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sexta-feira, 18 de abril de 2014

PM Ambiental paulista semeando o futuro enquanto não existe política pública de educação ambiental pela fauna

A falta de um projeto sério e de longo prazo de educação ambiental para a conservação da fauna silvestre (o que inclui o combate ao tráfico de fauna), não é exclusividade do governo do estado de São Paulo. Os Municípios, os Estados, o Distrito Federal e a União praticamente ignoram a necessidade de conscientizar a população sobre a importância de manter os silvestres em seus hábitats, garantindo ecossistemas sadios e equilibrados e a saúde pública longe das zoonoses (doenças transmitidas pelos animais aos humanos).

Enquanto não existe uma política séria de Estado pela conservação da fauna silvestres e contra o tráfico de animais, alguns órgãos públicos tentam fazer sua parte. É o caso dos PMs Ambientais que atuam em Franca (SP).

“No dia 15 de abril, no município de Franca/SP, policiais militares ambientais pertencentes ao 1º Pelotão da Polícia Militar Ambiental, realizaram atividade de educação ambiental em parceria com membros do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Sapucaí – Mirim e Grande (CBH/SMG), em conclusão ao Concurso de Frases em Comemoração ao Dia da Água, cuja premiação das crianças vencedoras contou com plantio de mudas de árvores nativas, soltura de 35.000 alevinos da espécie Curimbatá e 77 aves da fauna silvestre apreendidas após realização de Operação Bicho Solto na área do pelotão.

Policiais e crianças realizando solturas
Foto: Divulgação PM Ambiental SP

O evento foi realizado na Fazenda Santa Bárbara, município de Patrocínio Paulista às margens do Rio Sapucaí, com participação de 28 crianças da EMEB Olívio Faleiros de Itirapuã/SP, escola esta vencedora do concurso onde participaram na prática das atividades, ressaltando a elas a importância da necessidade da preservação e conservação do meio ambiente.

Aliado a este evento, houve a conclusão da Operação Bicho Solto realizada na área do 1º Pelotão de Franca e Bases Operacionais de Ituverava e Orlândia, tendo como resultado a apreensão de 77 (setenta e sete) aves da fauna silvestre nativa que eram mantidas em cativeiro, 74 (setenta e quatro) gaiolas e 09 (nove) alçapões. Diante das infrações foram elaborados 06 Autos de Infração Ambiental por manter espécimes nativas em cativeiro, totalizando o valor de R$ 94.000,00 (noventa e quatro mil reais), onde após a constatação de laudo médico veterinário atestando estarem aptos para voltar ao seu habitat foi realizado a sua reintrodução na natureza com participação das crianças vencedoras do concurso.”
– texto do post “Polícia Militar Ambiental realiza atividade de educação ambiental com soltura de alevinos e aves apreendidas”, publicado em 17 de abril de 2014 no Facebook pelo Comando de Polícia Militar Ambiental da PM Paulista

Os órgãos responsáveis pela repressão ao tráfico de fauna, como as polícias ambientais dos Estados, guardas municipais e o Ibama, são unânimes ao reconhecer que somente com educação ambiental, e a consequente redução da demanda por animais silvestres para criação como bichos de estimação, é que esse mercado negro terá uma redução sensível. Investir em fiscalização é necessário mas nunca irá coibir com eficiência o comércio ilegal de silvestres.

Vale lembrar que o combate ao tráfico de fauna requer, além da repressão e da educação ambiental, uma legislação realmente punitiva, infraestrutura para o pós-apreensão e projetos de geração de renda para populações pobres em áreas de captura. O problema é complexo e não está sendo levado a sério pelos governantes brasileiros.

- Leia o post no Facebook

terça-feira, 18 de junho de 2013

Destruindo gaiolas para educar

“Mais de 300 gaiolas e armadilhas foram destruídas pela Polícia Ambiental, na manhã desta sexta-feira (7), em Guaçuí, no Sul do Espírito Santo. Como parte da programação da Semana do Meio Ambiente, o evento contou com a presença de mais de 200 alunos de escolas do município. O objetivo da ação, segundo a polícia, é orientar a população a não capturar e não manter pássaros silvestres em cativeiro.” – texto da matéria “Gaiolas e armadilhas são destruídas em praça de Guaçuí, ES", publicada em 7 de junho de 2013 pelo portal G1

 
 Trator destruindo as gaiolas
Foto: PMES

O sucesso do combate ao tráfico de animais silvestres depende de um conjunto de ações, que devem estar coordenadas. Fiscalização eficiente com pessoal bem instruído e equipado, legislação realmente punitiva, centros para recebimento dos bichos apreendidos, processo burocrático que realmente funcione para as solturas, áreas para as solturas monitoradas e ações de geração de renda e apoio social nas regiões onde pobreza incentiva a captura dos animais são essenciais. Mas, tudo isso, sem um projeto de educação ambiental para redução de demanda – principalmente voltado para crianças e adolescentes – não terá resultado satisfatório.

