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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Fauna News de luto: morre Luiz Claudio Marigo

O Fauna News abre uma exceção e hoje presta homenagem a Luiz Claudio Marigo, que morreu em 2 de junho (segunda-feira) no Rio de Janeiro (RJ). Há quem não conheça seu nome, mas é possível já ter visto suas fotos em publicações (livros e revistas) que tratam de natureza. Seu trabalho mais popular foi, sem dúvida, as imagens de animais que acompanhavam do famoso chocolate Surpresa, uma febre na década de 1980.

Marigo era um especialista em fotografar animais silvestres
Foto: Cecília Marigo

Marigo no Fauna News tem um lugar especial. Muitos textos sobre o tráfico de animais e a luta pela sobrevivência das poucas dezenas de ararinhas-azuis, hoje extintas na natureza, foram ilustrados com a foto da então considerada última ararinha viva em vida livre. Um registro de 1990, na Bahia. Era um macho que estava vivendo com um bando de maracanãs.

1990: Marigo fotografa a última ararinha-azul em vida livre

Assim ele contou um pouco de si:

“Nasci no Rio de Janeiro, em 1950, e me criei entre o mar e a floresta atlântica. Minhas primeiras descobertas da natureza- as incursões que fazia pelas encostas dos morros próximos à minha casa e brincadeiras no mar e nas areias da praia de Copacabana - exerceram uma profunda influência na minha vida e no meu trabalho. Como as tartarugas marinhas, guardamos as experiências da infância no recôndito mais profundo da mente e desejamos voltar a elas na idade adulta. A fotografia de natureza me dá a oportunidade de recapturar as imagens da infância e, quando me perguntam por que escolhi este trabalho, a resposta vem com muita clareza: caminhar nas florestas e nos campos é, para mim, uma necessidade vital- eu preciso fazer isso.

Quando, sorrateiramente, sigo quase sem poder respirar, os macacos, os tucanos ou as pequenas aves nas matas, naquele momento entro em contato com o essencial significado da vida. Isso realimenta o meu espírito e dá sentido à minha existência. É natural que, já adulto, direcionei esta necessidade para o trabalho, visando a própria sobrevivência. Tenho, também, plena consciência de que o meu amor à natureza transparece em cada uma de minhas fotos, tornando o meu trabalho missionário na luta pela conservação da natureza e sobrevivência dos seres que tanto amo e respeito.”
– texto da página “A natureza e eu” do site pessoal de Marigo

Não bastasse a morte de Marigo ser uma perda irreparável, a forma como ocorreu é revoltante – não por envolver o grande fotógrafo, mas pelo descaso com a vida.

“Foi identificado como Luiz Cláudio Marigo, de 63 anos, o homem que morreu na tarde desta segunda-feira, provavelmente vítima de infarto dentro de um ônibus em frente ao Instituto Nacional de Cardiologia (INC), na Rua das Laranjeiras, na Zona Sul. Marigo agonizou por cerca de uma hora diante da unidade de saúde — que está em greve e não tem atendimento de emergência. Nesse tempo, contaram testemunhas, passageiros buscaram socorro no hospital, mas nenhum médico do instituto o atendeu. O fotógrafo se notabilizou por trabalhos para a Revista Geográfica Universal, e para os álbuns do Chocolate Surpresa.” – texto da matéria “Homem que morreu após sentir dores no peito era fotógrafo especialista em natureza”, publicada em 3 de junho de 2014 pelo site do jornal O Globo

Assista ao relato de Marigo sobre como fotografou, em 1990, a última ararinha-azul avistada livre:


- Conheça o site de Marigo e conheça seu trabalho
- Leia a matéria completa de O Globo

terça-feira, 29 de abril de 2014

Irecê (BA) - São Paulo (SP) de ônibus: na bagagem, um amontoado de aves

“Em 23 de abril, no município de Igarapava/São Paulo, policiais militares ambientais foram acionados por uma patrulha da Polícia Militar Rodoviária, na Rodovia Anhanguera, após abordagem a um ônibus com origem da cidade de Irecê, na Bahia, e destino à São Paulo.

