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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Tráfico de animais com invasão de espécies e hibridismo

Artigo do biólogo e doutor em zoologia, Fabio Olmos, publicado em 16 de abril de 2013, pelo site O Eco ("O Planeta dos Macacos Mestiços") aborda um problema também gerado pelo tráfico de animais:

“Donos de bichos malcriados e autoridades ambientais com um ou vários micos na mão soltaram incontáveis saguis originários da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica do nordeste em variados locais fora de sua área de distribuição original. A esses se juntaram os primatas espertos que fugiram para uma vida de liberdade e caíram fora da psicose humana de tratar bicho como brinquedo. Dois exemplos foram o sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) e o sagui-de-tufos-negros ou mico-estrela (C. penicillata).

Sagui híbrido na Mata Atlântica de Ubatuba (SP)
Foto: Fabio Olmos

Hoje, uma ou ambas as espécies podem ser encontradas em vida livre em locais como a Baixada Fluminense, a Floresta da Tijuca, a Ilha Grande, o litoral de São Paulo, Florianópolis, Curitiba e outros lugares onde nunca ocorreram naturalmente. Áreas com geadas cada vez menos intensas, como Curitiba, permitem que esses imigrantes mais tropicais se sintam em casa.”

Esse recorte do texto de Olmos não traz exatamente a intenção de seu artigo – que vale ser lido inteiro para chegar na ótima conclusão: “E foi assim que a Terra se tornou o planeta dos macacos mestiços, alguns dos quais ainda falam em raças puras.”

Mas o que interessa para o Fauna News são os problemas causados por animais exóticos (não nativos de uma determinada área) e híbridos. Toda vez que bichos escapam do cativeiro ou são soltos em áreas em que não ocorrem naturalmente, há a possibilidade de ocorrer algum desequilíbrio em algum ecossistema. Um só animal não fará a diferença, mas quando a quantidade está envolvida, aí sim há um problema a ser enfrentado. Veja o exemplo dos saguis usado por Olmos:

“Esses invasores exóticos (porquê de outros biomas) se tornaram um novo componente em ecossistemas onde as demais espécies não co-evoluíram com um primata de pequeno porte e generalista. Há tipos de gaviões que agradecem o acréscimo ao seu cardápio, mas há lugares onde os micos (predadores de pequenos vertebrados) podem impactar, por exemplo, as populações de aves, anfíbios e lagartos. Além disso, competem com espécies nativas similares, como os ameaçados micos-leões-dourados.”

No caso dos micos-leões-dourados, a ameaça de competição envolve o mico-estrela e o também ameaçado mico-leão-da-cara-dourada, que por causa do tráfico de animais chegou a Niterói e à região de Abreu. O risco de ocorrer o hibridismo obrigou a realização de capturas de micos da-cara-dourada para sua soltura em seu hábitat natural, o sul da Bahia (leia sobre em "Cara-dourada na área do dourado: consequência do tráfico de micos-leões", publicado pelo Fauna News em 27 de março de 2013)

Quantas espécies, principalmente de aves (as maiores vítimas do tráfico de fauna), não devem estar sofrendo com o problema da competição e do hibridismo com outras espécies? Impossível prever as consequências.

- Leia o artigo completo de Fabio Olmos em O Eco
- Releia sobre “Cara-dourada na área do dourado: consequência do tráfico de micos-leões “, publicado pelo Fauna News em 27 de março de 2013)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Cara-dourada na área do dourado: consequência do tráfico de micos-leões

“Cada macaco no seu galho. Levando ao pé da letra o velho ditado popular, especialistas em primatas estão transferindo micos-leões-da-cara-dourada, que correm risco de extinção, de Niterói para o Sul da Bahia, seu habitat natural.

