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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Tráfico de animais pelo mundo: no México parecido com o Brasil

Assim como acontece no Brasil, em Guadalajara, no México, o tráfico de animais acontece abertamente em feiras e áreas específicas para a compra de determinados animais.

“Ter um animal de estimação exótico é uma tendência que continua. Apesar de licenças serem  necessárias para a reprodução e o comércio dessas espécies, há espaços públicos onde prolifera o tráfico de animais. Exemplo é"El Baratillo", onde os exemplares – para compra na hora ou por encomenda - estão disponíveis para qualquer tamanho de bolso.

Répteis sendo vendidos ilegalmente no México
Foto: site Informador

Na rua 38 e Payno Manuel, no Setor Libertad, entre observadores e vendedores de tartarugas, está  "Animalandia" ou "Tianguis de los perros", assim conhecida por ser o cão o animal mais negociado nesse ponto;  um parque,  em área municipal, onde se negociam aves domésticas e de caça.

Também são ofercedicos peixes, répteis, aracnídeos e outros vertebrados, embora invertebrados sãejam encontrados, apesar de o "especial" serem os animais exóticos para venda a vista do grande público.”
– texto traduzido da matéria “Persiste tráfico de fauna silvestre en ''El Baratillo'', publicada em 23 de dezembro de 2012 pelo site mexicano Informador

A situação no México lembra bastante o que, no Brasil, encontra-se em feiras de rolo. No Norte e Nordeste, principalmente (mas também com frequência no Rio de Janeiro e em São Paulo), essas feiras possuem setores especializados na venda de animais silvestres. As aves, os pequenos répteis e primatas são as principais vítimas desse comércio.

Esse tido de comércio exige duas ações fortes do poder público: fiscalização rotineira para reprimir a ação dos traficantes e educação ambiental para os frequentadores desses locais para ocorrer a redução da demanda.

- Leia a matéria completa do site Informador (em espanhol)

terça-feira, 17 de julho de 2012

Campina Grande (PB): outra vergonhosa feira de animais silvestres

O Fauna News tem dado bastante destaque ao comércio criminoso de animais silvestres em feiras espalhadas por todo o Brasil. Recentemente, abordamos a vergonhosa feira de Duque de Caxias (RJ), apontada como um dos maiores pontos de tráfico de fauna do país. Outro local com grande concentração desse tipo de comércio é Campina Grande (PB).

Comércio ilícito de aves em Campina Grande (PB)
Foto: ANDA

“Em Campina Grande, segunda maior cidade da Paraíba, a feira de animais silvestres é uma vergonha. Llá os animais são comercializados livremente e há raras apreensões dos órgãos competentes. Vale salientar que feiras desta categoria existem por todo o país e se configuram como uma vergonha nacional. Em Campina grande, várias espécies de animais são negociadas, principalmente as aves, e, entre elas, a mais cobiçada no momento: o azulão-do-nordeste, ave endêmica de algumas partes do Nordeste, ameaçada de extinção e, segundo o ambientalista Aramy Fablício, “com um quadro irreversível, pois as políticas ambientais são ultrapassadas”. E mesmo que houvesse apreensões, na região quase não existem mais azulões soltos na natureza. Há relatos de que na região do Cariri ainda existam alguns, mas é apenas uma questão de tempo até o capturador apreendê-lo e levá-lo para o mercado negro. E devido a sua raridade, o valor aumenta.

Aves sendo vendidas em Campina Grande (PB)
Foto: ANDA

Além do azulão são negociadas outras espécies de aves endêmicas da região como a pinta-silva-do nordeste, o galo-de-campina, o goladinho, o vem-vem, a maria-fita e tantas outras nativas e também as migratórias como o bigodinho, o papa-capim, o caboclinho-lindo, a chorona. Também são negociados animais como saguis, guaxinins, tatus, cobras, camaleões e tantos outros. (...)”
– texto da matéria “Animais silvestres são comercializados livremente em feira de Campina Grande (PB)”, publicada em 13 de julho de 2012 pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA)

Mais que nas regiões Sul e Sudeste, o tráfico de animais nas feiras de rolo acontece com muita força no Nordeste e Norte do país.  E esse gigantesco comércio varejista só existe porque tem gente que compra os bichos, principalmente as aves. A repressão se faz necessária e com apoio de uma legislação descente (diferente da atual, que não leva ninguém para a cadeia por traficar animais), mas não é suficiente. Só com um trabalho massivo de educação ambiental é que esse quadro começará a mudar.

Enquanto houver quem compra, haverá quem venda.

