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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Competência e dependência: o caso dos papagaios-boiadeiros de MG

Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirma sentença que concede a guarda de dois papagaios-boiadeiros (também conhecidos como papagaios-verdadeiros) a um casal de Uberaba, que não tinha autorização do Ibama para manter os animais na época da apreensão.

O caso não é o primeiro e não será o último em que pessoas que criam animais traficados ganham o direito de guarda na Justiça. O que chama a atenção é a justificativa do desembargador Renato Martins Jacob:

‘A decisão, segundo ele, se deu após a comprovação de que, há mais de duas décadas em cativeiro, as aves recebem cuidados constantes em um ambiente higienizado e com farta alimentação e água. Na sentença, descreveu ainda que “a Polícia Militar Ambiental constatou que as aves se encontram com alto grau de domesticação, sem condições de serem reintegradas novamente à natureza, devido à grande dependência dos donos”.’ – texto da matéria “Justiça concede guarda de papagaios-boiadeiro a casal”, publicada em 21 de janeiro de 2014 pelo site do Jornal de Uberaba (MG)

Os papagaios são parecidos com o animal acima
Foto: Humberta Carvalho/G1

A Polícia Militar Ambiental tem competência para avaliar se o animal não pode voltar à vida livre? A instituição também pode garantir que os animais tem “grande dependência dos donos”?

O Fauna News está comentando o caso baseado em uma matéria de jornal e não a partir do processo. Mas espera-se que o juiz tenha baseado sua decisão em laudos de biólogos experientes em revigoramento populacional e reintrodução de animais, característica essa que, com certeza, profissionais policiais não têm.

E ainda vale a pergunta: quem depende de quem? Emocionalmente, a dependência do casal é o grande motivador da ação.

- Leia a matéria completa do Jornal de Uberaba

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Conscientizando para combater o tráfico

“Simpático, falante e inteligente. Esse é o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), espécie de psitacídeo nativa do Pantanal que atrai a atenção por sua capacidade de vocalização, imitando a fala humana. Em virtude dessa habilidade, o tráfico de filhotes para venda é uma realidade no Mato Grosso do Sul, estado com grande população da espécie. De acordo com dados do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), de 2007 a 2011 foram resgatados 2.636 filhotes no estado, com média de 527 filhotes por ano, provenientes do tráfico.

Filhotes de papagaios-verdadeiros apreendidos com traficantes
Foto: Divulgação Polícia Rodoviária Federal

(...) De acordo com ela (observação Fauna News: Glaucia Helena Fernandes Seixas, da Fundação Neotrópica do Brasil, doutora que pesquisa a ave há 16 anos), o comércio ilegal é a maior ameaça à espécie e a conscientização é o caminho para a conservação do papagaio-verdadeiro. Para ampliar o conhecimento sobre essa ave, será realizado em 26 de outubro o ‘Sábado do Papagaio', na Estação Natureza Pantanal, exposição interativa sobre a natureza pantaneira, mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em Corumbá (MS).

Entre as atividades programadas para o evento estão uma exposição de fotos sobre a espécie, produzidas pela pesquisadora Gláucia durante um projeto de manejo e conservação do papagaio-verdadeiro; um bate-papo com a pesquisadora contando suas experiências em fases de campo dessa iniciativa; além de sessões de teatro de fantoches com a peça ‘Nas Asas do Vento'. As crianças também terão diversas brincadeiras à disposição e poderão montar um papagaio de papel para levar como lembrança", explica. Para conhecer as plantas pantaneiras, as crianças poderão aprender com os painéis explicativos.”
– texto da matéria “'Sábado do Papagaio’: iniciativa busca conscientizar crianças sobre o tráfico de animais”, publicada em 22 de outubro de 2013 pelo site do Correio de Corumbá

Já que o poder público não toma vergonha na cara e investe em educação ambiental para combater o tráfico de animais (aliás, o poder público mal investe em lutar contra esse mercado negro), ambientalistas e a iniciativa privada fazem a sua parte.

Papagaios-verdadeiros em oco de árvore
Foto: Jaire Marinho

Se os governantes não têm competência (ou interesse) de investir seus profissionais nesses projetos, que ao menos apliquem dinheiro apoiando quem está disposto a fazer. Mas para isso, tem de querer antes...

Tráfico de fauna silvestre no Brasil: 38 milhões de animais retirados da natureza todos os anos (estimativa de 2001 da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, Renctas).