Na vistoria, os policiais rodoviários localizaram, na bagagem de um dos passageiros, 52 aves da fauna silvestre nativa, sendo elas popularmente conhecidas como galos-de-campina, azulões, pintassilgo, coleirinho-baiano e tico-tico. O proprietário não possuía licença ou autorização ambiental para o transporte dos pássaros.

Aves são transportadas de forma cruel por várias horas
Foto: Divulgação PM Ambiental SP

Além do transporte irregular, ficou caracterizado o crime e infração ambiental de maus tratos aos animais, pois as aves estavam em dois compartimentos de madeira e arame, dentro de uma mala de nylon fechada. O espaço que as aves estavam era pequeno, superlotado, abafado e sujo.” – texto do post “Polícia Militar Ambiental autua infrator que trazia 52 aves da Bahia”, publicado na página do Facebook do Comando de Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo em 27 de abril de 2014

O caso registrado pela PM Ambiental paulista é um dos mais comuns no universo do tráfico de animais silvestres. Aves transportadas do Nordeste para o Sudeste pelas rodovias.

As aves são a maioria dos animais traficados no Brasil, representando mais de 80% dos bichos apreendidos.

As regiões Norte, Nordeste e Centro-oeste são, tradicionalmente, fornecedoras de animais para centros consumidores no Sudeste e Sul (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo se destacam).

A distribuição de animais pelos traficantes ocorre, na maioria esmagadora dos casos, via terrestre. São carros, caminhões e ônibus transportando bichos ilegalmente e em condições cruéis. A região Norte é exceção, pelo fato de os rios serem as vias naturais de deslocamento.

Vale destacar que o tráfico de fauna é responsável pela retirada de 38 milhões de animais silvestres todos os anos da natureza brasileira. A estimativa, de 2001, é da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) e não inclui peixes e invertebrados.

- Leia o post no Facebook

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Do Paraná para São Paulo, rota intensa do tráfico de animais

Em 1º de abril de 2014, duas apreensões de aves que saíram do Paraná com destino à cidade de São Paulo.

“Dois homens foram presos transportando aves silvestres ilegalmente na entrada de Juquiá, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. A prisão aconteceu na manhã desta terça-feira (1º) na Rodovia Santos Dumont.

De acordo com informações da Polícia Militar, uma equipe que estava no local desconfiou de um veículo que vinha da cidade de Ponta Grossa, no estado do Paraná, e seguia no sentido São Paulo-Capital. Foi dada ordem de parada por volta das 9h, e em revista aos ocupantes e ao automóvel, foram encontradas 1.125 aves silvestres, das espécies Pixarro, Canarinho, Pintassilgos e Gralhas, dentro de gaiolas e caixas de leite. Muitas delas estavam mortas.

Questionados sobre a procedência dos animais, os dois homens afirmaram que as aves eram ilegais e que seriam comercializadas na capital paulista.”
– texto da matéria “Dupla é presa traficando animais silvestres em rodovia de Juquiá, SP”, publicada em 1º de abril de 2014 pelo portal G1

O segundo caso aconteceu em Itapeva (SP):

“A Polícia Rodoviária Estadual apreendeu 47 pássaros silvestres acondicionados em caixas de leite longa-vida, na madrugada desta terça-feira, 1º, em Itapeva, no sudoeste paulista. As caixas com as aves estavam no interior de uma mala, no bagageiro de um ônibus que procedia do Paraná e seguia para São Paulo.