Gaiolas, antes da destruição, observadas pela população
Foto: PMES

Ações como a da Polícia Ambiental do Espírito Santo são bastante interessantes, mas têm de estar inseridas em um projeto maior. Nenhum trabalho terá resultado ser for feito apenas em ocasiões especiais, como a Semana do Meio Ambiente.

O poder público, principalmente os chefes do poder Executivo, têm de trabalhar na conscientização da população para combater a vergonha dos 38 milhões de animais silvestres retirados da natureza todos os anos no Brasil.

- Leia a matéria completa do portal G1

terça-feira, 14 de maio de 2013

Competição com aves silvestres irregulares em escola: péssimo exemplo às crianças

É consenso entre os especialistas que lutam pelo fim do tráfico de animais e do hábito de manter animais silvestres em cativeiro doméstico que, além da repressão e de uma legislação realmente punitiva, haja ações de educação ambiental. Principalmente para as crianças e adolescentes.

E as escolas podem ser um palco para o desenvolvimento desse tipo de atividade de conscientização. O ambiente de aprendizado é propício e há profissionais, como os professores de biologia, que podem ajudar bastante.

Mas nem sempre é isso que acontece.

“A Polícia Militar de Sergipe, através do Pelotão de Polícia Ambiental (PPAmb), apreendeu nove aves papa-capins, troféus e medalhas, durante um torneio de canto de pássaros ocorrido na manhã do domingo, 12, na Escola Estadual Nilson Socorro, no conjunto João Alves Filho, no município de Nossa Senhora do Socorro.

Gaiolas com as aves durante ação policial
Foto: Divulgação PM/SE

O material foi apreendido por volta das 9h, após denúncia da comunidade ao Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Além das aves silvestres, o PPAmb apreendeu no local armações para pendurar gaiolas e outros materiais, como pranchetas e fita zebrada, que estavam sendo usados no ‘IV Campeonato Sergipano de Capim de Fibra’. O evento tinha como objetivo avaliar competitivamente qual a ave que melhor cantava para o público estudantil.”
– texto da matéria “PM apreende nove aves silvestres em Socorro”, publicada em 13 de maio de 2013 pelo site Infonet

O ocorrido na escola desse município sergipano é um exemplo de como a cultura de manter animais silvestres em cativeiro está enraizada na sociedade brasileira. Com certeza, muita gente não sabe que esse hábito, quando sem autorização do órgão ambiental (no caso, o Ibama) é crime e também faz parte de uma série de ações que causam desequilíbrios aos ecossistemas.

Mas tem gente que sabe que está errada.

“Com a chegada da equipe do Pelotão Ambiental, dezenas de pessoas fugiram, levando seus animais silvestres. Apenas duas aves das que permaneceram não foram apreendidas, em virtude de possuírem anilha – anel utilizado no pé da ave para identificar pássaros criados em cativeiro ou livres, regularizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).” – texto do Infonet

Cerca de 50 pessoas participavam do evento, um torneio de canto de pássaros da espécie papa-capim. O pior é saber que, de acordo com as pessoas ouvidas pelos policiais, “a direção da escola autorizara a realização do torneio, oferecendo, inclusive, a logística de pessoas e material para o referido evento.” (texto do Infonet)

Como construir uma nova realidade, um futuro sem a exploração animal e sem danos ao meio ambiente se no ambiente em que deveriam ocorrer ações positivas e educativas incentiva-se a manutenção do erro. Pior, incentiva-se o erro ao promover uma competição.

Que a Secretaria de Educação do estado de Sergipe tome providências. Que, apóe so erro, a direção da escola comece um trabalho com seus alunos para mudar essa realidade - afinal, 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza por ano, no Brasil, para abastecer o tráfico de fauna.

Fachada da escola sergipana
Foto: nilsonsocorro.blogspot.com.br

- Leia a matéria completa do Infonet