terça-feira, 9 de outubro de 2012

São Paulo e a fauna silvestre

“O comandante do Polícia Militar Ambiental, Milton Sussumo Nomura, destacou a importância da gestão da fauna. “Apreendemos mais de 30 mil animais silvestres por ano, mas não tínhamos um programa de destinação adequado. Começamos hoje a desatar um nó e a resolver um dos principais problemas ambientais de São Paulo”, disse. A expectativa do PAmb é que com o programa o número de animais apreendidos aumente para entre 40 mil e 50 mil anualmente.” – texto da matéria de divulgação “Encontro discute soluções para destinação da fauna silvestre”, publicada pelo site da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo em 5 de outubro de 2012 sobre o “I Encontro Estadual de Destinação de Fauna Silvestre”

A situação hoje e a seguinte: dos 30 mil animais apreendidos em São Paulo anualmente, a maior parte não retorna à vida livre. A matéria escrita pela Secretaria do Meio Ambiente paulista parece não levar em consideração que boa parte dos animais recolhidos não são dos biomas existentes em São Paulo (Mata Atlântica e Cerrado) ou não são nativos dos ecossistemas do território paulista.

Tucano na Divisão de Fauna da Prefeitura de São Paulo, no Ibirapurea
Foto: Clayton de Souza/AE

Assim, os animais que tiverem condições de voltar à vida livre teriam de ser levados para suas regiões de origem e, depois de readaptados, soltos.

“Frequentemente animais silvestres provenientes do tráfico ou vítimas de atropelamentos, queimadas e choques elétricos são apreendidos ou resgatados pela Polícia Militar Ambiental (PAmb). Após a recuperação e reabilitação, eles devem ser reintegrados a natureza, garantindo o equilíbrio do meio ambiente e uma vida digna aos animais.

No entanto, provenientes de cativeiro, a reintrodução desses animais em seu habitat natural sem readaptação é proibida e perigosa. Desacostumados a caçar e a se defender de predadores naturais, eles precisam de cuidados especiais e um bom trabalho de readaptação que os permita aflorar seus instintos. Sem esse tratamento, eles podem morrer de fome ou prejudicar a fauna silvestre já presente no local.

É a esses animais que os estabelecimentos de triagem, recepção e áreas de soltura e monitoramento se destinam. Nos CETAS e CRAS os animais recebem tratamento veterinário e biológico adequados até que estejam em condições de voltar à vida silvestre. Readaptados, os animais são soltos nas ASM, áreas próprias, onde são monitorados e a soltura é controlada.”
– texto da Secretaria do Meio Ambiente

Faço as seguintes perguntas: as áreas de soltura das espécies não nativas (exóticas) não vão estar no estado de São Paulo, certo? Então, como será acertado o fluxo de saída e soltura desses animais para que os Cetas e os Cras, bem como os criadouros credenciados, não virem depósitos de bichos? Sem essa resposta, não há política pública pós-apreensão com sucesso.

A recepção, os cuidados e os trabalhos de preparação para solturas são caros e demorados. É por isso que a União, os estados e os municípios não investem no retorno à natureza e o pouco que gastam nessa área é voltado para manter um sistema de criadouros (cativeiro).

Não vi na matéria da Secretaria do Meio Ambiente nenhuma solução para a devolução dos animais aos seus biomas de origem.

Agora, imagine o que irá acontecer se a expectativa da quantidade de apreensões do comandante do Polícia Militar Ambiental, Milton Sussumo Nomura, acontecer?

Ainda em tempo:

“Caso não haja viabilidade de recondução ao hábitat ou a cativeiros cadastrados, Bressan (diretor-presidente da Fundação Parque Zoológico de São Paulo, Paulo Bressan) defende a eutanásia. "É uma questão polêmica. Como veterinário, não é uma decisão que gosto de tomar, mas não há motivo para prolongar a vida de animais estocados."” – texto da matéria “SP quer centro para readaptar silvestres”, publicada em 7 de outubro de 2012 pelo jornal O Estado de S. Paulo

Pelo que entendi, se o Estado não tiver condições de cuidar dos animais (seja ajudando no retorno à vida livre ou mantendo em cativeiros adequados) a solução será matar.

Já que não se pode curar, que se mate o paciente.

- Leia a matéria completa da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo
- Leia a matéria completa de O Estado de S. Paulo

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Começar a semana pensando...

...que não é só no Brasil que o chamado “progresso” desrespeita a vida não-humana.

