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terça-feira, 6 de maio de 2014

Primatas raros roubados na Inglaterra são recuperados

“A polícia britânica recuperou quatro de cinco macacos que foram roubados de um zoológico no norte da Inglaterra. A busca pelos animais, alguns deles de espécies seriamente ameaçadas de extinção, espalhou-se por toda a Europa.

Os ladrões levaram os macacos --duas fêmeas e um filhote da espécie sagui-cabeça-de-aldogão e dois da sagui-imperador-- de suas jaulas após abrirem um buraco na cerca de proteção em um zoológico de Blackpool, no noroeste da Inglaterra, na noite de terça-feira.

Sagui-cabeça-de-algodão: espécie em extinção
Foto: Stephanie Pilick/dpa

Autoridades disseram que estavam fazendo interrogatórios em toda a Europa, onde houvesse "definitivamente um mercado para os macacos".

A União Internacional para a Conservação da Natureza lista o sagui-cabeça-de-algodão como uma espécie com perigo crítico de extinção, com uma população mundial estimada de 6.000 animais.

Após um grande apelo público, autoridades do zoológico confirmaram neste sábado que quatro dos cinco macacos foram encontrados sem ferimentos em um endereço de West Yorkshire, na noite de sexta-feira. O filhote ainda está desaparecido.”
– texto da matéria “Polícia encontra quatro de cinco macacos raros roubados de zoo britânico”, publicada em 3 de maio de 2014 pela Reuters Brasil

Esse tipo de ação faz parte do tráfico de animais para colecionadores e zoológicos. É um nicho do mercado negro altamente lucrativo, pois envolve animais em risco de extinção que não estão nas listagem dos silvestres que podem ser comercializados.

Com populações muito pequenas, qualquer animal em extinção retirado da natureza ou de programas de conservação significa um grande prejuízo para a espécie e um grande passo rumo à extinção.

A redução drástica da população ou o desaparecimento de uma espécie da natureza podem causar sérios desequilíbrios aos ecossistemas em que elas atuam. Vale lembrar que a natureza funciona como uma grande teia, com uma espécie (seja animal ou vegetal) dependendo da outra para sobreviver. Assim, a falta de um tipo de ser vivo representa menos alimento para outro, redução na disseminação de sementes, problemas na produção de água e na captura de carbono da atmosfera e por aí vai...

Sobre a matéria da Reuters, faltou informar se prenderam alguém ou identificaram os traficantes e os receptadores.

- Leia a matéria completa da Reuters

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Começar a semana pensando...

...na consequência de criar uma onça-pintada como bicho de estimação: cativeiro permanente.

“É um animal que veio para o Zoológico por ter sido criado desde pequeno em companhia de seres humanos, o que torna impossível a sua reintrodução na natureza. Tentaremos em breve fazer a aproximação com o macho do nosso plantel para formação de casal”.

Foto: Divulgação Agência Municipal do Meio Ambiente de Goiânia

Raphael Cupertino, diretor do Zoológico de Goiânia, na matéria "Onça pintada criada como animal  de estimação passa a integrar plantel do zoológico de Goiânia", publicada em 1º de abril pelo site do Jornal Opção (Goiânia - GO)

O felino, uma fêmea de dois anos e meio chamada Juma, chegou em Goiânia em 16 de março vindo de Mineiros, no interior de Goiás. A onça era criada por um fazendeiro como animal de estimação, deixando assim de cumprir seu papel na natureza.

É como se estivesse morta.

- Leia a matéria completa do Jornal Opção

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Quando o zoológico é mais que entretenimento

Zoológico não deve ser um local em que a prioridade é o entretenimento. Ao contrário! Pelo noticiado o Bosque e Zoológico Fábio Barreto, de Ribeirão Preto (SP), administrado pela prefeitura, já sabe disso.

“Em ação conjunta com o Ibama, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, mais de 100 aves foram tratadas nos últimos meses pelos profissionais do Bosque/Zoo Dr. Fábio Barreto.

