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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A falta de estrutura para atender animais no pós-apreensão

Um dos grandes problemas da estrutura de combate ao tráfico de fauna e da gestão de fauna no Brasil é a completa ausência de atendimento especializado aos animais nos primeiros momentos do pós-apreensão. Ainda nas mãos dos policiais ou fiscais do Ibama enquanto a ocorrência é registrada em alguma delegacia, os bichos passam horas expostos a condições estressantes e ambientes inadequados. Justamente quando estão mais vulneráveis.

Um exemplo:

Isso está certo?
Foto: Divulgação/CIPRAMA TO

“Dois homens foram presos em flagrante neste domingo (2) carregando um jabuti e um pato. Os animais silvestres estavam dentro de um carro junto com os suspeitos, Reinaldo Luiz Valadão, de 34 anos e Lindovando Costa de Sousa, de 30 anos. O flagrante aconteceu em uma estrada vicinal, que liga o setor Barros e o povoado Pilões, em Araguaína, norte do Tocantins.

O pato estava ferido. Segundo a Companhia Independente de Polícia Rodoviária e Ambiental (CIPRA), o animal tinha sido baleado por um dos suspeitos. Junto com eles, também foram apreendidos arma de fogo, crack, duas habilitações de pessoas desconhecidas e uma faca.

Segundo agentes da CIPRA, no primeiro momento, os suspeitos alegaram que iriam cuidar do pato, que teria sido encontrado ferido. Depois um deles confessou que tinha atirado no pato. Os animais foram conduzidos para o 2º pelotão da CIPRA em Araguaína, onde estão sendo tratados por veterinários.”
– texto da matéria “Homens são presos transportando um jabuti e um pato baleado”, publicada em 3 de fevereiro de 2014 pelo portal G1

Na foto fica claro a falta de cuidado e respeito com os animais apreendidos. É necessário manter o jabuti de lado e o pato, baleado, amarrado dessa forma? E ainda, no chão?

O poder público, principalmente a Polícia Ambiental, o Ibama e as secretarias de Meio Ambiente de estados e municípios, deveriam se coordenar para manter equipes de veterinários e biólogos que atenderiam os bichos assim que fossem apreendidos. Imediatamente.

De acordo com Marcelo Pavlenco Rocha, presidente da SOS Fauna, ONG paulista especializada no combate ao tráfico de fauna, recuperação de animais para soltura e atendimento emergencial em apreensões, a quantidade de animais que morrem logo após a apreensão pode ser muito grande dependendo da espécie envolvida. Bem maior até que a mortandade durante o período de transporte em poder dos traficantes.

- Leia a matéria completa do G1

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Logo após a apreensão, o cuidado com os animais deve ser redobrado. Mas cadê a infraestrutura?

O presidente da ONG SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha, e a diretora executiva da ONG Freeland Brasil, Juliana Machado Ferreira, são categóricos ao afirmar que a maior mortandade de animais silvestres vítimas do tráfico de fauna ocorre imediatamente após a apreensão. Os dirigentes das duas entidades, especializadas no combate ao mercado negro de fauna, afirmam que a falta de capacitação dos profissionais envolvidos nas apreensões bem como de infraestrutura para um possível atendimento adequado aos animais são responsáveis pelo elevado número de mortes.

“A Polícia Civil de Brumado apreendeu, por volta das 7h desta terça-feira, 13 pássaros silvestres mantidos em cativeiro em Brumado, no sudoeste baiano. O responsável pelas aves, um representante comercial de 55 anos, foi preso em flagrante.” – texto da matéria “vc repórter: polícia apreende pássaros silvestres em Brumado, na BA”, publicada em 18 de junho de 2013 pelo portal Terra

Num canto qualquer da delegacia
Foto: Wilker Porto/vc repórter

Será que os policiais civis sabem cuidar das aves? Eles sabem identificar se elas precisam de alguma atenção imediata?

Será que esses policiais receberam assessoramento de algum profissional especializado para avaliar e suprir as necessidades dos animais nesse primeiro momento?

Provavelmente não.

Os problemas enfrentados pelos animais e os policiais que realizaram a apreensão são mais amplos.

“Cardeais, papagaios e canários estão entre os pássaros apreendidos. Eles permanecem na delegacia da cidade até a manhã de quarta-feira, quando serão levados para o Ibama de Vitória da Conquista, cidade distante 140 km de Brumado.” – texto do portal Terra

Será que a delegacia tem algum lugar adequado para manter os animais até a manhã seguinte?

Será que os policiais vão cuidar adequadamente dos animais durante tantas horas?

Será que o transporte desses animais até Vitória da Conquista será adequado? Ou será que as gaiolas vão ser colocadas em uma caçamba de caminhonete durante esses 140 km?

É durante esse período que, dependendo da espécie envolvida e o estado geral dos animais, as mortes acontecem. Os órgãos de fiscalização do poder público ainda não contam com infraestrutura adequada para realizar apreensões tecnicamente adequadas, reduzindo os riscos aos bichos envolvidos.

Alguém conhece uma realidade diferente?

- Leia a matéria completa do portal Terra

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Começar a semana pensando...

...sobre pós-apreensão de animais silvestres traficados com o comandante da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, coronel Milton Sussumu Nomura.
Foto: Divulgação SMA
“Essa ação de controle, ela não termina com uma rápida, com uma imediata resposta da polícia quando acionada. Existe todo um trabalho que vem depois e que tem de ser também trabalhado de forma muito célere. Os processos que se seguem pós-apreensão. Que é o adequado tratamento, que é a adequada destinação desses animais , uma eventual reintrodução, uma eventual repatriação desses animais”.