Serviço
'Sábado do Papagaio‘
Dia: 26 de outubro (sábado)
Horário: das 14h às 18h
Local: Estação Natureza Pantanal, Ladeira José Bonifácio, 111 Porto Geral - Corumbá (MS)
Mais informações: (67) 3231-9100
O evento é gratuito e não há necessidade de inscrição prévia para participar.

- Leia a matéria complete do Correio de Corumbá

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Tráfico de papagaios-verdadeiros: o combate com ajuda da comunidade

“A Polícia Militar Ambiental (PMA) de Mato Grosso do Sul deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), operação com o objetivo de combater crimes ambientais durante o feriado em Mato Grosso do Sul. Conforme a polícia, a ação tem como foco o combate ao tráfico de papagaios, além de outros animais silvestres e a pesca predatória comum no mês de outubro, que antecede a Piracema.

Filhotes de papagaios-verdadeiros no Centro 
de Reabilitação de Campo Grande
Foto: Glaucia Seixas

(...) Antes da operação, a polícia ambiental vinha realizando trabalhos preventivos nas propriedades rurais, já que a principal forma de agir dos traficantes é aliciando sitiantes e funcionários de propriedades rurais para que os mesmos facilitem na venda e compra desses animais.” – texto da matéria “Tráfico de papagaios será principal alvo de operação da PMA em MS”, publicada em 10 de outubro de 2013 pelo portal G1

A notícia vale ser destacada por um único aspecto: o trabalho preventivo da Polícia Militar Ambiental. Mostrar para a população os problemas envolvidos na apanha de filhotes de papagaios-verdadeiros é essencial para reduzir o tráfico da espécie. A matéria “Aberta a temporada do tráfico, publicada pela revista Terra da Gente, em setembro de 2012, abordou esse problema:

“A organização dos bandidos começa previamente à postura dos ovos, que ocorre cerca de 27 a 30 dias antes do nascimento. Os traficantes, paulistas na maioria, entram em contato com sitiantes, trabalhadores rurais e assentados que vivem na região próxima da divisa com o estado de São Paulo e encomendam a coleta dos filhotes. Oferecem cerca de R$ 30,00 por papagaio-verdadeiro, fecham negócio com esses moradores e acertam os detalhes finais, como a data de retirada. Para os sul-mato-grossenses envolvidos, o dinheiro é um complemento de renda. Para os paulistas, a venda é lucro certo, já que cada ave é comercializada no mercado negro como bicho de estimação por valores que variam entre R$ 150,00 e R$ 250,00. Os animais legalizados custam entre R$ 1.800,00 e R$ 2.500,00.

Filhotes, já maiores, em oco de árvore na natureza
Foto: Glaucia Seixas

Combinados preços e prazos, os responsáveis por apanhar as aves buscam os ninhos em ocos de troncos e de galhos pelas fazendas e áreas com vegetação ainda preservada. A procura não é complicada, afinal os papagaios-verdadeiros são abundantes e normalmente botam seus ovos nos mesmos locais de anos anteriores. Com os ninhos identificados, basta esperar os nascimentos para a coleta, que muitas vezes tem as noites como aliadas.”


A temporada de captura de papagaios-verdadeiros  no Cerrado do Mato Grosso do Sul ocorre, principalmente, em setembro e outubro. É o período de nascimento dos filhotes, que vão abastecer os grandes centros urbanos do Sudeste, com destaque para a Região Metropolitana de São Paulo.

‘“O número pode chegar facilmente aos milhares”, afirma Marcelo Pavlenco Rocha. Presidente da ONG paulista SOS Fauna, que combate o tráfico de fauna desde 1989, Rocha conta que, durante uma conversa informal, homens da Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul disseram acreditar que apenas cerca de 5% dos papagaios-verdadeiros retirados da natureza são apreendidos.’ – texto da revista

Sem a colaboração das comunidades onde ocorrem os nascimentos dos papagaios-verdadeiros, não há sistema repressivo que consiga coibir a coleta de filhotes. As áreas são grandes, muitas delas isoladas e de difícil acesso.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa da revista Terra da Gente

terça-feira, 23 de julho de 2013

Trinca-ferro de R$ 6 mil é alvo de ladrão: o preço do bicho e o tráfico

“Um homem foi preso na noite deste domingo (21) em Teresópolis, Região Serrana do Rio, quando tentava roubar um passarinho de uma residência no bairro da Prata. O acusado foi flagrado pelo proprietário da casa, que acionou a Polícia Militar (PM). Ele foi levado à 110ª Delegacia de Polícia, no bairro do Alto, onde o caso foi registrado.

