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domingo, 1 de julho de 2012

Começar a semana pensando...

...na incrível redução do tráfico de animais em Rondônia. Ainda estou tentando acreditar.

Em 22 de julho, o Fauna News publicou “Reflexão para o fim de semana: tráfico de animais em Rondônia caiu 80%. Juro que queria acreditar” e repercutiu a seguinte afirmação do superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) em Rondônia, Alberto Chaves Paraguassu:

“Tivemos uma redução drástica no número de animais silvestres comercializados irregularmente, cerca de 80% nos últimos três anos. É muito mais frequente receber denúncias durante as fiscalizações de pessoas criando domesticamente esses animais. É mais uma questão cultural”. – texto da matéria “Tráfico de animais silvestres em RO caiu 80% em três anos, diz Ibama”, publicada em 21 de junho de 2012 pelo portal G1

Paraguassu, do Ibama: tráfico caiu 80% em Rondônia
Foto: Rondonotícias

O superintendente alega que o que caracteriza o crime de tráfico é a quantidade de animais em transporte para comercialização. Mas, se tem gente que compra e mantém em cativeiro, é porque tem gente que vende, certo?

E muitas apreensões estão acontecendo em Rondônia. Veja os dados do Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS):

“Entre os anos de 2010 e 2011, o CRAS registrou a entrada de 536 animais de 92 espécies diferentes. Dos 536 animais, 286 foram reintroduzidos na natureza, 116 morreram por diversos motivos, como traumas, maus tratos e doenças, e 40 animais tiveram outros destinos, como zoológicos e parques de preservação ecológica.” - texto da matéria ” Animais resgatados são devolvidos à natureza pela Polícia Ambiental de RO”, publicado em 29 de junho de 2012 pelo portal G1

Papagaio no CRAS em Rondônia
Foto: Larissa Matarésio/G1

Tudo bem que o número engloba animais apreendidos com traficantes, em cativeiro doméstico e resgatados em situações de risco (como atropelados, em área urbana etc.).

“O principal animal recolhido pela Polícia Ambiental são os pássaros, como papagaios, araras, curiós.” – texto do G1

No Brasil, mais de 80% dos animais traficados são aves. Continua afirmando que as declarações do superintendente do Ibama em Rondônia não me convenceram.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Releia “Reflexão para o fim de semana: tráfico de animais em Rondônia caiu 80%. Juro que queria acreditar”, publicado pelo Fauna News em 22 de junho de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Reflexão para o fim de semana: tráfico de animais em Rondônia caiu 80%. Juro que queria acreditar

É de chamar a atenção:

“O crime ambiental de tráfico de animais silvestres não é comum no estado, segundo o superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) em Rondônia, Alberto Chaves Paraguassu. O mais frequente são denúncias de criações irregulares em residências. “Tivemos uma redução drástica no número de animais silvestres comercializados irregularmente, cerca de 80% nos últimos três anos. É muito mais frequente receber denúncias durante as fiscalizações de pessoas criando domesticamente esses animais. É mais uma questão cultural”, conta Alberto.” – texto da matéria “Tráfico de animais silvestres em RO caiu 80% em três anos, diz Ibama”, publicada em 21 de junho de 2012 pelo portal G1

Paraguassu, do Ibama: tráfico de animais caiu 80% em Rondônia
Foto: Rondonotícias

A matéria não aprofunda o que afirma e deixa margem para muitas dúvidas. Vamos lá...

- O superintendente do Ibama não explica como ocorreu essa diminuição do tráfico em Rondônia nesses três anos;

- Se tem gente com animais silvestres em cativeiro, duas hipóteses devem ser levantadas: ou os bichos ainda são os traficados há três anos, ou o superintendente do Ibama está sendo enganado pelos números (afinal, ele mesmo afirma ainda existir o hábito de manter bichos em cativeiro e, onde há demanda, há o tráfico).

Em outro trecho da matéria, há a seguinte informação:

“O superintendente também diz que o que caracteriza o crime de tráfico é a quantidade de animais em transporte para comercialização.”
Com esse método de qualificar o tráfico de animais é óbvio que há uma redução estatística. Senhor superintendente, quer dizer que aquele bando de gente que vende passarinhos e feiras por todo o país não são traficantes? Afinal, nesses locais, a maioria dos que vendem bichos não estão com grandes quantidades.
Teoria lamentável.

É hora do superintendente do Ibama de Rondônia rever seus critérios e refazer suas contas. Confesso não ter números da situação do tráfico de fauna naquele estado, mas creio não serem os apresentados pelo órgão ambiental federal.

- Leia a matéria completa do portal G1