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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mico dopado por traficante: mais uma vez, a feira de Duque de Caxias mostra sua face mais cruel

A feira de domingo realizada no município de Duque de Caxias é tradicional por vários motivos: ponto de encontro de nordestinos, local para apreciar comidas típicas, dançar forró e, infelizmente, comprar animais silvestres ilegalmente.

São mais de dois quilômetros com cerca de 2.500 feirantes, um misto de feira livre e feira do rolo (de trocas), atraindo estimados 15 mil visitantes de diversas regiões.

Foi na primeira metade do século passado que aves silvestres começaram a ser intensamente comercializadas em Duque de Caxias. A famosa feira do município fluminense já existia e, sob uma frondosa jaqueira de um terreno baldio da avenida Presidente Vargas, em frente ao atual Mercado Municipal, passarinheiros se encontravam para trocar experiências e animais.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), pelo menos dois mil animais são vendidos a cada domingo em Duque de Caxias. “O número foi informado pelos setores de inteligência da polícia. É uma estimativa pela quantidade de animais apreendida e pelo tamanho da feira”, afirma Renato de Freitas Souza Machado, procurador da República no município, em São João de Meriti e em São Gonçalo (RJ).

Esse comércio criminoso é também cruel, como constatado com a apreensão do mico dopado.

“A Unidade de Polícia Ambiental Móvel (UPAm Móvel), no último domingo (06), manteve a intervenção na Feira de Caxias, onde conseguiu prender um comerciante de animais silvestres chamado Rubens Jorge de Faria, de 51 anos, que tentava vender uma maritaca. Os policiais apreenderam mais 23 pássaros, 02 jabutis, 02 tigres-d´água e 01 mico. Dentre as aves havia 01 trinca-ferro, 05 pixoxós, 03 coleiros, 11 canários e 03 garibaldis. O mico foi encontrado dopado numa pequena bolsa em péssimas condições de transporte. O caso foi registrado na 59ª DP, em Duque de Caxias, e o responsável enquadrado no artigo 29, parágrafo 1º, inciso III da Lei de Crimes Ambientais, cuja pena é de detenção de seis meses a um ano e multa. Os animais foram levados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), em Seropédica, para tratamento e posterior soltura em seu habitat natural.” – texto da nota “PM detém homem comercializando animais silvestres em feira”, divulgada em 7 de abril de 2014 no site da Polícia Militar do Rio de Janeiro

Imagem do mico dopado em bolsa
Imagem: Reprodução Rede Record

Para evitar que o pequeno primata ficasse se debatendo, mordendo e chamando a atenção de alguma equipe de fiscalização, o traficante dopou o animal. Não é incomum serem descritas situações em que esse tipo de animal é embriagado com bebidas alcoólicas.

Répteis apreendidos na feira de Duque de Caxias (RJ)
Foto: Divulgação Polícia Militar RJ

É importante destacar que se o traficante de animais faz isso é porque tem gente que compra. A PM Ambiental pode estar diariamente na feira de Duque de Caxias ou em qualquer outro ponto de venda de animais que não conseguirá acabar com esse crime. A redução sensível do tráfico só irá ocorrer quando o poder público parar de fingir que combate essa atividade e investir pesado em educação ambiental, com campanhas nas feiras, na imprensa, nas escolas, nas associações de bairro e onde for necessário.

Sem esse trabalho, é enganação.

- Leia a nota da Polícia Militar do Rio de Janeiro
- Assista à reportagem da Rede Record

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Aves, réptil e primata em residências. Cativeiro doméstico ilegal apenas?

“Policiais militares da Unidade de Polícia Ambiental Móvel (UPAm Móvel), na tarde desta quinta-feira, prenderam Ari José Ricardo, de 62 anos, Manuel José Ricardo, 64 anos, por manterem em cativeiro um lagarto, um mico e 57 espécies de aves silvestres, entre elas um gavião, 21 canários-da-terra, sete sabiás, três coleiros, dois pixoxós, quatro sanhaços, cinco curiós, três tico-ticos, três marias-pretas, quatro garibaldis, três tizius e um chorão.