 
Trinca-ferro
Foto: Christian Camargo

Longe de ser um simples passarinho, o ladrão tentava furtar um trinca-ferro, avaliado em R$ 6 mil. O animal era registrado. A ave, segundo especialistas, é altamente valorizada por criadores e também é alvo constante de contrabandistas de animais silvestres. Para a criação em cativeiro é preciso autorização especial do IBAMA.” – texto da matéria “Homem é preso após tentar furtar passarinho em Teresópolis, RJ”, publicada em 22 de julho de 2013 pelo portal G1

Em criadouros legalizados, essas aves custam, pelo menos, R$ 1 mil. Os altos preços de animais criados legalmente é um incentivo ao tráfico, onde os valores são muito mais baixos. Infelizmente, o hábito de criar animais silvestres como bichos de estimação ainda é muito forte e acaba sendo também outro incentivador para a existência do mercado negro.

Há quem defenda a existência de um amplo comércio legalizado de animais silvestres (para abastecer uma demanda por bichos de estimação) como ferramenta para combater o tráfico de fauna. Afinal, segundo os defensores dessa ideia, quem compraria um animal de procedência desconhecida, arriscando-se a contrair doenças e a problemas legais, se existe a possibilidade da compra dentro da lei?

Sem levar em conta a discussão ética sobre o direito à liberdade dos animais, a possibilidade de legalização do comércio de algumas espécies de silvestres tem de ser analisada pensando no preço. É o caso do trinca-ferro. Ou você acha que a maioria dos compradores de animais, cujo nível econômico não permite gastar altas quantias, vai deixar de comprar?

Infelizmente, não. O tráfico vai continuar a existir. E com força.

Isso já acontece com os papagaios-verdadeiros. No mercado negro, a ave custa entre R$ 150 e R$ 250. Em um criadouro legalizado, o preço varia entre R$ 1.800 e R$ 2.500.

Mesmo assim, o Ibama prepara a chamada “lista pet”, que, em breve, deverá ser divulgada pelo órgão com cerca de 100 espécies de silvestres com permissão para o comércio legalizado como bichos de estimação.

Um grande erro!

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Caatinga em plena temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros

“Na última quarta-feira (13), a PRF conseguiu salvar 256 pássaros silvestres que estavam em um cativeiro montado em uma residência às margens da rodovia, no km 622 da BR 101, município de Mascote (BA).

Papagaios apreendidos na Bahia
Foto: Divulgação Polícia Rodoviária Federal

Após receberem uma denuncia anônima, os policiais seguiram para o endereço informado. Na chegada ao local, não foram encontrados os responsáveis pelo crime ambiental. Os agentes suspeitam de que o local era utilizado como depósito temporário das aves, para posterior tráfico dos animais.”
– texto " Denúncia ajuda a PRF a salvar 256 aves silvestres", publicado em 15 de fevereiro de 2013 no site da Polícia Rodoviária Federal e copiado por vários veículos de imprensa

Esses 256 pássaros são, na verdade, papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva). Na Caatinga, a época de apanha dos filhotes da espécie ocorre entre dezembro e março (período reprodutivo da ave no bioma) – e não em setembro e outubro, como os papagaios do Cerrado.

Por causa da redução das populações da espécie, motivada pelo tráfico, os papagaios-verdadeiros não são vistos mais com facilidade em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande Norte, Alagoas e Sergipe. As aves ainda são encontradas em regiões da Bahia, Piauí e Maranhão, que, por esse motivo, se tornaram os atuais alvos dos comerciantes ilegais. O principal mercado consumidor dos papagaios da Caatinga é o eixo Rio-São Paulo, mas também há grande demanda dos grandes centros urbanos nordestinos.

No post “Tráfico de papagaios – parte 2: agora na Caatinga”, publicado pelo Fauna News em 20 de setembro de 2012, o comércio criminoso de ovos de papagaios-verdadeiros também foi destacado:

“Outra característica é o tráfico de ovos da espécie. “Já abreviaram tanto a "época de coleta" que atualmente o forte já está sendo o tráfico de ovos”, afirma a presidente da ONG pernambucana ECO – Organização para a Conservação do Meio Ambiente, Kilma Manso.”

