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quarta-feira, 13 de junho de 2012

João Pessoa (PB): a cidade cresce e coloca animais em risco

“Mais de 200 animais, entre cobras, jacarés, capivaras e preguiças foram encontrados e capturados pelo Batalhão de Polícia Ambiental na Grande João Pessoa este ano. O comandante do Batalhão, tenente-coronel Adielson Pereira, disse que a causa da invasão desses animais é o desmatamento. Com a destruição do habitat natural, os animais acabam procurando outras alternativas de moradia. “Infelizmente essa realidade tem sido cada vez mais frequente”, afirmou o comandante.

26 de maio de 2012: preguiça resgatada em João Pessoa
Foto: Walter Paparazzo/G1

Os bairros do Valentina, Mangabeira, Bairro das Indústrias e o Centro, em João Pessoa, costumam ser os mais 'visitados' pelos animais. (...)” – texto da matéria “Mais de 200 animais foram resgatados em JP”, publicada em 8 de junho de 2012 pelo Jornal da Paraíba

O que está acontecendo na capital paraibana ocorre em todo o país. O fenômeno não é uma exclusividade de João Pessoa.

Jundiaí, no interior paulista, também tem essa característica. A urbanização das matas do entorno da cidade, principalmente na região da Serra do Japi, estão sufocando a fauna silvestre. Em 25 de abril de 2012, escrevi “Pensando em se mudar da cidade grande? Pense bem sobre onde quer viver”:

“Viver nos grandes centros urbanos, rodeado de barulho, poluição, violência e pouco verde é realmente muito difícil. É um modo de vida que nossa civilização escolheu e mantém com todas as suas forças.

Região da Serra do Japi, em Jundiaí: exemplo do novo expansionismo
Foto: Portaljapy.com.br

Mas, apesar da escolha, é fato que muita gente tenta aliar as facilidades das cidades e a necessidade de trabalho com um estilo de vida um pouco mais bucólico. A opção, apesar de  não ser errada, tem um preço: os empreendimentos imobiliários estão cada vez mais ocupando os remanescentes de florestas e de matas que ainda restam. E não é só a vegetação que sofre com esse expansionismo...”

Há pouco tempo (18 de abril de 2012), a suçuarana Anhanguera foi uma vítima emblemática desse expansionismo na região de Jundiaí. Pela segunda vez, o felino foi atropelado, mas, dessa vez, não sobreviveu.

Suçuarana Anhanguera: atropelada duas vezes em São Paulo
Foto: Divulgação Associação Mata Ciliar

- Leia a matéria completa do Jornal da Paraíba
- Releia “Pensando em se mudar da cidade grande? Pense bem sobre onde quer viver”, publicado pelo Fauna News em 25 de abril de 2012
- Releia “A onça Anhanguera teve sua segunda chance. Mas não resistiu à pressão humana”, publicado pelo Fauna News em 15 de maio de 2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

A onça Anhanguera teve sua segunda chance. Mas não resistiu à pressão humana

Há pouco, li um post no blog do deputado estadual Pedro Bigardi (“Serra do Japi em perigo: deputado Bigardi denuncia morte da onça Anhanguera após novo atropelamento”) informando a morta da onça-parda Anhanguera.

“Num pronunciamento realizado na Tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado estadual Pedro Bigardi denunciou que a especulação imobiliária e o crescimento desordenado de Jundiaí continuam interferindo drasticamente na preservação da Serra do Japi. O maior exemplo disso, segundo Bigardi, é a triste informação da morte da onça Anhanguera, após um novo atropelamento.

Anhanguera sendo resgatado em 2009

“A especulação imobiliária está chegando cada vez mais próximo à Serra do Japi e isso tem afetado diretamente em sua fauna e flora. Prova disso é o caso da onça Anhanguera que em 2009 foi atropelada na rodovia Anhanguera, após tratamento na Ong Mata Ciliar foi devolvida ao seu habitat, mas infelizmente foi atropelada novamente e não resistiu aos ferimentos”, afirmou o deputado.” – texto publicado em 10 de maio de 2012

Anhanguera pouco antes de ser solto
Foto: Divulgação Associação Mata Ciliar

Em 18 de abril, Anhanguera foi atropelada novamente. Desta vez, na altura do km 55 da rodovia dos Bandeirantes - o primeiro acidente foi na Anhanguera (daí o nome do animal).