Zoológico investe na recuperação de animais traficados
Foto: TripAdvisor

Vítimas da ação do tráfico de animais silvestres, os animais chegaram ao zoológico apreendidos pela polícia florestal ou por pessoas que socorrem as aves encontradas em situação de risco.
Após receberem tratamento adequado, são levadas ao Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres), na cidade de Lorena. “O Bosque/Zoo, além de oferecer Educação por meio do Programa Integrado de Educação Ambiental e ser opção de lazer às famílias, também realiza este importante trabalho de recuperação de animais da nossa fauna”, explicou Alexandre Gouvêa, chefe do Bosque/Zoo.”
– texto da matéria “Mais de 100 aves são reabilitadas pelo Bosque/Zoo Fábio Barreto, em Ribeirão Preto”, publicada em 26 de janeiro de 2014 pelo site Ribeirão Preto On Line

Infelizmente, ainda existem zoológicos que não modernizaram seus objetivos e, pior, mal conseguem garantir o bem-estar dos animais. As secretarias de Meio Ambiente dos estados e o Ibama (para as unidades da federação que ainda não estão gerenciando a fauna, conforme determina a Lei Complementar 140, de 2011) têm de fiscalizar com rigor e trabalhar para que programas de educação ambiental e conservação sejam efetivamente realizados.

- Leia a matéria completa do Ribeirão Preto On Line
- Conheça o Bosque e Zoológico Fábio Barreto

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Final feliz: resgatado de zoo particular, urso volta à natureza

“No último mês, um dos residentes do centro de resgate da instituição, o urso de cinco anos chamado Kudat, foi libertado e deu seus primeiros passos na floresta.

Kudat chegou à BSBCC (observação do Fauna News: Bornean Sun Bear Conservation Centre) em julho de 2010 após ele e um urso fêmea chamada Panda terem sido confinadas em um pequeno zoológico particular, na Malasia.

Kudat na floresta após solutra
Foto: Bornean Sun Bear Conservation Centre

Segundo o CEO da BSBCC e seu fundador, Wong Siew Te, os dois ursos foram aprisionados em pequenas celas de concreto e explorados sendo expostos ao público durante o dia para o entretenimento. Ambos eram mal alimentados e Kudat tinha sinais de agressão em sua pele.”
– texto da matéria “Urso-malaio é libertado e caminha na floresta pela primeira vez”, publicada em 6 de janeiro de 2014 pela Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda)

Resgate de Kudat
Foto: Bornean Sun Bear Conservation Centre

A captura e comércio de animais para confinamento em zoológicos particulares é uma das faces do tráfico de fauna. Esse tipo de mercado negro movimenta bastante dinheiro pois, muitas vezes, a demanda é por exemplares de espécies raras, ameaçadas de extinção ou que habitam locais de difícil acesso. Assim aconteceu com a ararinha-azul, capturada no sertão baiano até seu desaparecimento na natureza. Atualmente, 86 aves da espécie vivem em cativeiro de programas de conservação espalhados pelo mundo (incluindo o Brasil).

A situação dos ursos-malaios ainda tem um agravante: a exploração para extração de bile, usada na medicina tradicional asiática.

“O urso-malaio é uma das menores espécies de urso no mundo e também uma das últimas a ser descoberta, são muito difíceis de serem encontradas na natureza, mesmo tendo uma aparência indescritível. Como resultado, o número exato de sua população ainda permanece desconhecido.

Por enquanto, o que não é segredo para ninguém é que estes animais, como muitos outros no mundo, estão sob forte ameaça devido à atividade humana.

O desflorestamento, caça e a demanda para a medicina tradicional asiática (que utiliza a bílis dos ursos, além de outras comidas “exóticas” como a sopa de pata de urso, que já tem vitimado diversos destes animais), fez dos ursos-malaios animais em perigo e classificados como “vulneráveis” pela lista vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

Segundo a IUCN, somente em 30 anos, a população de ursos-malaios caiu para 30% no sudeste asiático, onde eles têm unicamente a floresta do Borneo como habitat natural.”
– texto da Anda

Vale destacar que no Vietnã e na China as “fazendas” de exploração de ursos para extração de bile são legalizadas. Infelizmente, pouquíssimos voltam à vida livre. Milhares permanecem explorados em cativeiros cruéis e com muita dor.

- Leia a matéria completa da Anda

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Animais para atrair público: estabelecimentos que devem ser boicotados

“Na manhã desta terça-feira (19), após recebimento de denúncia remetida via e-mail para o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), policiais militares lotados na 1ª Companhia Ambiental prosseguiram juntamente com agentes do Ibama em fiscalização ao município de Vila Velha no bairro Barra do Jucu em uma casa de shows e eventos, a fim de averiguarem a existência de animais em cativeiro sendo expostos ao público sem autorização.