Durante essa última temporada reprodutiva da espécie, que está acabando, pouco se noticiou sobre esse tráfico. Ou o comércio de aves está menos ativo (improvável, mas possível se ocorrer falta de aves pela redução da população) ou a repressão não está sendo eficiente e, por isso, a imprensa não publicou nada.

- Leia a matéria completa da Polícia Rodoviária Federal
- Releia o post “Tráfico de papagaios – parte 2: agora na Caatinga”, publicado pelo Fauna News em 20 de setembro de 2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Tráfico de animais: e como existem pessoas como essa aposentada...

“A Polícia Militar Ambiental de Votuporanga, através dos policias militares ambientais Cabo PM Laércio, Cabo PM Vinicius e Soldado PM Fabrício, apreenderam quatro aves silvestres mantidas irregularmente em cativeiro.

Foram encontrados dois filhotes de Arara Canindé (espécime ameaçada de extinção), um filhote de Papagaio-verdadeiro e um Papagaio-verdadeiro já adulto. As aves estavam na posse de uma aposentada.”
– texto da matéria “Polícia Ambiental apreende filhotes de papagaio em Votuporanga”, publicada em 12 de novembro de 2012 no site VotuporangaTudo

As araras e um dos papagaios são filhotes
Foto: VotuporangaTudo

O caso permite duas hipóteses. A primeira é a possibilidade de a aposentada estar ajudando traficantes (ou ela mesmo estar vendendo as aves). A outra possibilidade, que parece mais provável pelo fato de nada ter sido citado na matéria sobre o envolvimento direto dela com a venda das aves, é a da mulher ser uma daquelas “amantes” de bichos que gostam de ter papagaios e araras em seu quintal.

Refletindo sobre a segunda hipótese, é fato de que a aposentada contribui com a cadeia do tráfico de animais (sendo compradora) por ignorância. Ela até pode saber que é errado e ilegal, mas com certeza não sabe das consequências para os ecossistemas que a ausência desses animais causa – ainda mais quando envolve espécies em risco de extinção.

Essas aves deixam de ser alimento e de se alimentar de outras espécies, deixam de espalhar sementes pelas matas, não se reproduzem e comprometem a futuro populacional, podem levar doenças para o meio humano e por aí vai... Por isso, a educação ambiental é fundamental no combate ao tráfico de animais.

E como existem pessoas como essa aposentada...

- Leia a matéria completa do VotuporangaTudo

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Parece não ter fim: mais papagaios apreendidos. Agora foram 336

Em 2 de outubro de 2012, o Fauna News publicou “O que todo mundo já esperava está acontecendo: o tráfico de papagaios”, sobre duas apreensões de papagaios-verdadeiros no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Casos como esses já eram esperados, conforme publicamos no post “Aberta a temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros”, de 19 de setembro de 2012. E muitos mais serão registrados, em grandes quantidades. Veja:

“Mais de 300 filhotes de papagaio, um deles de espécie em extinção, foram descobertos e apreendidos pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) durante fiscalização de rotina realizada no final da manhã de ontem (2) pela BR-153 (Rodovia Transbrasiliana), no trecho de Ourinhos (90 km de Marília). Dois homens foram presos em flagrante na ação.

Sem educação ambiental esse problema não será resolvido
Foto: Divulgação Polícia Rodoviária Federal

(...)Questionados, os dois acusados informaram que seguiam de Ivenhema (MS) para a capital paulista. Afirmaram que revenderiam as aves por R$ 50 cada, mas o valor poderia chegar até R$ 300. Segundo a nota à imprensa enviada pela PRF, entre os meses de setembro e novembro, as apreensões dos filhotes de papagaios são mais comuns devido ao período de sua procriação.” – texto da matéria “Polícia Rodoviária Federal descobre 336 papagaios”, publicada em 3 de outubro de 2012 pelo jornal Diario de Marilia

Dentre as aves apreendidas (a maioria era de papagaios-verdadeiros), havia um papagaio-galego, espécie que se encontra na lista de animais em extinção desde 2010.

Por ser uma atividade ilegal, é impossível saber exatamente quantos papagaios-verdadeiros são coletados dos ninhos anualmente durante setembro e outubro. O que se sabe é que apenas uma pequena parte é apreendida nas operações de fiscalização.

‘“Esse número pode chegar facilmente aos milhares”, afirma o presidente da ONG paulista SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha, que combate o tráfico de fauna desde 1989. Ele relata que, durante uma conversa informal, homens da Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul disseram acreditar que apenas cerca de 5% dos papagaios-verdadeiros retirados da natureza são apreendidos.’ – texto da matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente

Destaco e reforço: apenas uma minoria é apreendida! Dá para imaginar quantos papagaios são traficados anualmente?

