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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Que comece o Festival de Parintins (AM), mas sem tráfico de animais e suas partes

A 49ª edição do Festival Folclórico de Parintins (AM) começa hoje (27 de junho de 2014). Na localidade situada a 369 quilômetros de Manaus, os bumbás Caprichoso e Garantido disputarão em apresentações até domingo. Uma das mais belas festas brasileiras.

Junto com todo o empenho dos organizadores com a infraestrutura da festa que deverá receber 90 mil visitantes – no município vivem pouco menos de 110 mil -, há a preocupação de órgãos de fiscalização do poder público com o tráfico de animais e suas partes (penas, plumas, peles, ossos, escamas, olhos, couros e dente). Em 18 de junho de 2014, o Fauna News publicou o post “Festival de Parintins está chegando: cuidado com o tráfico de partes de animais”, em que comentou a inciativa do Ibama ao lançar a campanha “Não tire as penas da vida” e a intensificação da fiscalização em restaurantes, mercados e feiras da cidade, além do aeroporto municipal Júlio Belém, galpões e ateliês de fantasias dos bumbás.

Agora é a vez do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e da Marinha se envolverem nas ações de fiscalização do festival.

“O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) irá integrar a Operação Parintins, realizada pela Marinha do Brasil, por meio do Comando do 9º Distrito Naval, para fiscalizar todas as embarcações com destino ao Festival Folclórico de Parintins (localizado a 368 quilômetros de Manaus). O objetivo da ação é garantir a segurança dos viajantes e o cumprimento das leis referentes ao meio ambiente, tráfico de drogas e de pessoas, sonegação de tributos, exploração sexual de menores e adolescentes e condições ilegais de trabalho.

 Fiscalização de embarcações em Parintins (AM)
Foto: divulgação IPAAM

(...) As embarcações paradas pelo Distrito Naval são vistoriadas pelo IPAAM quanto à presença de animais silvestres adquiridos de forma ilegal, como quelônios e pescado, bem como animais vivos que possam servir ao tráfico de animais silvestres. Ainda, transporte e comercialização ilegal de penas, dentes e couro de animais.

(...) Segundo o órgão, as embarcações que infringirem as regras terão o responsável ou a empresa responsável autuados e os animais apreendidos. Os animais vivos, que estiverem em condições de soltura, serão devolvidos à natureza. Aqueles que estiverem com a saúde comprometida, serão levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama ou da Prefeitura de Manaus. Os animais mortos, como peixes e quelônios, que ainda possam ser consumidos, são doados a instituições filantrópicas.

O IPAAM aceita denúncias pelos fones (92) 2123-6774 (gerência de fauna) e 2123-6715 (gerência de fiscalização).”
– texto da matéria “IPAAM e Marinha fiscalizam embarcações durante o Festival Folclórico de Parintins”, publicada em 26 de junho de 2014 pelo site do jornal A Crítica (AM)

Vale destacar: a fiscalização é importante, mas não dará contar de acabar com o tráfico de fauna e suas partes em Parintins (e em qualquer outra localidade). O uso de partes de animais em fantasias e adornos, bem como a venda ilegal de animais, só reduzirá se uma ação de conscientização da população e dos organizadores da festa for realizada durante todo o ano e por vários anos. Mudar hábitos é difícil, mas possível. Basta o poder público ajudar, investindo também em educação ambiental.

Fiscais do Ibama fiscalização galpões de bumbás
Foto: divulgação Ibama

- Leia a matéria completa de A Crítica
- Releia o post ““Festival de Parintins está chegando: cuidado com o tráfico de partes de animais”, publicado pelo Fauna News em 18 de junho de 2014

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Festival de Parintins está chegando: cuidado com o tráfico de partes de animais

Está chegando o Festival de Parintins (AM), uma das mais belas festas folclóricas do país. Anualmente, no último fim de semana de junho, os aficionados pelos bois Caprichoso e Garantido se apresentam no Bumbódromo, mostrando lendas, costumes e diversos outros aspectos da cultura local.

A festa começou em 1965 e cresceu tanto que passou a ser uma das grandes atrações turística do Brasil. Suas alegorias e fantasias são extremamente bem feitas e luxuosas e consomem há anos partes de animais silvestres, como penas. Por esse motivo, o Ibama passou a fiscalizar os trabalhos dos bois concorrentes, bem como o comércio ilegal de animais silvestres e suas partes (penas, garras, dentes, couro, etc.), nas ruas e estabelecimentos de Parintins.

“Combater o uso de subprodutos da fauna silvestre amazônica na confecção de artesanatos como penas, plumas, peles, ossos, escamas, olhos, couros e dentes passou a ser a partir do dia 10, o foco da campanha “Não tire as penas da vida” desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A ação de conscientização, amparada na Lei de Crimes Ambientais 9605/1998, é feita em Parintins desde 2002 no período do festival folclórico.

Ibama intensifica fiscalização em Parintins
Foto: divulgação Ibama

Restaurantes, mercados e feiras da cidade serão alvo das fiscalizações dos agentes do Ibama, com apoio da Polícia Ambiental, por causa do comércio ilegal de animais silvestres ameaçados de extinção, como quelônios (tartaruga, tracajá), peixes protegidos por lei (pirarucu sem origem legal e tambaqui abaixo de 55 centímetros), carnes de caças (cotia, capivara, tatu, porco do mato). O Ibama vai monitorar embarcações no rio Amazonas e na chegada nos portos da cidade.

