Mostrando postagens com marcador Rondônia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rondônia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Começar a semana pensando...

...sobre a falta de infraestrutura dos órgãos ambientais no Brasil: a jaguatirica de Rondônia.
Foto: Émerson Motta/RondoniaVip
“Liguei para inúmeros órgãos do meio ambiente e também para o Corpo de Bombeiros, e ninguém pôde vir resolver o problema.”

Secretário municipal de Meio Ambiente de Monte Negro, Marivaldo Pereira, sobre a jaguatirica que ficou 20 horas em uma árvore em Monte Negro (RO) porque nenhum órgão ambiental tinha equipamentos para resgatá-la

Nem Ibama, nem Polícia, nem Corpo de Bombeiros, nem secretarias de estado e do município do meio ambiente... nenhum órgão do poder público. Depois de 20 horas, o animal desceu da árvore sozinho.

Inadmissível. Vergonhoso. Revoltante.

A fauna brasileira abandonada.

- Leia a matéria “Jaguatirica sobe em árvore e falta de equipamentos impede resgate, em RO”, publicada em 29 de abril e 2014 pelo portal G1 com a entrevista de Pereira
- Leia a matéria “Jaguatirica desce de árvore de 25m após 20 horas em Monte Negro, RO”, publicada em 30 de abril de 2014 como desfecho da história

domingo, 1 de julho de 2012

Começar a semana pensando...

...na incrível redução do tráfico de animais em Rondônia. Ainda estou tentando acreditar.

Em 22 de julho, o Fauna News publicou “Reflexão para o fim de semana: tráfico de animais em Rondônia caiu 80%. Juro que queria acreditar” e repercutiu a seguinte afirmação do superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) em Rondônia, Alberto Chaves Paraguassu:

“Tivemos uma redução drástica no número de animais silvestres comercializados irregularmente, cerca de 80% nos últimos três anos. É muito mais frequente receber denúncias durante as fiscalizações de pessoas criando domesticamente esses animais. É mais uma questão cultural”. – texto da matéria “Tráfico de animais silvestres em RO caiu 80% em três anos, diz Ibama”, publicada em 21 de junho de 2012 pelo portal G1

Paraguassu, do Ibama: tráfico caiu 80% em Rondônia
Foto: Rondonotícias

O superintendente alega que o que caracteriza o crime de tráfico é a quantidade de animais em transporte para comercialização. Mas, se tem gente que compra e mantém em cativeiro, é porque tem gente que vende, certo?

E muitas apreensões estão acontecendo em Rondônia. Veja os dados do Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS):

“Entre os anos de 2010 e 2011, o CRAS registrou a entrada de 536 animais de 92 espécies diferentes. Dos 536 animais, 286 foram reintroduzidos na natureza, 116 morreram por diversos motivos, como traumas, maus tratos e doenças, e 40 animais tiveram outros destinos, como zoológicos e parques de preservação ecológica.” - texto da matéria ” Animais resgatados são devolvidos à natureza pela Polícia Ambiental de RO”, publicado em 29 de junho de 2012 pelo portal G1

Papagaio no CRAS em Rondônia
Foto: Larissa Matarésio/G1

Tudo bem que o número engloba animais apreendidos com traficantes, em cativeiro doméstico e resgatados em situações de risco (como atropelados, em área urbana etc.).

“O principal animal recolhido pela Polícia Ambiental são os pássaros, como papagaios, araras, curiós.” – texto do G1

No Brasil, mais de 80% dos animais traficados são aves. Continua afirmando que as declarações do superintendente do Ibama em Rondônia não me convenceram.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Releia “Reflexão para o fim de semana: tráfico de animais em Rondônia caiu 80%. Juro que queria acreditar”, publicado pelo Fauna News em 22 de junho de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Reflexão para o fim de semana: tráfico de animais em Rondônia caiu 80%. Juro que queria acreditar

É de chamar a atenção:

“O crime ambiental de tráfico de animais silvestres não é comum no estado, segundo o superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) em Rondônia, Alberto Chaves Paraguassu. O mais frequente são denúncias de criações irregulares em residências. “Tivemos uma redução drástica no número de animais silvestres comercializados irregularmente, cerca de 80% nos últimos três anos. É muito mais frequente receber denúncias durante as fiscalizações de pessoas criando domesticamente esses animais. É mais uma questão cultural”, conta Alberto.” – texto da matéria “Tráfico de animais silvestres em RO caiu 80% em três anos, diz Ibama”, publicada em 21 de junho de 2012 pelo portal G1

Paraguassu, do Ibama: tráfico de animais caiu 80% em Rondônia
Foto: Rondonotícias

A matéria não aprofunda o que afirma e deixa margem para muitas dúvidas. Vamos lá...

