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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Atropelamento de fauna: o emblemático caso da onça Anhanguera

A história da onça-parda Anhanguera é uma das mais emblemáticas quando se aborda o conflito entre estradas e animais silvestres. Às 5h de 14 de setembro de 2009, o felino, um jovem macho com idade variando entre 10 meses e um ano, sai da mata e chega às margens da via Anhanguera, na altura do município paulista de Louveira. Decidido a chegar ao outro lado, ele arrisca, avança para o meio da pista e acaba atingido por um veículo.

 Resgate de Anhnaguera em 2009
Foto: Divulgação CCR AutoBAn

A rodovia foi parcialmente fechada até a chegada de bombeiros e profissionais da Associação Mata Ciliar, ONG de Jundiaí (SP) que mantém uma parceria com a concessionária CCR AutoBAn para atender animais resgatados na estrada e que possui o Centro Brasileiro para Conservação de Felinos Neotropicais. A onça foi então sedada, levada para a sede da ONG e ganhou o nome da rodovia.

Foram diagnosticadas fraturas em costelas e um dente canino quebrado. Apesar das lesões, foi constatado que Anhanguera tinha potencial para voltar à natureza. O processo de recuperação do felino durou um ano e seis meses, até sua soltura em 10 de março de 2011 em uma mata da Serra do Japi.

Anhanguera, recuperada, prona para o retorno à vida livre em 2011
Foto: Divulgação Associação Mata Ciliar

A história de Anhanguera foi tratada como um caso de sucesso.  O felino, com um rádio-colar, foi monitorado por meses, até a bateria do equipamento acabar. Por pouco mais de um ano, ele viveu novamente a plenitude de sua condição selvagem.

Repetindo o ocorrido em 2009, Anhanguera novamente voltou a estar na margem de uma estrada. Era 18 de abril de 2012. Dessa vez a faixa de asfalto tinha outro nome: rodovia dos Bandeirantes. Na altura do km 55, o felino aventurou-se para chegar à mata do outro lado e foi atropelado. A sorte não se repetiu: o impacto causou fraturas na coluna e nas costelas, além de ruptura do fígado e do diafragma. A morte foi instantânea.

Assim terminou a história de Anhanguera
Foto: Divulgação Associação Mata Ciliar

“A onça Anhanguera foi um marco da nossa luta pela conservação. Houve uma comoção muito grande quando soubemos da sua morte porque todos acompanhavam sua história e torciam por um final feliz. No entanto, ele mostrou que o fato de estar livre não garante a sobrevivência, isto é, o ambiente natural está sendo cada vez mais modificado e com tal rapidez que os animais não conseguem se adaptar”, salienta a veterinária e Coordenadora de Fauna da Associação Mata Ciliar, Cristina Harumi Adania.

A Associação Mata Ciliar atualmente conta com um centro cirúrgico especializado em atendimentos a animais silvestres, uma ambulância para resgates e mantém uma equipe com cinco veterinários que atende 24 horas. A ONG recebe, em média, 150 animais por mês (número que inclui os atropelados). Cristina afirma que a maioria dos bichos atropelados que atende são de casos ocorridos na via Anhanguera. De acordo com a concessionária que administra a estrada, CCR AutoBAn, 242 animais silvestres morreram na rodovia em 2010, 22 em 2011 e 183 em 2012. A empresa não faz campanhas educativas específicas sobre fauna silvestre, pois enfoca cuidados com animais domésticos e de produção, como gado e cavalos, que estão envolvidos com maior frequência nos acidentes.

- Releia “Atropelamento de fauna: 475 milhões é a dimensão do massacre”, publicado em 7 de maio de 2013 pelo Fauna News
- Releia “Atropelamento de fauna: infraestrutura inadequada e falta de conscientização”, publicado em 8 de maio de 2013 pelo Fauna News
- Releia “Atropelamento de fauna: o problema vai continuar”, publicado em 9 de maio de 2013 pelo Fauna News
- Leia a matéria”Massacre nas estradas” publicada em maio de 2013 pela revista Terra da Gente

terça-feira, 15 de maio de 2012

A onça Anhanguera teve sua segunda chance. Mas não resistiu à pressão humana

Há pouco, li um post no blog do deputado estadual Pedro Bigardi (“Serra do Japi em perigo: deputado Bigardi denuncia morte da onça Anhanguera após novo atropelamento”) informando a morta da onça-parda Anhanguera.

“Num pronunciamento realizado na Tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado estadual Pedro Bigardi denunciou que a especulação imobiliária e o crescimento desordenado de Jundiaí continuam interferindo drasticamente na preservação da Serra do Japi. O maior exemplo disso, segundo Bigardi, é a triste informação da morte da onça Anhanguera, após um novo atropelamento.

Anhanguera sendo resgatado em 2009

“A especulação imobiliária está chegando cada vez mais próximo à Serra do Japi e isso tem afetado diretamente em sua fauna e flora. Prova disso é o caso da onça Anhanguera que em 2009 foi atropelada na rodovia Anhanguera, após tratamento na Ong Mata Ciliar foi devolvida ao seu habitat, mas infelizmente foi atropelada novamente e não resistiu aos ferimentos”, afirmou o deputado.” – texto publicado em 10 de maio de 2012

Anhanguera pouco antes de ser solto
Foto: Divulgação Associação Mata Ciliar

Em 18 de abril, Anhanguera foi atropelada novamente. Desta vez, na altura do km 55 da rodovia dos Bandeirantes - o primeiro acidente foi na Anhanguera (daí o nome do animal).

"Após um ano e 3 meses em vida livre, a onça Anhanguera morreu. Pela segunda vez, esse macho de onça parda foi atropelado, só que nesse caso, de forma fatal. Com fraturas na coluna, nas costelas e com ruptura do fígado e diafragma, a onça parda teve morte instantânea após o atropelamento." - parte do texto "MOrre Anhanguera", publicado no site da Associação Mata Ciliar.

O Fauna News publicou posts sobre a preparação da onça para a volta à natureza e sobre a soltura:

- “Força Anhanguera!”, de 25 de fevereiro de 2011; e
- “Boa notícia: Anhanguera, a onça-parda atropelada em 2009, volta à natureza”, de 14 de abril de 2011.

Assita ao vídeo da soltura de Anhanguera:


Anhanguera teve uma segunda chance, mas caiu na mesma armadilha humana, resultado da urbanização crescente, sem planejamento e sem preocupação com a fauna. O felino foi vítima do antropocentrismo, do crescente movimento de ocupação da Serra do Japi, no interior paulista.

“Viver nos grandes centros urbanos, rodeado de barulho, poluição, violência e pouco verde é realmente muito difícil. É um modo de vida que nossa civilização escolheu e mantém com todas as suas forças.

Mas, apesar da escolha, é fato que muita gente tenta aliar as facilidades das cidades e a necessidade de trabalho com um estilo de vida um pouco mais bucólico. A opção, apesar de  não ser errada, tem um preço: os empreendimentos imobiliários estão cada vez mais ocupando os remanescentes de florestas e de matas que ainda restam. E não é só a vegetação que sofre com esse expansionismo...

(...) Os animais também são vítimas. O Jornal da Record, em sua edição de 21 de abril de 2012, fez uma pequena matéria sobre o assunto, abordando o trabalho da ONG Associação Mata Ciliar, de Jundiaí (SP). Apesar de a matéria ser curtinha, dá pra ter uma ideia do tipo de problemas que nossa busca por um estilo de vida mais próximo da natureza pode causar.”
– texto do post “Pensando em se mudar da cidade grande? Pense bem sobre onde quer viver”, publicado pelo Fauna News em 25 de abril de 2012

Assista ao vídeo do Jornal da Record:


- Leia o post do deputado Pedro Bigardi
- Leia o texto da Associação Mata Ciliar
Releia os posts do Fauna News:
- “Força Anhanguera!”, de 25 de fevereiro de 2011
- “Boa notícia: Anhanguera, a onça-parda atropelada em 2009, volta à natureza”, de 14 de abril de 2011
- “Pensando em se mudar da cidade grande? Pense bem sobre onde quer viver”, de 25 de abril de 2012