segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Começar a semana pensando...

...na biopirataria: uma outra face do tráfico de animais.

“Uma correspondência do Sedex contendo 72 aranhas vivas de diversos tamanhos foi apreendida pela Polícia Militar Ambiental, em Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, neste sábado (27). Segundo informações do boletim de ocorrência, o carregamento saiu de Salvador, a capital da Bahia, e tinha como destino Cuiabá.

Aranhas apreendias nos Correios
Foto: Divulgação Polícia Ambiental MT

De acordo com a Polícia Ambiental, as aranhas foram encontradas após o pacote passar pelo aparelho de raio-x localizado em uma agência dos Correios da cidade de Várzea Grande. De acordo com a polícia, o destinatário da correspondência seria uma pessoa de Cuiabá.

Os animais foram encaminhados para a Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema). Um inquérito policial será instaurado para investigar o caso.”
– texto da matéria “Mais de 70 aranhas enviadas pelos Correios são apreendidas em MT”, publicada em 28 de outubro de 2012 pelo portal G1

Na matéria não consta uma linha sequer sobre qual seria o uso das aranhas. Dependendo da espécie, há gente que gosta de mantê-las em terrários, como animais de estimação. O que não parece o caso...
Existe a possibilidade de os animais, peçonhentos, serem vítimas de quadrilha especializadas, com gente que sabe qual espécie procura por causa da peçonha (veneno), usado por laboratórios para a fabricação de remédios ou outros produtos. A biopirataria, bastante incentivada por laboratórios e institutos de pesquisa estrangeiros, é bastante difícil de ser combatido, afinal os animais são normalmente pequenos, não fazem barulho  e ficam em poder de gente bem mais capacitada que os traficantes de animais para criação como pets.

Aranhas, várias espécies de cobras e sapos são os principais alvos desse comércio criminoso e bastante lucrativo. De acordo com o 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna da ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), de 2001, 1 grama do “veneno” de jararaca, por exemplo, chegava a custar US$ 433.

- Leia a matéria completa do G1
- Conheça a Renctas

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Reflexão para o fim de semana: a chance da liberdade. Boa sorte, gorilas!

“Pela primeira vez, uma família inteira de gorilas irá retornar ao seu habitat natural.

O grupo de onze membros da espécie gorila ocidental das terras baixas, que está em um zoológico no condado de Kent, na Inglaterra, irão para uma reserva natural, no Gabão.

Jala, o macho que lidera a família a ser solta
Imagem: Reprodução BBC

Primatas já foram soltos na selva individualmente, depois de viver em cativeiro, mas nunca um grupo tão grande. A fundação Aspinal vai fornecer medicamentos e comida extra para ajudar na adaptação deles.

Na selva, este grupo será nômade e se movimentará pela floresta em busca de comida, provavelmente a cada dois dias. A família deve ser liberada em janeiro de 2013.” – texto da matéria “Família de gorilas se prepara para libertação inédita na selva”, publicada em 25 de outubro de 2012 pelo portal G1

A espécie gorila-ocidental-das-terras-baixas está ameaçado de extinção (“criticamente em perigo”, de acordo com a IUCN – União Internacional para a Conservação da Natureza). Entre as causas da redução populacional da espécie estão a caça e o vírus ébola.

- Assista ao vídeo da BBC sobre a soltura:


- Leia a matéria completa do portal G1

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Tráfico de partes de animais: a cruel cobiça pela pele dos leopardos

“Um relatório do World Wide Fund for Nature (Fundo Mundial para a Natureza) publicado no mês passado revelou que pelo menos quatro leopardos são mortos a cada semana na Índia, para extração de suas peles ou ossos. As informações são da Global Animal.

Peles de leopardos apreendidas na Índia
Foto: Traffic India

(...) Autoridades informam que restaram aproximadamente 10 mil leopardos na Índia, embora este número seja apenas uma estimativa. Leopardos são procurados para comércio ilegal em países como a China, que utilizam seus ossos com propósitos supostamente medicinais. Outros países da Ásia geram demanda pelas peles dos leopardos.

