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terça-feira, 6 de maio de 2014

Criadores de silvestres e falta de controle do poder público

“Policiais civis e agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) encontraram um criadouro clandestino de aves em Catalão, sudeste do estado. A operação, realizada quarta-feira (30), resgatou quase 500 pássaros presos em gaiolas. Um homem de 49 anos foi preso em flagrante suspeito de ser os donos dos animais.

A maioria dos pássaros era da espécie conhecida como 'canário da terra'. “Pela maneira da manutenção e a quantidade de aves, fica claro que o homem é um receptador ou um traficante de animais. E a gente já conseguiu levantar que ele também compra e revende”, explicou o agente federal do Ibama Roberto Cabral.

Os agentes encontraram cerca de 20 pássaros mortos devido às condições impróprias nas quais eles viviam. “Tem gaiola com mais de 100 pássaros juntos e tudo indica as condições de maus tratos”, disse a delegada Marcela Magalhães.

Na casa também foi encontrado um equipamento utilizado para adulterar as anilhas, pequenos anéis metálicos com identificação colocados nas aves. Essa certificação são fornecidas apenas para criadores licenciados.

Anilhas apreendidas com criador ilegal
Imagem: reprodução TV Anhanguera

As aves que tinham sinais de maus-tratos foram encaminhadas para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do município. As demais foram soltas em fazendas da região

O suposto dono dos pássaros já estava sendo investigado pela polícia há dois meses por comércio ilegal de aves. O homem irá responder pelos crimes de tráfico de animais silvestres e pela falsificação das anilhas. Se condenado, pode ficar preso por até seis anos. Além de responder criminalmente, o homem terá de pagar uma multa de R$ 270 mil.”
– texto da matéria “Polícia resgata quase 500 pássaros em criadouro ilegal em Catalão, GO”, publicada em 1º de maio de 2014 pelo portal G1

A falsificação de anilhas, aquele anel de identificação colocado na perna das aves, é uma das ferramentas utilizadas por traficantes de fauna para “esquentar” animais ilegais. O anel é retirado de um animal que morreu, por exemplo, e colocado em outro capturado ilegalmente na natureza com as mesmas características. Ou ainda alega-se que houve nascimentos no plantel legalizado e filhotes retirados de seus hábitats são anilhados. Dessa forma, tenta-se enganar a fiscalização.

Nesses casos, além de responder criminalmente pela posse, transporte ou comercialização sem autorização de animais silvestres, o infrator é processado por falsificação ou adulteração de selo público (no caso, as anilhas).

Está no Código Penal:

“Art. 296 - Falsificar, fabricando-os ou alterando-os:

I - selo público destinado a autenticar atos oficiais da União, de Estado ou de Município;
II - selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, ou sinal público de tabelião:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º - Incorre nas mesmas penas:
I - quem faz uso do selo ou sinal falsificado;
II - quem utiliza indevidamente o selo ou sinal verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio.
III - quem altera, falsifica ou faz uso indevido de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública.”


O caso vale ser bastante investigado, principalmente para saber quem fornece as anilhas. Esse fornecedor, com certeza, atende outros infratores que “esquentam” aves capturadas ilegalmente. Se os órgãos de fiscalização fizessem um “pente fino” em criadores, muitas irregularidades seriam descobertas.

Falta controle.

- Leia a matéria completa do portal G1

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Falsificação de anilhas: taí um problema que merece atenção

Post publicado em 26 de agosto de 2013 na página da Polícia Militar Ambiental de São Paulo no Facebook:

“No dia 24 de agosto, a Polícia Militar Ambiental flagrou em Marília um Criador Amador de Passeriformes com documentação irregular (sem validade por não ter sido renovada). Também se verificou que algumas anilhas foram falsificadas e colocadas nas aves já adultas, o que causou ferimentos e a caracterização de maus tratos aos animais. O responsável foi multado em R$ 22.000,00 e conduzido ao Distrito Policial pelos maus tratos e por falsificação de selo público (anilhas falsificadas).”