“Ambientalistas contrários à construção de uma rodovia na Grã-Bretanha protestaram diante da Suprema Corte do país, em Londres, na Inglaterra, nesta sexta-feira (5), usando máscaras de lobos, pássaros e outros animais.

Manifestantes ingleses
Foto: Leon Neal/AFP

A manifestação ocorre após a Justiça do país ter rejeitado um pedido de revisão do plano do governo britânico para a construção da estrada, que vai ligar duas cidades na região sudeste da Inglaterra, noticiou a imprensa britânica nesta sexta (5). Segundo os ativistas, a rodovia vai atingir áreas onde vivem espécies protegidas de animais, além de trechos de floresta, em uma região conhecida como Combe Haven.” – texto da matéria “Ambientalistas com máscaras de animais protestam na Grã-Bretanha”, publicada dia 5 de outubro de 2012 pelo portal G1

O fenômeno do desrespeito à vida silvestre não é uma característica brasileira, com seus reservatórios gigantescos para hidrelétricas, rodovias e estradas fragmentando hábitats (e sem infraestrutura para evitar atropelamentos de animais e permitir a passagem segura dos bichos de um lado para outro da via), urbanização sem planejamento etc. Esse tipo de ação ocorre por todo o mundo; um mundo ainda regido por uma visão antropocêntrico que não sabe respeitar diferenças e outras formas de vida.

- Leia a matéria completa do portal G1

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Reflexão para o fim de semana: ecodutos para São Paulo. Exemplo para os demais estados

“Foi protocolado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo projeto de lei 556/2012, de autoria do deputado Pedro Bigardi, que torna obrigatório a implantação de passagem em estradas, rodovias e ferrovias para garantir a travessia segura de animais silvestres através de túneis ou passarelas.

Recentemente, o parlamentar denunciou na tribuna da Assembleia o perigo que os animais correm nas estradas do Estado. “É assustador o número de animais que são feridos nas rodovias do Estado”, alerta.”
– texto da matéria “Projeto garante ecodutos em rodovias e ferrovias estaduais de São Paulo”, publicada em 7 de setembro de 2012 pelo site da Anda (Agência de Notícias de Direitos Animais)

Exemplos de ecodutos
Fotos: ANDA

A proposta partiu dos deputados estaduais Pedro Bigardi e Leci Brandão, ambos do PC do B. A morte da onça-parda Anhanguera, em 18 de abril de 2012, na rodovia dos Bandeirantes, no interior paulista, motivou a confecção do projeto de lei. O felino já havia sido atropelado em outra oportunidade, sendo tratado e devolvido à vida livre (relembre o caso no post “A onça Anhanguera teve sua segunda chance. Mas não resistiu à pressão humana”, publicado em 15 de maio de 2012 pelo Fauna News).

Onça Anhanguera, em seu primeiro atropelamento
Foto: Valter Tozetto Jr./Jornal de Jundiaí

O projeto de lei determina:

“Artigo 1° – Fica estabelecida a obrigatoriedade da implantação de ecodutos que possibilitem a preservação e proteção da fauna, por meio da sua transposição segura sob ou sobre as estradas, rodovias e ferrovias, em todo o território do Estado de São Paulo.

Artigo 2° – Para os fins previstos nesta lei, entende-se por ecoduto a obra de arte construída por sob ou sobre as estradas, rodovias e ferrovias, destinada ao uso exclusivo, livre e seguro da fauna, quando de sua circulação em seu meio ambiente natural.

Artigo 3º - Os Estudos de Viabilidade Técnica e Ambiental e os Estudos de Impacto Ambiental, relativos às obras de novas construções ou de ampliação de estradas, rodovias e ferrovias deverão prever, sempre que as condições exigirem, a implantação de ecodutos. (...)

Artigo 5º - Para as estradas, rodovias e ferrovias já existentes, a implantação dos ecodutos se dará no prazo a ser definido mediante decreto governamental, que não poderá ser superior a 5 (cinco) anos.”


Quando uma rodovia corta uma área com vegetação e fauna nativas bem preservadas alguns problemas logo aparecem. A fragmentação do território, com a passagem de uma pista de asfalto, pode interromper fluxos migratórios e, consequentemente, a troca genética entre populações de mesma espécie. Também relacionado ao deslocamento da fauna, o tráfego de veículos em estradas é responsável pela morte por atropelamento de muitos animais.

A perda da vida por animais atingidos por carros e caminhões não é novidade e há décadas esse tipo de ocorrência é registrado pelos gerenciadores das rodovias e o poder público. Pesquisadores da área de fauna e ambientalistas também estão há tempos alertando sobre o problema.

