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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Solturas em Pernambuco: corrigindo os erros do tráfico de animais

“A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), em parceria com a Polícia Civil de Pernambuco, a Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de São Paulo, realizou na tarde desta quarta-feira(02), no sertão de pernambucano, a soltura de 244 pássaros que haviam sido apreendidos em feiras ilegais, situadas na Região Metropolitana do Recife (RMR). Partes destes animais foram apreendidas no último dia 30, no mercado do Cordeiro, zona oeste do Recife.

Reencontrando a liberdade
Foto: Divulgação CPRH

Dentre os animais silvestres apreendidos, estavam espécies do tipo: galha-cancã, corrupiões, tico-tico-rei cinza, galos de campina, brejal, papa-capim, tiziu, salta-caminhos, bigodes, trinca-ferro e concriz. Antes de serem reintegradas à natureza, estas aves passaram pelo processo de reabilitação na sede do Ibama, situada em Casa Forte, zona norte da RMR.” – texto publicado 3 de abril de 2014 na página do CPRH no Facebook

As imagens são lindas, afinal a volta à vida livre é emocionante. Mas a cena bela é consequência de uma realidade horrorosa: o hábito do brasileiro de criar silvestres como bichos de estimação, o grande motor do tráfico de fauna no Brasil.

O fim do cativeiro
Foto: Divulgação CPRH

De acordo com estimativa de 2001 da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza todos os anos no Brasil para abastecer o mercado negro de fauna. De todas as ações necessárias para lutar com eficiência contra esse crime, duas deveriam ser prioridade: educar a população sobre os problemas ambientais e de saúde pública gerados por esse comércio ilegal e fiscalizar com inteligência as áreas de captura.

A primeira medida visa reduzir a demanda. Afinal, se tem gente vendendo é porque tem gente comprando.

A segunda deveria contar com um empenho das polícias e do Ibama maior do que o trabalho de repressão nos pontos de venda (feiras por exemplo), depósitos e criadores domésticos sem autorização. As apreensões quando ocorrem com os animais já cativos ou longe de seus hábitats, obrigam a um atendimento caro e demorado, demandando do poder público uma estrutura que não possui e não incentiva que seja feito por ONGs ou a iniciativa provada.

Voltando para a natureza
Foto: Divulgação CPRH

Evitar que o animal seja capturado é mais barato e inteligente. Mas os governantes, mesmo sabendo disso, ainda insistem na velha e ineficiente fórmula: colocar a polícia e a fiscalização, de tempos em tempos, correndo atrás de traficantes varejistas.

Falta vontade e organização.

- Leia o post do CPRH no Facebook

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Feira do Cordeiro, Recife (PE): uma face do tráfico de animais no Brasil

“Quarenta e seis aves silvestres que estavam sendo comercializadas em um mercado público do bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, foram apreendidas, neste domingo (30), pela Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma). Entre os animais, havia dois tucanos. Três pessoas foram detidas.

O tráfico de aves no Cordeiro é bastante conhecido
Foto: Júnior Aguiar

A apreensão ocorreu durante fiscalização de rotina no bairro, nesta manhã. Três homens foram flagrados realizando o comércio ilegal de 32 aves. Eles foram detidos e encaminhados para a Central de Flagrantes da Capital, onde assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência por comércio ilegal de aves e maus tratos. Os suspeitos devem respondem em liberdade.” – texto da matéria “Cipoma apreende 46 aves silvestres em mercado público no Recife”, publicada em 30 de março de 2014 pelo site Olhar Direto (PE)

A feira do Cordeiro é considerada como um dos principais pontos de venda ilegal de animais silvestres da Região Metropolitana do Recife.

Entre agosto de 2010 e abril de 2011, o biólogo Rodrigo Regueira frequentou 10 feiras da Região Metropolitana da capital pernambucana conhecidas pelo tráfico de fauna. Com uma pequena caneta que escondia uma diminuta câmera de vídeo, ele fingiu ser comprador e realizou 28 visitas a esses centros de comércio popular fazendo registros para seu trabalho de conclusão do curso de Ciências Biológicas, da Universidade Federal de Pernambuco.

