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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Minas Gerais 1: um dia é do caçador... em outro é da caça

Tudo bem que o dito popular é “um dia da caça, ouro do caçador”, mas a inversão no título do post é válida para a seguinte situação. Em 22 de janeiro de 2014, o Fauna News publicou o texto “Competência e dependência: o caso dos papagaios-boiadeiros de MG”, em que foi comentada a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirma sentença que concede a guarda de dois papagaios-boiadeiros (também conhecidos como papagaios-verdadeiros) a um casal de Uberaba, que não tinha autorização do Ibama para manter os animais na época da apreensão.

‘A decisão, segundo ele (desembargador Renato Martins Jacob – comentário do Fauna News), se deu após a comprovação de que, há mais de duas décadas em cativeiro, as aves recebem cuidados constantes em um ambiente higienizado e com farta alimentação e água. Na sentença, descreveu ainda que “a Polícia Militar Ambiental constatou que as aves se encontram com alto grau de domesticação, sem condições de serem reintegradas novamente à natureza, devido à grande dependência dos donos”.’ – texto da matéria “Justiça concede guarda de papagaios-boiadeiro a casal”, publicada em 21 de janeiro de 2014 pelo site do Jornal de Uberaba (MG)

Esse foi o dia do caçador!


Agora, o dia da caça...

“A Advocacia-Geral da União (AGU) comprovou, na Justiça, a validade do auto de infração emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pela manutenção de 17 pássaros da fauna silvestre sem autorização do órgão ambiental. A multa para o criador ilegal é de R$ 17.500,00.

O criador tentou afastar o pagamento da multa, alegando que o ato da autarquia foi ilegal. De acordo com ele, Decreto nº 3.179/1999 prevê a possibilidade de converter a penalidade em advertência em caso de irregularidades sanáveis.

(...) Os procuradores sustentaram que matar, perseguir, caçar, apanhar, coletar, utilizar espécimes da fauna silvestre configuram infrações ambientais e estão em desacordo com a licença do artigo 24 do Decreto nº 6.514/08, que permite a criação amadora de pássaros.

As unidades da AGU também alertaram que dentre os 17 pássaros silvestres que estavam em cativeiro sem autorização, dois são de espécies inseridos na lista de animais ameaçados de extinção. Esse ato, segundo os procuradores, afronta o exercício da atividade de criação amadora de pássaros da fauna silvestre brasileira.”
– texto da matéria “AGU assegura multa de R$ 17 mil por manutenção pássaros silvestres em cativeiro sem autorização ambiental”, publicada em 24 de janeiro de 2014 pelo site Âmbito Jurídico

São casos de naturezas bastante distintas de Minas Gerais, mas que serve para mostrar que atos de fiscalização, apesar de constantemente contestados, também ganham na Justiça. A vitória do Ibama também tem de ser divulgada, afinal a imprensa dá muito destaque quando o órgão federal perde.

- Leia a matéria do Âmbito Jurídico
- Leia a matéria do site do Jornal de Uberaba (MG)
- Releia o post do Fauna News “Competência e dependência: o caso dos papagaios-boiadeiros de MG”

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Tinha autorização para criar, mas preferiu a ilegalidade. Com certeza, não é o único

“Após denúncia anônima, uma equipe da Polícia Militar Ambiental de Maringá apreendeu cerca de 140 aves silvestres que estavam mantidas em cativeiro em uma casa no Jardim Esplanada, em Mandaguari (a 40 km de Maringá). A apreensão aconteceu na manhã de sexta-feira (24) durante a Operação Verão Paraná.

Animais sendo apreendidos no Paraná
Foto: Divulgação PM Ambiental Paraná

Segundo a PM, no local havia grande quantidade de pássaros silvestres com anilhas adulteradas (anéis de alumínio afixada na ave que serve como identificação). As aves eram mantidas em cativeiro, dentro de gaiolas que estavam espalhadas por diversos cômodos da casa. Entre as espécies encontradas pela polícia, Trinca Ferro, Azulão, Coleirinha, Sabiá, Pássaro Preto, Cardeal e Bico de Pimenta foram identificadas.

(...) Os militares identificaram que o detido é criador autorizado pelo Ibama, contudo, em razão das irregularidades detectadas, ele deverá ter sua licença cassada. Os animais serão avaliados por um médico veterinário e serão soltos em seu habitat natural ou encaminhados a um centro de tratamento de animais silvestres.”
– texto da matéria “Polícia Ambiental apreende 140 aves silvestres em Mandaguari”, publicada em 25 de janeiro de 2014 pelo site do jornal O Diário (Maringá – PR)

Os criadouros de fauna silvestre (conservacionistas, de pesquisa e comerciais ) e mantenedouros de fauna são, após a entrada em vigor da Lei Complementar 140 de 2011, deixaram de ser registrados e fiscalizados pelo Ibama e passaram a ser responsabilidade dos estados.  A histórica deficiência do órgão federal em acompanhar a atividade desses estabelecimentos permitiu que muitos se envolvessem com o tráfico de animais. Isso em todo o país.

Se fosse feita uma fiscalização séria nos criadouros e mantenedouros (alguns estados estão começando), as feiras do rolo das periferias e cidades do interior ficariam com inveja da quantidade de animais traficados que seriam apreendidos.

- Leia a matéria completa de O Diário

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Reflexão para o fim de semana: o fim do cativeiro em Araçatuba (SP)

“Um aposentado que criava pássaros há mais de 50 anos em Araçatuba (SP) decidiu soltar todas as aves. Dentre as espécies estavam caboclinho, papa-capim além de diversos canários da terra. A criação do ex-policial Joaquim de Oliveira Neto sempre foi variada. O aposentado se diz apaixonado por pássaros desde menino, se dedicando às aves a criação em cativeiro.

Caboclinho do ex-policial ganhou liberdade
Imagem: Reprodução TV Globo

Mas nos últimos meses, Joaquim resolveu tomar uma séria decisão, soltar os pássaros. “Depois de tanto eu ouvir falar em preservação e respeito aos animais, eu percebi que manter os passarinhos presos não era a melhor forma de demonstrar amor por eles”, relatou.”
– texto da matéria “Criador de pássaros de Araçatuba, SP, solta mais de trinta espécies” publicada em 11 de abril de 2012 pelo portal G1 reproduzindo uma matéria feita pela retransmissora da TV Globo na região

 Para os que desejam fazer o mesmo, leiam o final da matéria:

“Antes de serem soltos, os pássaros também passaram pela avaliação de um veterinário, que comprovou que todos estavam em condições para serem devolvidos à natureza. A criação de Joaquim era legalizada e se alguém se inspirar na história e resolver soltar pássaros, é necessário consultar a Polícia Ambiental.”

Espero, realmente, que a soltura tenha sido criteriosa.

Soltura de aves criadas em cativeiro, sem respeitar critérios técnicos e uma avaliação de especialistas, pode resultar na morte dos animais que não saber procurar alimento ou se defender de predadores. Além disso, esses bichos podem levar doenças para o meio ambiente e causar problemas para os demais animais.

A intenção é boa, mas tome os cuidados necessários.

- Leia a matéria do portal G1 (tem vídeo)