sexta-feira, 20 de junho de 2014

O tráfico de animais e a extinção de espécies. Foi assim em Belém (PA)

A extinção de espécies motivada pelo comércio ilegal de animais tem na ararinha-azul seu caso mais emblemático no Brasil. Pela perda de hábitat e ação do mercado negro, essas aves já não existem mas na natureza – o sertão baiano. Menos de 100 delas vivem em cativeiro.

Mas esse tipo de situação (que inclui o tráfico de fauna e o comércio de animais em época em que a atividade não era proibida) é bem mais comum do que se imagina. É o que se verificou na região de Belém (PA).

“Publicada recentemente na revista internacional Conservation Biology, pesquisa aponta que 47 espécies de aves podem ter desaparecido na região metropolitana de Belém nos últimos duzentos anos. Os últimos registros destes animais foram antes de 1980. Este é um dos grupos que sofreram perdas dentro da Área de Endemismo Belém, a mais ameaçada da Amazônia com apenas 28% de floresta original. A pesquisa foi realizada pelo INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia e a Rede Amazônia Sustentável (RAS). A pesquisa é liderada pelos ornitólogos Nárgila Moura, Alexander Lees e Alexandre Aleixo, todos vinculados ao Museu Emílio Goeldi (MPEG).

A partir de uma extensa análise de coleções científicas e de documentos históricos, como os relatos de naturalistas do século XIX, os pesquisadores puderam identificar 329 espécies de aves de terra firme que ocorriam na região metropolitana. Destas, 14% não foram mais vistas, o que pode significar uma perda de 0.28 espécies por ano. Para se ter uma ideia, em um intervalo de 117 anos a perda anual na Mata Atlântica, na área de Lagoa Santa (MG), foi de 0.11. De acordo com o estudo, o período de perdas mais intensas foi no século XX, com 80% de registros entre 1900 e 1980.

Causas
Os dados históricos foram comparados aos inventários de biodiversidade de Paragominas (PA), um dos locais de estudo do INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia e da Rede Amazônia Sustentável. O município é o que possui a maior extensão de florestas na área de endemismo Belém. Os pesquisadores identificaram que as espécies que desapareceram da região metropolitana têm ocorrência restrita às áreas de floresta intactas em Paragominas. A hipótese da extinção local está relacionada à suscetibilidade destas aves à perda de habitat e à caça.

Treze espécies registradas antes de 1900 possuem massa superior a 1 kg. São aves de caça, aves de rapina e psitacídeos de alto valor comercial, como o jacamim-de-costas-escuras (Psophia obscura), gavião-real (Harpia harpyja) e ararajuba (Guarouba guarouba), respectivamente. A explicação que os pesquisadores dão é a de que as extinções destes animais maiores ocorreram devido à caça para alimentação, além da perseguição de aves que atacavam criações de animais e do comércio ilegal.”
– texto da matéria “Em Belém, PA, 47 espécies de aves estão provavelmente extintas”, publicada em 12 de junho de 2014 pelo site Amazônia, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira

Ararajuba: desaparecida da região de Belém
Foto: João Carlos Medau

Extinções locais são mais comuns do que se pensa e pouco se divulga sobre o fenômeno. Muitas podem ser as causas e entre elas pode estar o tráfico de animais. O mercado negro de fauna é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores ataques à biodiversidade promovidos pelo homem.

De acordo com a ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza brasileiras todos os anos pelo mercado negro de fauna (dado de 2001).

- Leia a matéria completa do site Amazônia

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sergipe e o tráfico profissional de animais em feiras

“A Polícia Militar, através do Pelotão de Polícia Ambiental (PPAmb), realizou a apreensão de 142 pássaros silvestres na manhã desta segunda-feira, 16, após denúncia da presença de pessoas de vários municípios, que sobrevivem da venda de animais silvestres, comercializando os animais na feira livre da cidade de Lagarto, na região Centro-Sul de Sergipe.

 Aves apreendidas em feira de Lagarto (SE)
Foto: divulgação Polícia Militar de SE

Diante das informações, a guarnição composta pelo cabo Servulo, soldados Galdencio e H Oliveira dirigiu-se ao município nas primeiras horas da manhã e apreendeu 142 pássaros. “No momento da abordagem, houve um corre-corre entre os feirantes, o que dificultou a identificação dos infratores. Geralmente os traficantes de animais misturaram-se aos outros vendedores e infiltram-se entre as barracas, a fim de ludibriar a fiscalização policial”, declarou o cabo Servulo.”
– texto da matéria de divulgação “PM apreende 142 pássaros silvestres na feira livre de Lagarto” publicada em 16 de junho de 2014 pelo site da Polícia Militar de Sergipe

O final do primeiro parágrafo merece comentário. É difícil encontrar textos mostrando a existência de traficantes de animais profissionais em feiras. Normalmente não é citada a origem e detalhes dos que são presos (quando o são) e quando algo é divulgado mostra-se o infrator eventual – isto é, aquele que vende animais apenas para complementar sua renda (uma espécie de bico).

Nas feiras, a maioria dos traficantes é formada de pessoas que possuem outras formas de trabalho. Mas há uma boa parcela dos que investem na atividade como seu principal ganha-pão.

A matéria mostrou que existe uma grande demanda por animais silvestres em Lagarto, fator que atrai traficantes de animais de outros municípios da região. Sabendo disso, a melhor forma de impactar essa atividade ilegal e combater o consumo com um forte trabalho de conscientização da população.
Mas quem vai fazer isso? Educação ambiental não é trabalho para a polícia (que embora muitas vezes o faça). O Ibama ou as secretarias de meio ambiente do estado e do município deveriam agir, mas não o farão porque o poder público brasileiro ainda entende o tráfico de fauna apenas como um problema a ser combatido com fiscalização e repressão.

Estão enganados e jogando o dinheiro do contribuinte fora. Já passou da hora de repensar o combate ao mercado negro de silvestres. A natureza e a saúde pública agradecem.
- Leia a matéria completa da PM de Sergipe

Festival de Parintins está chegando: cuidado com o tráfico de partes de animais

Está chegando o Festival de Parintins (AM), uma das mais belas festas folclóricas do país. Anualmente, no último fim de semana de junho, os aficionados pelos bois Caprichoso e Garantido se apresentam no Bumbódromo, mostrando lendas, costumes e diversos outros aspectos da cultura local.

A festa começou em 1965 e cresceu tanto que passou a ser uma das grandes atrações turística do Brasil. Suas alegorias e fantasias são extremamente bem feitas e luxuosas e consomem há anos partes de animais silvestres, como penas. Por esse motivo, o Ibama passou a fiscalizar os trabalhos dos bois concorrentes, bem como o comércio ilegal de animais silvestres e suas partes (penas, garras, dentes, couro, etc.), nas ruas e estabelecimentos de Parintins.

“Combater o uso de subprodutos da fauna silvestre amazônica na confecção de artesanatos como penas, plumas, peles, ossos, escamas, olhos, couros e dentes passou a ser a partir do dia 10, o foco da campanha “Não tire as penas da vida” desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A ação de conscientização, amparada na Lei de Crimes Ambientais 9605/1998, é feita em Parintins desde 2002 no período do festival folclórico.

Ibama intensifica fiscalização em Parintins
Foto: divulgação Ibama

Restaurantes, mercados e feiras da cidade serão alvo das fiscalizações dos agentes do Ibama, com apoio da Polícia Ambiental, por causa do comércio ilegal de animais silvestres ameaçados de extinção, como quelônios (tartaruga, tracajá), peixes protegidos por lei (pirarucu sem origem legal e tambaqui abaixo de 55 centímetros), carnes de caças (cotia, capivara, tatu, porco do mato). O Ibama vai monitorar embarcações no rio Amazonas e na chegada nos portos da cidade.

Outros pontos de fiscalização são o aeroporto Municipal Júlio Belém, galpões e ateliês de fantasias dos bumbás. Em maio deste ano, os bois Caprichoso e Garantido assinaram termo de compromisso perante o Ministério Público Estadual (MPE) e Ibama no qual se comprometem evitar uso de subprodutos da fauna. Os bumbás também receberam orientações do Ibama quanto a questão da destinação dos resíduos sólidos produzidos ao longo do processo de confecção dos projetos de arena.”
– texto da matéria “Ibama declara guerra contra produtos feitos com subprodutos de animais”, publicada em 15 de junho de 2014 pelo site Repórter Parintins

Material alternativo (que não é de origem animal) para a confecção de fantasias e alegorias já existem no mercado. Falta comprometimento dos integrantes do Caprichoso e do Garantido, afinal há 12 anos o Ibama fiscaliza o trabalho deles.

