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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Começar a semana pensando...

...sobre a falta de infraestrutura dos órgãos ambientais no Brasil: a jaguatirica de Rondônia.
Foto: Émerson Motta/RondoniaVip
“Liguei para inúmeros órgãos do meio ambiente e também para o Corpo de Bombeiros, e ninguém pôde vir resolver o problema.”

Secretário municipal de Meio Ambiente de Monte Negro, Marivaldo Pereira, sobre a jaguatirica que ficou 20 horas em uma árvore em Monte Negro (RO) porque nenhum órgão ambiental tinha equipamentos para resgatá-la

Nem Ibama, nem Polícia, nem Corpo de Bombeiros, nem secretarias de estado e do município do meio ambiente... nenhum órgão do poder público. Depois de 20 horas, o animal desceu da árvore sozinho.

Inadmissível. Vergonhoso. Revoltante.

A fauna brasileira abandonada.

- Leia a matéria “Jaguatirica sobe em árvore e falta de equipamentos impede resgate, em RO”, publicada em 29 de abril e 2014 pelo portal G1 com a entrevista de Pereira
- Leia a matéria “Jaguatirica desce de árvore de 25m após 20 horas em Monte Negro, RO”, publicada em 30 de abril de 2014 como desfecho da história

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Conama alivia a falta de estrutura do poder público legalizando o tráfico de animais

Em 24 de maio de 2013, o Fauna News publicou "Guarda provisória de animais silvestres: atestando a incompetência do poder público" sobre a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente que regulamenta a posse de animais silvestres que tenham sido apreendidos pelos órgãos de fiscalização ambiental.

Para esclarecer: o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), por causa da falta de espaço e estrutura dos Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, decidiu que os animais silvestres apreendidos poderão ficar na posse provisória de pessoas físicas e jurídicas, incluindo as que foram flagradas com a posse ilegal do bicho.

Nesse post de maio, o Fauna News publicou:

"A decisão do Conama atesta a incompetência do poder público em cuidar da fauna apreendida em cativeiros ilegais. Tal situação foi criada pela falta de investimentos do Ibama em Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), que devem receber os bichos para os primeiros cuidados e dar destinação adequada aos mesmos (reintrodução na natureza quando possível)."

Em 27 de maio, o Fauna News novamente deu destaque (Começar a semana pensando...) ao assunto ao reproduzir a seguinte declaração do coordenador-geral da Renctas (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres), Dener Giovanini, em seu blog Reflexões Ambientais:

“Essa resolução do Conama é um sinal claro da ineficiência do Brasil para gerir sua fauna silvestre. Independente dos argumentos contra e a favor dessa norma – e são muitos – o fato é que existe algo de muito errado em nossa política nacional de fauna.”


Aves sendo apreendidas em Votuporanga (SP)
Foto: site Votuporanga Tudo

Em 26 de junho de 2013, ontem, o Diário Oficial da União publicou a Resolução nº 457, que determina sua entrada em vigor em 180 dias.

Em seu artigo 2º, a Resolução cria:

“V - Termo de Depósito de Animal Silvestre - TDAS: termo de caráter provisório pelo qual o autuado assume voluntariamente o dever de prestar a devida manutenção e manejo do animal apreendido, objeto da infração, enquanto não houver a destinação nos termos da lei;

VI - Termo de Depósito Preliminar: termo de caráter provisório, pelo qual o agente fiscalizador, no momento da lavratura do Auto de Infração, mediante justificativa, confia excepcionalmente o animal ao autuado, até outra destinação, nos termos desta Resolução;

VII - Termo de Guarda de Animal Silvestre - TGAS: termo de caráter provisório pelo qual o interessado, que não detinha o espécime, devidamente cadastrado no órgão ambiental competente, assume voluntariamente o dever de guarda do animal resgatado, entregue espontaneamente ou apreendido, enquanto não houver destinação nos termos da lei;”


No caso de o poder público não conseguir  “vagas” em suas instituições (tipo Cetas – Centro de Triagem de Animais Silvestres), zoológicos ou entidades semelhantes para receber os animais apreendidos (anfíbios, répteis, aves, e mamíferos), passou a ser possível, de acordo coma decisão do Conama, a elaboração dos termos de depósitos de Animal Silvestre e o Preliminar, isto é, o bicho poderá ficar com o infrator (criador ilegal). O TGAS é a primeira alternativa, mas está aberto o precedente do "ilegal tornar-se legal".

Pássaros apreendidos em feira em Pernambuco
Foto: Divulgação Cipoma

Vale destacar que:

“Art. 4º - Serão objeto de concessão do TDAS e TGAS apenas os espécimes de espécies integrantes da lista das espécies silvestres autorizadas para criação e comercialização como animal de estimação em conformidade com a Resolução Conama nº 394, de 6 de novembro de 2007.”

Os animais referidos no artigo 4º serão os constantes na futura lista pet, em elaboração pelo Ibama e que, segundo o presidente do órgão, Volney Zanardi Júnior, deverá ter cerca de 100 espécies.

A Resolução do Conama implica em permitir que o infrator (que continuará respondendo criminalmente pelo seu ato) fique legalmente com o animal. Vale o questionamento: se o poder público não tem estrutura para receber, tratar e, quando possível, devolver os bichos apreendidos para a natureza, como fará para dar um destino final adequado de definitivo aos animais?

Apesar de os termos de depósitos e o termo de guarda serem, no papel, provisórios, não parece que a solução encontrada contará com esse caráter. De fato, o que acontecerá será o infrator mantendo permanentemente o bicho.

Como a lei não pune como deveria (já que ninguém é condenado pelo envolvimento no comércio ilegal de silvestres e pela posse sem autorização) e, a partir de agora, é possível continuar legalmente com o animal, legalizou-se o ilegal.

Enquanto isso, estimativa da Renctas de 2001 indica que 38 milhões de animais silvestres são retirados da natureza por ano no Brasil para o tráfico.

Saiba que cerca de 60% dos animais traficados no Brasil são para abastecer o “consumo” interno, isto é, dos próprios brasileiros.

Lamentável.

“Para o CFMV, diversos pontos do documento aprovado pelo CONAMA privilegiarão o tráfico de animais silvestres, promovendo a banalização de um crime que ameaça milhões de espécies da fauna brasileira diariamente. Especificamente com relação aos critérios do Termo de Depósito de Animais Silvestres (TDAS), conforme passa a determinar a nova Resolução, o CFMV entende que este contribuirá ainda mais para a ilegalidade, estimulando a impunidade e contrariando o conceito e a defesa de toda a classe para que haja mais rigor no combate ao tráfico de animais.” – trecho da nota pública do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), publicado no portal da instituição em 27 de junho de 2013
Foto: Akatu.org.br
“A partir de hoje fica autorizado, oficialmente, o tráfico de animais silvestres em território brasileiro.” – trecho do post de Dener Giovanini, publicado em seu blog Reflexões Ambientais em 26 de junho de 2013

- Leia a Resolução nº 457/2013 do Conama
- Leia a nota oficial do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV)
- Leia o post de Dener Giovanini, publicado em seu blog Reflexões Ambientais em 26 de junho de 2013
- Releia o post do Fauna News “Guarda provisória de animais silvestres: atestando a incompetência do poder público”, publicado em 24 de maio de 2013
- Releia o post “Começar a semana pensando...”, publicado pelo Fauna News em 27 de maio de 2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Logo após a apreensão, o cuidado com os animais deve ser redobrado. Mas cadê a infraestrutura?

O presidente da ONG SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha, e a diretora executiva da ONG Freeland Brasil, Juliana Machado Ferreira, são categóricos ao afirmar que a maior mortandade de animais silvestres vítimas do tráfico de fauna ocorre imediatamente após a apreensão. Os dirigentes das duas entidades, especializadas no combate ao mercado negro de fauna, afirmam que a falta de capacitação dos profissionais envolvidos nas apreensões bem como de infraestrutura para um possível atendimento adequado aos animais são responsáveis pelo elevado número de mortes.

