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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Caso Princesa Diamante: suspeitos de tráfico de jiboia rara são denunciados

Em 8 de outubro de 2013, o Fauna News publicou “Animais raros: o tráfico brasileiro além das feiras”, texto que abordou o tráfico internacional de animais raros a partir do Brasil. Foi citado o caso da jiboia Princesa Diamante (rara por causa de uma mutação genética chamada leucismo que deixa a pele toda branca e os olhos negros), vendida ilegalmente para um criador de cobras americano.

Para entender o caso:

“Em 2006, a espécie rara da Jiboia-constritora foi encontrada por bombeiros no meio da mata, no Rio de Janeiro, e levada para a Fundação Jardim Zoológico de Niterói. Na época o local era administrado por Giselda Candiotto e o seu cônjuge José Carlos Schirmer. Investigações posteriores mostraram que eles usavam o lugar como fachada para o tráfico de animais silvestres.

Foto de Giselda com Jeremy nos EUA
Imagem: Reprodução TV Globo

Os denunciados reconheceram o valor econômico da serpente no mercado estrangeiro e passaram a procurar por algum interessado na sua aquisição. Foi quando Jeremy Stone, um dos maiores criadores de serpentes dos Estados Unidos, mostrou interesse na compra do animal. Em fevereiro de 2007 ele veio ao Brasil para ver pessoalmente a cobra e negociar a compra com a gestora do zoológico.

Após negociações e testes do grau de segurança da fronteira brasileira, em janeiro de 2009 a cobra foi levada para Manaus para que a operação fosse concluída. Jeremy Stone e sua irmã Keri Ann Stone tentaram deixar o Brasil com a cobra em um cruzeiro e também por avião, mas não tiveram sucesso. Jeremy, no entanto, conseguiu retirar o animal ilegalmente do Brasil pela cidade de Bonfim, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana.”
– texto da matéria “MPF em RR oferece denúncia contra 4 pessoas por tráfico de jiboia rara”, publicada em 9 de outubro de 2013 pelo portal G1

O caso está tento seus desdobramentos:

“O MPF em Roraima denunciou à Justiça Federal os quatro envolvidos no caso por crimes contra a fauna e o meio ambiente, furto, contrabando, além de fraude processual. Segundo o procurador da República Paulo Taek, autor da denúncia, além de pedir a condenação dos acusados, o MPF está tentando a restituição dos descendentes da Jiboia que foram apreendidos pelas autoridades americanas e estavam sendo comercializados no país por milhares de dólares.

“De acordo com o americano acusado, a cobra leucística já veio a óbito, o que torna o dano irreparável. Mas queremos com urgência a repatriação dos filhotes da Jiboia apreendidos, pois eles também são patrimônio do Estado brasileiro”, afirma o procurador.

Jeremy com a Princesa Diamante
Imagem: Reprodução TV Globo

Na denúncia, o Ministério Público Federal requer ainda o arbitramento do valor mínimo para reparação do dano de R$ 2 milhões.

Giselda e José Carlos estão presos por terem dificultado as investigações e terem destruído provas. Eles entraram com pedido de habeas corpus e aguardam posição do Tribunal Regional Federal. A Procuradoria Regional da República da 1ª Região em Brasília acompanha o pedido.”
– texto do portal G1

Não é a primeira vez que um zoológico se envolve com tráfico de animais. Em 2004, 73 animais morreram no Zoológico de São Paulo (que é ligado à Secretaria de Meio Ambiente do estado). Houve a suspeita de envolvimento de funcionários e de traficantes de animais. As investigações corriam em segredo de Justiça e nunca foi divulgado o resultado d trabalho da Polícia Federal.

Pena que a legislação brasileira para o tráfico de fauna é tão branda. Se fosse mais severa e separasse o traficante profissional do criador doméstico ilegal, muito bandido poderia estar preso.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Releia o post “Animais raros: o tráfico brasileiro além das feiras”, publicado pelo Fauna News em 8 de outubro de 2013

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Animais raros: o tráfico brasileiro além das feiras

O comércio ilegal de animais silvestres baratos, como o que ocorre em feiras, está espalhado por todo o Brasil. As aves, principalmente os passeriformes, são as principais vítimas. Esse tipo de mercado negro, voltado para abastecer o gosto do brasileiro por criar silvestres como bichos de estimação, é o grande responsável pela retirada anual de 38 milhões de bichos da natureza brasileira (estimativa da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, Renctas, de 2001).

Mas no Brasil também existe o tráfico de animais raros e caros.

“Um milhão de dólares pode ser o preço de uma cobra. O animal que vale essa fortuna carrega a riqueza no próprio nome: Princesa Diamante. Uma jiboia raríssima. A única no mundo com a pele toda branca e os olhos negros.

É o xodó do americano Jeremy. “É muito difícil descrever o carinho que sinto por essa cobra”, diz o americano.

Jeremy Stone, que teria comprado a jiboia
Imagem: Reprodução TV Globo

Ele adora se exibir com o bicho em vídeos e fotos na internet. Mas prefere esconder o passado e o presente da cobra valiosíssima, que hoje está desaparecida.

As respostas para o sumiço da Princesa Diamante podem estar aqui no Brasil. Em 2006, a cobrinha branca foi encontrada no meio da mata, no Rio de Janeiro, e levada para o Zoológico de Niterói.”
– texto de matéria veiculada pelo Fantático e pelo site do programa em 6 de outubro de 2013

Pois a cobra, de acordo com investigações da Polícia Federal, teria sido vendida para Jeremy Stone pela gestora do zoológico, Giselda Candiotto, por um milhão de dólares.

“A transação teria sido concluída em 2009, quando Jeremy teria tirado o animal ilegalmente do Brasil pela fronteira de Roraima com a Guiana.

(...) Giselda e o marido, José Carlos Schirmer, foram presos na semana passada e vão responder por tráfico internacional de animais, contrabando e apropriação indevida.

Nos Estados Unidos, a polícia fez uma busca na casa de Jeremy, mas não encontrou a Princesa Diamante.



“A informação que a gente tem é que ela já morreu duas vezes. A primeira no Brasil e agora o Jeremy diz que teria falecido em janeiro e não apresenta uma carcaça, nada”, conta Franco Perazzoni, delegado da Polícia Federal.

A prisão dele foi pedida pelas autoridades brasileiras. (...)”
– texto do Fantástico

Jeremy é um grande criador de cobras nos EUA e estaria reproduzindo a jiboia para vender filhotes por até 65 mil dólares.

A jiboia ficou valiosa por sua característica única, uma mutação genética rara, chamada leucismo. Outras espécies são valiosas no mercado internacional por suas características comuns, como  a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) e a arrarinha-azul (Cyanopsitta spixii) - já extinta na natureza, também por causa do comércio ilegal.

Sessenta por cento do tráfico no Brasil é para abastecer o mercado interno, com espécies comercialmente mais baratas. Mas há 40% voltados para o exterior, onde muito dinheiro circula.

- Leia e assista à matéria completa do Fantástico