Não é preciso pesquisar muito para ter certeza que as rodovias nacionais não têm sinalização suficiente para alertar motoristas sobre a presença de animais silvestres (basta dirigir pelas estradas brasileiras para constatar isso) e também não possuem estruturas para a travessia de animais, como os ecodutos propostos pelos deputados. São raras as vias com tal planejamento.

Apesar dos problemas com a sinalização e a infraestrutura para evitar os atropelamentos de animais selvagens, não se deve atenuar a responsabilidade dos motoristas. É fato que os brasileiros não respeitam os limites de velocidade e as leis de trânsito, tanto que o Brasil é um dos países com maior número de acidentes - seja nas vias urbanas ou nas estradas - do mundo.

Que o projeto de lei, datado de 30 de agosto de 2012 e que está sendo analisado por três comissões, seja votado com rapidez, aprovado e sancionado pelo governador.

Que os deputados de outros estados sigam o exemplo dos paulistas.

Por que não uma lei federal para todas as rodovias, estradas e ferrovias brasileiras?

- Leia a matéria completa da ANDA
- Leia o projeto de lei 556/2012 na íntegra
- Releia “A onça Anhanguera teve sua segunda chance. Mas não resistiu à pressão humana”, publicado em 15 de maio de 2012 pelo Fauna News

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Parece não ter fim: mais papagaios apreendidos. Agora foram 336

Em 2 de outubro de 2012, o Fauna News publicou “O que todo mundo já esperava está acontecendo: o tráfico de papagaios”, sobre duas apreensões de papagaios-verdadeiros no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Casos como esses já eram esperados, conforme publicamos no post “Aberta a temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros”, de 19 de setembro de 2012. E muitos mais serão registrados, em grandes quantidades. Veja:

“Mais de 300 filhotes de papagaio, um deles de espécie em extinção, foram descobertos e apreendidos pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) durante fiscalização de rotina realizada no final da manhã de ontem (2) pela BR-153 (Rodovia Transbrasiliana), no trecho de Ourinhos (90 km de Marília). Dois homens foram presos em flagrante na ação.

Sem educação ambiental esse problema não será resolvido
Foto: Divulgação Polícia Rodoviária Federal

(...)Questionados, os dois acusados informaram que seguiam de Ivenhema (MS) para a capital paulista. Afirmaram que revenderiam as aves por R$ 50 cada, mas o valor poderia chegar até R$ 300. Segundo a nota à imprensa enviada pela PRF, entre os meses de setembro e novembro, as apreensões dos filhotes de papagaios são mais comuns devido ao período de sua procriação.” – texto da matéria “Polícia Rodoviária Federal descobre 336 papagaios”, publicada em 3 de outubro de 2012 pelo jornal Diario de Marilia

Dentre as aves apreendidas (a maioria era de papagaios-verdadeiros), havia um papagaio-galego, espécie que se encontra na lista de animais em extinção desde 2010.

Por ser uma atividade ilegal, é impossível saber exatamente quantos papagaios-verdadeiros são coletados dos ninhos anualmente durante setembro e outubro. O que se sabe é que apenas uma pequena parte é apreendida nas operações de fiscalização.

‘“Esse número pode chegar facilmente aos milhares”, afirma o presidente da ONG paulista SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha, que combate o tráfico de fauna desde 1989. Ele relata que, durante uma conversa informal, homens da Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul disseram acreditar que apenas cerca de 5% dos papagaios-verdadeiros retirados da natureza são apreendidos.’ – texto da matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente

Destaco e reforço: apenas uma minoria é apreendida! Dá para imaginar quantos papagaios são traficados anualmente?

Filhotes apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal
Foto: Divulgação Polícia Rodoviára Federal

Enquanto o poder público não investir com seriedade em campanhas e ações educativas, objetivando conscientizar a população dos problemas causados pelo tráfico de animais (tanto ambientais quanto para a saúde humana), haverá gente comprando e incentivando essa atividade criminosa. Somente fiscalização não resolverá!

- Leia a matéria completa do Diario de Marilia
- Leia a matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente
- Releia o post do Fauna News “Aberta a temporada de tráfico de papagaios-verdadeiros”, de 19 de setembro de 2012
- Releia o post do Fauna News publicou “O que todo mundo já esperava está acontecendo: o tráfico de papagaios”, de 2 e outubro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tráfico de ovos agora no Amazonas

“Pesquisadores brasileiros tentam descobrir o impacto que caçadores têm causado na reprodução de aves migratórias que utilizam a Amazônia para construir ninhos e gerar filhotes nas margens do Rio Solimões, nos arredores da Reserva Mamirauá – a 600 km de Manaus (AM).

Invasores têm roubado ovos de espécies aquáticas em praias formadas pelo rio para vendê-los em cidades vizinhas à reserva, como Uarini, por preços que variam de R$ 1 a R$ 2.

Colônia de aves migratórias em praia do rio Solimões
Foto: Divulgação Bianca Bernardon

Segundo os cientistas, a prática pode causar um desequilíbrio no processo de reprodução e nidificação -- construção de ninhos -- de espécies como a gaivota (Phaetusa simplex), o corta-água (Rynchops niger) e a gaivotinha (Sternula superciliaris).” – texto da matéria “Roubo de ovos pode afetar reprodução de aves no Rio Solimões”, publicada em 30 de setembro de 2012 pelo portal G1

A matéria tem um problema ao não informar para que os ovos são coletados. Se para alimentação ou para o tráfico de animais?

O número de ovos retirados é grande.

‘“Aves migratórias têm colônias reprodutivas protegidas por lei. Entretanto, apenas 33 praias do Solimões, próximas ao Instituto Mamirauá, são protegidas por agentes ambientais voluntários. Em média, cada colônia pode ter até 13 mil ovos apenas de gaivota e outros 4 mil de exemplares de corta-água. Sabemos de casos de pessoas roubaram ao menos mil ovos em um único dia”, explica.’
– texto do G1

O tráfico de ovos está se tornando cada vez mais comum. Na Caatinga, a coleta e venda de ovos de papagaios-verdadeiros é frequente. Esse tipo de crime é extremamente difícil de fiscalizar, tanto pelo fato das colônias de aves serem numerosas e muitas delas estarem fora de áreas protegidas, quanto pela facilidade de esconder e transportar os ovos.

- Leia a matéria completa do G1

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O que todo mundo já esperava está acontecendo: o tráfico de papagaios

“Todo mundo sabe, afinal o problema se repete há anos. Setembro chega e uma quantidade assustadora de papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) recém-nascidos é coletada por traficantes de animais no Cerrado do Mato Grosso do Sul. É questão de dias para as pequenas aves, muitas delas ainda sem penas e com os olhos fechados, chegarem amontoadas e encaixotadas em grandes centros urbanos do Sudeste, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo.” – texto da matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente

E, como foi anunciado... começou:

“A Polícia Ambiental do Paraná apreendeu 33 papagaios que estavam em um ônibus de turismo que transitava na PR-323, perto do Cianorte, no noroeste do estado, por volta da meia-noite de sexta-feira (21). As aves estavam dentro de duas malas no bagageiro ônibus que saiu de Alto Paraíso, também na região noroeste, com destino a Curitiba.

Filhotes, ainda sem penas, nas malas dos traficantes
Imagem: Reprodução RPCTV

(...)A dupla (dois homens foram detidos) disse à polícia que os papagaios foram capturados em ninhos no Parque Nacional de Ilha Grande, próximo a cidade de Guaíra, e seriam entregues para um comprador na Rodoferroviária de Curitiba.

As aves vão ser levadas para uma fazenda, autorizada pelo Instituto Brasileiro  do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Mato Grosso do Sul, para depois serem novamente introduzidas na natureza.”
– texto da matéria “Polícia apreende 33 papagaios que estavam em bagageiro de ônibus”, publicada em 21 de setembro de 2012 pelo portal G1

Alguns dias depois, ainda no Mato Grosso do Sul...

“Operação conjunta da Policia Militar Ambiental de Navirai e de Dourados apreendeu nesta quarta-feira (27) 19 filhotes de papagaio. Os animais estavam em um barraco, às margens da rodovia MS 141, próximo ao trevo das sete placas.

