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terça-feira, 6 de maio de 2014

Primatas raros roubados na Inglaterra são recuperados

“A polícia britânica recuperou quatro de cinco macacos que foram roubados de um zoológico no norte da Inglaterra. A busca pelos animais, alguns deles de espécies seriamente ameaçadas de extinção, espalhou-se por toda a Europa.

Os ladrões levaram os macacos --duas fêmeas e um filhote da espécie sagui-cabeça-de-aldogão e dois da sagui-imperador-- de suas jaulas após abrirem um buraco na cerca de proteção em um zoológico de Blackpool, no noroeste da Inglaterra, na noite de terça-feira.

Sagui-cabeça-de-algodão: espécie em extinção
Foto: Stephanie Pilick/dpa

Autoridades disseram que estavam fazendo interrogatórios em toda a Europa, onde houvesse "definitivamente um mercado para os macacos".

A União Internacional para a Conservação da Natureza lista o sagui-cabeça-de-algodão como uma espécie com perigo crítico de extinção, com uma população mundial estimada de 6.000 animais.

Após um grande apelo público, autoridades do zoológico confirmaram neste sábado que quatro dos cinco macacos foram encontrados sem ferimentos em um endereço de West Yorkshire, na noite de sexta-feira. O filhote ainda está desaparecido.”
– texto da matéria “Polícia encontra quatro de cinco macacos raros roubados de zoo britânico”, publicada em 3 de maio de 2014 pela Reuters Brasil

Esse tipo de ação faz parte do tráfico de animais para colecionadores e zoológicos. É um nicho do mercado negro altamente lucrativo, pois envolve animais em risco de extinção que não estão nas listagem dos silvestres que podem ser comercializados.

Com populações muito pequenas, qualquer animal em extinção retirado da natureza ou de programas de conservação significa um grande prejuízo para a espécie e um grande passo rumo à extinção.

A redução drástica da população ou o desaparecimento de uma espécie da natureza podem causar sérios desequilíbrios aos ecossistemas em que elas atuam. Vale lembrar que a natureza funciona como uma grande teia, com uma espécie (seja animal ou vegetal) dependendo da outra para sobreviver. Assim, a falta de um tipo de ser vivo representa menos alimento para outro, redução na disseminação de sementes, problemas na produção de água e na captura de carbono da atmosfera e por aí vai...

Sobre a matéria da Reuters, faltou informar se prenderam alguém ou identificaram os traficantes e os receptadores.

- Leia a matéria completa da Reuters

terça-feira, 23 de julho de 2013

Trinca-ferro de R$ 6 mil é alvo de ladrão: o preço do bicho e o tráfico

“Um homem foi preso na noite deste domingo (21) em Teresópolis, Região Serrana do Rio, quando tentava roubar um passarinho de uma residência no bairro da Prata. O acusado foi flagrado pelo proprietário da casa, que acionou a Polícia Militar (PM). Ele foi levado à 110ª Delegacia de Polícia, no bairro do Alto, onde o caso foi registrado.

 
Trinca-ferro
Foto: Christian Camargo

Longe de ser um simples passarinho, o ladrão tentava furtar um trinca-ferro, avaliado em R$ 6 mil. O animal era registrado. A ave, segundo especialistas, é altamente valorizada por criadores e também é alvo constante de contrabandistas de animais silvestres. Para a criação em cativeiro é preciso autorização especial do IBAMA.” – texto da matéria “Homem é preso após tentar furtar passarinho em Teresópolis, RJ”, publicada em 22 de julho de 2013 pelo portal G1

Em criadouros legalizados, essas aves custam, pelo menos, R$ 1 mil. Os altos preços de animais criados legalmente é um incentivo ao tráfico, onde os valores são muito mais baixos. Infelizmente, o hábito de criar animais silvestres como bichos de estimação ainda é muito forte e acaba sendo também outro incentivador para a existência do mercado negro.

Há quem defenda a existência de um amplo comércio legalizado de animais silvestres (para abastecer uma demanda por bichos de estimação) como ferramenta para combater o tráfico de fauna. Afinal, segundo os defensores dessa ideia, quem compraria um animal de procedência desconhecida, arriscando-se a contrair doenças e a problemas legais, se existe a possibilidade da compra dentro da lei?

Sem levar em conta a discussão ética sobre o direito à liberdade dos animais, a possibilidade de legalização do comércio de algumas espécies de silvestres tem de ser analisada pensando no preço. É o caso do trinca-ferro. Ou você acha que a maioria dos compradores de animais, cujo nível econômico não permite gastar altas quantias, vai deixar de comprar?

Infelizmente, não. O tráfico vai continuar a existir. E com força.

Isso já acontece com os papagaios-verdadeiros. No mercado negro, a ave custa entre R$ 150 e R$ 250. Em um criadouro legalizado, o preço varia entre R$ 1.800 e R$ 2.500.

Mesmo assim, o Ibama prepara a chamada “lista pet”, que, em breve, deverá ser divulgada pelo órgão com cerca de 100 espécies de silvestres com permissão para o comércio legalizado como bichos de estimação.

Um grande erro!

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Reflexão para o fim de semana: legal, as aves foram recuperadas. Mas cadê os bandidos?

Na madrugada de 28 de outubro de 2011, duas araras-canindé foram furtadas do Parque Ecológico de Mongaguá, no litoral de São Paulo. As aves, que há três anos foram apreendidas com traficantes de animais, voltaram a ser vítimas desse tipo de crime. A boa notícia está no fato de que elas foram recuperadas pela Polícia Militar Ambiental, que ainda apreendeu outra da mesma espécie com um morador do município.


Uma das araras recuperadas pela PM Ambiental
Imagem: Reprdoução TV Tribuna

Para variar, a imprensa - no caso a equipe de reportagem da TV Tribuna, retransmissora da TV Globo na Baixada Santista – fez aquele trabalhinho superficial, pautada por considerar o fato algo curioso e inusitado. Além de se preocupar em destacar o retorno das araras, a reportagem salientou a aflição da tratadora das aves, que até fez uma promessa para parar de fumar no caso do retorno dos animais. Até aí, tudo bem... Mas só isso, não.

As araras em geral são muito visadas por traficantes de animais, pois têm alto valor e fácil comercialização. De acordo com o Ibama de Pernambuco, 82% das apreensões de animais ilegais retirados da natureza são de aves e a maioria de passarinhos – mesmo índice de uma pesquisa realizada junto ao Ibama pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) com dados de todo o país.

Senti falta também de informações sobre as investigações desse crime. Há alguma pista dos bandidos? Há informações sobre os compradores/receptadores?

- Leia a matéria publicada pelo portal G1 sobre o caso (baseada na reportagem da TV Tribuna)
- Releia o texto do Fauna News sobre os papagaios que também foram duas vezes vítimas de traficantes de animais: “Papagaios na Paraíba: duas vezes vítimas do tráfico e ninguém noticiou”
- Assista ao vídeo de 28 de outubro de 2011 sobre o furto das araras (TV Tribuna)

- Assista ao vídeo sobre o encontro das araras (TV Tribuna):