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"Todos os argumentos que provam a superioridade humana não eliminam este fato:
no sofrimento os animais são semelhantes a nós."
Peter Singer - Filósofo e professor de bioética na Universidade de Princeton, autor de Libertação Animal (1975)

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

O tráfico de animais também acontece pela internet

“Cerca de 70 animais silvestres foram apreendidos na tarde desta terça-feira (10) em uma casa na Rua Sampei Sato, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. Eles eram vendidos ilegalmente pela internet.” Assim começa a matéria “Polícia prende homem que vendia animais silvestres pela internet” publicada em 11 de maio pelo portal G1. A mesma notícia também foi veiculada pelo site R7, da Record, e exibida pelo telejornal Balanço Geral da emissora.

Informados sobre a venda de animais pela internet, policiais da 1ª Delegacia de Crimes contra o Meio Ambiente de São Paulo fingiram ser compradores e encomendaram suas cobras – tudo pelo computador. No momento da entrega, José Ricardo da Silva Júnior, de 35 anos, foi preso. Em sua casa, em Ermelino Matarazzo – zona leste da capital paulista – foram encontrados 68 animais, entre répteis, anfíbios e insetos (aranhas e escorpiões). O acusado comercializava animais da fauna brasileira e exóticos (vindo de outros países).

Foto: Luiz Guarnieri/Agência Estado

Para muita gente, a venda de animais silvestres pode parecer uma nova modalidade desse tipo de crime. Mas não é.

No 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre, da ONG Renctas (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres), publicado em 2001, consta:

“Em pesquisa realizada pela Renctas em 1999, foram encontrados 4.892 anúncios em sites nacionais e internacionais, contendo a compra, venda ou troca ilegal de animais silvestres fa fauna brasileira. Desse total, a grande maioria anunciava répteis e aves, mas também foram encontrados diversos outros animais como mamíferos (com destaque para os primatas, felinos e pequenos marsupiais), anfíbios (principalmente sapos amazônicos) e peixes ornamentais.”

Ainda segundo a publicação da Renctas, os principais problemas para combater a venda ilegal de animais pela internet são a discrição e afacilidade de compra e venda, a dificuldade na identificação dos negociadores, a falta de um órgão especializado no combate a essa modalidade de tráfico e a falta de legislação sobre o tema.

Aves
Na mesma matéria veiculada pela TV Record, encontra-se a prisão de um homem em Pirituba (zona oeste de São Paulo) por manter 60 pássaros em cativero – provavelmente para a venda. O acusado foi detido pela Guarda Civil Metropolitana, que tem uma parte de sua corporação especializada na área ambiental.

As gaiolas com as aves foram levadas para uma delegacia, onde ficaram empilhadas até serem levadas para o Parque Ecológico do Tietê. Durante as ocorrências que envolvem a apreensão de animais (que normalmente estão fracos, doentes e estressados), o poder público mostra-se incompetente de atender tais demandas. A ausência de infraestrutura adequada e recursos humanos especializados para cuidar desses casos pioram bastante o estado dos espécimes, ocorrendo muitas mortes nas horas e dias seguintes.

Foto: Luiz Guarnieri/Agência Estado

Caso você pergunte se a situação pode piorar, vou responder que pode. Os dois acusados foram indiciados e responderão ao inquérito em liberdade – já que tal tipo de crime ambiental é considerado de baixo potencial ofensivo. Em caso de condenação, ambos deverão receber penas alternativas, como o pagamento de cestas-básicas ou trabalhos comunitários.

- Leia a matéria do portal G1.
- Leia a matéria do portal R7.
- Conheça o trabalho da Renctas.

- Assista ao vídeo da TV Record:

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