Filhotes apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal
Foto: Divulgação Polícia Rodoviára Federal

Enquanto o poder público não investir com seriedade em campanhas e ações educativas, objetivando conscientizar a população dos problemas causados pelo tráfico de animais (tanto ambientais quanto para a saúde humana), haverá gente comprando e incentivando essa atividade criminosa. Somente fiscalização não resolverá!

- Leia a matéria completa do Diario de Marilia
- Leia a matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente
- Releia o post do Fauna News “Aberta a temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros”, de 19 de setembro de 2012
- Releia o post do Fauna News publicou “O que todo mundo já esperava está acontecendo: o tráfico de papagaios”, de 2 e outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O que todo mundo já esperava está acontecendo: o tráfico de papagaios

“Todo mundo sabe, afinal o problema se repete há anos. Setembro chega e uma quantidade assustadora de papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) recém-nascidos é coletada por traficantes de animais no Cerrado do Mato Grosso do Sul. É questão de dias para as pequenas aves, muitas delas ainda sem penas e com os olhos fechados, chegarem amontoadas e encaixotadas em grandes centros urbanos do Sudeste, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo.” – texto da matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente

E, como foi anunciado... começou:

“A Polícia Ambiental do Paraná apreendeu 33 papagaios que estavam em um ônibus de turismo que transitava na PR-323, perto do Cianorte, no noroeste do estado, por volta da meia-noite de sexta-feira (21). As aves estavam dentro de duas malas no bagageiro ônibus que saiu de Alto Paraíso, também na região noroeste, com destino a Curitiba.

Filhotes, ainda sem penas, nas malas dos traficantes
Imagem: Reprodução RPCTV

(...)A dupla (dois homens foram detidos) disse à polícia que os papagaios foram capturados em ninhos no Parque Nacional de Ilha Grande, próximo a cidade de Guaíra, e seriam entregues para um comprador na Rodoferroviária de Curitiba.

As aves vão ser levadas para uma fazenda, autorizada pelo Instituto Brasileiro  do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Mato Grosso do Sul, para depois serem novamente introduzidas na natureza.”
– texto da matéria “Polícia apreende 33 papagaios que estavam em bagageiro de ônibus”, publicada em 21 de setembro de 2012 pelo portal G1

Alguns dias depois, ainda no Mato Grosso do Sul...

“Operação conjunta da Policia Militar Ambiental de Navirai e de Dourados apreendeu nesta quarta-feira (27) 19 filhotes de papagaio. Os animais estavam em um barraco, às margens da rodovia MS 141, próximo ao trevo das sete placas.

Recém-nascidos e vítimas do tráfico de animais
Foto: Divulgação PMA/MS

(...)Ainda de acordo com os policiais, a região principal do problema é a situada nos municípios de Batayporã, Bataguassu, Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Anaurilândia, Três Lagoas, Santa Rita do Pardo, Nova Andradina e Brasilândia, além de Naviraí e Mundo Novo.”
– texto da matéria “PMA apreende 19 filhotes de papagaios em barraco”, publicada em 27 de setembro de 2012 pelo site Capital News

“O resultado dessa pressão sobre a população de papagaios-verdadeiros ainda é desconhecido. De acordo com Glaucia, do Projeto Papagaio-verdadeiro, que foi escolhido como representante do bioma Pantanal no Programa E-CONS - Empreendedores da Conservação - pela ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental(SPVS), o fato dessas aves terem uma vida longa, possivelmente os declínios na quantidade delas podem ser demorados a detectar, mas o tráfico da espécie, aliado à destruição dos ninhos no momento da apanha e à perda por desmatamento de ambientes naturais utilizados para alimentação e reprodução, pode levar à extinção.” – texto da Terra da Gente

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa do Capital News
- Leia a matéria completa da Revista Terra da Gente

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Reflexão para o fim de semana: o tráfico de papagaios-verdadeiros

Essa semana, o Fauna News dedicou-se a abordar o tráfico de papagaios-verdadeiros. Uma quantidade desconhecida, mas muito grande, de filhotes desses animais é coletada anualmente no Cerrado do Mato Grosso do Sul para satisfazer o desejo de paulistas em ter um bichinho de estimação que fale.