Animais apreendidos em Rocha Miranda (RJ)
Imagem: Reprodução vídeo Governo do Rio de Janeiro

Todos estavam divididos em apenas 28 gaiolas, o que caracteriza maus-tratos. Os policiais chegaram ao local, em Rocha Miranda, graças a informações do Disque-Denúncia.” – texto da mataria “Dois são presos por manter animais em cativeiro”, publicada em 9 de maio de 2013 pelo site do jornal O Dia

Com certeza, os dois homens alegaram que criavam os animais por lazer, como bichos de estimação (apesar das condições inadequadas em que foram encontrados). Será?

Hoje em dia, uma das formas comuns de traficar animais e comercializá-los em residências. As casas não levantam suspeitas, dificultando qualquer ação da polícia ou de agentes de fiscalização ambiental. Esses imóveis funcionam como depósitos de animais e, muitos deles, além de ser o palco da venda direta, também fornecem bichos para a venda em feiras.

Espera-se que a polícia investigue bem o caso e não conclua o ocorrido como uma mera apreensão de cativeiro domético ilegal. Apurar é fundamental. Se for só cativeiro doméstico ilegal, tudo bem. Mas se não for...


Assista ao vídeo do Governo do Rio de Janeiro sobre o caso:


- Leia a matéria completa de O Dia

sexta-feira, 22 de março de 2013

Só apreenderam um iguana sendo explorado? Ibama, isso é preguiça

“Fiscais do Ibama no Rio Grande do Norte apreenderam um iguana adulto que estava sendo usado para tirar fotos com turistas nas dunas da praia de Pitangui, litoral Norte do estado. Segundo nota emitida pelo Ibama, a captura do animal foi baseda na Lei de Crimes Ambientais, que afirma que é crime “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente”.

Iguana apreendida em Pitangui
Foto: Homero Medeiros

O responsável pelo iguana foi identificado e conduzido para a delegacia de Extremoz, na Grande Natal, onde foi lavrado um Termo Circunstancial de Ocorrência (TCO), onde ele responderá pelo crime na esfera penal e administrativa.”
– texto da matéria “Ibama captura iguana e alerta turistas sobre crimes ambientais no RN”, publicada em 14 de março pelo portal G1

A exploração de iguanas e micos, usados para tirarem fotos com turistas deslumbrados com as belezas naturais do Rio Grande do Norte, é um abuso histórico e corriqueiro. Há anos isso ocorre de forma escancarada, tanto em Pitangui quanto em Genipabu. Sabendo disso, os bugueiros levam os visitantes para pontos onde estão os animais.

Por um trocado, o turista segura o animal ou até pode fazer pose com ele na cabeça. Por R$ 50, o visitante compra o iguana. O que os deslumbrados não sabem é que esses animais foram capturados ilegalmente na natureza. Em muitos casos, estão ali dopados e machucados para parecerem mansos e assim não atacarem.

O Ibama iniciou em janeiro um treinamento para trabalhadores do setor turístico, como bugueiros, guias de agências de turismo e funcionários de hotéis, restaurantes e bares com o objetivo de capacitá-los para orientar os turistas a não cometerem infrações ambientais, como utilizarem os animais para fotos. Mas esse trabalho educativo tem de ser parte de uma ação que envolva também a repressão.

E basta ir até as dunas para encontrar os jovens oferecendo os animais para fotos. Então, surpreende o fato de o Ibama divulgar a apreensão de um iguana e o encaminhamento do responsável para a delegacia como se fosse algo difícil de ser feito. A notícia deveria sim chamar pelo inusitado da apreensão, já que o ógrão ambiental na combate efetivamente a prática criminosa.

- Leia a matéria completa do portal G1