já pensa em cercar toda a extensão da BR-471 que corta a unidade de conservação, além de aumentar as passagens de fauna (túneis para travessia de animais).

A matéria do G1 não abordou a questão do limite de velocidade nesses 17 quilômetros e atividades de conscientização dos motoristas que utilizam o trecho da estrada. Em áreas com alta probabilidade de animais tentarem cruzar a estrada, como as unidades de conservação, é, no mínimo, prudente fazer com que motoristas dirijam mais devagar.

Esses mesmos motoristas têm de estar cientes que, naquele trecho de rodovia, há boas chances de animais aparecerem. Campanhas educativas, com sinalização, distribuição de folhetos e campanhas em rádio, por exemplo, são boas alternativas.

Com motoristas trafegando em velocidade menor e mais atentos para a questão, com certeza os índices de atropelamentos diminuem.

De acordo com o Centro Brasileiros de Estudos em Ecologia de Estradas, 475 milhões de animais silvestres morrem por atropelamentos todos os anos nas estradas e rodovias brasileiras.

- Leia a matéria completa do portal G1

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Mais que passagens de fauna

“Um dos problemas apontados pelos pesquisadores é que a maioria das estradas do interior não conta com passagens para que os bichos possam atravessar de um lado para outro. Muitos atropelamentos acontecem porque as estradas separam os locais onde estão os ninhos e tocas de onde os animais buscam alimento e água. Com o mapeamento dos pontos em que ocorrem mais acidentes a ideia é propor ações para reduzir os atropelamentos.” – texto da matéria “Alunos propõem ações para evitar atropelamentos de animais no RS”, publicado em 20 de outubro¬¬ de 2013 pelo portal G1

Passagem de fauna no interior paulista
Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV

Achar que passagens de fauna são a principal solução para os atropelamentos de animais silvestres em rodovias é subestimar o problema. Essas estruturas ajudam a reduzir os riscos se forem planejadas de acordo com as espécies envolvidas e instaladas em locais corretos. O que se esquece, sempre, é atuar com um conjunto de ações.

Estruturas isoladas não resolvem o problema. Conscientização de motoristas, sinalização adequada e em locais corretos, redução dos limites de velocidade e as estruturas para evitar o acesso dos animais às pistas (passagens de fauna, cercas, mata-burros, repelentes sonoros e luminosos, por exemplo) devem constar em qualquer projeto de gestão de fauna para estradas.

Tamanduá atropelado no Mato Grosso do Sul
Foto: Alessandra de Souza

Se o investimento é caro? Não. Afinal, qual valor pode ser considerado alto demais para salvar os cerca de 475 milhões de animais silvestres que, todos os anos, morrem atropelados nas estradas e rodovias brasileiras (estimativa do centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas).

- Leia a matéria do portal G1

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Reflexão para o fim de semana: passagem de fauna nos EUA


Ursos, veados, gambás e linces utilizam essa passagem de fauna sob a rodovia I-80, em New Jersey, EUA. Foto retirada do post “NJ highway planners make way for wildlife”, publicado em 5 de agosto de 2013 no site Philly.com, e que discute investimentos em infraestrutra em rodovias para proteção de animais silvestres.

Ecologia de Estradas gera debate em todo o mundo.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Atropelamento de fauna: redução também passa pela educação

“A Polícia Militar Ambiental (PMA) de Corumbá, em parceria com o Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) de Curitiba, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Denit), realizou esta semana um trabalho educativo na BR-262 sobre os problemas relativos aos atropelamentos de animais silvestres na estrada.

