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terça-feira, 22 de abril de 2014

Mangas, desinformação e macacada na rodovia paulista

“Dezenas de macacos-prego foram flagrados às margens da rodovia Marechal Rondon (SP-300), na tarde de sexta-feira (28), em Araçatuba (SP). Os animais vivem em uma reserva da mata atlântica localizada ao lado do campus da Faculdade de Odontologia da Unesp, próxima à estrada.

 Riscos para macacos e frequentadores da SP-300
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região

A Polícia Rodoviária diz que que os macacos costumam “passear” pelas margens da pista no sentido capital-interior, atraídos por alimentos – há um pé de manga ao lado da base da corporação – e pela curiosidade dos motoristas que trafegam na região.” – texto da matéria “Macacos-prego 'invadem' rodovia Marechal Rondon em Araçatuba”, publicada em 19 de abril de 2014 pelo portal G1

Uma mangueira e falta de informação colocam em risco os macacos e os frequentadores desse trecho da rodovia Marechal Rondon. Sabendo que as frutas são o fator que normalmente atraem os primatas, por que não há uma ação do poder público? Afinal, a árvore está ao lado da base da Polícia Militar Rodoviária.

Animais saem da mata para procurar alimentos
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região

Se a solução é a retirada da árvore ou a construção de alguma estrutura para evitar a aproximação da pista ou auxiliar a travessia dos macacos, a resposta cabe à uma análise técnica. Mas a situação não pode ficar como está.

E a situação tende a piorar, já que a população está encarando a presença dos macacos como uma atração.

“A macacada, literalmente, invadiu a rodovia Marechal Rondon (SP-300) na tarde sexta-feira (18). Mais de 200 macacos-prego, que vivem em um fragmento de mata atlântica ao lado do campus da Faculdade de Odontologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), foram atraídos por guloseimas oferecidas por motoristas que paravam no local. A quantidade de animais e de pessoas que pararam ao longo da pista sentido capital-interior acionou a Polícia Rodoviária, que obrigou a saída dos curiosos do local para evitar acidentes, já que dezenas macacos invadiram a estrada, ao longo da tarde, em busca de alimento.


Pessoas se arriscam alimentando os macacos com 
alimentos não apropriados para os animais
Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região

 A estudante de direto Aline Guedes, 26 anos, moradora de Birigui, foi uma das pessoas que pararam para ver e também dar comida aos macacos. “Eles invadiram meu carro. Levaram bolacha, bala e até um celular que não funcionava mais”, disse. Aline conta que a quantidade de macacos lhe chamou a atenção quando se dirigia até um supermercado em Araçatuba. “Eu fui lá, comprei bolacha e voltei para dar a eles”, disse à estudante à reportagem, rodeada pelos bichos.” – texto da matéria “Macacos invadem Rondon e chamam a atenção”, publicada em 18 de abril de 2014 pelo site do jornal Folha da Região (Araçatuba – SP)

Enquanto uma medida para solucionar o problema não é tomada, que tal a Polícia Militar Ambiental e a concessionária ViaRondon (pertencente ao grupo BR Vias), que administra a estrada prepararem uma ação de comunicação (distribuição de folhetos, entrevistas em emissoras de rádio, televisão e na imprensa escrita e peças publicitárias em vários veículos de comunicação). O objetivo seria conscientizar os motoristas sobre os riscos de acidentes por parar o veículo no acostamento e desembarcar para alimentar e ver os macacos, o perigo dos curiosos serem atacados, mordidos e contraírem alguma doença, além dos problemas de oferecer alimentos não apropriados para a dieta dos primatas.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa da Folha da Região

terça-feira, 8 de abril de 2014

Mais uma onça-parda atropelada em São Paulo: desta vez, o animal não sobreviveu

Em 4 de abril de 2014, o Fauna News publicou o post “Reflexão para o fim de semana: onças-pardas em risco em Bauru (SP)”, em que repercutiu o atropelamento de um felino na Rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Agudos (SP). Foi relembrado também outro caso ocorrido em 3 de dezembro de 2013, km 336 da mesma SP-300, próximo ao chamado “trevo da Eny", em Bauru. Os dois animais envolvidos sobreviveram.

A mesma sorte não teve a onça atropelada, na manhã de 6 de abril de 2014, dentro de uma unidade de conservação de proteção integral paulista.