- Leia a matéria completa da ANDA
- Releia “Feira de Duque da Caxias (RJ): cadê o posto do Ibama?”, publicada pelo Fauna News em 11 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Reflexão para o fim de semana: Aracaju sem feira do rolo. Um exemplo

As feiras do rolo sempre foram um espaço para escambo, um espaço para aqueles que não têm dinheiro trocar produtos e objetos. Elas poderiam ser uma boa opção de comércio para muita gente das periferias e das cidades pequenas. Mas hoje elas são locais para o crime.

Drogas, armas, comércio de objetos furtados e roubados, pirataria e... Tráfico de animais. Muito tráfico de animais.

Sabendo disso, o Ministério Público de Sergipe resolveu agir.

“Na manhã deste sábado, 2, foi realizada uma operação conjunta da polícia e representantes da Secretaria da Fazenda e Ministério Público Estadual (MPE) na  ‘Feira das Trocas’, localizada no bairro Capucho, que acontece aos sábados na capital sergipana. O mercado ilícito de mercadorias funciona desde 2008, mas os comerciantes e moradores do local estão sendo retirados. Segundo a polícia, o local é território do Estado e os comerciantes não possuem alvará.

Apreensão de gaiolas e animais na feita de Aracaju
Foto: Portal Infonet

A operação foi iniciada às 6h e a polícia conseguiu apreender produtos furtados e animais silvestres, além de constatar diversas irregularidades nos estabelecimentos comerciais que não possuem norma de segurança para funcionamento.”
– texto da matéria “Operação conjunta da polícia fecha Feira das Trocas”, publicada em 2 de junho de 2012 pelo site Infonet

O resultado da operação foi 35 autos de infração, uma prisão em flagrante e as apreensões de 10 certificados de registros de licenciamento veicular, de 12 veículos, de 10 carteiras nacional de habilitação, de 70 pássaros e de 34 gaiolas.

“Na coletiva, o promotor de justiça substituto, da Promotoria de Defesa do Consumidor e dos Serviços de Relevância Policial, Daniel Carneiro Duarte, explicou que a ação foi motivada após o órgão receber inúmeras denúncias sobre irregularidades na ocupação do local. A desocupação devia ter acontecido desde 2008, por conta dos registros nas Varias Criminais e nas Policias Civil e Militar da comercialização irregular de armas, comercialização de produtos de crime, principalmente aparelhos eletrônicos. Além disso, o MP identificou indícios de sonegação fiscal e comércio clandestino de animais silvestres.” – texto da matéria “MPE dá esclarecimentos da ação na Feira das Trocas”, publicada em 4 de junho de 2012 pelo site Infonet

Esse tipo de feira acontece por todo o país. E tem de ser fiscalizada e, quando necessário, extinta.

Em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, acontece uma das maiores feiras do rolo do país, que é apontada como um dos maiores centros de comercialização criminosa de animais silvestres do país. A situação nesse local é tão grave que o Ibama anunciou, em janeiro de 2012, a instalação de um posto fixo de fiscalização. Escrevi sobre isso no post “Na luta contra a cracolândia da fauna silvestre” publicado pelo Fauna News em 24 de janeiro de 2012.

Fiscais do Ibama na feira de Duque de Caxias (RJ)
Foto: Márcio Leandro

Apesar do anúncio, o problema continua, tanto que no final de abril de 2012, cinco homens foram detidos com 41 aves e 30 jabutis. Relembre o caso em “Feira de Duque de Caxias (RJ) ainda precisa de atenção”, de 2 de maio de 2012

Outro exemplo é a Feirinha da Estação Nova, em Feira de Santana (BA), onde em uma única ação, em 20 de maio de 2012, a Polícia apreendeu 459 animais (“É nas feiras livres que o tráfico de animais rola solto”, publicado em 24 de maio de 2012).

Policias em apreensão em Feira de Santana (BA)
Foto: Washington Nery/Secom

Caros promotores, policiais e agentes do poder público municipal, acabar com as feiras que comercializam animais silvestres, que vivem do crime, não é um favor para a sociedade. É uma obrigação.

- Leia “Operação conjunta da polícia fecha Feira das Trocas”, publicada em 2 de junho de 2012 pelo site Infonet
- Leia “MPE dá esclarecimentos da ação na Feira das Trocas”, publicada em 4 de junho de 2012 pelo site Infonet
Releia os posts do Fauna News:
- “Na luta contra a cracolândia da fauna silvestre”, 24 de janeiro de 2012
- “Feira de Duque de Caxias (RJ) ainda precisa de atenção”, de 2 de maio de 2012
- “É nas feiras livres que o tráfico de animais rola solto”, publicado em 24 de maio de 2012