 Ibama e Polícia Militar Ambiental do ES
fiscalizando estabelecimento
Foto: P5 BPMA/ES

Durante a fiscalização foi constatado pela equipe a existência de vários animais expostos em grandes viveiros e com confirmação do proprietário de que estão abertos à visitação pública através do serviço oferecido, ou seja, um “mini zoológico”, o que possibilita a ele maior obtenção de lucro, já que o acesso ao local é cobrado e, quando questionado sobre a licença para este tipo de empreendimento, relatou não possuir.

Um dos recintos para expor os animais
Foto: P5 BPMA/ES

(...) O que foi encontrado:

1) Aves anilhadas e licenciadas pelo Ibama, porém sem autorização para exposição em mini zoo:
   03 (três) tucanos-toco;
   05 (cinco) araras-canindé;
   01 (um) papagaio-verdadeiro;
   01 (um) araçari;
   01 (uma) jandaia.

2) Aves sem anilhas e sem nota fiscal, sem autorização para exposição em mini zoo:
02   (dois) mutuns-de-penacho.

3) Aves anilhadas, porém sem nota fiscal, também sem autorização para exposição em mini zoo:
   02 (duas) maracanãs-verdadeiras;
   01(um) papagaio-do-mangue.”
– texto de divulgação da Polícia Militar Ambiental do Espírito Santo reproduzido em 20 de novembro de 2013 pelo Portal Guandu

Sobre os animais que devem estar em situação legal, a exposição dos bichos durante shows e eventos deve ser muito pensada. O estresse e os possíveis danos devem ser considerados e a questão dos maus-tratos não pode ser negligenciada.

Já a existência de animais em situação ilegal de cativeiro, os dois mutuns-de-penacho, provavelmente oriundos do tráfico e capturados sem autorização, serve para evidenciar o quanto o proprietário do estabelecimento deve se importar com as questões ambientais.

A ação da Polícia Militar Ambiental do Espírito Santos e do Ibama foi perfeita. Uma pena não divulgarem o nome do estabelecimento. Uma casa de entretenimento como essa se equipara a uma indústria poluidora e merece boicote.

- Leia a matéria completa no Portal Guandu

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Lagartixas via Correios: da Ásia para a Bahia e Santa Catarina

“Um casal de lagartixas-leopardo foi apreendido em Florianópolis e enviado a um zoológico com Pomerode, no Vale do Itajaí. Nesta quarta-feira (19), elas estavam sob cuidados em uma quarentena e ainda não podem ser vistas pelo público. Não há previsão de quando os animais serão expostos.

As lagartixas-leopardo são cobiçadas por causa de sua bela aparência
Foto: Rafael Pagani

De acordo com o zoológico, os répteis foram interceptados pelos Correios. As lagartixas estavam sendo traficadas. Após serem encontrados, os animais foram deixados com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que depois enviou o casal ao zoológico.” – texto da matéria “Lagartixas-leopardo são apreendidas e enviadas a zoológico em SC”, publicada em 19 de junho de 2013 pelo portal G1

Os répteis, de origem asiáticas, foram despachados na Bahia e estava com um endereço de São José, na Grande Florianópolis. Casos como esse não são incomuns.

“Sábado, 16 de abril de 2011, 13 horas. Durante a preparação para entrega de Sedex, funcionários dos Correios de São José do Rio Preto (SP) percebem algo estranho em uma pequena caixa. Ao verificarem por raios-X o conteúdo da encomenda que acabara de chegar de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, eles encontraram um filhote de iguana. Inusitado, mas não incomum.

Iguana viajou 2,7 mil quilômetros até o interior paulista
Imagem: Reprodução TV TEM

(...)Deve-se lembrar que esse tipo de apreensão pelos Correios tem ocorrido com certa frequência. Só para reavivar a memória, em 27 de setembro de 2010, dois iguanas foram encontrados em uma caixa de Sedex na agência da Vila Maria (bairro paulistano) dos Correios, prontos para serem despachados para Belo Horizonte. Os répteis estavam enrolados em gaze e fita adesiva dos próprios Correios.”
– texto do post “Iguanas via Sedex: tá virando mania”, publicado em 18 de abril de 2011 pelo Fauna News

Répteis, anfíbios e invertebrados como insetos e aracnídeos são as principais vítimas desse meio de entrega de animais por traficantes de fauna. Vale destacar que muitos desses bichos são encomendados por sites.