Recém-nascidos e vítimas do tráfico de animais
Foto: Divulgação PMA/MS

(...)Ainda de acordo com os policiais, a região principal do problema é a situada nos municípios de Batayporã, Bataguassu, Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Anaurilândia, Três Lagoas, Santa Rita do Pardo, Nova Andradina e Brasilândia, além de Naviraí e Mundo Novo.”
– texto da matéria “PMA apreende 19 filhotes de papagaios em barraco”, publicada em 27 de setembro de 2012 pelo site Capital News

“O resultado dessa pressão sobre a população de papagaios-verdadeiros ainda é desconhecido. De acordo com Glaucia, do Projeto Papagaio-verdadeiro, que foi escolhido como representante do bioma Pantanal no Programa E-CONS - Empreendedores da Conservação - pela ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental(SPVS), o fato dessas aves terem uma vida longa, possivelmente os declínios na quantidade delas podem ser demorados a detectar, mas o tráfico da espécie, aliado à destruição dos ninhos no momento da apanha e à perda por desmatamento de ambientes naturais utilizados para alimentação e reprodução, pode levar à extinção.” – texto da Terra da Gente

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa do Capital News
- Leia a matéria completa da Revista Terra da Gente

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Começar a semana pensando...

...em iniciativas que fazem a diferença e que deveriam acontecer por todo o país. Que tal um Brasil sem Gaiolas?

Fiquei sabendo do evento “Minas Livre de Gaiolas”, realizado em Belo Horizonte, há alguns dias. Como não pude comparecer, pedi que Alejandra Arnaiz, que já trabalhou no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) daquele municipio e acompanhou essa iniciativa, se arriscasse um pouco pela reportagem para relatar como foi o fim de semana. Nada de texto frio e imparcial. Aqui no Fauna News um lado está escolhido para ser defendido: o da liberdade dos animais silvestres.

Belo Horizonte dá o exemplo
Por Alejandra Arnaiz

Foi realizado nos dias 15 e 16 de setembro, no Parque das Mangabeiras, Belo Horizonte, o "Minas Livre de Gaiolas", uma iniciativa da Defensoria Pública da União (DPU) no Estado e seu idealizador, Celso Rezende, defensor público federal.

O ponto alto do evento foi a entrega voluntária de aves silvestres, que teve boa aceitação pela população. Na contagem dos dois dias, foram entregues cerca de 190 animais (dados da DPU). Destes 80% ou mais eram psitacídeos, com destaque para o Amazona aestiva, o famoso papagaio-verdadeiro, que por ser um falador é o mais procurado como animal de estimação. Outros papagaios também foram entregues, com grande destaque ao Chauá (Amazona rhodocorytha), animal ameaçado de extinção, seguido do papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), também ameaçado.

Outras instituições também participaram do evento. A Polícia Militar do Meio Ambiente, com amostras de peles apreendidas de animais silvestres, os bombeiros, mostrando seus equipamentos de salvamento e combate a incêndios florestais, o Projeto Psit, com o Circo Ambiental, esbanjando educação ambiental, e a ECOAVIS - Ecologia e Observação de Aves, que nos dois dias de evento promoveu saída para observar as aves do parque.

Ave entregue no evento: quem sabe a liberdade pode estar próxima
Foto: Alejandra Arnaiz

Todos os animais entregues voluntariamente foram recebidos pelos analistas ambientais do Ibama e encaminhados ao Cetas do órgão. Eles serão examinados, vermifugados, anilhados e, após quarentena, avaliados para participar dos projetos de soltura em que, depois da reabilitação, voltarão à vida livre em áreas cadastradas pelo Ibama. Vale lembrar que a entrega voluntária pode ser feita a qualquer momento, apenas leve seu animal até o Ibama e faça a entrega, sem nenhum problema legal. As multas para quem possui uma ave silvestre variam entre R$ 500 por cada animal não ameaçado de extinção a R$ 5 mil quando o bicho está ameaçado.

A entrega voluntária isenta a pessoa de punição
Foto: Alejandra Arnaiz

A campanha foi um sucesso e, mesmo com tristes despedidas, todos que lá foram deixaram o animal sabendo que era o melhor a ser feito. Um senhor que chegou com um casal de azulões, muito bem cuidados, disse que já lhe ofereceram R$ 5 mil pelo macho, mas ele não aceitou, preferindo entregar a ave para que ela tenha uma nova chance de liberdade. Alguns chegavam e aguardavam com seus psitacideos no ombro, dando o último chamego no amigo.

Uma despedida que pode acabar em liberdaede
Foto: Alejandra Arnaiz

Um evento como este é importantíssimo para que a população mude a maneira de pensar sobre ter um animal da fauna silvestre em casa. Educação ambiental é a melhor forma de combate ao tráfico. Quando não houver demanda, não haverá mais a captura comercial de filhotes e mudam-se conceitos.

Que venham as próximas edições.

- Leia mais sobre o Minas Livre de Gaiolas (site Ibama)