Policial verificando animais em Marília
Foto: PM Ambiental/Facebook

A falsificação de anilhas, aquele anel de identificação colocado na perna das aves, é uma das ferramentas utilizadas por traficantes de fauna para “esquentar” animais ilegais. Eles pegam a anilha de um animal que foi vendido e colocam em outro igual, mas que foi capturado ilegalmente na natureza.

Esse tipo de conduta é bastante comum. Em 16 de agosto de 2013, no município de Lupércio (região de Marília), ocorreu caso semelhante.

“A Polícia Militar (PM) Ambiental desencadeou na manhã de ontem a “Operação Fauna” para coibir crimes ambientais na cidade de Lupércio (cerca de 35 quilômetros de Marília). A ação resultou na apreensão de 74 aves silvestres que eram mantidas em cativeiro. Segundo o tenente Ewerton Ricardo Messias, os policiais militares fiscalizaram 11 residências no distrito de Santa Terezinha e em seis foram encontradas os animais. Entre as espécies foram apreendidos pássaro preto, sábia laranjeira, sábia pardo, sábia poca, coleirinha, trincaferro, canário da terra e azulão. “O município fica próximo a Estação Ecológica Caetetus e é comum os moradores capturar essas aves silvestres. Oito desses animais também estavam com anilhas de identificação adulteradas. O pássaro Azulão que foi apreendido está em extinção e é comercializado por até R$ 5 mil no mercado negro”, disse. As pessoas flagradas com animais silvestres receberam multas que variam de R$ 5,5 a 18,5 mil. O caso também será remetido para a Polícia Civil para possível indiciamento criminal nos envolvidos. As aves passaram por avaliação veterinária e devem ser recolocados em seu habitat natural nos próximos dias.” – texto da matéria “PM Ambiental apreende 74 pássaros silvestres em Lupércio”, publicada em 17 de agosto de 2013 pelo site do Jornal da Manhã (Marília)

Se os órgãos de fiscalização fizessem um “pente fino” em criadores, muitas irregularidades seriam descobertas. Falta controle.

Tomara que a ação da PM Ambiental paulista não seja um trabalho eventual e sim uma rotina. Que operações sejam feitas em todo o Brasil.

- Leia o post da PM Ambiental paulista (Facebook)
- Leia a matéria completa do Jornal da Manhã

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Finalmente uma paulada nas quadrilhas de tráfico internacional de canários

Já faz tempo que o Fauna News acompanha as apreensões dos chamados canários peruanos em território brasileiro. Os pássaros são trazidos do Peru, Venezuela e Equador para as rinhas do Brasil. Na segunda-feira (2 de abril de 2012), a Polícia Federal, depois de muita investigação, entrou em ação com a chamada Operação Estalo para o cumprimento de 62 mandados judiciais em nove estados: 33 de busca e apreensão, 20 de prisão preventiva, 2 de prisão temporária e 7 conduções coercitivas em Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Ceará, Amazonas, Santa Catarina, Roraima e Distrito Federal.

Veja o resultado:

“A Operaçao Estalo, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (2), cumpriu 20 mandados de prisão preventiva, dois temporários, sete conduções coercitivas e 30 de busca e apreensão em oito estados da federação, além do Distrito Federal. Cinco mandados ainda estão em aberto. Duas pessoas foram presas em flagrante em Minas Gerais e Santa Catarina. As investigações, que começaram em Pernambuco em fevereiro de 2011, desarticularam parte de uma quadrilha que atuava traficando aves silvestres e exóticas.” – texto da matéria “Operação da PF desarticula quadrilha internacional de tráfico de aves”, publicada em 2 de abril de 2012 pelo portal G1

Foto: Divulgação Polícia Federal

Lendo algumas matérias publicadas sobre a operação da PF, dois números chamaram a atenção:

“No decorrer das investigações, mais de doze mil aves contrabandeadas pelas quadrilhas foram apreendidas em rodovias e aeroportos de diversos estados.” – texto de divulgação da própria Polícia Federal

‘"A operação visa reprimir o contrabando desses animais, mais precisamente canários, da Venezuela e Peru, que eram distribuídos no país para fomentar a prática de rinha. Conseguimos atuar para reprimir esse tipo de crime no país. A gente estima que, só no ano passado, a quadrilha poderia ter traficado até 60 mil animais por ano", falou Marlon Jefferson de Almeida, superintendente da PF em Pernambuco.’ – texto do portal G1

Resumindo: 12 mil canários apreendidos desde o final de 2010, quando começaram as investigações, e 60 mil canários podem ter sido traficados por ano. Quer saber se isso dá lucro?

Veja:

“De acordo com a Polícia Federal, as aves são adquiridas por valores entre R$12 e R$ 15. No mercado clandestino dos atacadistas, os valores vão de R$130 a R$ 220. Por fim, alcançam o mercado interno, onde são negociados por revendedores locais a preços que de R$ 200 a R$ 300.” - texto da matéria “Operação da PF contra tráfico de aves prende policial aposentado em MS”, publicada em 2 de abril de 2012 pelo site Campo Grande News

Para os responsáveis por colocar os canários em rinhas, caso a ave se destacasse e fosse vitoriosa, o sujeito chegava a ganhar até R$ 50 mil de apostas. Um pássaro com esse potencial de lucro poderia ser negociado (vendido) por até R$ 100 mil.

“Segundo a PF, nas rinhas os canários são avaliados de acordo com a habilidade apresentada, podendo ser negociados a R$ 100 mil . As apostas também alcançavam vultosas quantias, com valores que chegavam a R$ 50 mil.” – texto da matéria “Polícia Federal prende suspeitos de tráfico de pássaros em Minas e outros nove estados”, publicada em 2 de abril de 2012 pelo site do jornal Estado de Minas

Canários peruanos
Foto: Simão Nogueira

Rotas
“Os canários vinham, principalmente do Peru e da Venezuela, por duas rotas internacionais distintas. Na primeira, os pássaros seguiam pela Bolívia e entravam no Brasil pela cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, onde um policial civil facilitava a entrada. De lá, eram transportadas até São Paulo, onde eram encaminhadas para os principais centro distribuidores, como Minas Gerais e Distrito Federal. Na segunda rota, as aves entravam pela fronteira do Amazonas e Roraima e seguiam até o Ceará, onde eram distribuídas.” – texto da matéria do portal G1

Na rota que passava por Corumbá, um policial civil aposentado foi preso acusado de estar envolvido no tráfico.

“A Operação Estalo, deflagrada hoje pela PF (Polícia Federal), prendeu um policial civil aposentado em Corumbá. Ele, que não teve o nome divulgado, usava a condição de policial para fazer a travessia das aves na fronteira com a Bolívia. O acusado chegava a receber R$ 3 mil por carregamento.

De acordo com o delegado da PF, Alexandre Nascimento, o preso prestou depoimento e foi transferido para Campo Grande. Ele negou as acusações. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão em sua casa, mas nada foi encontrado.”
– texto do site Campo Grande News

Esquema
“Para legalizar as aves que entram de forma ilegal no Brasil, os suspeitos fraudavam sistemas federais de controle, com falsificações e adulterações de marcações, conhecidas como anilhas.

Dentre os envolvidos, ao menos oito possuem cadastro como criadores amadoristas, alguns com licença cancelada pelo Ibama. Também foi identificada a utilização de documentos judiciais e administrativos, como autos de depósito e termos de nomeação de fiel depositário, para camuflar as aves mantidas nos planteis clandestinos.