Depois de perderem a liberdade e impossibilitados de cumprirem sua função ecológica (o que prejudica o ecossistema), as duas lagartixas-leopardo passarão o resto da vida em cativeiro.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Releia “Iguanas via Sedex: tá virando mania”, publicado em 18 de abril de 2011 pelo Fauna News

terça-feira, 12 de março de 2013

Quantos desses são vítimas do tráfico de animais? Cativeiro eterno e inadequado

“Com aproximadamente 10 meses de idade, a onça parda Dodge, encontrada em julho do ano passado por um sitiante em São Miguel do Guaporé (RO), a 540 quilômetros de Porto Velho, continua no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Porto Velho, onde aguarda o interesse de zoológicos do país. Assim como Dodge, aproximadamente 30 animais, entre diversas espécies de macacos e aves, também aguardam para serem transferidos a instituições competentes credenciadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

Arara no Cetas de Porto Velho
Foto: Ivanete Damasceno/G1

(...)O Cetas também abriga um tucano e outras 13 aves, entre papagaios e uma arara. "Muitos chegam aqui machucados. Nós fazemos o tratamento, recuperamos e reabilitamos para que ele possa ser solto na natureza", diz Rios. O veterinário salienta que parte dos animais que chegam ao centro de triagem não pode ser devolvida a natureza devido ao contato com seres humanos, que faz com que acabem perdendo o instinto, podendo não se readaptarem ao seu habitat.”
– texto da matéria “Sem interesse de zoológicos, animais vivem em centro de triagem em RO”, publicada em 9 de março de 2013 pelo portal G1

O contato com humanos muitos animais percam a capacidade de sobreviver sozinhos na natureza. Conclusão: cativeiro eterno, o que impede que o bicho realize a maioria de suas funções ecológicas. Além disso, no Brasil não é incomum que as instituições que os recebem não tenham a infraestrutura (tanto física quanto de recursos humanos) necessária para manter o animal com dignidade.

Vale perguntar: quantos desses bichos foram apreendidos em residências de gente que os comprou de traficantes ou ainda com os próprios comerciantes ilegais? Lembre-se, estimativa de 2001 da rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) indica que mais de 38 milhões de bichos saio retirados da natureza por ano para abastecer o mercado negro.

No Brasil, mais de 60% desse comércio criminoso está votado para o mercado interno. Isso quer dizer que os próprios brasileiros estão incentivando o tráfico de animais. Se você acha muito, repare na quantidade de gaiolas espalhadas pelas residências brasileiras. Mais de 80% dos bichos ilegalmente comercializados no país são aves.

- Leia a matéria completa do portal G1

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A soltura foi uma possibilidade considerada? Jornalismo que não responde

A imprensa existe para informar, certo? Mas um dos grandes pecados do jornalismo é deixar de informar pela superficialidade. Às vezes isso acontece pelo fato de o jornalista não conhecer do assunto que trata e acaba fazendo uma matéria com poucos detalhes. Outras vezes é relaxo mesmo, com o profissional fazendo um qualquer coisa para entregar o serviço pronto.

E o leitor? Como fica nessa situação?

Eis um exemplo de matéria em que falta muita informação:

“No prazo de 15 dias, o Parque Ecológico Municipal “Cid Almeida Franco”, em Americana (SP) terá 19 novos animais silvestres nos recintos para exposição permanente. São 12 aves e sete cágados ainda em quarentena.

Papagaio-de-peito-roxo que irá para zoológico
Foto: Marília Pierre/ Prefeitura de Americana

Os animais são do Centro de Recuperação de Animais Silvestres do Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo, e geralmente  tem uma triste história por trás da sua recuperação.  A grande maioria  vem de apreensões do tráfico ilegal de animais silvestres realizados pela Polícia Florestal e Ibama.

Entre os novos pássaros estão três papagaio-de-peito-roxo (ameaçado de extinção), duas maitacas-bronzeadas, um periquito-da-caatinga, um tiriba-de-testa-vermelha, um papagaio-molero (ameaçado de extinção), um papagaio-galego, três papagaios-campeiros, seis cágados-da-lagoa e um cágado-de-barbicha. Dessas espécies, o zoológico não tinha apenas os pássaros periquito-da-caatinga e o cágado da lagoa; o que contribui para reprodução em cativeiro, segundo a diretoria do zoológico.”
– texto da matéria “Animais recuperados do tráfico têm nova vida no Zoo de Americana”, publicada em 22 de fevereiro de 2013 pelo portal G1

A pergunta que deveria ser feita, e não foi, é: por que esses animais não tem a chance de voltar para a natureza? Em muitos casos, os bichos apreendidos não têm condições técnicas de voltar a sobreviver nas matas. Nesse caso, o cativeiro é a saída e nada melhor que tentar a reprodução quando a espécie corre risco de extinção.

