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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A caça e a venda de armas: o resultado

Quando publiquei em 2 de fevereiro de 2012, por sugestão, o post “A caça no Brasil e a venda de armas. Contradição?” abordei a confusão jurídica envolvendo a contradição entre a lei que incentiva a criação de clubes de caça e a proibição da prática pela Lei de Crimes Ambientais com a venda de armas. Um exemplo prático dessa falta de definição foi publicado em 11 de fevereiro de 2012 pelo site Juina News:

“A Agência Regional de Inteligência do Comando Regional VIII da Polícia Militar encontrou vários crânios de animais silvestres, entre os quais onça e jacaré, supostamente abatidos em caça, um  couro de rabo de onça e vários dentes de onça, no curral havia uma anta e dois porcos do mato, numa residência  de uma fazenda no município de Aripuanã, no extremo Noroeste de Mato Grosso.

Armas, crânios e couro apreendidos com fazendeiro no MT
Foto: Divulgação PM MT / soldado PM Ana Maria

Em um ato de desespero, o proprietário José Peixer, 59 anos, tentou subornar oferecendo para guarnição o valor de R$ 15 mil  para que não desse continuidade na ocorrência. José e encaminhado á Delegacia Judiciária Civil para providências cabíveis.

Na propriedade foi encontrado também um revólver calibre 38, três espingardas e duas  carabinas, algumas escondidas na casa, e outras escondidas dentro de um “toco oco” em seu quintal. Dentre as armas apreendidas, estava um Fuzil calibre .30, arma esta rara e de uso restrito.”
– texto da matéria “Agência de inteligência do CR VIII apreende armas e crânio de animais silvestres em Aripuanã”

Esse é o resultado da manutenção da venda de armas para caça no Brasil. A atividade (caça) pode estar proibida, mas o Estado quase incentiva a ilegalidade por permitir o acesso aos instrumentos da prática criminosa.

No post escrevi:

“Tenho uma visão um tanto crítica aos parâmetros antropocêntricos que enxergam a natureza apenas como uma fonte de recursos para o ser humano, desprezando o direito – para mim intrínseco – de vida dos outros animais.”
- Leia a matéria do Juina News
- Releia o post do Fauna News “A caça no Brasil e a venda de armas. Contradição?”

Anta e porco-do-mato criados ilegalmente
Foto: Divulgação PM MT / soldado PM Ana Maria

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Esclarecendo a morta da harpia: a ave foi morta por ter caçado um frango

Recebi o seguinte e-mail do biólogo Willian Menq, que esclarece como a harpia (Harpia harpyja) da foto abaixo foi morta:

“Olá, a foto foi originalmente capturada do site Aves de Rapina Brasil (http://www.avesderapinabrasil.com/materias/ameacas_medidas.htm), o qual sou proprietário. A história desta Harpia é a seguinte: é uma harpia jovem, que foi covardemente morta por um fazendeiro da região por ela ter simplesmente predado um frango do mesmo.

É uma pena! As pessoas que estão na foto tiveram seus rostos censurados, pois elas não foram responsáveis pelo "crime". É isso, espero ter ajudado!”



Sobre a foto, escrevi dois textos. O primeiro, em 28 de outubro de 2011 (“Fazendo pose com o cadáver da “rainha dos ares”, a harpia”) e outro em 14 de novembro de 2011 (“Começar a semana pensando...”). A imagem, capturada em julho de 2010 no município de Aripuanã, no Mato Grosso, estava sendo compartilhada por várias pessoas pelo Facebook, mas sem os detalhes sobre como a ave foi morta.

A fotografia, de acordo com o site, foi feita por Christopher Borges e publicada no artigo “Aves de Rapina do Brasil: principais ameaças e medidas para conservação”. Do texto, selecionei o seguinte trecho:

“Outra ameaça às espécies é a caça ilegal e a perseguição. A caça indiscriminada contra qualquer indivíduo de uma população acaba eliminando espécimes adultos com território estabelecido e em pleno vigor reprodutivo. A conseqüência disso nas aves de rapina é pouco estudada, mas com certeza lava a um desequilíbrio ecológico considerável, e aliada à fragmentação do ambiente, representa uma grave ameaça às densidades populacionais naturalmente baixas, como é o caso dos grandes gaviões florestais. Sabemos que as aves de rapina são importantes reguladoras de populações de presas, e um exemplo das possíveis conseqüências a longo prazo é o declínio populacional dessas aves e uma explosão demográfica de roedores e insetos.”

Harpia = onça-pintada
A morte dessa harpia teve a mesma motivação que leva à caça de onças-pintadas no Pantanal: os ataques às criações de fazendeiros. No caso dos felinos, a predação do gado motiva os pecuaristas a perseguir e eliminar onças.

Há diversos trabalhos na região que, além de tentar conscientizar os criadores de gado sobre a importância ecológica desses felinos, pagam os fazendeiros - como forma de indenização – por cada animal abatido pelo predador. Esse fenômeno está bastante comum pelo fato de o hábitat das onças-pintadas, e a consequente redução de suas presas, estarem sob constante pressão da ação humana. Desmatamento.

- Leia o artigo “Aves de Rapina do Brasil: principais ameaças e medidas para conservação”, na íntegra, do site Aves de Rapina do Brasil
- Releia “Fazendo pose com o cadáver da “rainha dos ares”, a harpia”, de 28 de outubro de 2011
- Releia "Começar a semana pensando..." de 14 de novembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Começar a semana pensando...

...na beleza da harpia.

Em 28 de outubro de 2011, escrevi “Fazendo pose com o cadáver da “rainha dos ares”, a harpia” sobre uma foto (ver abaixo) que circulava pelo Facebook com dois homens segurando uma Harpia harpyja morta. A imagem foi captada por um biólogo em Aripuanã, município do Mato Grosso situado perto da divisa com o Amazonas. Os rostos já estavam cobertos na rede social. Na foto é possível ver a data: 31 de julho de 2010.


As circunstâncias da morte dessa harpia não foram citadas no texto do Facebook. Aparentemente, pelos comentários, a ave não morreu acidentalmente. O animal deve ter sido morto por ação humana.

A harpia vive na Amazônia, no Pantanal e na Mata Atlântica. Da ponta de uma asa a outra, chega a medir até 2,2 metros. O macho pode atingir seis quilos e a fêmea, a dez. A degradação do hábitat é a maior ameaça ao gavião-real, como também é conhecida a espécie.

Deixando a desgraça de lado, que tal ver a harpia livre na natureza. Assista ao vídeo! É curtinho (2min51seg) e vale a pena!


- Releia “Fazendo pose com o cadáver da “rainha dos ares”, a harpia”