Para a população que comercializa e compra artesanato feito com partes de animais silvestres falta uma campanha permanente de conscientização.

- Leia a matéria completa do Repórter Parintins

terça-feira, 17 de junho de 2014

Peixes ornamentais apreendidos em São Paulo: pena que o esforço de fiscalização seja só para a Copa

“Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreenderam no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) duas cargas com mais de dois mil de peixes ornamentais e animais aquáticos da fauna silvestre brasileira sem comprovação de origem legal.

Entre as espécies apreendidas foram encontradas duas de peixe ameaçadas de extinção, de acordo com a Instrução Normativa MMA 05/2004, Neon-goby (Elacatinus figaro) e Gramma brasiliensis, sendo a maior apreensão destes dois tipos realizada pelo Ibama.

Gramma brasiliensis apreendido no aeroporto de Guarulhos
Foto: Divulgação Ibama


Também foi apreendida uma outra espécie incluída na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), o Cavalo-marinho (Hippocampus erectus), além de outras espécies da fauna silvestre nativa, como estrelas do mar, ouriços e ofiúros. As cargas vieram do estado da Bahia.

Foram lavrados no momento da fiscalização, que ocorreu na última sexta-feira (13), Autos de Infração Ambientais contra duas empresas comerciantes de peixes ornamentais, totalizando R$ 189 mil reais. Os animais apreendidos foram encaminhados a empreendimento autorizado.”
– texto da matéria “Meio Ambiente: Ibama apreende mais de dois mil peixes ornamentais e animais aquáticos da fauna brasileira ameaçados de extinção no aeroporto de Guarulhos”, publicada em 16 de junho de 2014 pelo Portal Bragança (Bragança Paulista – SP)

A apreensão faz parte do esforço do Ibama, chamado Operação Copa, para coibir o tráfico de fauna. Além de intensificar a fiscalização nos aeroportos das 12 cidades sedes da Copa do Mundo, o órgão federal está realizando uma campanha junto aos turistas desestimulando a compra de animais silvestres.

Em 9 de junho de 2014, com o post “Ação contra o tráfico de animais para a Copa. Que a campanha seja bem divulgada”, e em 13 de junho de 2014, com “Ação contra o tráfico de animais para a Copa: o vídeo do Ibama”, o Fauna News comentou o trabalho do órgão federal.

Seria muito bom se o Ibama incorporasse à sua rotina o esforço e a campanha feitos durante a Copa. O tráfico de peixes ornamentais, por exemplo, é um problema pouco combatido, .principalmente na região amazônica (com destaque para a fronteira com a Colômbia.

- Leia a matéria no Portal Bragança
- Releia os posts do Fauna News “Ação contra o tráfico de animais para a Copa. Que a campanha seja bem divulgada”, de 9 de junho de 2014, e “Ação contra o tráfico de animais para a Copa: o vídeo do Ibama”, de 13 de junho de 2014

Mato Grosso: segunda onça-pintada morre atropelada em menos de um mês

Em 26 de maio de 2014, o Fauna News publicou o post “Onça-pintada atropelada no MT: felino também é vítima das estradas”, em que comentou o atropelamento e morte de uma onça-pintada rodovia MT-246. O caso aconteceu dia 24.

Novamente, as estradas do Mato Grosso são palco de parda de uma onça-pintada por atropelamento. Dessa vez, na MT-208, entre Alta Floresta e Monte Verde.

“Uma onça pintada morreu ao ser atropelada na rodovia  MT-208, entre Alta Floresta e Monte Verde, no Norte de Mato Grosso,  por uma camionete Hillux. O animal caiu no acostamento e não resistiu aos ferimentos. Muitas pessoas que passavam pelo local se disseram impressionados, já que não é comum os felinos arriscarem a passar dessa forma pela estrada.

Onça morta atraiu muitos curiosos
Foto: Nativa News

Em maio, uma onça pintada foi encontrada morta no sábado, 24, à beira da MT-246, a aproximadamente 30 quilômetros da cidade de Barra do Bugres, no médio Norte do Estado. Havia uma marca de pneus próxima ao lugar onde o animal foi localizado. Várias pessoas pararam para ver a onça e alguns até tiraram fotos e postaram em rede social.