Um artigo recente, chamado “Illuminating the Blind Spot: A Study on Illegal Trade in Leopard Parts in India” (Iluminando o ponto cego: Um estudo sobre o comércio ilegal de partes de leopardo na Índia”), calculou que cerca de 3 mil leopardos foram traficados na Índia durante a última década. Adicionalmente, nesses dez anos, o estudo revela que houve 420 apreensões de peles de leopardo, ossos e outras partes do animal em 209 localidades do país.”
– texto da matéria “Leopardos estão sendo mortos na Índia”, publicada em 24 de outubro de 2012 pela Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda)

Quando se aborda o tráfico de animais o assunto não fica restrito ao comércio ilegal de bichos vivos. As partes deles também são alvo de cobiça e movimentam altas quantias. É assim com o marfim dos elefantes, os chifres dos rinocerontes, as peles e partes de tigres e com outras tantas espécies. A bola da vez que está recebendo atenção é os leopardos.

Esses felinos já sofriam com a perda de hábitat, causada pela ocupação humana do território. A situação está se agravando pela caça com objetivo de usar pelas para adornos em residências, tapetes e até vestuário.

- Leia a matéria completa da Anda
- Leia o relatório Illuminating the Blind Spot: A Study on Illegal Trade in Leopard Parts in India (em inglês)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Orangotangos: traficados da Indonésia para serem humilhados na Tailândia

“O Safari World, um parque de vida selvagem da Tailândia (Bangkok), claramente não tem nenhuma preocupação ou respeito para com os orangotangos. Enquanto a espécie luta contra a extinção, o parque força orangotangos contrabandeados  da Indonésia a lutarem entre si em um ringue de boxe, para entretenimento humano. As informações são da Global Animal.

Orangotangos lutando na Tailândia
Foto: Barcroft India

Após a descoberta de que esses animais silvestres foram adquiridos ilegalmente, o governo tailandês proibiu a prática em 2004 e 48 orangotangos foram resgatados das instalações do parque. Os macacos necessitaram de reabilitação, pois tinham o hábito de cobrir o rosto a todo momento com medo de serem nocauteados por outros macacos ou por pessoas, como acontecia no ringue.

Aqueles orangotangos encontram-se agora saudáveis mas, infelizmente, os shows degradantes tornaram-se novamente um passatempo no Safari World.”
– texto da matéria “Orangotangos são forçados a lutar boxe em Safari de Bangkok”, publicada em 23 de outubro de 2012 pela Agência de Notícias de Direitos Animais

A caça, o tráfico e, principalmente, a perda de hábitat motivada pelas plantações de palma para a extração do óleo de dendê têm dizimado populações de orangotangos. Esses animais estão divididos em duas espécies (as informações sobre as espécies são da IUCN):

- orangotando-de-Bornéu (Pongo pygmaeus, com três subespécies) – classificação IUCN: em perigo

Com uma população estimada entre 45 mil e 69 mil animais, essa espécie de orangotango vive na ilha de Bornéu (nos estados Sabah e Sarawak, da Malásia, e em três das quatro províncias indonésias de Kalimantan). O número desses primatas tem caído drasticamente pela substituição das florestas nativas por plantações de palmeiras para produção de óleo (usado para cozinhar, cosméticos, mecânica, e mais recentemente como fonte de biodiesel), por incêndios nas matas, extração de madeira, caça e captura para o tráfico de fauna.

- orangotango-de-Sumatra (Pongo abelii) – classificação IUCN: em perigo crítico

Sua população, geralmente restrita ao norte da ilha de Sumatra, teve uma queda estimada de mais de 80% nos últimos 75 anos, chegando aos atuais 7.300 animais. Este declínio continua, principalmente pelo fato de as florestas onde vivem estarem sob grande ameaça. A maioria dos orangotangos está fora de reservas protegidas, inclusive dentro de áreas potenciais de exploração madeireira e de conversão da cobertura vegetal nativa por plantações de palmeiras para extração de óleo.

