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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Quem tem cinco filhotes de papagaio em casa? Traficante

“A Polícia Ambiental apreendeu 25 pássaros da fauna silvestre na tarde desta segunda-feira (11), em Italva, no Noroeste Fluminense. De acordo com os policias, uma denúncia anônima indicou que em uma casa da cidade um homem estaria mantendo as espécies em cativeiro. Foram apreendidos 5 filhotes de papagaio, 1 papagaio adulto, 6 pichanchões, 8 canários da terra, 1 trinca ferro, 3 coleiros e 1 coleiro paulista.” – texto da matéria “Polícia Ambiental apreende 25 pássaros em casa de Italva, no RJ”, publicada em 12 de novembro de 2013 pelo portal G1

Filhotes de papagaios apreendidos
Foto: Divulgação PM Ambiental RJ

Não é comum encontrar em uma única residência seis papagaios, sendo cinco deles filhotes. A rotina das apreensões envolve muitos pássaros e, normalmente, um papagaio. A apreensão dos filhotes é bastante suspeita e deve ser investigada pela polícia, pois não surpreenderá se o infrator não estiver envolvido com a venda das aves.

Depois dos passeriformes (os pássaros de bela plumagem e canto atraente), os psitaciformes (papagaios e araras) são as aves mais traficadas no Brasil. Vale destacar que mais de 80% dos animais vítimas do mercado negro de fauna nacional são aves.

- Leia a matéria completa do portal G1

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Falsificação de anilhas: taí um problema que merece atenção

Post publicado em 26 de agosto de 2013 na página da Polícia Militar Ambiental de São Paulo no Facebook:

“No dia 24 de agosto, a Polícia Militar Ambiental flagrou em Marília um Criador Amador de Passeriformes com documentação irregular (sem validade por não ter sido renovada). Também se verificou que algumas anilhas foram falsificadas e colocadas nas aves já adultas, o que causou ferimentos e a caracterização de maus tratos aos animais. O responsável foi multado em R$ 22.000,00 e conduzido ao Distrito Policial pelos maus tratos e por falsificação de selo público (anilhas falsificadas).”

Policial verificando animais em Marília
Foto: PM Ambiental/Facebook

A falsificação de anilhas, aquele anel de identificação colocado na perna das aves, é uma das ferramentas utilizadas por traficantes de fauna para “esquentar” animais ilegais. Eles pegam a anilha de um animal que foi vendido e colocam em outro igual, mas que foi capturado ilegalmente na natureza.

Esse tipo de conduta é bastante comum. Em 16 de agosto de 2013, no município de Lupércio (região de Marília), ocorreu caso semelhante.

“A Polícia Militar (PM) Ambiental desencadeou na manhã de ontem a “Operação Fauna” para coibir crimes ambientais na cidade de Lupércio (cerca de 35 quilômetros de Marília). A ação resultou na apreensão de 74 aves silvestres que eram mantidas em cativeiro. Segundo o tenente Ewerton Ricardo Messias, os policiais militares fiscalizaram 11 residências no distrito de Santa Terezinha e em seis foram encontradas os animais. Entre as espécies foram apreendidos pássaro preto, sábia laranjeira, sábia pardo, sábia poca, coleirinha, trincaferro, canário da terra e azulão. “O município fica próximo a Estação Ecológica Caetetus e é comum os moradores capturar essas aves silvestres. Oito desses animais também estavam com anilhas de identificação adulteradas. O pássaro Azulão que foi apreendido está em extinção e é comercializado por até R$ 5 mil no mercado negro”, disse. As pessoas flagradas com animais silvestres receberam multas que variam de R$ 5,5 a 18,5 mil. O caso também será remetido para a Polícia Civil para possível indiciamento criminal nos envolvidos. As aves passaram por avaliação veterinária e devem ser recolocados em seu habitat natural nos próximos dias.” – texto da matéria “PM Ambiental apreende 74 pássaros silvestres em Lupércio”, publicada em 17 de agosto de 2013 pelo site do Jornal da Manhã (Marília)

Se os órgãos de fiscalização fizessem um “pente fino” em criadores, muitas irregularidades seriam descobertas. Falta controle.