Dentre as 10 feiras visitadas (Peixinhos, em Olinda; Madalena, Cordeiro, Casa Amarela, e Linha do Tiro, no Recife; Cavaleiro e Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes; Paratibe, em Paulista; Abreu e Lima; e Cabo de Santo Agostinho), a do Cordeiro se destacou. Ela herdou boa parte dos traficantes da feira do Madalena, situada no bairro vizinho e que sofreu intensa ação de fiscalização, perdendo força. Situada ao lado do Mercado Público do Cordeiro, no bairro de mesmo nome, ela é uma feira voltada para o comércio de animais e de apetrechos para criação dos bichos (gaiolas, bebedouros, comedouros, rações, sementes), funcionando aos domingos a partir das 5h.

“É a feira com maior número de vendedores de silvestres. Eram mais de 30 em cada visita que fiz. Também tem o maior número total de espécies à venda, 42, e de indivíduos comercializados”, afirma Regueira, que esteve no local três vezes e contabilizou 553 animais sendo traficados.

Nas feiras da Região Metropolitana de Recife, Regueira encontrou 55 espécies de aves, sendo que duas encontram-se ameaçadas de extinção (Tangara fastuosa ou pintor-verdadeiro e Sporagra yarrellii ou pintassilgo), quatro tipos de aves híbridas e uma espécie de quelônio (Geochelone carbonária, o jabuti-piranga). No total, foram registrados 2.130 animais, sendo que 87% das espécies e 99% dos indivíduos eram da ordem passeriforme, os conhecidos passarinhos que atraem pelo canto e plumagem colorida. O biólogo também constatou que 82% dos bichos apresentavam sinais de estresse. Não foi registrado o comércio de fauna silvestre nas feiras da Casa Amarela e do Madalena, o que não quer dizer que não aconteça.

“Projeções baseadas no número observado de indivíduos à venda indicam que até 52 mil animais podem ser comercializados anualmente nas oito feiras. Considerando os valores mínimos, médios e máximos obtidos, projeta-se que o comércio ilegal de animais silvestres movimente, por ano nessas feiras, entre R$ 636.840 e R$ 1.071.638”, afirma o Regueira. E tudo isso apenas na Região Metropolitana de Recife.

Essa realidade não é exclusividade da Região Metropolitana do Recife. É assim em todo o Nordeste e em várias outras regiões do Brasil.

Enquanto o poder público não investir em educação ambiental para desestimular o hábito do brasileiro em criar animais silvestres como bichos de estimação, fiscalização e repressão apenas servirão para pouco atrapalhar o mercado negro de fauna. A legislação é fraca e não mantém ninguém preso por vender silvestres.

- Leia a matéria completa do Ilhar Direto

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Mercado negro de fauna: um depósito a menos

“Seiscentas e quarenta e sete aves silvestres foram apreendidas durante operação realizada pela Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma). A ação ocorreu na manhã dessa segunda-feira (28) em Lajedo, no Agreste pernambucano. Além dos animais, uma pessoa foi detida.

Aves apreendidas em depósito
Foto: Divulgação Cipoma

Segundo a polícia, várias espécies, entre elas, papa-capim, galo de campina, guriatã, caboclinho, rolinha, azulão e sanhaçu foram apreendidas dentro da casa de um homem de 38 anos, cujo nome não foi divulgado. O suspeito foi autuado em flagrante pela venda de pássaros, infração classificada como crime ambiental.” – texto da matéria “Quase 650 pássaros são apreendidos em Lajedo, no Agreste”, publicada em 29 de outubro de 2013 pelo site NE10

Existem dois tipos de depósitos de animais silvestres: os que recebem os bichos das áreas de coleta e captura para envio às regiões de venda e os que abastecem diretamente os pontos de varejo (como os que ficam perto de feiras e, ultimamente, têm feito a comercialização direta para evitar a fiscalização).