- O superintendente do Ibama não explica como ocorreu essa diminuição do tráfico em Rondônia nesses três anos;

- Se tem gente com animais silvestres em cativeiro, duas hipóteses devem ser levantadas: ou os bichos ainda são os traficados há três anos, ou o superintendente do Ibama está sendo enganado pelos números (afinal, ele mesmo afirma ainda existir o hábito de manter bichos em cativeiro e, onde há demanda, há o tráfico).

Em outro trecho da matéria, há a seguinte informação:

“O superintendente também diz que o que caracteriza o crime de tráfico é a quantidade de animais em transporte para comercialização.”
Com esse método de qualificar o tráfico de animais é óbvio que há uma redução estatística. Senhor superintendente, quer dizer que aquele bando de gente que vende passarinhos e feiras por todo o país não são traficantes? Afinal, nesses locais, a maioria dos que vendem bichos não estão com grandes quantidades.
Teoria lamentável.

É hora do superintendente do Ibama de Rondônia rever seus critérios e refazer suas contas. Confesso não ter números da situação do tráfico de fauna naquele estado, mas creio não serem os apresentados pelo órgão ambiental federal.

- Leia a matéria completa do portal G1

terça-feira, 12 de julho de 2011

Está chovendo veneno na Amazônia

Há pouco tempo, li na edição do dia 28 de junho de 2011 da Folha de S. Paulo uma matéria sobre a apreensão, pelo Ibama, de 4 toneladas de herbicidas no Amazonas. O veneno seria utilizado para desmatar 3 mil hectares de floresta nativa da União no município Novo Aripuanã. Um fazendeiro, que já foi multado em outra ocasião também por desmatamento, está sendo investigado.

“Pulverizados sobre a floresta, os agrotóxicos têm o poder de desfolhar as árvores.

"A floresta vira um grande paliteiro, facilitando o desmatamento. É o mesmo processo usado pelo Exército norte-americano para encontrar os vietnamitas na Guerra do Vietnã", disse o superintendente do Ibama no Amazonas, Mário Lúcio Reis. (...)

Ainda de acordo com o superintendente, após a pulverização as árvores que têm valor comercial são derrubadas com motosserras. "Depois, eles fazem queimadas para limpar o terreno. No lugar da floresta, o fazendeiro iria criar um grande pasto."
– texto da Folha de S. Paulo


Fiscal do Ibama durante apreensão de agrotóxicos no Amazonas
Foto: Ibama/Divulgação

Na sequência dessa matéria, a própria Folha de S. Paulo publicou, em 1º de julho de 2011. “Ibama flagra desmate feito com aviões”.

“O Ibama identificou uma área de floresta amazônica, do tamanho de 180 campos de futebol, destruída pela ação de herbicidas.

A terra, que pertence à União, fica ao sul do município amazonense de Canutama, na divisa com Rondônia. O responsável pelo crime ambiental ainda não foi identificado pelo órgão.”
– texto da Folha de S. Paulo

Em ambas as matérias, feitas pela repórter Kátia Brasil, afirma-se que especialistas “dizem que os agrotóxicos, pulverizados de avião sobre as florestas nativas, matam as árvores de imediato, contaminam solo, lençóis freáticos, animais e pessoas.”

Quando essas matérias são lidas, baseadas em quantidade de área atingida, pouco se mensura o impacto na fauna. O estrago não fica restrito às arvores, mas todo o ecossistema. Os espécimes que não forem contaminados pelo contato direto com a chuva de veneno, ainda poderão ser ao beber água com herbicidas, alimentar-se de folhas, sementes e furtos de plantas com tais substâncias, além de comerem outros animais já contaminados. Enfim, um efeito dominó gigantesco.

Até agora, essa forma de desmatamento havia sido registrada no Amazonas em 1999 e em Rondônia há três anos. Tomara que a fiscalização do IBAMA e dos órgãos ambientais estaduais e municipais funcione, porque se virar moda...

- Leia a matéria "Ibama flagra desmatamento com agrotóxico no Amazonas", de 28 de junho.
- Leia a matéria “Ibama flagra desmate feito com aviões”, de 1º de julho.