Policiais durante ação educativa na BR-262
Foto: Divulgação Notícias.MS

Durante a campanha foram distribuídos panfletos sobre atropelamentos de animais silvestres, manual do pescador, adesivos e CDs com músicas no ritmo da região pantaneira que buscam estimular a sensibilização ambiental.”
– texto da matéria “PMA participa de campanha educativa sobre atropelamentos de animais silvestres na BR-262”, publicada no site Notícias.MS do governo do Estado do Mato Grosso do Sul em 25 de abril de 2013

Desde 1986, com a Resolução Conama nº 01, toda construção de estrada com duas ou mais faixas de rolamento deve ser precedida de estudo de impacto ambiental para obter sua licença. Apesar da legislação existente, o atropelamento de fauna não tem sido tratado com o rigor que merece. O resultado é a continuidade do massacre que vitima milhões de animais anualmente nas estradas brasileiras.

Em outubro de 2011, com a Portaria Interministerial 423, envolvendo os ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes, foi criado o Programa de Rodovias Federais Ambientalmente Sustentáveis para a regularização ambiental das rodovias federais que não possuem licença ambiental. A iniciativa determina a realização de programas de monitoramento de fauna com a consequente adaptação da via para evitar e reduzir os atropelamentos.

O que se percebe é que os órgãos que administram as estradas brasileiras, por força de legislação, começaram a se preocupar e a adaptar as vias para a presença dos animais. Muitas rodovias estão recebendo passagens de fauna (túneis, na maioria dos casos) ou cercas para direcionar a travessia dos bichos.

Mas a atenção aos motoristas está sendo esquecida. O trabalho em desenvolvimento na BR-262, no trecho entre Anastácio e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, é uma exceção. A rodovia está sendo revitalizada e, além de obras de infraestrutura, ações de educação para os condutores dos veículos têm sido desenvolvidas. Afinal, se os motoristas dirigirem sabendo que animais podem cruzar a pista a qualquer momento, com certeza os cuidados serão redobrados.

Educação ambiental para os motoristas da BR-262: que sirva de exemplo.

- Leia a matéria completa do Notícias.MS

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Passagens de fauna no interior paulista: investindo na redução de atropelamentos

“Um pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) mostrou a importância das passagens de fauna para a redução do número de atropelamentos de animais silvestres nas estradas. Na Rodovia SP-225, entre Itirapina e Jaú (SP), os túneis usados para a travessia são considerados exemplos por especialistas. O número de passagens ainda é pequeno, mas agências ambientais estão exigindo que concessionárias e governos façam a instalação delas em obras de duplicação e construção de rodovias.

Animais em passagens de fauna sob a estrada: travessia segura
Imagens: Reprodução EPTV

A pesquisa
Com câmeras instaladas em 10 túneis da SP-225, a bióloga e pesquisadora da USP, Fernanda Abra, monitorou a frequência da travessia de animais. As imagens flagraram 21 espécies, como famílias de veados, tatus, capivaras e lobo-guará.”
– texto da matéria “Pesquisa da USP mostra importância das passagens de fauna nas rodovias”, publicada em 8 de abril de 2013 pelo portal G1

O massacre contra a fauna silvestre nas rodovias brasileiras foi historicamente negligenciado pelo poder público. Milhões de animais são atropelados anualmente, principalmente anfíbios, répteis, aves e pequenos mamíferos.

Mas há luz no fim do túnel. Os processos de licenciamento ambiental de novas rodovias e das que está em obras de duplicação e melhorias já exigem a implantação de estruturas para evitar os atropelamentos (sejam elas túneis, pontes ou cercas, por exemplo) e de monitoramento para acompanhar a efetividade dos investimentos.

Em outubro de 2011, com a Portaria Interministerial 423, envolvendo os ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes, foi criado o Programa de Rodovias Federais Ambientalmente Sustentáveis. A intenção é regularizar ambientalmente as rodovias federais que não possuem licença ambiental, determinando a realização de programas de monitoramento de fauna com a consequente adaptação da via para evitar e reduzir os atropelamentos.

“Estudos internacionais apontam que as passagens reduzem em até 87% os acidentes com animais.” – texto do portal G1

Precisa de mais algum argumento?

- Leia a matéria completa do portal G1 (com vídeo)

Passagem de fauna na SP-225
Foto: Reginaldo dos Santos/EPTV