Solturas são processos trabalhosos, caros e demorados (pois envolvem, inclusive, um monitoramento pós-soltura para certificação do sucesso da ação), por isso não são realizados ou incentivados pelo poder público. É mais fácil enviar os bichos para zoológicos e criadouros credenciados.

Será que essas aves não tinham capacidade técnica de voltar à vida livre ou será que houve, além do problema do custo das solturas, o interesse do zoológico em rapidamente incrementar seu plantel?
Onde estão essas informações na matéria?

- Leia a matéria completa do portal G1

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Reflexão para o fim de semana: sofrimento em nome da diversão

“Na natureza, elefantas são seres extremamente sociáveis que vivem em grupos só de fêmeas e filhotes, percorrendo dezenas de quilômetros juntas em busca de água nos períodos de estiagem. Mali é uma elefanta asiática que leva uma vida bem diferente da de seus parentes selvagens. Vivendo em uma jaula no zoológico de Manila, nas Filipinas, a elefanta atraiu a atenção de um grupo defensor dos direitos dos animais pela sua solidão. Mali não entra em contato com outros de sua espécie há 35 anos.

Mali: 35 anos de solidão em cativeiro
Foto: Facebook Free Mali

Quando tinha três anos, o animal foi separado do seu bando na Índia e enviado ao zoológico, onde é o único elefante a ser mantido em cativeiro em todo o país. Atualmente com 38 anos, Mali sofre com graves problemas nas patas, que podem provocar infecções e até a morte do animal. Esse tipo de problema é o maior responsável pela morte de elefantes de cativeiro no mundo.” – texto da matéria “Elefanta passa 35 anos em solitária”, publicada pelo blog Planeta Bicho do site da revista Globo Rural, em 23 de julho de 2012

Comentar o quê? Ainda vivemos em uma sociedade que considera normal manter animais em cativeiro para nossa diversão. É assim com inúmeras espécies em zoológicos (muitos dos quais não realizam nenhuma atividade conservacionista e, sob o pretexto da educação ambiental, confinam os animais em situações degradantes) e com golfinhos, orcas, focas e leões-marinhos, que realizam shows em espetáculos espalhados por todo o planeta.

Recinto onde vive Mali
Foto: Facebook Free Mali

Vale lembrar que muitos desses animais são vítimas do tráfico, sendo retirados da natureza por comerciantes do mercado negro. Mali. Que possui uma página do Facebook (Free Mali)  foi separada de seu bando quando tinha três anos!

- Leia a matéria completa no Planeta Bicho
- Conheça a página do Facebook Free Mali (https://www.facebook.com/FreeMali)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Reflexão para o fim de semana: crocodilo de zoológico vivia no lixo?

Zoológicos devem ser locais para educação ambiental e, principalmente, para conservação de espécies em risco de extinção. Mas nem sempre é isso que acontece.

“O ambientalista francês Aurélien Brulé e seu filho inspecionam o crocodilo sem dentes batizado de Hollande, nome do presidente da França eleito recentemente, François Hollande. O réptil de 4,5 metros foi resgatado de um poço com lixo em um zoológico da ilha de Bornéu, na parte pertencente à Indonésia, e levado a um santuário de animais.” – texto-legenda entitulado “Crocodilo banguela é resgatado de poço com lixo em zoo indonésio”, publicado em 3 de julho de 2012 pelo portal G1

Resgate do crocodilo na Indonesia
Foto: Romeo Gacad/AFP

Imediatamente, fiz a pergunta: o animal vivia em um poço com lixo? Sim, isso mesmo. A instituição estatal estava abandonada.

E o caso não é tão incomum assim. Vale lembrar o caso do zoolócio do Cattoni-Tur Hotel, no centro de Salete (SC).

“O rugido insistente de um leão se tornou comum em meio à paisagem de araucárias do interior de Santa Catarina nas últimas semanas.

"É por causa da fome", diz a voluntária Sílvia Pompeu, enquanto joga um pedaço de carne para o animal de aparência esquelética, que devora o alimento em segundos. Macacos apáticos em jaulas imundas observam a cena.