"Após um ano e 3 meses em vida livre, a onça Anhanguera morreu. Pela segunda vez, esse macho de onça parda foi atropelado, só que nesse caso, de forma fatal. Com fraturas na coluna, nas costelas e com ruptura do fígado e diafragma, a onça parda teve morte instantânea após o atropelamento." - parte do texto "MOrre Anhanguera", publicado no site da Associação Mata Ciliar.

O Fauna News publicou posts sobre a preparação da onça para a volta à natureza e sobre a soltura:

- “Força Anhanguera!”, de 25 de fevereiro de 2011; e
- “Boa notícia: Anhanguera, a onça-parda atropelada em 2009, volta à natureza”, de 14 de abril de 2011.

Assita ao vídeo da soltura de Anhanguera:


Anhanguera teve uma segunda chance, mas caiu na mesma armadilha humana, resultado da urbanização crescente, sem planejamento e sem preocupação com a fauna. O felino foi vítima do antropocentrismo, do crescente movimento de ocupação da Serra do Japi, no interior paulista.

“Viver nos grandes centros urbanos, rodeado de barulho, poluição, violência e pouco verde é realmente muito difícil. É um modo de vida que nossa civilização escolheu e mantém com todas as suas forças.

Mas, apesar da escolha, é fato que muita gente tenta aliar as facilidades das cidades e a necessidade de trabalho com um estilo de vida um pouco mais bucólico. A opção, apesar de  não ser errada, tem um preço: os empreendimentos imobiliários estão cada vez mais ocupando os remanescentes de florestas e de matas que ainda restam. E não é só a vegetação que sofre com esse expansionismo...

(...) Os animais também são vítimas. O Jornal da Record, em sua edição de 21 de abril de 2012, fez uma pequena matéria sobre o assunto, abordando o trabalho da ONG Associação Mata Ciliar, de Jundiaí (SP). Apesar de a matéria ser curtinha, dá pra ter uma ideia do tipo de problemas que nossa busca por um estilo de vida mais próximo da natureza pode causar.”
– texto do post “Pensando em se mudar da cidade grande? Pense bem sobre onde quer viver”, publicado pelo Fauna News em 25 de abril de 2012

Assista ao vídeo do Jornal da Record:


- Leia o post do deputado Pedro Bigardi
- Leia o texto da Associação Mata Ciliar
Releia os posts do Fauna News:
- “Força Anhanguera!”, de 25 de fevereiro de 2011
- “Boa notícia: Anhanguera, a onça-parda atropelada em 2009, volta à natureza”, de 14 de abril de 2011
- “Pensando em se mudar da cidade grande? Pense bem sobre onde quer viver”, de 25 de abril de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pensando em se mudar da cidade grande? Pense bem sobre onde quer viver

Viver nos grandes centros urbanos, rodeado de barulho, poluição, violência e pouco verde é realmente muito difícil. É um modo de vida que nossa civilização escolheu e mantém com todas as suas forças.

Mas, apesar da escolha, é fato que muita gente tenta aliar as facilidades das cidades e a necessidade de trabalho com um estilo de vida um pouco mais bucólico. A opção, apesar de  não ser errada, tem um preço: os empreendimentos imobiliários estão cada vez mais ocupando os remanescentes de florestas e de matas que ainda restam. E não é só a vegetação que sofre com esse expansionismo...

Região da Serra do Japi, em Jundiaí: exemplo do novo expansionismo
Foto: Portaljapy.com.br

Os animais também são vítimas. O Jornal da Record, em sua edição de 21 de abril de 2012, fez uma pequena matéria sobre o assunto, abordando o trabalho da ONG Associação Mata Ciliar, de Jundiaí (SP). Apesar de a matéria ser curtinha, dá pra ter uma ideia do tipo de problemas que nossa busca por um estilo de vida mais próximo da natureza pode causar.

Assista e reflita - desconsidere a propaganda no começo do vídeo. Quer viver perto da natureza? Então pense bem antes de comprar sua nova casa em áreas onde antes existiam árvores e viviam animais silvestres.

- Conheça a Associação Mata Ciliar

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Cuidar da fauna silvestre: burocracia, falta de apoio e jogo de empurra

Tenho contato com algumas pessoas que são responsáveis por instituições que recebem, recuperam e tentam, na medida do possível, devolver à vida livre animais silvestres. E é comum a todos (desculpe o pleonasmo) problemas financeiros e a luta contra a falta de apoio do poder público. Quem acompanha um pouco o cotidiano dessas ONGs se depara, com certa frequência, com seus representantes divulgando campanhas para arrecadar fundos ou com os problemas que a burocracia estatal impõe.

Vamos a um exemplo. Primeiro, a burocracia:

“A Polícia Ambiental de Jundiaí iniciou a semana com um grande problema para resolver, trata-se de 14 aves (três araras canindé, um tucano toco, uma jandaia e nove maritacas), além de dez tartarugas tigre d'água, que foram devolvidos pela Adipa (Associação Direcionada à Preservação dos Animais Silvestres), por estarem sem a documentação que deveria ter sido providenciada pela própria polícia. (...)

Maritacas que estavam na Adipa
Foto: Júlio Monteiro/BOM DIA

A associação que cuida de animais silvestres em Jundiaí tomou a decisão nesta segunda-feira, porque foi ameaçada de ser multada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), caso não apresentasse os documentos de transferência da guarda dos animais, que chegaram a associação em virtude de ocorrências policiais. O presidente da entidade, Hélio Lunardi, 74 anos, não viu outra alternativa.” – texto da matéria “Sem documentos, animais silvestres trocam de lar”, publicada em 10 de janeiro de 2012 pelo site da Rede Bom Dia

No meio do mundo burocrático, o jogo de empurra. Afinal, há ou não um problema coma documentação? Veja:

“A Polícia Ambiental elogiou o trabalho de Lunardi em Jundiaí, discordou haver problema na documentação dos animais silvestres e o ideal seria que a associação ficasse com eles. Na tarde desta segunda mesmo, os animas foram encaminhados para a Associação Mata Ciliar.

O Ibama, por meio de assessoria de imprensa, informa que o presidente da Adipa agiu corretamente em devolver os animais à Polícia Ambiental, pois sem a documentação que comprove o encaminhamento deles à instituição, não há como provar a legalidade da transferência. “A partir do momento que a entidade recebe os animais sem documentação, ela fica passível de punição”, alerta o órgão federal.”
– texto da matéria do site da Rede Bom Dia

Agora me explique: se a Adipa trabalha há 18 anos dessa forma, por que só agora encontraram o problema?

Ainda não acabou. Vamos à falta de dinheiro. Na mesma matéria...

‘“O presidente da Adipa diz estar preocupado com a falta de apoio para ajudar a criar os animais. Há dois anos a Adipa mantém o convênio com a prefeitura onde recebe mensalmente R$ 6,2 mil como repasse. Mas segundo Lunardi o valor é insuficiente para cuidar do mantenedouro municipal, que abriga de mais de 100 animais, de 20 espécies diferentes.

“Temos o apoio de mais quatro empresários de Várzea Paulista que colaboram com o nosso trabalho, sem eles não teríamos como manter a estrutura”.’


Vou chover no molhado: ONGs fazem o trabalho que deveria ser do poder público e, mesmo assim, recebem (quando recebem) migalhas para sobreviver.  Não é de surpreender, já que as instituições do próprio governo (como os Cetas - Centros de triagem de Animais Silvestres - do Ibama) vivem situação parecida...

Gestão de fauna no Brasil. Não existe.

- Leia a matéria da Rede Bom Dia