Filhotes de papagaios transportados em caixotes
Foto: Dilvugação SOS Fauna
Estamos em setembro, época de nascimento das aves e período crítico do tráfico. Releia os posts do Fauna News sobre o assunto. Aproveite, assista a uma matéria curtinha do MS Record sobre uma apreensão (o caso é antigo, exibido em 20 de setembro de 2008, mas a situação permanece a mesma) e reflita sobre a crueldade e os danos aos ecossistemas que a ausência desses bichos causa.


- Releia o post “Aberta a temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros”, publicado pelo Fauna News em 19 de setembro de 2012
- Releia o post “Tráfico de papagaios – parte 2: agora na Caatinga”, publicado pelo Fauna news em 20 de setembro de 2012
- Releia o post  ’“De volta para casa”: seriedade de gente comprometida e 80 papagaios-verdadeiros novamente livres’, publicado em 18 de setembro de 2012 pelo Fauna News
- Leia a matéria “Aberta a temporada do tráfico”, da revista Terra da Gente

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Tráfico de papagaios – parte 2: agora na Caatinga

Ontem, 19 de setembro de 2012, o Fauna News publicou “Aberta a temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros”. Mas a exploração da espécie Amazona aestiva não está restrita aos estados do Cerrado brasileiro. Ele também ocorre na Caatinga, mas com algumas diferenças. A começar pela época de apanha dos filhotes, que ocorre entre dezembro e março (período reprodutivo da espécie no bioma) – e não em setembro e outubro.

Apreensão de papagaios da Caatinga
Foto: Arquivo de Kima Manso

Outra característica é o tráfico de ovos da espécie. “Já abreviaram tanto a "época de coleta" que atualmente o forte já está sendo o tráfico de ovos”, afirma a presidente da ONG pernambucana ECO – Organização para a Conservação do Meio Ambiente, Kilma Manso.

Por causa da redução das populações da espécie, os papagaios-verdadeiros não são vistos mais com facilidade em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande Norte, Alagoas e Sergipe. As aves ainda são encontradas em regiões da Bahia, Piauí e Maranhão, que, por esse motivo, se tornaram os atuais alvos dos traficantes. O principal mercado consumidor dos papagaios da Caatinga é o eixo Rio-São Paulo, mas também há grande demanda dos grandes centros urbanos nordestinos.

Os papagaios são normalmente transportados em caminhões pelas BRs 101, 116 e 407, onde permanecem pelo menos dois ou três dias até chegarem ao Sudeste. Apesar de as rotas serem conhecidas, Kilma afirma que “a capacidade e a eficiência das ações repressivas é absurdamente insignificante face o montante de animais que deve ser capturado e transportado diariamente em todo o país.” E a ambientalista sabe do que fala: trabalhou por oito anos na Polícia Federal, incluindo a Divisão de Repressão aos Crimes Ambientais na sede em Brasília, e por dois anos na superintendência do Ibama da Bahia.

- Releia o post “Aberta a temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros”, publicado pelo Fauna News em 19 de setembro de 2012
- Releia o post  ’“De volta para casa”: seriedade de gente comprometida e 80 papagaios-verdadeiros novamente livres’, publicado em 18 de setembro de 2012 pelo Fauna News
- Leia a matéria “Aberta a temporada do tráfico”, da revista Terra da Gente
- Conheça a ECO – Organização para a Conservação do Meio Ambiente

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Aberta a temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros

“Todo mundo sabe, afinal o problema se repete há anos. Setembro chega e uma quantidade assustadora de papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) recém-nascidos é coletada por traficantes de animais no Cerrado do Mato Grosso do Sul. É questão de dias para as pequenas aves, muitas delas ainda sem penas e com os olhos fechados, chegarem amontoadas e encaixotadas em grandes centros urbanos do Sudeste, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo.

Apreensão de 306 filhotes no Mato Grosso do Sul em 2011
Foto: Divulgação Polícia Ambiental/MS

Dados das apreensões da Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul indicam que o papagaio-verdadeiro é a espécie nativa do estado mais visada pelo mercado negro. Somente na temporada de apanha de 2011, 466 aves foram apreendidas com traficantes. O número não inclui apreensões feitas em cativeiro doméstico.” – texto da matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente

Por ser uma atividade ilegal, é impossível saber exatamente quantos papagaios-verdadeiros são coletados dos ninhos anualmente durante setembro e outubro. O que se sabe é que apenas uma pequena parte é apreendida nas operações de fiscalização.