Coronel Milton Sussumu Nomura, durante entrevista no programa 
Ambiente Legal da TV Êxito, em 24 de maio de 2013

Assista à matéria completa:

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Cuidados no pós-apreensão: atenção que não existe com os animais

“A Polícia Militar Ambiental de Bebedouro (SP) apreendeu na tarde desta terça-feira (16) 21 aves silvestres mantidas em cativeiro na casa de um morador do município. A ocorrência foi registrada durante patrulhamento rural. Os animais foram encontrados em gaiolas de arame e madeira. O suspeito confessou à polícia que não tinha autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para criar as aves em casa.” – texto da matéria “Polícia Ambiental apreende animais silvestres em cativeiro em Bebedouro”, publicada em 16 de abril de 2013 pelo portal G1

A notícia poderia ser apenas mais uma, afinal apreensões de animais ocorrerm diariamente no Brasil. Mas ela não passou despercebida por causa da foto.

Gaiolas com animais amontoadas na caçamba
Foto: Divulgação PM Ambiental SP

Essa é realmente a forma correta de transportar as aves? Alguém pensou no estresse ou no risco de algo bater nos animais durante o trajeto? Será que alguém verificou as condições de saúde e hidratação das aves ainda no local da apreensão?

Quando as apreensões envolvem animais durante o transporte por traficantes, a situação é ainda mais grave pela saúde fragilizada dos animais. É exatamente no pós-apreensão em que há altos índices de mortandade.

Essa falta de cuidado ocorre em todos os órgãos de fiscalização brasileiros. Não é exclusividade da Polícia Militar Ambiental de São Paulo. Se alguém souber de alguma instituição do poder público que tenha infraestrutura para atender, imediatamente após a apreensão, os animais, com gente capacitada e bem equipada, por favor informe o Fauna News. Queremos conhecer e divulgar.

- Leia a matéria completa do portal G1

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cidadãos fazem o que o poder público não faz

Que a gestão da fauna silvestre brasileira é extremamente falha, isso ninguém precisa falar. Um dos aspectos sem atenção do Estado que envolve o tráfico de animais é o atendimento pós-apreensão, nas primeiras 24 horas, quando os animais ainda estão com os agentes de fiscalização e não foram encaminhados para centros de tratamento e reabilitação (outro abandono dos governantes).

Mas, se a sociedade for esperar que os gestores públicos se mexam, nada vai acontecer. A máquina da administração pública funciona por demandas e pressões sociais, vindas das comunidades e de seus representantes. Enquanto a pressão não é feita ou não causa efeitos, é necessário também que os cidadãos assumam seu papel de protagonistas e ajam.

É o que estão fazendo a bióloga e professora Daniela Lima e o médico veterinário pós-graduado em atendimento clínico de animais silvestres Igor Magno.

“Ela e o médico veterinário pós-graduado em atendimento clínico de animais silvestres Igor Magno, 30 anos, pretendem buscar formas de viabilizar um projeto independente para a criação de um grupo de resgate para prestar atendimento emergencial a essas espécies. “Hoje não tem quem faça isso em Joinville, o Zoobotânico está em reforma e não tem condições de receber os animais, tanto que a Polícia Ambiental leva eles para a clínica. Não é uma critica ao poder público. Só decidimos fazer algo”, explica Daniela.

Igor Magno: com a bióloga Daniela, ele quer criar grupo de resgate
Foto: ND Joinville

Enquanto a proposta de tratar todos os animais silvestres debilitados que aparecerem na região e depois reencaminhá-los para os Cras (Centros de Reabilitação de Animais Silvestres) não sai do papel, o hospital veterinário (Cia. Bichos Hospital Veterinário) atende e trata casos graves descobertos pela polícia e pela comunidade.”
– texto da matéria “Veterinário e bióloga se unem à comunidade para tratar animais silvestres, em Joinville”, publicada em 24 de julho de 2012 pelo site catarinense ND Joinville

Outra ONG faz esse trabalho de atendimento imediatamente após a apreensão. É a SOS Fauna, de Juquitiba (SP). Segundo seu presidente, Marcelo Pavlenco Rocha, o número de óbitos pode ser muito grande quando os animais não recebem a atenção necessária nesse momento.

Marcelo Pavlenco Rocha, presidente da SOS Fauna
Foto: Arquivo pessoal

“O transporte deve ser feito de maneira a diminuir ao máximo o nível de estresse dos animais, e os tratamentos e cuidados especiais, como alimentação, medicação e melhoria das condições de higiene devem ser adequadas para cada espécie e também a cada situação; (...)

O manejo sem preparo técnico, sem conhecimento e a falta de urgência no atendimento podem ocasionar óbitos em massa, motivo pelo qual muitas vezes a SOS FAUNA é chamada pelas autoridades policiais para prestar os primeiros socorros e providenciar o encaminhamento da fauna resgatada em apreensões nas quais não teve participação direta. Uma das principais causas de óbitos no pós-apreensão se deve ao fato da ausência de primeiros socorros nestas situações, face à falta de conhecimento em relação ao problema.”
– texto do site da SOS Fauna

Cidadania não é só exigir seus direitos e cumprir seus deveres, é também fazer para mudar. É atuar de forma positiva para a construção de uma sociedade realmente justa e sustentável.

- Leia a matéria completa do ND Joinville
- Conheça a SOS Fauna