Tomara que a ação da PM Ambiental paulista não seja um trabalho eventual e sim uma rotina. Que operações sejam feitas em todo o Brasil.

- Leia o post da PM Ambiental paulista (Facebook)
- Leia a matéria completa do Jornal da Manhã

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Perda de hábitat, tráfico e confecção de adornos: será o fim das araras bolivianas?

Está na matéria “Amazônia boliviana sem araras?”, publicada em 31 de outubro de 2011 pelo site O Eco:

“Parques naturais da Amazônia boliviana abrigam um total de dez espécies de araras, das 16 que existem no mundo. No entanto, quatro delas enfrentam sérias ameaças para sua conservação devido à caça, perda de habitat e tráfico de animais silvestres, motivos pelos quais hoje são consideradas criticamente ameaçadas pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (Cites), além de serem parte da lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).”


Tráfico de araras-vermelhas
Foto: Mauricio Herrera
 
Entre as ameaças listadas na matéria, a perda de hábitat pela atividade madeireira, a exploração de petróleo e a construção de represas ganha destaque.

“Os parques amazônicos onde existem araras na Bolívia, como o Parque Nacional Manuripi no departamento de Pando, o Noel Kempff em Santa Cruz, a Reserva da Biosfera e Estação Biológica em Beni e o Madidi, em La Paz, não prenunciam um futuro muito bom para a conservação destas esplendorosas aves, consideradas símbolo da beleza e da riqueza animal na Amazônia boliviana.

Isto se dá devido a diferentes obras e projetos, como a construção de represas (Cachuela Esperanza no Rio Beni), estradas (Apolo, La Paz, TIPNIS, Beni e Cochabamba) e explorações petrolíferas (Madidi, La Paz) que causarão a fragmentação de seus habitats naturais, criarão barreiras e alterarão seriamente seu ciclo migratório e de reprodução, ações que finalmente poderiam deixar a Amazônia boliviana sem araras.”
- texto de O Eco

Mas o tráfico de animais também está muito presente. E a pressão criminosa (a venda de animais sem autorização, com destaque às espécies em risco de extinção, é ilegal na Bolívia) acontece, principalmente, sobre a Ara macao, conhecida como araracanga ou arara-vermelha, bastante comercializada como bicho de estimação. 

“As intensas e vivazes cores que caracterizam esta bela ave a converteram em uma das mais procuradas e cujos exemplares (tanto filhotes quanto adultos) são facilmente encontrados em diferentes mercados da Bolívia. Sua população é desconhecida, mas estima-se que seja baixa, já que a Cites a catalogou dentro do Apêndice I da lista de espécies ameaçadas.” - texto de O Eco

Lendo a matéria, encontrei muitos pontos em comum com o Brasil. Apesar de o comércio de araras não ser tão escancarado no Brasil e ocorrer às escondidas, a venda desse tipo de ave ainda é bastante comum, como mostram as freqüentes apreensões dos órgãos de fiscalização. Muito similar ao quadro mostrado pela matéria do site O Eco é o tráfico de outras aves (principalmente da ordem dos passeriformes, também conhecidos como aves canoras) nas feiras brasileiras. Os papagaios também são alvo de intenso tráfico, principalmente na entrada da primavera, período em que há o nascimento das ninhadas.

No Brasil, há dados indicando que 82% dos animais traficados são aves e que entre 60% e 70% desse comércio ilegal é voltado para abastecer o mercado interno. O hábito de manter aves engaioladas, que como o Eco mostrou, não é exclusividade nossa, e pelas ações do governo boliviano na gestão das unidades de conservação, a falta de atenção do poder público com as reservas também não.

- Leia a matéria completa de O Eco


As penas das araras são usadas para a confecção de adornos
Foto: Mauricio Herrera