“Motorista atropela onça parda no Parque Estadual Morro do Diabo

Agora a pouco o motorista Marcelo de 38 anos da cidade de Teodoro Sampaio que estava em seu automóvel com sua esposa e filho atropelou uma onça pintada próximo ao portal principal de entrada do Parque Estadual Morro do Diabo (SP 623, km14). O motorista afirmou que o animal atravessou de repente em sua frente. Os policiais presentes no local afirmam que viram o motorista trafegando em alta velocidade acima dos 70 km/h que é o permitido para o trecho. A perícia e a polícia investigam o caso.”
– texto de post publicado em 6 de abril de 2014 na página do jornal Folha do Pontal

Onça morreu dentro do parque
Foto: Jean Oliveira

Um dos principais motivos para os animais silvestres serem atropelados nas estradas e rodovias é a alta velocidade dos veículos. Para os motoristas, ter e seguir orientações de redução de velocidade seria fundamental para evitar acidentes com animais. “Um estudo na Austrália sugere que uma redução de 20% na velocidade diminuiria em 50% a mortalidade. Essa é uma estratégia que pode ser adotada, sobretudo, em rodovias de menor fluxo e em trechos próximos a áreas especialmente sensíveis, como unidades de conservação”, afirma o biólogo Andreas Kindel, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coautor do Conecte – Guia de Procedimentos para Mitigação de Impactos de Rodovias sobre a Fauna. A obra, publicada na internet (www.lauxen.net/conecte), é uma síntese do atual conhecimento sobre os impactos na fauna e sobre como reduzir danos causados.

A rodovia SP-613 (e não SP-623 como publicado pela Folha do Pontal) tem 14 quilômetros dentro do Parque Estadual Morro do Diabo e sua velocidade máxima permitida de 70km/h. Campanhas já foram realizadas e placas alertando os motoristas sobre o alto risco de atropelamentos de silvestres parecem que não estão surtindo efeito. O caso envolvendo essa onça não é algo isolado e raro. Pelo contrário.

Já passou da hora de ser intensificado o trabalho de conscientização dos motoristas, com campanhas em rádios e jornais da região, além de panfletagem e blitze mais intensas.

Já passou da hora de a Fundação Florestal do Estado de São Paulo (órgão que administra o parque) e o órgão paulista que gerencia as rodovias sem mexerem para instalar radares e estruturas para garantir a travessia segura dos animais (passagens de fauna) nesses 14 quilômetros.

- Leia o post do Facebook do jornal Folha do Pontal
- Releia o post “Reflexão para o fim de semana: onças-pardas em risco em Bauru (SP)”, publicado pelo Fauna News em 4 de abril de 2014

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Reflexão para o fim de semana: onças-pardas em risco em Bauru (SP)

 Onça sendo resgatada em Agudos
Foto: Luiz Pires

“Uma onça foi atropelada, na madrugada desta quinta-feira (3), no quilômetro 328 mais 200 metros da rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Agudos (13 quilômetros de Bauru). O acidente aconteceu por volta da 1h30.

(...) Equipes do Corpo de Bombeiros e do Zoológico de Bauru foram acionadas para o resgate da onça parda (Puma concolor), que sofreu fraturas nos membros dianteiro esquerdo e traseiro direito.

(...) Conforme o JCNet publicou, este é o terceiro caso em menos de 6 meses de resgate de onça parda (Puma concolor) em Bauru e região.  No dia 3 de dezembro de 2013, uma onça foi atropelada no quilômetro 336 da rodovia Marechal Rondon (SP-300), próximo ao chamado “trevo da Eny", em Bauru.

Já no dia 13 de fevereiro deste ano, uma onça suçuarana fêmea foi capturada no parque Vitória Régia Bauru. Após o resgate, o felino voltou ao seu habitat natural.”
– texto da matéria “Onça é atropelada na Marechal Rondon em Agudos”, publicada em 3 de abril de 2014 pelo site do Jornal da Cidade (Bauru – SP)

Onça atropelada em dezembro de 2013
Foto: Douglas Reis

É o segundo atropelamento, além do resgate de uma onça em área urbana. Os fatos estão aí. O poder público vai esperar até quando para se mexer e atuar na região para a conservação da espécie?

- Leia a matéria completa do Jornal da Cidade
- Releia o post "Onça atropelada: deu sorte e não morreu", publicado pelo Fauna News em 5 de dezembro de 2013 sobre a onça atropelada na rodovia Marechal Rondon

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Onça atropelada: deu sorte e não morreu

Por pouco uma onça parda não passou a ser parte de uma das mais tristes estatísticas que envolvem a fauna brasileira: 475 milhões de animais silvestres morrem por atropelamento todos os anos nas estradas e rodovias nacionais (estimativa do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas).