Outros pontos de fiscalização são o aeroporto Municipal Júlio Belém, galpões e ateliês de fantasias dos bumbás. Em maio deste ano, os bois Caprichoso e Garantido assinaram termo de compromisso perante o Ministério Público Estadual (MPE) e Ibama no qual se comprometem evitar uso de subprodutos da fauna. Os bumbás também receberam orientações do Ibama quanto a questão da destinação dos resíduos sólidos produzidos ao longo do processo de confecção dos projetos de arena.”
– texto da matéria “Ibama declara guerra contra produtos feitos com subprodutos de animais”, publicada em 15 de junho de 2014 pelo site Repórter Parintins

Material alternativo (que não é de origem animal) para a confecção de fantasias e alegorias já existem no mercado. Falta comprometimento dos integrantes do Caprichoso e do Garantido, afinal há 12 anos o Ibama fiscaliza o trabalho deles.

Para a população que comercializa e compra artesanato feito com partes de animais silvestres falta uma campanha permanente de conscientização.

- Leia a matéria completa do Repórter Parintins

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Parintins (AM) – parte 2: Ibama, não esqueça dos animais silvestres criados como pets

Ontem,  o Fauna News publicou “Repressão e conscientização pelo fim do comércio de penas em Parintins (AM)”, em que comentou o início da ação de agentes do Ibama para coibir o comércio e o uso de penas de aves silvestres durante o festival folclórico que acontece no município no final de junho. O órgão federal também realizará a campanha de conscientização “Não tire as penas da vida”.

Mas o trabalho dos agentes do Ibama não pode, por favor, ficar restrito às penas. Veja o porquê:

“Iguanas caminhando na calçada de um bar e até um macaco, no ombro do dono, andando de motocicleta são algumas das cenas curiosas que chamam atenção de quem chega ao Município de Parintins ( a 325 quilômetros de Manaus).

Júlio e Kiko: péssimo exemplo
Foto: Odair Leal

(...) Já o macaco Kiko, da espécie Zog- zog, é um dos animais mais fotografados da ilha. O macaco é o mascote inseparável do motociclista, Júlio César da Silva, 42, que há três anos adotou o animal depois de encontrá-lo, ainda filhote, em uma praia próxima ao município. O motociclista conta que há nove anos deixou os filhos na Paraíba, sua terra natal, para morar em Parintins e considera o macaco um filho.” – texto da matéria “Animais silvestres se tornam atrações turísticas nas ruas da Ilha de Parintins (AM)”, publicada em 25 de junho de 2012 pelo jornal A Crítica

Será que o senhor Júlio tem autorização do Ibama para criar o primata? Se não a tem, porque nada foi feito nesses três anos?


Em compensação, o exemplo do senhor Júlio e do macaco Kiko, apontado pela imprensa ignorante e acrítica como um caso curioso e de bela amizade entre homem e animal, cruza o Brasil. Péssimo exemplo.

“Para onde Júlio vai o macaco Kiko o acompanha. “Quando eu pego a chave da moto ele reconhece o barulho e já corre para o meu ombro porque sabe que eu vou sair. Sempre que vou para a rua ele me acompanha”, disse.

Ele não se incomoda do macaco ser considerado celebridade. “A foto dele está espalhada pelo Brasil inteiro. Todo mundo que chega a ilha quer registrar o momento. Ele é manso e todos querem chegar perto dele”, disse.”
– texto de A Crítica

- Leia a matéria de A Crítica
- Releia “Repressão e conscientização pelo fim do comércio de penas em Parintins (AM)”, publicado pelo Fauna News em 27 de junho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Repressão e conscientização pelo fim do comércio de penas em Parintins (AM)

“O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), chegou a Parintins na manhã desta segunda-feira (25) e se prepara para dar início às vistorias para combater o comércio ilegal de penas, pescados e caça de animais silvestres. De acordo com a analista ambiental, Natalia Lima, o órgão atuará nas casas, comércios, porto e no galpão dos bois Garantido e Caprichoso.  A operação é comandada pelo fiscal Genivaldo Lima.” – texto da matéria Ibama inicia fiscalizações em Parintins (AM), publicada pelo jornal A Crítica em 25 de junho de 2012

Se os agentes do Ibama vão nos galpões e no comércio é porque eles têm informações de que há a venda de penas de aves silvestres na região.  Em festas como Carnaval e o festival de Parintins (realizado no último final de semana de junho e que atrai cerca de 100 mil turistas) o uso de fantasias é grande e há uma forte demanda por materiais. Mas a manifestação cultural não pode justificar a caça de animais para utilização de suas partes.

Uma das preocupações do Ibama é o uso de penas de aves nativas em fantasias
Foto: Alexandre Fonseca

Hoje já existem no mercado alternativas sintéticas que dão o mesmo efeito das penas naturais.

A ação do Ibama chama a atenção também por não se restringir à fiscalização/repressão.

‘“Viemos com uma equipe de cinco pessoas de Manaus para fiscalizar várias áreas da Cidade. Além disso, contaremos com o efetivo que trabalha na sede de Parintins para intensificar as ações de conscientização. Nosso foco será trabalhar com a campanha ‘Não tire as penas da vida ’ e tentar atingir não somente os moradores, mas também os turistas, para que não comprem adereços com parte de animais e alimentem  o comércio ilegal”, disse Natalia (fiscal do Ibama).’ – texto de A Crítica

Cartaz da campanha

Parabéns Ibama pela iniciativa. Repressão sem conscientização é ineficaz.

 

- Leia a matéria completa de A Crítica