sexta-feira, 29 de junho de 2012

Reflexão para o fim de semana: lugar de golfinho é no mar, não em tanques

A novidade está na Agência de Notícia de Direitos Animais (ANDA):

“A Coréia do Sul irá proibir a captura de golfinhos nos Oceanos Índico e Pacífico para uso em shows, designando-os como mamíferos protegidos, conforme anunciado pelo Ministério dos Assuntos Marítimos nesta terça-feira (26). As informações são da Global Animal.

Manter golfinhos em cativeiro: diversão para quem?
Foto: Sara Pinheiro

Um projeto de lei também pretende enquadrar neste grupo as tartarugas marinhas e os cavalos-marinhos, segundo o Ministério.”
– texto da matéria “Coréia do Sul proibirá caça de golfinhos para shows”, publicada em 28 de junho de 2012

A situação desses golfinhos tem pontos em comum com a de animais em circos. Hoje, já há grande mobilização de setores da sociedade se manifestando contra o uso de bichos em espetáculos de entretenimento.

Mas como nem tudo é perfeito, a Coréia do Sul continuará a autorizar a caça dos golfinhos para pesquisas.

“Os golfinhos são amplamente utilizados para shows na Coréia do Sul. Mas o Zoológico principal de Seul, em março, concordou em suspender as exibições após reivindicações de ativistas e a acusação de que um dos golfinhos teria sido capturado ‘ilegalmente’.” – texto da ANDA

Bonito é assim, não em tanques de espetáculo
Foto: Foto.fot.br

O caso poderia servir de exemplo para o restante do mundo.

- Leia a matéria completa da ANDA

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Parintins (AM) – parte 2: Ibama, não esqueça dos animais silvestres criados como pets

Ontem,  o Fauna News publicou “Repressão e conscientização pelo fim do comércio de penas em Parintins (AM)”, em que comentou o início da ação de agentes do Ibama para coibir o comércio e o uso de penas de aves silvestres durante o festival folclórico que acontece no município no final de junho. O órgão federal também realizará a campanha de conscientização “Não tire as penas da vida”.

Mas o trabalho dos agentes do Ibama não pode, por favor, ficar restrito às penas. Veja o porquê:

“Iguanas caminhando na calçada de um bar e até um macaco, no ombro do dono, andando de motocicleta são algumas das cenas curiosas que chamam atenção de quem chega ao Município de Parintins ( a 325 quilômetros de Manaus).

Júlio e Kiko: péssimo exemplo
Foto: Odair Leal

(...) Já o macaco Kiko, da espécie Zog- zog, é um dos animais mais fotografados da ilha. O macaco é o mascote inseparável do motociclista, Júlio César da Silva, 42, que há três anos adotou o animal depois de encontrá-lo, ainda filhote, em uma praia próxima ao município. O motociclista conta que há nove anos deixou os filhos na Paraíba, sua terra natal, para morar em Parintins e considera o macaco um filho.” – texto da matéria “Animais silvestres se tornam atrações turísticas nas ruas da Ilha de Parintins (AM)”, publicada em 25 de junho de 2012 pelo jornal A Crítica

Será que o senhor Júlio tem autorização do Ibama para criar o primata? Se não a tem, porque nada foi feito nesses três anos?


Em compensação, o exemplo do senhor Júlio e do macaco Kiko, apontado pela imprensa ignorante e acrítica como um caso curioso e de bela amizade entre homem e animal, cruza o Brasil. Péssimo exemplo.

“Para onde Júlio vai o macaco Kiko o acompanha. “Quando eu pego a chave da moto ele reconhece o barulho e já corre para o meu ombro porque sabe que eu vou sair. Sempre que vou para a rua ele me acompanha”, disse.

Ele não se incomoda do macaco ser considerado celebridade. “A foto dele está espalhada pelo Brasil inteiro. Todo mundo que chega a ilha quer registrar o momento. Ele é manso e todos querem chegar perto dele”, disse.”
– texto de A Crítica

- Leia a matéria de A Crítica
- Releia “Repressão e conscientização pelo fim do comércio de penas em Parintins (AM)”, publicado pelo Fauna News em 27 de junho de 2012

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Repressão e conscientização pelo fim do comércio de penas em Parintins (AM)

“O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), chegou a Parintins na manhã desta segunda-feira (25) e se prepara para dar início às vistorias para combater o comércio ilegal de penas, pescados e caça de animais silvestres. De acordo com a analista ambiental, Natalia Lima, o órgão atuará nas casas, comércios, porto e no galpão dos bois Garantido e Caprichoso.  A operação é comandada pelo fiscal Genivaldo Lima.” – texto da matéria Ibama inicia fiscalizações em Parintins (AM), publicada pelo jornal A Crítica em 25 de junho de 2012

Se os agentes do Ibama vão nos galpões e no comércio é porque eles têm informações de que há a venda de penas de aves silvestres na região.  Em festas como Carnaval e o festival de Parintins (realizado no último final de semana de junho e que atrai cerca de 100 mil turistas) o uso de fantasias é grande e há uma forte demanda por materiais. Mas a manifestação cultural não pode justificar a caça de animais para utilização de suas partes.