Macacos estavam entre os animais abandonados em Salete
Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

Eles e outras dezenas de bichos são os sobreviventes do zoológico do Cattoni-Tur Hotel, no centro de Salete (a 260 km de Florianópolis).

Segundo o Ibama, o local foi praticamente abandonado pelo dono, Azodir Cattoni, após o órgão interditá-lo, em dezembro. Desde então, os bichos passaram a comer cada vez menos. Tigres que recebiam 14 kg de carne a cada dois dias passaram a ter dois frangos.

A eletricidade foi cortada. E sem as cercas elétricas, uma onça já pulou na jaula dos leões e foi morta. "Todo mundo corre risco de morte", disse a analista ambiental do Ibama Gabriela Breda, que circula armada pelo zoo.

Instalado num antigo seminário, o hotel-zoo foi aberto em 2007 e passou a acumular legalmente enorme quantidade de bichos. Havia mais exemplares de certas espécies do que no zoo paulistano.

"Vinham de apreensões ou foram abandonados por circos", disse Elenice Franco, do Ibama. Segundo o órgão, os recintos são inadequados, e o acúmulo se refletiu no índice de mortalidade, que alcançou 80%. O aceitável seria até 20%.

Dos 1.100 animais que entraram lá, só 214 estavam vivos na interdição, decidida após a fuga da elefante Carla, que saiu em disparada pelas ruas e só foi capturada horas depois - hoje ela vive no Rio.”
– texto da matéria “Famintos, animais definham em zoológico do interior de SC”, publicada em 10de abril de 2012 pela Folha de S. Paulo

De acordo com o presidente da Sociedade de Zoológicos do Brasil (SZB), Luiz Antonio da Silva Pires, existem no país cerca de 120 zoológicos, responsáveis por 40 mil animais. Será que todas as instituições trabalham com responsabilidade e garantem e bem-estar dos bichos?

Ainda em tempo: ninguém publicou nada sobre a falta de dentes do crocodilo. Qual será o motivo?

- Veja a publicação do G1
- Leia a matéria completa da Folha de S. Paulo
- Conheça a Sociedade de Zoológicos do Brasil (SZB)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Começar a semana pensando...

...sobre a vida livre e o cativeiro.

Matéria exibida pelo Jornal da Band, da Rede Bandeirantes, em 8 de março de 2012, relata a rotina de uma arara-canindé que, diariamente, sai do Parque Nacional da Tijuca e voa quatro quilômetros até o recinto das araras no Zoológico do Rio de Janeiro, onde vive o (a) companheiro (a) da ave. A rotina, que já dura mais de 15 anos, nos faz refletir sobre liberdade e cativeiro.

Arara-canindé
Foto: Marcelo Scaranari

Não fique só achando o fato curioso ou pensando na “história de amor” entre a arara livre e seu (ou sua) provável companheiro (a) que está preso no zoológico. O caso permite ir um pouco mais além...


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Reflexão para o fim de semana: é zoológico ou mercado???

“O Zoológico de Niterói pode ter servido de ponte para o tráfico de animais, segundo investigação do Ibama.
Ontem, o órgão autuou o zoo em R$ 1,032 milhão pelo sumiço de 490 bichos deixados no local por agentes da polícia florestal da PM.

O zoológico não tinha autorização para recolhê-los nem para cedê-los a terceiros, como o Ibama afirma ter ocorrido.(...)

A Fundação Zoonit também foi autuada em R$ 9 mil por maus-tratos a animais. O zoológico deve ser esvaziado até agosto, seguindo determinação da Justiça Federal.

As autuações serão comunicadas ao Ministério Público e à Polícia Federal, que agora vai investigar o sumiço dos animais. À PF caberá apurar se houve tráfico”.
– texto de matéria da Folha de S. Paulo, publicada em 14 de julho de 2011.


Leão sendo retirado do Zoológico de Niterói
Foto: Bruno Eduardo Alves/A Tribuna

“Uma única pessoa teria recebido 175 aves pixoxós— espécie em extinção.” – texto do jornal O Dia

Não dá para deixar de lembrar que, em 2004, 73 animais morreram envenenados no Zoológico de São Paulo. Nesse caso a Polícia investigava uma possível retaliação contra a administração da entidade por funcionários que estariam envolvidos com a venda clandestina de animais. Na época, haviam sido implantados sistemas mais rígidos de controle exatamente para evitar tráfico de fauna – crimes lembrados na matéria da Folha de S. Paulo de 13 de julho de 2011 sobre as mortes de uma girafa e de um leão no Zoológico de São Paulo.