Assista ao vídeo de uma luta de orangotangos:


- Leia a matéria completa da ANDA

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Números que impressionam dentro de uma unidade de conservação

“A Operação Azimbre lI, realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu pescado e madeira ilegais durante fiscalização no Parque Nacional Anavilhanas e município de Novo Airão (115 Km de Manaus). A ação ocorreu entre os dias 1º e 15 de outubro.

Seis mil ovos de quelônios apreendidos
Foto: Divulgação Ibama

Segundo o Ibama, a ação fiscalizou embarcações regionais e recreios. Foram apreendidos mais de 30 tracajás, 360 kg de Pirarucu, 540 kg de pescados diversos, seis mil ovos de quelônios e mais de seis mil metros cúbicos de madeira da espécie Seringa. (...)” – texto da matéria “Operação Azimbre ll apreende 900 kg de pescado e 6 mil quelônios, no AM”, publicada em 22 de outubro de 2012 pelo portal G1

A quantidade de peixes, de ovos e madeira apreendidos chama a atenção. Os números escancaram a necessidade de fiscalização mais efetiva, afinal, eles mostram que os infratores estavam agindo com certa liberdade e a certeza de que não seriam incomodados.

Esse tipo de operação passa a ter resultado ser for realizada com rotina. Pois é exatamente a falta de rotina que predomina nas ações de fiscalização de unidade de conservação.

É importante destacar que alguém iria comprar esses ovos, essa madeira, os peixes e os tracajás. E não é consumo para subsistência. Será que a fiscalização vai chegar até eles?

Enquanto isso, quem perde é a biodiversidade.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Conheça o Parque Nacional de Anavilhanas

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Começar a semana pensando...

...sobre o sujeito que mantinha 132 jabutis em Alagoas.

“A operação foi encabeçada pelo Batalhão da Polícia Ambiental (BPA) e contou com o apoio da Divisão de Proteção Ambiental (DIPRAM) do Ibama/AL.

Jabutis apreendidos
Foto: Divulgação PMA/AL

“A denúncia foi recebida através do 181 da Polícia. O BPA foi até o local averiguar o fato e ao chegar lar se deparou com uma grande quantidade de animais e por isso acionou o nosso apoio”, explicou o chefe do DIPRAM do Ibama/AL, Rivaldo Couto.

Macaco em cativeiro no sertão de Alagoas
Foto: Divulgação da PMA/AL

A apreensão aconteceu em uma chácara no Povoado Pedrão, em Delmiro Gouveia. Segundo Couto, foram encontrado 132 jabutis, uma jaguatirica, uma gralha-cancão, três macacos prego, um ciriema (uma siriema, correção Fauna News), uma jibóia e dois tatus-peba.”
– texto da matéria “Dono de chácara em Delmiro Gouveia é multado em R$ 682 mil por criação ilegal de animais silvestres”, publicado em 24 de setembro de 2012 pelo site alagoano Primeira Edição

Até uma jaguatirica foi encontrada no sítio
Foto: Thiago Cavalcante/Ibama-AL

A notícia é do mês passado, mas me chamou a atenção pela quantidade de animais, principalmente jabutis. Manter em cativeiro 132 jabutis... qual o motivo? Todas as matérias publicadas sobre o caso indicam que o dono da chácara apenas os criava como forma de prazer. Mas essa quantidade de répteis não é normal, tem cara de captura para venda.

Tem algo estranho nessa história.

- Leia a matéria completa do Primeira Edição

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Reflexão para o fim de semana: araras livres no Pantanal. E tem gente que prefere em gaiola

Durante toda a semana, o Fauna News publicou posts sobre apreensões de animais, centro de triagem lotado e sem estrutura, traficantes reincidentes sendo soltos, primatas em risco de extinção no mundo... Ufa! Muita notícia ruim.

Arara-vermelha-grande: bonito é na natureza
Foto: Tony Brierton

Para aliviar um pouco, ao menos no fim de semana, que tal um vídeo de um casal de araras-vermelhas-grande (Ara chloropterus) livre no Pantanal. Não tem musiquinha (afinal, o som da natureza é bem mais legal) ou qualquer edição.

Vale a pena, são só 2min47seg.