“Uma onça parda foi atropelada, nesta terça-feira (3), no quilômetro 336 da rodovia Marechal Rondon (SP-300), próximo ao chamado “trevo da Eny", em Bauru.

A onça sofreu ferimentos graves
Foto: Douglas Reis

Segundo o Policiamento Rodoviário, por volta das 7h, os militares foram informados de que o animal estava ferido no canteiro central da rodovia. Equipes do Zoológico Municipal de Bauru e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para ajudar no resgate.\

(...) O animal foi conduzido para Botucatu com o auxilio da PM Rodoviária e encaminhado ao Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas) da Unesp.

De acordo com o responsável pelo Cempas, professor Carlos Roberto Teixeira, a onça sofreu fratura no úmero da pata dianteira e apresentou um quadro de hemorragia devido ao impacto da colisão. "Nós estabilizamos a hemorragia e o quadro de saúde dela está estável. Nesta quarta-feira, às 14h, o animal passará por processo cirúrgico e o risco de morte é mínimo", afirmou.”
– texto da matéria “Bauru: onça parda é atropelada na Marechal Rondon”, publicada em 3 de dezembro de 2013 pelo site do Jornal da Cidade (Bauru – SP)

Ainda não há informações sobre sequelas. Se a sorte continuar do lado da onça, ele poderá voltar a desfrutar da vida livre. Mas existe a possibilidade de, se algum problema físico impedi-la de sobreviver na natureza, ela passar o resto da vida em cativeiro – o que para seu ecossistema é o mesmo que a morte.

O caso desse felino lembro o da onça-parda Anhanguera.

A história da onça-parda Anhanguera é uma das mais emblemáticas quando se aborda o conflito entre estradas e animais silvestres. Às 5h de 14 de setembro de 2009, o felino, um jovem macho com idade variando entre 10 meses e um ano, sai da mata e chega às margens da via Anhanguera, na altura do município paulista de Louveira. Decidido a chegar ao outro lado, ele arrisca, avança para o meio da pista e acaba atingido por um veículo.

A rodovia foi parcialmente fechada até a chegada de bombeiros e profissionais da Associação Mata Ciliar, ONG de Jundiaí (SP) que mantém uma parceria com a concessionária CCR AutoBan para atender animais resgatados na estrada e que possui o Centro Brasileiro para Conservação de Felinos Neotropicais. A onça foi então sedada, levada para a sede da ONG e ganhou o nome da rodovia.

Resgate de Anhanguera em 2009
Foto: Divulgação CCR AutoBan

Foram diagnosticadas fraturas em costelas e um dente canino quebrado. Apesar das lesões, foi constatado que Anhanguera tinha potencial para voltar à natureza. O processo de recuperação do felino durou um ano e seis meses, até sua soltura em 10 de março de 2011 em uma mata da Serra do Japi.

A história de Anhanguera foi tratada como um caso de sucesso.  O felino, com um rádio-colar, foi monitorado por meses, até a bateria do equipamento acabar. Por pouco mais de um ano, ele viveu novamente a plenitude de sua condição selvagem.

Repetindo o ocorrido em 2009, Anhanguera novamente voltou a estar na margem de uma estrada. Era 18 de abril de 2012. Dessa vez a faixa de asfalto tinha outro nome: rodovia dos Bandeirantes. Na altura do km 55, o felino aventurou-se para chegar à mata do outro lado e foi atropelado. A sorte não se repetiu: o impacto causou fraturas na coluna e nas costelas, além de ruptura do fígado e do diafragma. A morte foi instantânea.

“A onça Anhanguera foi um marco da nossa luta pela conservação. Houve uma comoção muito grande quando soubemos da sua morte porque todos acompanhavam sua história e torciam por um final feliz. No entanto, ele mostrou que o fato de estar livre não garante a sobrevivência, isto é, o ambiente natural está sendo cada vez mais modificado e com tal rapidez que os animais não conseguem se adaptar”, salienta a veterinária e Coordenadora de Fauna da Associação Mata Ciliar, Cristina Harumi Adania.

A Associação Mata Ciliar atualmente conta com um centro cirúrgico especializado em atendimentos a animais silvestres, uma ambulância para resgates e mantém uma equipe com cinco veterinários que atende 24 horas. A ONG recebe, em média, 150 animais por mês (número que inclui os atropelados).

- Leia a matéria completa do Jornal da Cidade