Só para lembrar: até hoje ninguém foi preso sobre a matança de animais de 2004. As investigações e o processo passaram a ser sigilosos e a população está sem esclarecimentos...

- Leia a matéria "Zoológico é suspeito de servir de ponte a tráfico de animais", da Folha de S. Paulo de 14 de julho.
- Leia a matéria "Ibama retira animais do zoológico de Niterói " do jornal O Dia.
- Fique por dentro também das mortes da girafa e do leão no Zoológico de São Paulo - matéria da Folha de S. Paulo.
- Folha de S. Paulo lembra a relação entre a morte de animais e o tráfico de fauna no Zoológico de São Paulo em 2004.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Animais silvestres também são vítimas da barbárie das estradas

Quando uma rodovia corta uma área com vegetação e fauna nativas bem preservadas alguns problemas logo aparecem. A fragmentação do território, com a passagem de uma pista de asfalto, pode interromper fluxos migratórios e, consequentemente, a troca genética entre populações de mesma espécie. Também relacionado ao deslocamento da fauna, o tráfego de veículos em estradas é responsável pela morte por atropelamento de muitos animais.

A perda da vida por animais atingidos por carros e caminhões não é novidade e há décadas esse tipo de ocorrência é registrado pelos gerenciadores das rodovias e o poder público. Pesquisadores da área de fauna e ambientalistas também estão há tempos alertando sobre o problema.

Resolvi novamente abordar esse tema – no final desse texto há alguns links para outros registros do Fauna News sobre atropelamentos de animais silvestres em rodovias – após ler a matéria do site da EPTV de Piracicaba (município do interior paulista) “Zoológico atende 21 animais selvagens atropelados por mês”, publicada em 12 de junho.

Onça-parda atropelada na rodovia Anhanguera, interior de São Paulo
Foto: Valter Tozetto Jr./Jornal de Jundiaí

O texto da jornalista Lana Torres começa da seguinte forma:

“O Zoológico de Piracicaba atendeu 106 animais selvagens vítimas de atropelamento em rodovias da região durante os cinco primeiros meses do ano. Só entre os mamíferos, houve um aumento de 1.150% na incidência desse tipo de acidente de 2005 até 2010. Boa parte desses animais está em risco de extinção.”

O zoológico recebeu, em 2010, 360 animais atropelados – praticamente um por dia, na média. Entre as vítimas estavam onças-pardas, macacos-pregos, veados e ouriços. Dos 106 animais atendidos até maio deste ano, estão uma irara (mamífero que, em aspecto, parece com as fuinhas), um gambá-saruê e um lobo-guará.

De acordo com a veterinária Marianna Ricciarda Curi, responsável pelo cuidado de todos os animais resgatados nessas condições na região, o problema é resultado de uma série de fatores, entre eles a ampliação da malha viária, a diminuição da área verde e as fronteiras agrícolas demarcadas por rodovias, que obrigam que os animais, para passarem de uma propriedade a outra, cruzarem a via.

Em 8 de fevereiro, publiquei “Não bastasse a onça-parda, cervo de 250 quilos também é vítima de atropelamento”. Nesse texto, em que abordei a morte do cervo em Mato Grosso do Sul, expus um dado tão alarmante quanto a realidade das rodovias da região de Piracicaba: em 2010, segundo a Polícia Rodoviária Federal, 203 mortes de animais silvestres foram registradas apenas nas estradas federais daquele Estado.

Tamanduá-bandeira atropelado próximo de Campo Grande (MS)
Foto: Alessandra de Souza

Reitero o que escrevi em fevereiro:

“Também não é preciso pesquisar muito para ter certeza que as rodovias nacionais não têm sinalização suficiente para alertar motoristas sobre a presença de animais silvestres (basta dirigir pelas estradas brasileiras para constatar isso) e também não possuem estruturas para a travessia de animais, como passagens subterrâneas. São raras as vias com tal planejamento.

Apesar dos problemas com a sinalização e a infraestrutura para evitar os atropelamentos de animais selvagens, não se deve atenuar a responsabilidade dos motoristas. É fato que os brasileiros não respeitam os limites de velocidade e as leis de trânsito, tanto que o Brasil é um dos países com maior número de acidentes - seja nas vias urbanas ou nas estradas - do mundo.”