“A Polícia Civil de Brumado apreendeu, por volta das 7h desta terça-feira, 13 pássaros silvestres mantidos em cativeiro em Brumado, no sudoeste baiano. O responsável pelas aves, um representante comercial de 55 anos, foi preso em flagrante.” – texto da matéria “vc repórter: polícia apreende pássaros silvestres em Brumado, na BA”, publicada em 18 de junho de 2013 pelo portal Terra

Num canto qualquer da delegacia
Foto: Wilker Porto/vc repórter

Será que os policiais civis sabem cuidar das aves? Eles sabem identificar se elas precisam de alguma atenção imediata?

Será que esses policiais receberam assessoramento de algum profissional especializado para avaliar e suprir as necessidades dos animais nesse primeiro momento?

Provavelmente não.

Os problemas enfrentados pelos animais e os policiais que realizaram a apreensão são mais amplos.

“Cardeais, papagaios e canários estão entre os pássaros apreendidos. Eles permanecem na delegacia da cidade até a manhã de quarta-feira, quando serão levados para o Ibama de Vitória da Conquista, cidade distante 140 km de Brumado.” – texto do portal Terra

Será que a delegacia tem algum lugar adequado para manter os animais até a manhã seguinte?

Será que os policiais vão cuidar adequadamente dos animais durante tantas horas?

Será que o transporte desses animais até Vitória da Conquista será adequado? Ou será que as gaiolas vão ser colocadas em uma caçamba de caminhonete durante esses 140 km?

É durante esse período que, dependendo da espécie envolvida e o estado geral dos animais, as mortes acontecem. Os órgãos de fiscalização do poder público ainda não contam com infraestrutura adequada para realizar apreensões tecnicamente adequadas, reduzindo os riscos aos bichos envolvidos.

Alguém conhece uma realidade diferente?

- Leia a matéria completa do portal Terra

quinta-feira, 6 de junho de 2013

No Parque Estadual Morro do Diabo (SP), uma estrada que deveria receber atenção especial

“Em todo o país, é muito comum o trabalho conjunto entre a Polícia Militar Ambiental e biólogos na preservação de animais em extinção. Em Teodoro Sampaio, o policial ambiental Vinícius Alves Rodrigues, responsável pelo patrulhamento no Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD), desenvolveu seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) com a temática “Levantamento de animais Silvestres atropelados na Rodovia SP 613 que corta o Parque Estadual Morro do Diabo – SP”.

Rodrigues durante apresentação de seu trabalho
Foto: Silvério Hosomi

(...) Como policial ambiental, Rodrigues relata que as principais dificuldades em seu trabalho de patrulhamento são: falta de locais para socorro dos animais atropelados, que estão vivos ou machucados, além da falta de respeito dos motoristas com os animais silvestres, quando excedem a velocidade permitida na rodovia. O acadêmico propôs em seu trabalho, a implantação de radares, lombadas eletrônicas, ecodutos, passarelas ecológicas e melhores túneis para transposição de animais.” - texto da matéria “Animais atropelados correm risco de extinção”, publicada em 4 de junho de 2013 pelo site da Universidade do Oeste Paulista (Unioeste)

Rodrigues, que está se formando em Ciências Biológicas da Faculdade de Ciências, Letras e Educação (Faclepp) da Unoeste, chegou a uma conclusão que pode ser extrapolada para quase todas as estradas e rodovias brasileiras: falta infraestrutura para reduzir os atropelamentos de fauna e faltam ações de conscientização junto aos motoristas (apesar de já ser desenvolvida a campanha "Viva e deixe viver" pela equipe do Parque e as polícias Militar Ambiental e Militar Rodoviária).

No caso estudado pelo policial, a importância das adequações na SP-613 é ainda maior, já que ela corta uma unidade de conservação de proteção integral. E mais, esse parque conserva um dos últimos fragmentos de Mata Atlântica do interior paulista, onde habita a única população viável do ameaçado mico-leão-preto (cerca de 820 animais).

