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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Trocando entorpecente por animais, mas ainda assim traficantes

“O tráfico ilegal de espécies ameaçadas passou a utilizar as mesmas rotas do tráfico de drogas para sair da América Latina rumo à Espanha, de acordo com autoridades do país europeu.

Segundo o capitão do Serviço de Proteção da Natureza da Guarda Civil da Espanha, Salvador Ortega, alguns narcotraficantes já alteraram seus negócios pelo mercado de animais exóticos, considerado muito mais lucrativo e menos arriscado.”
– texto da matéria “Tráfico de animais usa rota da droga na América Latina, dizem autoridades”, publicada em 1º de janeiro de 2014 pelo portal G1 com informações da agência EFE

Se a moda pegar e os traficantes de drogas migrarem em peso para o mercado negro de fauna, não vai sobrar bicho no planeta.

“Ainda de acordo com Ortega, a Espanha é um ponto importante para a entrada de espécies protegidas vindas da América Latina rumo a países da Europa. O tráfico ilegal de animais é "muito lucrativo" e a tendência é que não diminua, já que a infração é considerada leve (se comparada a do tráfico de drogas) e é mais lucrativo.

Transportar um pequeno ovo, por exemplo, não levanta suspeita. Mas dentro dele se esconde uma determinada espécie de papagaio que pode custar mais de 15 mil euros (cerca de R$ 48.700). Répteis e anfíbios, além de papagaios, são os animais mais traficados.”
– texto do portal G1

Traficante de ovos preso desembarcando em Portugal: 
um mercado crescente na Europa
Foto: Divulgação Ibama

Essa tendência de troca de “mercadorias” pelos traficantes, apesar de conhecida por muitas autoridades responsáveis pela fiscalização, ainda não tem a devida atenção do poder público. Seja no país que for, a legislação punitiva em geral é fraca, não há investimentos em ações perenes de educação ambiental para redução da compra dos animais pela população e a repressão permanece com um caráter incipiente.

Estima-se que o tráfico de animais movimente entre 10 bilhões e 20 bilhões por ano no mundo (dependendo da fonte consultada). A atividade criminosa é apontada como a 3ª mais lucrativa, atrás do tráfico de drogas e do comércio ilegal de armas.

O Brasil é responsável entre 5% e 15% de todo o tráfico de animais do mundo. Estimativa de 2001 da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) indica que cerca de 38 milhões de animais são retirados da natureza todos os anos no Brasil para abastecer esse mercado negro.

- Leia a matéria completa do portal G1

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Na luta contra a cracolândia da fauna silvestre

Guardadas as devidas proporções, o comércio escancarado de animais silvestres na feira livre de Duque de Caixas, no estado do Rio de Janeiro, é muito similar ao escandaloso comércio de drogas na região da Luz da cidade de São Paulo, a cracolândia. Em ambos os locais, o tráfico (de animais ou de entorpecente) escancara para a sociedade a incompetência do poder público em lidar com o problema.

Sem educação ambiental e repressão competente, a venda de animais silvestres instalou-se há anos na tradicional feira fluminense.

Filhote de gavião carcará apreendido em 15 de janeiro de 2012 na feira livre de Duque de Caxias
Foto: Márcio Leandro

Sem uma política de prevenção ao uso de drogas e repressão competentes, a venda e o consumo de crack instalaram-se há anos na mais famosa cracolândia paulistana – afinal, não é a única!

Janeiro de 2012: Cracolândia, na região central de São Paulo
Foto: Nelson Antoine/Fotoarena

Assim como na cidade de São Paulo, onde o governo do Estado e a prefeitura se mobilizaram desde 3 de janeiro de 2012 para acabar com aquele cenário deprimente de seres humanos doentes e esquecidos, algo parecido começa a ser feito em Duque de Caxias:

“Rio - Apontada como maior centro de comércio ilegal de animais silvestres a céu aberto do País, a feira livre de Duque de Caxias, no bairro 25 de Agosto, vai, finalmente, ganhar um posto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O objetivo é fechar o cerco aos traficantes, inclusive internacionais, que, aos domingos, negociam animais da fauna brasileira, muitos em risco de extinção.

A força-tarefa envolve outros órgãos ambientais, municipais e estaduais, como o Batalhão de Polícia Florestal (BPFMA), a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).”
– texto da matéria “Polícia, prefeitura e estado montam força-tarefa para controlar feira de Caxias”, publicado em 22 de janeiro de 2012 pelo jornal O Dia

Fiscais do Ibama na Feira de Duque de Caxias
Foto: Márcio Leandro

Da mesma forma como a ação na cracolândia foi marcada, inicialmente, pela dura ação policial, a repressão se fará presente em Duque de Caxias.

Janeiro de 2012: grávida na/da Cracolândia
Foto: Apu Gomes/Folhapress

Da mesma forma que se exige, na cracolândia, ações de resgate social e da área de saúde, espera-se que, em algum momento, o poder público atue na conscientização da população sobre os perigos à saúde humana e sobre os males aos ecossistemas envolvidos na compra de animais silvestres de traficantes.

Ou, como está acontecendo na cidade de São Paulo, a cracolândia da fauna silvestre de Duque de Caxias só vai mudar de endereço...

- Leia a matéria completa do jornal O Dia
- Leia a matéria da prefeitura de Duque de Caxias