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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Assumindo responsabilidades. Mas que seja da forma certa

São poucas as prefeituras que implantam centros de triagem ou de reabilitação de animais silvestres. Mesmo em municípios que têm alta demanda de animais apreendidos em suas ruas ou vítimas do tráfico, essa não é uma prioridade dos prefeitos. Normalmente, essas estruturas são da União e de ONGs.

Mas a pantaneira Aquidauana (MS) dá um responsável passo na direção contrária:

“O gerente de Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente de Aquidauana, Roberto Valadares, e a presidente da Fundação de Turismo, Lejânia Malheiros, participaram de uma reunião com os representantes do IMASUL (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) de Campo Grande, do Projeto Lontra e do IEB (Instituto Ekko Brasil) para falar da construção de um centro de reabilitação e de pesquisa em nosso município. A reunião aconteceu terça (14) na sede da Polícia Militar Ambiental.

Aquidauna poderá ter um centro de reabilitação de animais silvestres
Foto: João Garrigó

Segundo Lejânia, a ideia surgiu a partir de duas lontras que foram encontradas por ribeirinhas no distrito de Piraputanga. Elas estavam machucadas e precisavam de reabilitação. “Uma foi encaminhada para Campo Grande e a outra está aqui na sede da Polícia Ambiental, mas numa jaula pequena para o seu tamanho” comentou ela.” – texto da matéria “Gerentes da Prefeitura falam sobre implantação de CRAS em Aquidauana”, publicado em 16 de janeiro de 2014 pelo site Pantanal News

Além de abrir esses centros, que permite um atendimento mais rápido e adequado aos animais (poupando o sofrimento causado por viagens longas em condições não ideais), o poder público transforma essas estruturas em depósitos de bichos por causa do alto custo para mantê-las, enquanto ONGs vivem de “pires na mão” em busca de fontes de recursos. A quantidade de animais que entra é muito superior a que sai para solturas, criadouros, zoológicos e demais entidades.

Em Aquidauana, pelas declarações da presidente da Fundação de Turismo, Lejânia Malheiros, há um equívoco no DNA do projeto:

‘“Queremos desenvolver a educação ambiental em nosso município, para que as pessoas não maltratem ou matem os animais silvestres, e sim um local onde a reabilitação desses bichos seja aberta para visitação, criando um turismo ambiental” explicou Lejânia.’ – texto do Pantanal News

Algum profissional que lide com fauna poderia explicar para a especialista em turismo que esses centros abrigam animais doentes, machucados ou, no mínimo, estressados. Essas estruturas têm de estar em locais calmos e de acesso restrito aos envolvidos nos trabalhos, para o bem dos bichos e para que o risco de transmissão de zoonoses seja o menor possível.

Parabéns à prefeitura pela iniciativa, mas que o projeto seja bem feito e mantido com os investimentos necessários.

- Leia a matéria completa do Pantanal News

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

PM Ambiental paulista faz “arrastão” pela fauna no interior do estado

Enquanto o poder público não investe em educação ambiental para começar a minar o hábito do brasileiro de manter animais silvestres em cativeiro doméstico, órgãos de fiscalização como as polícias ambientais continuarão a lutar contra um adversário invencível. O tráfico de animais só vai diminuir significativamente quando houver diminuição na demanda, isto é, quando diminuírem os compradores.

Apesar de não haver projetos de conscientização (do governo) e de a legislação também não ter um caráter educativo (por ser branda demais), os órgão de fiscalização buscam fazer sua parte.

“Nos dias 16, 17, 18 e 19 de dezembro, a Polícia Militar do Estado de São Paulo por intermédio da Polícia Ambiental desencadeou a operação denominada “NATAL LIVRE”, nos municípios de São José do Rio Preto, José Bonifácio, Mirassol, Tanabi, Neves Paulista, Jaci, Novais, Nipoã, Nova Granada, Nova Aliança, Planalto, Guapiaçu, Palestina, Poloni, Ubarana e Catanduvas, Novo Horizonte, Borborema, Ariranha, Pindorama, Palmares Paulista, Novais, Cajobi, Paraíso, Ibirá, Itajobi e Sales.

Centenas de animais foram apreendidos em quatro dias
Foto: Divulgação Polícia Militar Ambiental SP

O foco das ações de policiamento ambiental foi a constatação de aves e animais silvestres mantidos em cativeiro, sem a autorização do órgão ambiental competente, o comércio irregular, possíveis maus tratos, além de outros delitos relacionados à fauna, e a repressão aos crimes de caça de animais da fauna silvestre, e também ao porte e posse ilegal de armas de fogo, visando à apreensão de armamentos em situação irregular e de material utilizado para a prática de tais crimes.

(...) Foram apreendidas 444 aves silvestres, mantidos em cativeiro irregularmente em 355 gaiolas e alçapões, dentre estas tucanos, Jandaia da testa vermelha, papagaios verdadeiros, periquitos da asa amarela e Maracanã, tempera-viola, sanhaços, sabiás, trincas ferro, tico tico rei, canários da terra, patativa chorona, iraúna grande, coleirinha baiano e outras diversas, e ainda aves ameaçadas de extinção como: curió, bicudo, caboclinho, azulão, coleira-do-brejo e patativa verdadeira.

Peles também foram apreendidas
Foto: Divulgação Polícia Militar Ambiental SP

Nos plantéis de pássaros silvestres fiscalizados, 49 anilhas encontravam-se irregulares.”
  – texto publicado em 19 de dezembro de 2013 na página do Facebook da Polícia Militar Ambiental de São Paulo

A fiscalização é uma peça na engrenagem que deveria existir para combater o mercado negro de fauna e o cativeiro doméstico ilegal. Legislação realmente punitiva e educativa, uma política de conscientização (não um projeto de curto prazo), políticas sociais em áreas pobres onde ocorre a apanha e captura de animais e infraestrutura para receber animais apreendidos e, quando possível, devolvê-los à vida livre são as outras peças.

- Leia o texto no Facebook