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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

400 silvestres mortos: eles eram apenas mercadorias em um sistema cruel

A morte de centenas de animais silvestres ocorrida na África do Sul aparentemente não é tráfico de animais. Mas o Fauna News tem o dever de comentar o ocorrido:

“Cerca de 400 espécimes de répteis e anfíbios, muitos deles ameaçados na natureza, foram encontrados mortos em dois caixotes em um aeroporto de Johanesburgo, na África do Sul, vítimas de desidratação e desnutrição.

Tratados apenas como mercadorias
Foto: AP

Eles eram parte de um carregamento de mais de 1,6 mil animais vindos de um país vizinho, Masagascar, que seguia para lojas de animais exóticos nos Estados Unidos.

Os animais, encontrados no Aeroporto Internacional OR Tambo de Johanesburgo, passaram ao menos cinco dias sem água ou comida, segundo relatos. Os aproximadamente 1,2 mil animais sobreviventes estão sendo tratados no zoológico da cidade.

Acredita-se que a empresa responsável pelo transporte dos animais possuía as licenças corretas para exportação, mas ativistas e o governo sul-africano analisam a possibilidade de processá-la por maus-tratos.”
– texto da matéria “Anfíbios e répteis ameaçados são achados mortos em aeroporto sul-africano”, publicada em 1 de janeiro de 204 pelo site da BBC Brasil

O provável motivo das mortes apontado na matéria foi o atraso na conexão do voo rumo aos EUA, por causa do mau tempo no território americano.

O Fauna News discorda dessa explicação! A morte foi ocasionada porque a empresa despachos os bichos e não acompanhou a carga. Afinal, era apenas mais uma.

Esse descaso com a vida e o bem estar dos animais fica escrachado na forma como eles eram “acondicionados”:

“Os animais, de pelo menos 30 espécies diferentes de sapos, camaleões, lagartos e lagartixas, haviam sido colocados em dois caixotes de cerca de meio metro, um sobre o outro.

Alguns animais também foram colocados dentro de pequenos tubos plásticos.

O espaço era tão insuficiente para os animais que eles mal podiam se mover, segundo a imprensa local.”
– texto da BBC Brasil

Esse tipo de trato com a vida animal no comércio internacional parece ser muito comum:

“Gardener (Brett Gardener, veterinário do zoológico da cidade) diz que é normal que haja perdas durante o transporte de longa distância de animais, mas o número tão grande de mortes neste caso provavelmente se deve ao atraso na conexão do voo rumo aos EUA.

"Os caixotes (com animais) chegaram na terça-feira de manhã e deveriam ter embarcado em um voo na mesma noite. O voo atrasou muito por conta do mau tempo (na América do Norte) e fracassaram tentativas de transportar os animais em outros voos", diz ele.”
– texto da BBC Brasil

Que dizer que a morte de animais é normal? E, mesmo assim, esse comércio é permitido. Descaso com a vida.

A situação torna-se mais patética por saberem que havia animais na “carga” que não embarcou como planejado e ninguém se preocupou com a alimentação e a hidratação dos mesmos.

Não é justo que somente a empresa responsável pela remessa dos animais seja punida pela crueldade. Todo o sistema mostrou-se cruel.

Tudo errado.

- Leia a matéria completa da BBC Brasil

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Estradas contra anfíbios

“Rãs, tritões, sapos, salamandras. Estes e outros vertebrados ovíparos da mesma família zoológica têm duas coisas em comum: seus filhotes nascem na água respirando por brânquias, e os adultos vivem na terra e a água, respirando pela pele e pelos pulmões. Todos estão ameaçados e sua população corre o sério risco de diminuir dramaticamente se alguns comportamentos humanos não mudarem.

O WWF (World Wildlife Fund) identificou as ameaças para os anfíbios que são, basicamente: destruição e alteração de habitat, poluição, atropelos, doenças, espécies exóticas invasoras e mudança climática.”
– texto da matéria “O princípio do fim dos anfíbios”, publicada pelo site da revista Info em 20 de novembro de 2013

Placa em rodovia de Portrugal
Foto: Jorge Nunes

De acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), cerca de 475 milhões de animais silvestres morrem atropelados todos os anos em estradas e rodovias brasileiras. O coordenador do Centro, Alex Bager, informa que os pequenos animais (anfíbios, répteis, aves e pequenos mamíferos) são a maioria das vítimas.