‘“Esse número pode chegar facilmente aos milhares”, afirma o presidente da ONG paulista SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha, que combate o tráfico de fauna desde 1989. Ele relata que, durante uma conversa informal, homens da Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul disseram acreditar que apenas cerca de 5% dos papagaios-verdadeiros retirados da natureza são apreendidos.’ – texto da Terra da Gente

 
Filhotes, ainda sem penas e sem enxergar, são coletados nos ninhos
Foto: Glaucia Seixas

Normalmente, a média por apreensão no Mato Grosso do Sul é de 100 papagaios. Em 2008, por exemplo, o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) recebeu 788 animais, sendo que em um lote havia  quase 300 filhotes.

E não é apenas no Cerrado do Mato Grosso do Sul que a espécie sofre com o tráfico. A retirada de filhotes também acontece em Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Minas Gerais e oeste da Bahia. A preferência pelas aves recém-nascidas tem vários motivos: elas são dóceis, mais fáceis de serem apanhadas, menores para o transporte e, sobretudo, porque são os preferidos dos compradores finais - que gostam de as ensinarem a falar.

Para os traficantes, o lucro é certo. Eles pagam cerca de R$ 30 por papagaio aos sitiantes, assentados e moradores da região  e comercializam cada um por valores que variam entre R$ 150 e R$ 250. Os animais legalizados custam entre R$ 1.800 e R$ 2.500.

“Apesar de a região de apanha das aves e as rotas do tráfico serem conhecidas há anos, a fiscalização é insuficiente. As áreas onde estão os papagaios são amplas, de baixa concentração populacional e, muitas vezes, de difícil acesso. “Dependendo das ordens do comando, priorizamos algumas ações de fiscalização. Tem época que damos ênfase à pesca, outra ao desmatamento e assim por diante”, afirma Queiroz sobre os trabalhos do 15º Batalhão, que possui 360 policiais.” – texto da Terra da Gente

Para tentar mudar esse quadro representantes dos Ministérios Públicos de São Paulo e Mato Grosso do Sul, do Ibama, da Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul e do Imasul têm se reunido para montar estratégias de combate a esse crime na origem, isto é, nas áreas de coleta. Eles vão começar a se encontrar com entidades e ONGs que atuam na conservação da espécie para cruzarem informações e coordenarem os trabalhos de fiscalização de rotas e de áreas de apanha, além da identificação de traficantes já conhecidos e que estão soltos em virtude de a legislação considerar essa atividade como um crime de “menor potencial ofensivo”.

“O resultado dessa pressão sobre a população de papagaios-verdadeiros ainda é desconhecido. De acordo com Glaucia, do Projeto Papagaio-verdadeiro, que foi escolhido como representante do bioma Pantanal no Programa E-CONS - Empreendedores da Conservação - pela ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental(SPVS), o fato dessas aves terem uma vida longa, possivelmente os declínios na quantidade delas podem ser demorados a detectar, mas o tráfico da espécie, aliado à destruição dos ninhos no momento da apanha e à perda por desmatamento de ambientes naturais utilizados para alimentação e reprodução, pode levar à extinção.” – texto da Terra da Gente

É para isso que os papagaios são retirados da natureza
Foto: Gustavo Andrade

- Leia a matéria completa da revista Terra da Gente
- Releia o post  ’“De volta para casa”: seriedade de gente comprometida e 80 papagaios novamente livres’, publicado em 18 de setembro de 2012 pelo Fauna News

terça-feira, 18 de setembro de 2012

“De volta para casa”: seriedade de gente comprometida e 80 papagaios novamente livres

Para a maioria das pessoas, a apreensão de animais silvestres dos traficantes pelas autoridades significa o fim do problema para os bichos. Mas a realidade é outra e significa o começo de uma jornada em que somente uns poucos conseguirão voltar à vida livre. “A maioria não regressa à natureza e principalmente aos seus locais de origem. Muitos são encaminhados a criadores comerciais e conservacionistas, principalmente quando se trata de espécies do interesse deles, tanto para reprodução em cativeiro como para enriquecer plantéis”, afirma o presidente da SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha.

Filhote de papagaio-verdadeiro vítima de traficantes sendo alimentado na SOS Fauna
Foto: Divulgação SOS Fauna

Essa situação gera, segundo Rocha, acomodação no poder público. Afinal, por que se preocupar em devolver os animais para seus biomas e locais de origem se tem quem os receba?  “Ainda mais pelo motivo de que as solturas realizadas com embasamento científico têm custos bastante elevados”, salienta o ambientalista.