Aves estavam em caixas de leite
Foto: Divulgação Polícia Militar Rodoviária SP

A abordagem ocorreu num posto de fiscalização rodoviária, na rodovia Francisco Alves Negrão (SP-258). De acordo com os policiais, 33 pássaros são da espécie trinca-ferro e 14 são canários-da-terra. As duas espécies são da fauna brasileira e apreciadas pelo canto.” – texto da matéria “Polícia apreende 47 pássaros silvestres em caixas de leite”, publicada em 1º de abril de 2014 pelo portal d24am

A Região Metropolitana de São Paulo é um dos principais polos “consumidores” de animais silvestres para serem criados como bichos de estimação do país. Vale investigar para saber se as aves foram capturadas no Paraná ou se alguma rota utiliza o Estado da região Sul como parte de uma rota.

Novamente a forma como as aves são transportadas chama a atenção. Amontoadas em caixas, muitas aves já estavam mortas em Juquiá. Na foto é possível perceber que o veículo onde elas estavam foi preparado para o transporte dos animais, tendo um ventilador instalado em seu porta-malas. Essa adaptação e a quantidade de bichos apreendidos servem para demonstrar que os infratores são profissionais do tráfico. A matéria não indicou se eles são apenas responsáveis pelo transporte ou estão diretamente envolvidos com a venda.

Até um ventilador foi instalado no carro
Foto: Divulgação PMSP

Já em Itapeva, as aves estavam em caixas de leite longa vida, que foram colocadas em uma mala.
Apesar de tentarem manter os animais vivos para não perderem suas “mercadorias”, os traficantes já contabilizam alguma perda quando despacham seus carregamentos. Mas o descaso com a vida é latente, bem como a total falta de preocupação com as consequências para os ecossistemas que a falta dos bichos capturados terá.

Negócio cruel e irresponsável.

Que a polícia fique atenta nas rodovias. E, principalmente, que a fiscalização atue nas áreas de captura.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa do portal d24am

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Rodoviárias: importantes palcos para o tráfico de fauna

“A Polícia Ambiental prendeu um homem de 56 anos que transportava pássaros silvestres, em Guaçui, no Sul do Espírito Santo. Ele estava com 25 aves dentro de um ônibus, que seguia para o Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (5). O passageiro preso foi levado para a delegacia do município de Jerônimo Monteiro, no Sul do estado. Ele pode pegar de seis meses a um ano de prisão.

Momento da abordagem policial
Foto: Roberto Martins/Polícia Ambiental ES

A Polícia Ambiental recebeu um telefonema anônimo informando em detalhes de que o suspeito capturava pássaros silvestres na localidade de São Domingos, município de Guaçuí para tráfico no Rio de Janeiro, fornecendo seu primeiro nome, características físicas, horário do embarque e que teria cometido o mesmo crime em outras ocasiões.

Uma policial vestiu-se com roupas comuns e embarcou no ônibus, na rodoviária, se passando como passageira, identificando e acompanhando o embarque do suspeito. Os policiais foram acionados por celular, entraram no ônibus e convidaram o suspeito a desembarcar. Foi realizada uma busca em nas bolsas e foi encontrado um transporte de madeira com pequenas divisões com os 25 pássaros silvestres, sendo 20 canários-da-terra, quatro melros e um corrupião.”
– texto da matéria “Suspeito de tráfico de animais é preso em ônibus com 25 aves no ES”, publicada em 6 de fevereiro de 2014 pelo portal G1

Maneira como as aves eram transportadas
Foto: Roberto Martins/Polícia Ambiental ES

O trabalho da Polícia Ambiental do Espírito Santo em identificar e prender o homem foi perfeito. Mas a utilização de ônibus de linhas rodoviárias não é incomum, sendo necessária a realização de ações permanentes de conscientização da população nesses espaços. Não bastam campanhas curtas e esporádicas.

Um trabalho permanente de panfletagem, divulgação de cartazes e de mensagens sonoras para conscientizar a passageiros e frequentadores sobre os problemas do comércio ilegal de silvestres, bem como informar a existência de policiais fiscalizando no local, ajudaria a inibir. Esse trabalho deveria ser realizado nas rodoviárias das capitais e de localidades conhecidas pela existência do mercado negro de fauna (já identificadas em vários levantamentos).

É certo que o investimento não é tão alto. