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terça-feira, 23 de julho de 2013

A captura de animais em estados consumidores

Ao se mapear o tráfico de fauna no Brasil, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste são consideradas regiões de captura ou fornecedoras, isto é, de seus estados sai a maioria dos animais que abastecem as regiões classificadas como consumidoras. O Sul e o Sudeste formam essa última categoria.

Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro são apontados como os grandes polos de “consumo” de animais silvestres no Brasil. Mas isso não significa que não haja captura neles.

“Na manhã desta quinta-feira (18), um homem foi preso em flagrante por tráfico de animais no bairro Manancial, em Cordeiro, Região Serrana do Rio de Janeiro. Com ele, foram encontrados 174 pássaros. De acordo com os policiais, Fernando Machado, de 55 anos, estaria capturando os animais em um sítio para vender ilegalmente.

Viveiro no meio da mata
Foto: Divulgação PM Amb

No local havia um viveiro dentro da mata e diversas armadilhas para capturar as aves. O homem preso foi encaminhado para a 154ª Delegacia Polícia, que fica em Cordeiro. Os pássaros serão levados para a sede do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio de Janeiro.” – texto da matéria “Polícia Militar Ambiental apreende 174 pássaros em Cordeiro, RJ”, publicada em 18 de julho de 2013 pelo portal G1

Assim como acontece na Região Serrana do Rio de Janeiro, em território paulista, o Vale do Ribeira e nas bordas de unidades de conservação são algumas dessas áreas.

O mesmo acontece nas chamadas regiões de captura, como o Nordeste. Muitos dos animais vão ser comercializados nas feiras espalhadas como praga em quase todos os municípios da região.

- Leia a matéria completa do portal G1

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Quando o animal apreendido é valioso, dar destino adequado é mais fácil

Uma arara da espécie canindé foi encontrada em um cativeiro em Tanabi (SP) nesta quarta-feira (1º). A ave, que é de uma espécie em extinção, é muito bonita, está bem de saúde e não tem ferimentos.

Arara apreendida em Tanabi
Foto: Divulgação PM Ambiental SP

O animal era mantido irregularmente em uma gaiola. O dono do sítio será investigado pela polícia, que quer saber se ele vende animais silvestres. Por causa da arara, ele foi multado em R$ 5 mil. A arara será levada para um criador autorizado. O dono do sítio negou que seja vendedor de animais.” – texto da matéria “Arara ameaçada de extinção é encontrada em cativeiro em Tanabi’, publicada em 1º de maio de 2013 pelo portal G1

Quando as apreensões envolvem pequenos pássaros (passeriformes), o que representa a maioria dos casos, os policiais enfrentam grandes dificuldades para dar um destino adequado às aves. Diferentemente dos casos envolvendo animais com alto valor no mercado (do tráfico e o legal).

No universo dos criadouros, há uma grande parcela realmente interessada na conservação das aves. Mas também há os que aproveitam a situação para, recebendo a ave apreendida, melhorar seus plantéis, inserindo indivíduos com genética nova, ou até aproveitando o registro do animal para traficar – vende-se a arara apreendida e a substitui por outra capturada na natureza, criando um ciclo. Poucos são os que trabalham pela recuperação e soltura na natureza do exemplar resgatado, já que o processo é caro, demorado, exige muito conhecimento técnico e conta com quase nenhum apoio do poder público.

No Brasil, os criadouros de animais silvestres são divididos em três categorias: científico, conservacionista e comercial (de espécies exóticas e de espécies silvestres). As fraudes e atividades ilegais ocorrem em todas as categorias, já que a fiscalização dessas instituições é ineficiente.

- Leia a matéria completa do portal G1

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Começar a semana pensando...

... sobre solturas pós-apreensão. Às vezes, rápidas demais.

Policiais militares de Sergipe encontraram, em um sítio no Povoado Pau Ferro, localizado em Maruim, distante 30 Km  de Aracaju, seis lagartos teiús, duas aves da espécie saracuras-três-potes, dois patos silvestres e três sabiás.

“Após a verificação, o proprietário foi questionado pelos militares se ele possuía o documento fornecido pelo Ibama, que autoriza a criação dos animais em cativeiro, o suspeito disse que não tinha e relatou que criava os animais como prática de hobby. Diante da situação, a guarnição lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência, baseado na Lei de Crimes Ambientais, que será encaminhado ao Fórum da cidade de Maruim. Em sequência, os animais silvestres foram soltos em ambiente natural.” – texto da matéria “PM apreende animais silvestres em povoado de Maruim, em SE”, publicada em 9 de janeiro de 2013 pelo portal G1

Teiús apreendidos no sítio: o cativeiro era hobby
Foto: Divulgação PM/SE

Em 23 de agosto de 2012, o Fauna News publicou “Será que a soltura foi adequada?”. Parte do texto vale ser reproduzida para a situação ocorrida em Sergipe.

“Faço esse questionamento pelo fato de que as consequências de uma soltura sem critérios podem ser desastrosas, gerando desde a morte do animal até um desequilíbrio em algum ecossistema. Bicho apreendido tem de ser avaliado por especialistas (biólogos e veterinários). Esses profissionais podem identificar se o animal tem condição de voltar a se alimentar sozinho ou se ele está doente e corre o risco de levar agentes causadores de moléstias para um ambiente saudável.

A área de soltura também é avaliada, afinal o animal tem de viver em seu bioma de origem; em uma área com alimentação suficiente e uma população de sua espécie em um número que possa recebê-lo sem gerar uma superexploração de suas fontes de alimentos. Esses são apenas alguns pontos que são levados em consideração.

Além dos fatores técnicos, é preciso levar em conta a ação humana na região da soltura. O nível de devastação dos hábitats e o grau de proteção da região têm de ser avaliados. Afinal, não se deve soltar o bicho em uma área com a presença constante de caçadores ou traficantes de fauna.

Se isso é feito com competência? Muitas vezes não.

Será que tudo isso foi levado em conta? Com certeza não.

As intenções dos policiais militares são as melhores. Esses homens devem tomar tal decisão por duas razões: orientação ou falta de orientação de seus comandantes e, principalmente, por falta de infraestrutura do poder público em receber, avaliar e dar o destino adequado a esses animais – o que acaba deixando os policiais com um “problema” nas mãos após a apreensão.”

- Leia a matéria completa do portal G1
- Releia “Será que a soltura foi adequada?” publicado no Fauna News em 23 de agosto de 2012