Mico-leão-da-cara-dourada em telhado de  Niterói
Foto: Ana Pimenta

Estudos recomendam a sua remoção porque essa espécie é tida como invasora em Niterói. Eles chegaram à região há cerca de dez anos, por causa do tráfico de animais ou acidentalmente, e já somaram mais de 200 indivíduos, divididos em 30 grupos, segundo pesquisas.

De acordo com o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, 104 animais já foram capturados em armadilhas especiais que não os deixam feridos. Destes, 66 já foram “repatriados”, 17 se encontram em quarentena e outros 21 ainda estão se recuperando de doenças típicas da espécie.

“A ação é inédita no Brasil e necessária para evitar reprodução entre animais de espécies semelhantes, como o mico-leão-dourado, natural da região. O nascimento de animais híbridos pode causar desequilíbrio ecológico e até dizimar as duas espécies”, justificou Minc.”
– texto da matéria “Micos são 'repatriados' de Niterói para a Bahia”, publicada em 22 de março de 2013 pelo jornal O Dia

Dentre as muitas consequências do tráfico de animais, a introdução de espécies em ecossistemas é uma delas. E os problemas provocados são muitos, como a competição por alimentos podendo prejudicar uma espécie nativa, a predação (tanto da que foi introduzida quanto a promovida por ela), a transmissão de doenças e tantas outras. No caso dos dois micos-leões, o da-cara-dourada e o dourado, há ainda a possibilidade do cruzamento proporcionando o nascimento de híbridos – que seria mais uma população problema.

O caso envolvendo os primatas foi noticiado pelo fato de as espécies chamarem a atenção, serem cativantes. Mas o fenômeno causado pelo tráfico de fauna ocorre diariamente, principalmente com aves.
É comum encontrar, nas residências de todo o país, aves das mais diversas regiões do país. Em São Paulo, aves vindas do Nordeste são comercializadas ilegalmente em feiras. Quantos não devem ter escapado ou terem sido soltas? Esse problema já ocorre em Porto Alegre, com os papagaios-verdadeiros:

“Agora, técnicos do Ibama e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente tentam encontrar alguma forma de retirar esses papagaios da cidade.

“Os técnicos já sabem que o grande número de árvores frutíferas de Porto Alegre facilitou a permanência dos papagaios na cidade. Agora é preciso descobrir quantos eles são. Depois vem a parte mais difícil, que é recapturar a maior quantidade possível de aves para devolvê-las ao local de origem.

Papagaio-verdadeiro em Porto Alegre
Foto: Cesar Cardia

Isso vai ser feito para manter o equilíbrio da fauna, já que os papagaios-verdadeiros podem se tornar uma ameaça para as espécies nativas.

“Esse animal se comporta como invasor aqui. Imagina 30, 40 papagaios chegando em uma árvore frutífera. Qual passarinho vai chegar ali e tentar se alimentar? Não vai conseguir”, diz. (Paulo Wagner, do Ibama do RS)”
– trecho do posto “Começar a semana pensando...” publicado no Fauna News em 30 de julho de 2012

As consequências do tráfico de animais vão além da crueldade e do impacto na população da espécie comercializada no mercado negro. Pense nisso.

- Leia a matéria completa de O Dia
- Releia o post do Fauna News “Começar a semana pensando”, de 30 de julho de 2012

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Começar a semana pensando...

...sobre a história do mico-leão-dourado, uma vítima do tráfico.

“Entre 1960 e 1965, cerca de 300 micos-leões-dourados foram capturados anualmente, e muitos foram exportados do Brasil para o mercado de animais de estimação ou para zoológicos.”

Trecho do capítulo 9 do livro Mata Atlântica – Biodiversidade, ameaças e perspectivas, de Carlos Galindo-Leal e Ibsen de Gusmão Câmara

Só para lembrar, no final da década de 1960 havia cerca de 200 micos-leões-dourados vivendo livres na natureza. Hoje, esse número é de 1.700. A espécie está classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês) como “em perigo” de extinção.

Foto: Hemera/ Thinkstock