Uma das preocupações do Ibama é o uso de penas de aves nativas em fantasias
Foto: Alexandre Fonseca

Hoje já existem no mercado alternativas sintéticas que dão o mesmo efeito das penas naturais.

A ação do Ibama chama a atenção também por não se restringir à fiscalização/repressão.

‘“Viemos com uma equipe de cinco pessoas de Manaus para fiscalizar várias áreas da Cidade. Além disso, contaremos com o efetivo que trabalha na sede de Parintins para intensificar as ações de conscientização. Nosso foco será trabalhar com a campanha ‘Não tire as penas da vida ’ e tentar atingir não somente os moradores, mas também os turistas, para que não comprem adereços com parte de animais e alimentem  o comércio ilegal”, disse Natalia (fiscal do Ibama).’ – texto de A Crítica

Cartaz da campanha

Parabéns Ibama pela iniciativa. Repressão sem conscientização é ineficaz.

 

- Leia a matéria completa de A Crítica

terça-feira, 26 de junho de 2012

Filhote de tamanduá atropelado sobrevive: que sorte e que azar

Ontem, o Fauna News publicou um vídeo de um bicho-preguiça atravessando uma rodovia no Espírito Santo. O animal teve sorte ao cruzar o caminho de motoristas atentos que conseguiram parar seus veículos e, pacientemente, aguardaram a lenta travessia. Caso raro!

Encontrei outro caso raro:

“Um filhote de tamanduá-bandeira de cerca de 4 meses foi resgatado em uma estrada na cidade de Sacramento, no Alto Paranaíba, sob o corpo da mãe morta, vítima de atropelamento. O veterinário Cláudio Yudi, do Hospital Veterinário de Uberaba, no Triângulo Mineiro, recebeu o filhote na última terça. Ele foi encontrado na noite de segunda-feira por uma pessoa que passava pela estrada e acionou a Polícia Militar de Meio Ambiente, que acionou a clínica. “Fiz os exames ontem e ele estava muito bem, andando. No começo estava um pouco arredio”, explica o veterinário. O filhote, um macho, foi alimentado com leite artificial enriquecido com vitamina K, presente nos insetos dos quais a espécie se alimenta.” – texto do jornal Estado de Minas, publicado em 20 de junho de 2012 (quarta-feia)

O pequeno sobrevivente
Foto: L. Adolfo/Futura Press

Que sorte teve esse filhote de, agarrado à mãe, nada sofreu com o atropelamento.

Que azar teve esse filhote que, sem a mãe para ensiná-lo a viver na natureza com autonomia, tem grandes chances de ficar o resto da vida no cativeiro. Não morreu fisicamente, mas está praticamente morto ecologicamente, já que não poderá cumprir suas funções no ecossistema em que vivia.

- Leia a matéria completa do Estado de Minas
- Assista ao vídeo do bicho-preguiça atravessando a rodovia no Espírito Santo

Será que ele volta à vida livre?
Foto: Cláudio Yudi

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Começar a semana pensando...

...na sorte do bicho-preguiça. O vídeo foi feito em 13 de dezembro de 2010 por Jefferson Rodrigues da Silva. Ele viajava de Vitória (ES) com destino a Castelo, no mesmo estado, quando encontrou o animal atravessando a BR 262.

O destino dessa preguiça foi diferente do de tantos outros animais que morrem atropelados por desconhecerem o perigo que representa as rodovias brasileiras, exemplos de falta de infraestrutura para redução de riscos à fauna silvestre.