SP-613: são 14 quilômetros dentro do parque 
com limite de velocidade de 70 km/h
Foto: Helder Henrique de Faria

Estimativa de Alex Bager, coordenador do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), ligado à Universidade Federal de Lavras, indica que 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados nas estradas brasileiras anualmente.

- Leia a matéria completa da Unioeste
- Leia a matéria Massacre nas estradas, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Atropelamento de fauna: infraestrutura inadequada e falta de conscientização

“Infraestrutura inadequada e falta de ações para conscientizar os motoristas são apontadas pelos especialistas como as principais causas do massacre. Como é recente a preocupação com os animais silvestres na construção de estradas, a maior parte da malha rodoviária brasileira não está preparada para evitar os atropelamentos.” – texto da matéria “Massacre nas estradas”, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

Faltam ações para conscientizar os motoristas
Foto: Mozart Lauxen/Ibama

As estradas construídas até 1986 não passavam pelo processo de licenciamento ambiental (que não existia até então). Mesmo com a exigência, afirma-se que a fauna nunca foi levada a sério e tratada com cuidado durante os trabalhos. É por isso que as rodovias brasileiras são tão precárias quando o assunto é cuidado com animais silvestres.

Hoje, segundo especialistas, a realidade começa a mudar. De qualquer forma, o que se vê são ações voltadas para a realização de obras físicas (como instalação de cercas e construção de passagens) e quase nada para conscientizar os motoristas sobre os cuidados que deve ter.

‘“Um estudo na Austrália sugere que uma redução de 20% na velocidade diminuiria em 50% a mortalidade (...)”, diz Andreas Kindel'
. (professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul) - texto da Terra da Gente

Enquanto isso... 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados, todos os anos, nas estradas brasileiras.

Tamanduá-mirim atropeladona BR-262, no Pantanal (MS)
Foto: Marcela Sobanski

- Leia a matéria completa da revista Terra da Gente
- Releia o post “Atropelamento de fauna: 475 milhões é a dimensão do massacre”, publicado pelo Fauna News em  7 de março de 2013

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Atropelamentos de animais silvestres em estradas: sofrimento além da fauna

“Morreu no final da tarde de ontem (30), em Dourados, uma das vítimas do acidente na rodovia MS-276, ocorrido na segunda-feira (29). A bióloga Maria Alice Silvestre, de 27 anos, estava internada no hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Ela estava grávida de 7 meses.

Ela era passageira de uma Land Rover, que caiu em uma ribanceira localizada no trecho entre Batayporã e Anaurilândia, próxima à ponte do Córrego Combate. O veículo era conduzido pelo marido dela, Vitor Quirolli.

Land Rover onde estava a bióloga
Foto: Acácio Gomes/Nova News

(...) Segundo o Boletim de Ocorrência, eles voltavam de Assis, cidade do interior de São Paulo, quando uma anta cruzou a pista. Para evitar o atropelamento, Vitor desviou do animal, mas acabou perdendo o controle do veículo, que capotou e caiu em uma ribanceira.”
– texto da matéria “Bióloga, 27 anos e grávida de 7 meses, morre após acidente causado por anta”, publicada em 1º de maio de 2013 pelo Campo Grande News

Normalmente, os casos de acidentes em estradas envolvendo fauna silvestre culminam com a morte do animal. Milhões de bichos morrem no Brasil, todos os anos, nesses acidentes.

Além do prejuízo à biodiversidade, a falta de infraestrutura das estradas para evitar os atropelamentos de animais e a ausência de investimentos em campanhas educativas para os motoristas também causam vítimas humanas. Em menor número, mas gente também está morrendo em virtude desses acidentes.

A preocupação do poder público com os atropelamentos de animais em rodovias e suas consequências é recente. Os processos de licenciamentos de estradas já exigem cuidados especiais com a fauna e, desde 2011, iniciou-se um programa de adequação ambiental das BRs antigas.

Estruturas para evitar a travessia dos animais ou que garantam travessias seguras, além de campanhas educativas para os motoristas, evitam que vidas - humanas e não-humanas – corram riscos.

- Leia a matéria completa do Campo Grande News