Boletins de ocorrência policial também foram utilizados para justificar a comercialização irregular das aves pelos criadores amadoristas cadastrados.”
– texto do site Campo Grande News

A PF ainda informou que de cada 700 aves transportadas pela quadrilha, cerca de 150 morriam.

Polícia Federal, eu quero mais!

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa do Campo Grande News
- Leia a matéria completa do Estado de Minas
Releia, do Fauna News:
- “No tráfico de animais, o Brasil também atua como receptador”, de 5 de maio de 2011
- “Canários peruanos: o absurdo continua”, de 19 de maio de 2011
- “Depois dos 517 papagaios, agora é a vez dos 1.870 canários: descaso do poder público”, de 17 de janeiro de 2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Anilhas: taí algo que se mexer fede

Em operações de combate ao tráfico de fauna do Ibama ou das polícias, às vezes, há o encontro anilhas (aqueles anéis de identificação que ficam nas pernas das aves) falsificadas. A intenção dos criminosos é “esquentar” o animal, isto é, fazer com que o bicho capturado na natureza seja considerado nascido em cativeiro. Mas esse artifício dos criminosos não é tão incomum como parece.

“Um criador de pássaros foi preso em Taboão da Serra pela Polícia Federal na última sexta-feira, dia 20, acusado de falsificar anilhas de identificação de pássaros com a sigla do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e por maus tratos aos animais.
Trinca-ferro com anilha apreendido em Taboão da Serra (SP)
Foto: Divulgação / Polícia Federal

A ação da Polícia Federal em parceria com o Ibama aconteceu devido a suspeitas da falsificação durante a última fiscalização feita pelo órgão ambientalista. A tática do criador era identificar com anilhas falsas animais ameaçados de extinção como nascidos em cativeiro e não em ambiente silvestre, como era a real origem dos pássaros.” - texto da matéria “Homem é preso por falsificar identificação de pássaros silvestres”, publicada em 24 de janeiro de 2012 pelo Portal O Taboanense

A prisão ocorrida nesse município da Região Metropolitana de São Paulo não deveria ser um fato tão incomum. Pelo contrário, deveria ser rotineiro. Afinal, não é de hoje que os fiscais do Ibama e as polícias sabem que anilhas são falsificadas e comercializadas no mercado negro de animais silvestres, principalmente em criadouros legalizados pelo Ibama e que são pouco fiscalizados.

No caso de Taboão da Serra, além do crime de “falsificação de selo público”, o criador também responderá por maus tratos.

“Foram apreendidas nove aves, um pintassilgo, três galos-da-campina, quatro trinca-ferros e um azulão que está ameaçado de extinção, todos os pássaros foram encaminhados ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres (Cras). Durante a atuação também foram identificados sinais de maus tratos aos animais e más condições de higiene.” - texto de O Taboanense

Em 31 de agosto de 2011, publiquei “359 vítimas do tráfico de animais”. Nesse post abordei um caso parecido, resultante de uma operação nos estados de São Paulo e Minas Grais que prendeu duas pessoas e apreendeu 358 aves e um filhote de jiboia.

Pássaro apreendido com anilha falsa em agosto de 2011
Foto: Divulgação / Polícia Federal

“As investigações tiveram início há alguns meses quando a PF teve conhecimento de que o grupo investigado estava capturando irregularmente grande quantidade de animais silvestres nas matas localizadas na região de Jales e outros municípios do estado de São Paulo. O objetivo do grupo era comercializar ilicitamente tais animais. Além disso, para conferir um aspecto de legalidade ao transporte, posse e comércio de pássaros, as quadrilhas falsificavam ou adulteravam as anilhas fornecidas pelo Ibama, o que configura o crime de falsificação de selo ou sinal público. (...)” – texto publicado no post “359 vítimas do tráfico de animais”

- Leia a matéria do Portal O Taboanense
- Leia a matéria de divulgação da Polícia Federal
- Releia “359 vítimas do tráfico de animais”, post publicado em 31 de agosto de 2011