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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Em Petrópolis (RJ), troque gaiolas por mudas. Mas não solte a ave

“Para comemorar a Semana do Meio Ambiente, a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados (OAB) de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, lançou nesta segunda-feira (2) a campanha 'Pássaro Livre'. Com o slogan “se você gosta de pássaros, quebre gaiolas e plante árvores”, a ideia é conscientizar a população sobre a prática de manter os pássaros presos. Além de prejudicar o meio ambinte, em alguns casos pode ser até crime. Para isso, a comissão vai dar mudas de árvores nativas da Mata Atlântica em troca de gaiolas de pássaros. O objetivo é sensibilizar as pessoas, incentivando a entrega voluntária das gaiolas.

Aves em cativeiro só devem ser soltas por especialistas
Foto: Wagner Morente

A iniciativa, que tem apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Petrópolis, partiu do presidente da comissão, Rogério Guimarães, ao observar o descaso da própria população e defensores de animais com algumas espécies indefesas.

(...) Até o dia 30 de junho, quem quiser participar deve entregar as gaiolas em um dos três postos de troca: na sede da OAB Petrópolis (Rua Marechal Deodoro nº 229, Centro); na sede da APA Petrópolis (Estrada União Indústria nº 9.722, Itaipava); e na sede da secretaria de Meio Ambiente de Petrópolis (Rua Sete de Abril nº 609, Centro). Em troca, as pessoas vão receber uma muda de árvore nativa com folheto explicativo de como plantar, cuidar e tratar a árvore.”
– texto da matéria “Campanha estimula troca de gaiolas de pássaros por mudas de árvores”, publicada em 2 de junho de 2014 pelo portal G1

Iniciativa muito interessante, mas que tem de ser conduzida com um cuidado especial: alertar a população a não soltar as aves que estão em cativeiro, nas gaiolas.

As consequências de uma soltura sem critérios podem ser desastrosas, gerando desde a morte do animal até um desequilíbrio em algum ecossistema. Bicho apreendido tem de ser avaliado por especialistas (biólogos e veterinários). Esses profissionais podem identificar se o animal tem condição de voltar a se alimentar sozinho ou se ele está doente e corre o risco de levar agentes causadores de moléstias para um ambiente saudável.

A área de soltura também é avaliada, afinal o animal tem de viver em seu ecossistema de origem; em uma área com alimentação suficiente e uma população de sua espécie em um número que possa recebê-lo sem gerar uma superexploração de suas fontes de alimentos. Esses são apenas alguns pontos que são levados em consideração.

Além dos fatores técnicos, é preciso levar em conta a ação humana na região da soltura. O nível de devastação dos hábitats e o grau de proteção da região têm de ser avaliados. Afinal, não se deve soltar o bicho em uma área com a presença constante de caçadores ou traficantes de fauna.

Então, organizadores da campanha, atenção! Seria interessante divulgar que a entrega voluntária de qualquer animal silvestre mantido em cativeiro doméstico sem autorização (o que é um crime ambiental) garante a não punição da pessoa. Está no parágrafo 5º do artigo 24 do Decreto nº 6.154, de 2008:

“No caso de guarda de espécime silvestre, deve a autoridade competente deixar de aplicar as sanções previstas neste decreto, quando o agente espontaneamente entregar os animais ao órgão ambiental competente.”

Então, povo de Petrópolis, antes de trocar a gaiola por uma muda, entregue a ave silvestre para a PM Ambiental ou ao Ibama.

Soltura realizada pela Agência Estadual
de Meio Ambiente de Pernambuco
Foto: Divulgação CPRH

- Leia a matéria completa do portal G1

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Um impacto, cinco mortes e três órfãos. Na estrada de terra

“A mãe já estava morta, assim como os quatro irmãos. Mas haviam três sobreviventes, filhotes de gambá, que foram salvos na noite desta sexta-feira (3), em Petrópolis, Região Serrana do Rio. O socorro veio do Grupo de Assistência e Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente (Gapa-ma). Os bichinhos foram encontrados de sangue, ainda dentro da bolsa abdominal (marsúpio) da mãe, em um trecho de terra da Estrada do Gentio, em Itaipava, 3º distrito do município. Nesta quarta-feira (8) eles terão a primeira consulta com a veterinária.

Filhotes ainda estavam vivos com a mãe morta
Foto: Carlos Eduardo Pereira/Gapa-ma

A cena foi triste e chocante, segundo Carlos Eduardo Pereira. “Ao pararmos para examiná-la (gambá adulta), constatamos que sua bolsa na barriga ainda se movimentava. Tínhamos que tentar fazer algo, então recolhemos a mãe e levamos todos para nossa casa”, contou o presidente do Gapa-ma, que estava com a esposa e também voluntária, Rosemary Hissa. Quatro já estavam mortos, ou pelo impacto da batida ou pela falta da mãe. “Os carros e motos passam por ali em alta velocidade. É um trecho de terra feito por alguns motociclistas de pista de motocross”, lamenta Carlos Eduardo.” – texto da matéria “Filhotes de gambá são salvos em Petrópolis, RJ, após atropelamento”, publicada em 6 de janeiro de 2014 pelo portal G1

Os sobreviventes estão sendo cuidados pelo casal
Foto: Carlos Eduardo Pereira/Gapa-ma

Pouco ou quase nada se noticia sobre os impactos das estradas de terra na fauna silvestre. Vias normalmente abertas sem planejamento ou estudo prévio para entender as consequências ambientais, elas são palco de atropelamentos de animais e responsáveis por fragmentar hábitats, impulsionar o desmatamento por ser um vetor de ocupação humana e por inúmeros outros problemas.

E ninguém discute, questiona ou tenta reduzir tais ocorrências.

Afinal, são apenas estradas de terra... mas que contribuem para o massacre de 475 milhões de animais silvestres todos os anos nas estradas e rodovias brasileiras, segundo o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas.

- Leia a matéria completa do portal G