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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Paraná: unidades de conservação, escolas e comunidades

“O programa Parque Escola capacita nesta quarta-feira (28) cerca de 60 professores do núcleo regional de Assis Chateaubriand, que abrange também os municípios de Jesuítas, Nova Aurora, Formosa do Oeste, Iracema do Oeste, Tupâssi e Brasilândia do Sul. Esses profissionais vão trabalhar a temática ambiental na sala de aula e acompanhar visitas de mais de mil alunos de 6ª e 7ª séries do ensino fundamental à Unidade de Conservação Parque Estadual São Camilo.

Professores sendo capacitados pelo Parque Escola
Foto: Agência de Notícias do Paraná

(...) O Parque Escola é uma parceria, lançada em 2011, entre as secretarias estaduais da Educação e do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, que prevê ações educativas nas unidades de conservação de cada região do Estado. Em 2012, o programa atendeu oito unidades de conservação do IAP e cerca de 10 mil alunos de escolas públicas.

O programa também inclui cursos para professores e a comunidade do entorno do parque, como oficinas de artesanato, formação de monitores ambientais voluntários e a sensibilização dos motoristas sobre a importância de respeitar os limites de velocidade, diminuindo os índices de animais silvestres atropelados dentro ou fora da Unidade de Conservação.”
– texto da matéria “Programa Parque Escola capacita professores no Oeste do Paraná”, publicada em 28 de maio de 2014 pela Agência de Notícias do Paraná (do governo do Estado)

As unidades de conservação (parques, estações, ecológicas, reservas biológicas, etc) são, em geral, muito mal administradas pelo poder público. União (por meio do ICMBio), Estados e Municípios não investem o suficiente para o gerenciamento e o desenvolvimento das atividades potencialmente possíveis em cada área protegida. A falta de profissionais, de profissionais qualificados e de infraestrutura comprometem as atividades de conservação, que incluem a participação da sociedade.

Ações como a noticiada pelo governo paranaense são necessárias. As unidades de conservação são excelentes fontes de conhecimento, um palco que deve ser ocupado e explorado pela escola, que disseminará as informações, e pela própria comunidade, que passará a valorizar seu patrimônio natural, não caçando, não coletando animais, não desmatando e circulando com seus veículos na região com mais responsabilidade.

Que esse trabalho do governo paranaense seja realmente efetivo e permanente.

- Leia a matéria completa da Agência de Notícias do Paraná

terça-feira, 14 de maio de 2013

Competição com aves silvestres irregulares em escola: péssimo exemplo às crianças

É consenso entre os especialistas que lutam pelo fim do tráfico de animais e do hábito de manter animais silvestres em cativeiro doméstico que, além da repressão e de uma legislação realmente punitiva, haja ações de educação ambiental. Principalmente para as crianças e adolescentes.

E as escolas podem ser um palco para o desenvolvimento desse tipo de atividade de conscientização. O ambiente de aprendizado é propício e há profissionais, como os professores de biologia, que podem ajudar bastante.

Mas nem sempre é isso que acontece.

“A Polícia Militar de Sergipe, através do Pelotão de Polícia Ambiental (PPAmb), apreendeu nove aves papa-capins, troféus e medalhas, durante um torneio de canto de pássaros ocorrido na manhã do domingo, 12, na Escola Estadual Nilson Socorro, no conjunto João Alves Filho, no município de Nossa Senhora do Socorro.

Gaiolas com as aves durante ação policial
Foto: Divulgação PM/SE

O material foi apreendido por volta das 9h, após denúncia da comunidade ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Além das aves silvestres, o PPAmb apreendeu no local armações para pendurar gaiolas e outros materiais, como pranchetas e fita zebrada, que estavam sendo usados no ‘IV Campeonato Sergipano de Capim de Fibra’. O evento tinha como objetivo avaliar competitivamente qual a ave que melhor cantava para o público estudantil.”
– texto da matéria “PM apreende nove aves silvestres em Socorro”, publicada em 13 de maio de 2013 pelo site Infonet

O ocorrido na escola desse município sergipano é um exemplo de como a cultura de manter animais silvestres em cativeiro está enraizada na sociedade brasileira. Com certeza, muita gente não sabe que esse hábito, quando sem autorização do órgão ambiental (no caso, o Ibama) é crime e também faz parte de uma série de ações que causam desequilíbrios aos ecossistemas.

Mas tem gente que sabe que está errada.

“Com a chegada da equipe do Pelotão Ambiental, dezenas de pessoas fugiram, levando seus animais silvestres. Apenas duas aves das que permaneceram não foram apreendidas, em virtude de possuírem anilha – anel utilizado no pé da ave para identificar pássaros criados em cativeiro ou livres, regularizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).” – texto do Infonet

Cerca de 50 pessoas participavam do evento, um torneio de canto de pássaros da espécie papa-capim. O pior é saber que, de acordo com as pessoas ouvidas pelos policiais, “a direção da escola autorizara a realização do torneio, oferecendo, inclusive, a logística de pessoas e material para o referido evento.” (texto do Infonet)

Como construir uma nova realidade, um futuro sem a exploração animal e sem danos ao meio ambiente se no ambiente em que deveriam ocorrer ações positivas e educativas incentiva-se a manutenção do erro. Pior, incentiva-se o erro ao promover uma competição.

Que a Secretaria de Educação do estado de Sergipe tome providências. Que, apóe so erro, a direção da escola comece um trabalho com seus alunos para mudar essa realidade - afinal, 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza por ano, no Brasil, para abastecer o tráfico de fauna.

Fachada da escola sergipana
Foto: nilsonsocorro.blogspot.com.br

- Leia a matéria completa do Infonet