Há quase uma década, Rocha desenvolve o projeto DE VOLTA PARA CASA para realizar solturas cumprindo todas as exigências técnicas. Atualmente, ele trabalha na devolução e monitoramento de 80 papagaios-verdadeiros vítimas de traficantes, que, depois de anos sendo tratados na sede da ONG em Juqitiba (SP), foram enviados em 13 de julho para a recém-construída Unidade de Apoio à Recepção de Aves Silvestres do Cerrado Vitimas do Tráfico da SOS Fauna em Nova Andradina (MS), onde, em 28 de agosto de 2012, finalmente foram soltos.

Papagaios ainda em Juquitiba, quase prontos para a soltura
Foto: Divulgação SOS Fauna

Quase seis anos
O local de soltura foi escolhido por ser a região de onde os papagaios-verdadeiros foram coletados - informação essa conseguida após investigações com envolvimento direto de Rocha. Dessas aves, 62 foram apreendidas pela Polícia Militar Rodoviária em um lote de 192 animais da espécie com traficantes no dia 29 de setembro de 2006, no município de Quadra (SP). As outras 18, foram localizados pela Polícia Civil em 19 de setembro do ano seguinte na zona sul da capital paulista. “Eram todos filhotes e hoje estão aptos para a vida livre. Foram quase seis anos sem nenhum apoio do poder público”, afirma. Todo esse trabalho, até a fase de monitoramento pós-soltura, deverá ficar em cerca de R$ 300 mil – dinheiro de doações de empresas.

Os papagaios, ainda filhotes, já na SOS Fauna
Foto: Divulgação SOS Fauna

- Assista ao vídeo da soltura dos papagaios:

- Leia a matéria da revista Terra da Gente sobre o tráfico de papagaios-verdadeiros

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Começar a semana pensando....

...sobre o tráfico de papagaios-verdadeiros.

A temporada de coleta de papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) no Mato Grosso do Sul está para começar. Durante setembro e outubro, traficantes de animais recolhem milhares dessas aves no Cerrado. Já na Caatinga, esse período vai de dezembro e março. Recém-nascidas, sem penas e com olhos fechados, elas são levadas para as regiões metropolitanas do Sudeste e do Sul.

571 papagaios apreendidos com traficantes em PE em 2011
Foto: Divulgação Ibama

Além do pressão sobre a população da espécie, que está em decréscimo, os papagaios-verdadeiros podem se adaptar e se reproduzir em locais onde não são nativos quando soltos ou escapam das pessoas que os compraram dos traficantes.

É o que está acontecendo, provavelmente, em Porto Alegre (RS).

‘“Dez anos atrás, não existia esses bichos. Um ou outro tinha por aqui. Aumentou muito rapidamente. O que demonstra o quê? Tráfico maior. As pessoas abandonando mais. O que está acontecendo?”, acredita Paulo Wagner, do Ibama/RS.’ – texto da matéria “Veterinários e biólogos do Ibama estudam migração incomum de aves”, veiculada na edição de 25 de julho de 2012 do Jornal Hoje (Globo)

Papagaio-verdadeiro na rua João Telles, em Porto Alegre
Foto: Cesar Cardia

Agora, técnicos do Ibama e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente tentam encontrar alguma forma de retirar esses papagaios da cidade.

“Os técnicos já sabem que o grande número de árvores frutíferas de Porto Alegre facilitou a permanência dos papagaios na cidade. Agora é preciso descobrir quantos eles são. Depois vem a parte mais difícil, que é recapturar a maior quantidade possível de aves para devolvê-las ao local de origem.

Isso vai ser feito para manter o equilíbrio da fauna, já que os papagaios-verdadeiros podem se tornar uma ameaça para as espécies nativas.

“Esse animal se comporta como invasor aqui. Imagina 30, 40 papagaios chegando em uma árvore frutífera. Qual passarinho vai chegar ali e tentar se alimentar? Não vai conseguir”, diz. (Paulo Wagner)”
– texto do Jornal Hoje

Esse problema é resultado da falta de atenção do poder público com o tráfico de animais (tanto repressivo quanto educativo). Só espero que, em algum momento, ninguém tenha a ideia de matar os animais por considerá-los uma praga.

- Leia a matéria completa do Jornal Hoje (com o vídeo)

O papagaio-verdadeiro não é nativo do Rio Grande do Sul
Foto: SOS Fauna