Os atropelamentos de animais silvestres normalmente chamam a atenção quando as vítimas são grandes mamíferos, como onças, lobos-guarás, capivaras e tamanduás, por exemplo. De acordo com o Banco de Dados Brasileiro de Atropelamentos de Fauna Selvagem do CBEE, 8% das vítimas são anfíbios.

‘"Algumas vezes, uma lagoa fica ao lado de uma estrada e, quando os anfíbios tentam atravessá-la para se reproduzir, ficam presos entre as rodas dos carros. É necessário respeitar as áreas deles ao planejar infraestruturas e, nas já existentes, implantar medidas de correção eficazes, como cercas e passagens subterrâneas para que estes animais possam se movimentar sem perigo", comenta a especialista de WWF. (Gema Rodríguez, do programa de Biodiversidade de WWF Espanha – observação do Fauna News)’ – texto da Info

Infelizmente, como afirmou a especialista, o poder público ainda tem grandes deficiências no planejamento de estradas.

‘“O licenciamento, tanto de rodovias em implantação quanto já operantes, ainda é frágil nas exigências de informações sobre esse tema. E isso ocorre tanto no tipo de informação requerida dos empreendedores quanto na qualidade da mesma”, afirma o biólogo Andreas Kindel, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coautor do Conecte – Guia de Procedimentos para Mitigação de Impactos de Rodovias sobre a Fauna. A obra, publicada na internet (www.lauxen.net/conecte), é uma síntese do atual conhecimento sobre os impactos na fauna e sobre como reduzir danos causados.’ – texto da matéria “Massacre nas estradas”, publicada na edição de maio de 2013 da revista Terra da Gente

- Leia a matéria completa da revista Info
- Leia a matéria completa da revista Terra da Gente

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Lagartixas via Correios: da Ásia para a Bahia e Santa Catarina

“Um casal de lagartixas-leopardo foi apreendido em Florianópolis e enviado a um zoológico com Pomerode, no Vale do Itajaí. Nesta quarta-feira (19), elas estavam sob cuidados em uma quarentena e ainda não podem ser vistas pelo público. Não há previsão de quando os animais serão expostos.

As lagartixas-leopardo são cobiçadas por causa de sua bela aparência
Foto: Rafael Pagani

De acordo com o zoológico, os répteis foram interceptados pelos Correios. As lagartixas estavam sendo traficadas. Após serem encontrados, os animais foram deixados com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que depois enviou o casal ao zoológico.” – texto da matéria “Lagartixas-leopardo são apreendidas e enviadas a zoológico em SC”, publicada em 19 de junho de 2013 pelo portal G1

Os répteis, de origem asiáticas, foram despachados na Bahia e estava com um endereço de São José, na Grande Florianópolis. Casos como esse não são incomuns.

“Sábado, 16 de abril de 2011, 13 horas. Durante a preparação para entrega de Sedex, funcionários dos Correios de São José do Rio Preto (SP) percebem algo estranho em uma pequena caixa. Ao verificarem por raios-X o conteúdo da encomenda que acabara de chegar de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, eles encontraram um filhote de iguana. Inusitado, mas não incomum.

Iguana viajou 2,7 mil quilômetros até o interior paulista
Imagem: Reprodução TV TEM

(...)Deve-se lembrar que esse tipo de apreensão pelos Correios tem ocorrido com certa frequência. Só para reavivar a memória, em 27 de setembro de 2010, dois iguanas foram encontrados em uma caixa de Sedex na agência da Vila Maria (bairro paulistano) dos Correios, prontos para serem despachados para Belo Horizonte. Os répteis estavam enrolados em gaze e fita adesiva dos próprios Correios.”
– texto do post “Iguanas via Sedex: tá virando mania”, publicado em 18 de abril de 2011 pelo Fauna News

Répteis, anfíbios e invertebrados como insetos e aracnídeos são as principais vítimas desse meio de entrega de animais por traficantes de fauna. Vale destacar que muitos desses bichos são encomendados por sites.


Depois de perderem a liberdade e impossibilitados de cumprirem sua função ecológica (o que prejudica o ecossistema), as duas lagartixas-leopardo passarão o resto da vida em cativeiro.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Releia “Iguanas via Sedex: tá virando mania”, publicado em 18 de abril de 2011 pelo Fauna News