Em 2012 um caso semelhante aconteceu na rodovia MT-242, próximo ao município de Sorriso, O acidente ocorreu nas proximidades de uma ponte sobre o Rio Teles Pires. Uma onça pintada morreu, depois de ser atropelada na BR-163, por um veículo não identificado. O animal caiu no acostamento e não resistiu aos ferimentos.”
– texto da matéria “Onça pintada morre na MT-208 depois de ser atropelada por camionete”, publicada em 16 de junho de 2014 pelo site 24 Horas News (Cuiabá – MT)

Apesar de o status de conservação da onça-pintada ser “vulnerável” na lista oficial do Ministério do Meio Ambiente, a situação da espécie é mais preocupante quando se analisa cada bioma brasileiro. De acordo com o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-Pintada (PAN), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a situação é a seguinte:

-Caatinga e Mata Atlântica: Criticamente Ameaçada;
- Cerrado: Ameaçada; e
- Pantanal e Amazônia: Quase Ameaçada.

Aparentemente, um atropelamento aqui outro acolá podem não alarmar. Mas essa análise é um erro. Dependendo da região, as populações de onças-pintadas estão isoladas umas das outras, o que significa que a perda de qualquer animal ajuda, e muito, no aumento das chances de ocorrer extinções locais. Isto é, a espécie continua existindo, mas não em determinada região.

Quantas onças-pintadas vivem no Mato Grosso? Será que essas mortes por atropelamento, de forma constante, não estão impactando bastante a sobrevivência da espécie no estado?

Para se pensar a respeito.

- Leia a matéria completa do 24 Horas News
- Releia o post “Onça-pintada atropelada no MT: felino também é vítima das estradas”, publicado em 26 de maio de 2014 pelo Fauna News
- Conheça o PAN da Onça-pintada

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Começar a semana pensando...

...sobre o atropelamento de onças-pardas no interior paulista.

“É uma região onde há muitas áreas de cerrado e a onça tem quilômetros e mais quilômetros para caçar. Nisso acaba cruzando as rodovias e o risco de atropelamento é enorme”.


Capitão Nilson Cesar Pereira, da Polícia Militar Ambiental, em entrevista sobre a onça-parda atropelada na SP-261, que liga Macatuba a Pederneiras (SP), publicada na matéria “Onça parda é atropelada em rodovia do interior de SP”, em 16 de junho de 2013 pelo portal Terra

Onça-parda sendo resgatada
Foto: divulgação Zoológico Municipal de Bauru

Desde o início de 2013, o Fauna News já comentou outros 10 atropelamentos de onças-pardas nas rodovias brasileiras. Infelizmente, dá para afirmar que acontecerem muitos outros casos que não ficamos sabendo.

- Leia a matéria do portal Terra

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Reflexão para o fim de semana: órfãos do tráfico de chifres de rinocerontes (com vídeo)

Animal está traumatizado
Imagem: reprodução You Tube

“Um filhote de rinoceronte na África do Sul não dorme mais sozinho depois de presenciar a morte da mãe, assassinada por caçadores que retiraram seu chifre. A equipe de um centro de resgate de animais em risco tem se revezado para dormir perto do animal.

Batizado de Gertjie, o rinoceronte está desde o dia 7 de maio no abrigo Hoedspruit, para espécies em risco, localizado na reserva privada de Kapama.

Ele foi encontrado ao lado do corpo da mãe, chorando "inconsolavelmente" e não queria deixá-la, segundo membros da equipe de resgate.  Ele precisou ser sedado para transporte.

Na primeira noite no centro de resgate, ele dormiu com uma cuidadora humana e uma ovelha, chamada Skaap, que age como mãe adotiva dos animais resgatados.

Com cerca de quatro meses de idade, ele se recupera lentamente de suas noites de "insônia" e já consegue fazer caminhadas diárias. Gertjie precisa ser alimentado a cada três horas.”
– texto da matéria “Após mãe ser morta, filhote de rinoceronte só dorme acompanhado de cuidador”, publicada em 11 de junho de 2014 pelo portal UOL

O tráfico de chifres de rinocerontes não vitima apenas os animais que são mortos. Os filhotes também sofrem... e muito! Tudo pela crença em países da Ásia que o pó de chifre cura doenças e pose até ser afrodisíaco.

Assista ao vídeo:


- Leia a matéria completa do portal UOL