Para atravessar uma rodovia, os bichos-preguiça tem de rastejar
Foto: Site Assembleia Legisltiva SP

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Reflexão para o fim de semana: tráfico de animais em Rondônia caiu 80%. Juro que queria acreditar

É de chamar a atenção:

“O crime ambiental de tráfico de animais silvestres não é comum no estado, segundo o superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) em Rondônia, Alberto Chaves Paraguassu. O mais frequente são denúncias de criações irregulares em residências. “Tivemos uma redução drástica no número de animais silvestres comercializados irregularmente, cerca de 80% nos últimos três anos. É muito mais frequente receber denúncias durante as fiscalizações de pessoas criando domesticamente esses animais. É mais uma questão cultural”, conta Alberto.” – texto da matéria “Tráfico de animais silvestres em RO caiu 80% em três anos, diz Ibama”, publicada em 21 de junho de 2012 pelo portal G1

Paraguassu, do Ibama: tráfico de animais caiu 80% em Rondônia
Foto: Rondonotícias

A matéria não aprofunda o que afirma e deixa margem para muitas dúvidas. Vamos lá...

- O superintendente do Ibama não explica como ocorreu essa diminuição do tráfico em Rondônia nesses três anos;

- Se tem gente com animais silvestres em cativeiro, duas hipóteses devem ser levantadas: ou os bichos ainda são os traficados há três anos, ou o superintendente do Ibama está sendo enganado pelos números (afinal, ele mesmo afirma ainda existir o hábito de manter bichos em cativeiro e, onde há demanda, há o tráfico).

Em outro trecho da matéria, há a seguinte informação:

“O superintendente também diz que o que caracteriza o crime de tráfico é a quantidade de animais em transporte para comercialização.”
Com esse método de qualificar o tráfico de animais é óbvio que há uma redução estatística. Senhor superintendente, quer dizer que aquele bando de gente que vende passarinhos e feiras por todo o país não são traficantes? Afinal, nesses locais, a maioria dos que vendem bichos não estão com grandes quantidades.
Teoria lamentável.

É hora do superintendente do Ibama de Rondônia rever seus critérios e refazer suas contas. Confesso não ter números da situação do tráfico de fauna naquele estado, mas creio não serem os apresentados pelo órgão ambiental federal.

- Leia a matéria completa do portal G1

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Papagaios do tráfico em Bezerros (PE). Cadê o exemplo, dona prefeita?

Já não causam escândalo as notícias do envolvimento de gestores públicos com corrupção e compra de votos (prática antiga e tradicional no interior do país). São parlamentares, prefeitos, governadores e presidentes da República, que deveriam ser um exemplo para o restante da sociedade e acabam envolvidos em denúncias de todo tipo.

Mas esse contexto é resultado da forma como votamos. Afinal, elegemos pessoas das nossas comunidades e o comportamento delas, muitas vezes, reflete o que acontece no cotidiano fora do ambiente político.

Veja o que está acontecendo com a prefeita de Bezerros (PE), Elizabete Maria Silva de Lima (PR), popularmente conhecida como Bete de Dael. Na página da prefeitura, está no perfil da prefeita:

“Hoje prefeita de Bezerros, cidade com um vasto potencial, ela conta com a sua experiência administrativa para que o município possa encontrar o norte do desenvolvimento sustentável.”

Bete de Dael: desenvolvimento sustentável com papagaios do tráfico
Foto: A Voz da Vitória

Desenvolvimento sustentável. São as duas últimas palavras do perfil de Bete de Dael, que é investigada de compra de votos pela Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral, o que motivou uma ação policial na casa da prefeita em 15 de junho de 2012.

“De acordo com o delegado Dário Sá Leitão, há algum tempo a polícia recebeu a informação de que a prefeita que vai disputar a reeleição em outubro estaria distribuindo cestas básicas e dinheiro a eleitores, o que configuraria compra de votos. "O Ministério Público Eleitoral solicitou investigação e recebemos a informação de que essa prática estaria acontecendo. Então, fizemos buscas na residência à procura de provas dessa prática criminosa", explicou. Segundo o delegado, foram apreendidas duas cestas básicas que estavam com populares nas imediações da casa da prefeita, pelo menos seis papéis assinados pela política autorizando a entrega de cestas básicas, além de um revólver e dois papagaios.” – texto do site NE10

Opa! Dois papagaios? Como assim? E o desenvolvimento sustentável?

Pois é. Assim como as promessas de uma gestão honesta, a busca pelo desenvolvimento social também já virou discurso vazio. Cuidado com o candidato que você escolhe nas eleições.

Bete de Dael, assim como a muitos brasileiros, ainda mantém o hábito de manter animais silvestres em cativeiro sem autorização. Os papagaios vieram do tráfico de animais. Não vai adiantar nada pensar em gestores públicos ambientalmente conscientes se a mudança não acontecer na base da sociedade. Afinal, é dessa base que saem os políticos que elegemos.

- Leia a matéria completa do site NE10
- Leia o perfil de Bete de Dael no site da prefeitura de Bezerros