A matéria não informou se a residência/depósito do sujeito acusado da venda das aves fica perto de alguma feira – o que não seria improvável, já que a maioria das cidades nordestinas tem comércio de animais em comércio de rua. Independentemente do tipo de depósito, seria muito importante que a ação da polícia tivesse sido motivada por investigação. O mais comum é a fiscalização ser meramente reativa, respondendo apenas às denúncias (que também são importantes por mostrarem haver gente que não compactua com o tráfico de animais).

A matéria do NE10 não informa como os policiais descobriram esse depósito.

Infelizmente, apesar do trabalho policial ter obtido bom resultado, a legislação não ajuda e o sujeito deverá responder pelo crime ambiental em liberdade.

PRÊMIO TOP BLOG 2013: VOTE NO FAUNA NEWS E AJUDE NOSSA CAUSA: COMBATE AO TRÁFICO DE ANIMAIS E CONSERVAÇÃO DA FAUNA. - http://goo.gl/0Ni1JB

- Leia a matéria completa do NE10

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Começar a semana pensando...

...sobre a reincidência motivada pela legislação fraca que trata do tráfico de animais.

“Dois deles já tinham sido presos anteriormente pelo mesmo motivo, eles sabiam que não podiam estar com aqueles animais.”

Lúcio Flávio, capitão da Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma) da Polícia Militar de Pernambuco após a prisão de quatro homens por comercailizarem aves silvestres na feira de Peixinhos, em Olinda

A declaração foi publicada na matéria "Quatro pessoas são detidas em feira de Olinda com 24 aves silvestres", publicada em 17 de junho de 2013 pelo portal G1.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Reflexão para o fim de semana: a morte no transporte do tráfico de animais

Independentemente das tentativas de estabelecer uma proporção de animais mortos durante o tráfico, a mortandade existe e pode ser alta. Há trabalhos, como o da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), que indica ser de 10 para 1; isto é, para cada grupo de 10 animais capturados na natureza, apenas um chega ao comprador . Nove morreriam durante o processo.

Há ambientalistas, como o presidente da ONG SOS Fauna, Marcelo Pavlenco, que afirma ser menor essa proporção. Afinal, segundo ele, os animais são mercadorias (dinheiro), portanto uma quantidade grande de óbitos não é nada interessante para o comerciante criminoso.

O biólogo Rodirgo Regueira, autor de "Caracterização Do Comércio Ilegal De Animais Silvestres Em Dez Feiras Livres Da Região Metropolitana Do Recife, Pernambuco, Brasil.", seu trabalho de conclusão de curso na Universidade Federal de Pernambuco, afirmou que para cada animal colocado à venda, outros três morrem ao longo do processo. A informação está em sua entrevista para o Fauna News (“Fauna News entrevista: o biólogo-espião Rodrigo Regueira”, publicada em 7 de setembro de 2011).
Aves apreendidas: 100 estavam mortas
Foto: Divulgação Cipoma

O fato é que a morte está sempre presente.

“A Companhia de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma) apreendeu cerca de 250 pássaros que seriam vendidos no Mercado da Madalena, no Recife. Entre as espécies recuperadas estão galos de campina, patativas, papa-capins e chorões. Por conta das condições de confinamento, cerca de 100 aves foram encontradas mortas nas gaiolas onde eram mantidas.” – texto da matéria “Três homens são detidos com 250 aves no Recife. Por maus tratos, cem morreram”, publicada em 11 de março de 2012 pelo site do jornal Diário de Pernambuco

- Leia a matéria completa do Diário de Pernambuco
- Releia o post “Fauna News entrevista: o biólogo-espião Rodrigo Regueira”, publicado em 7 de setembro de 2011
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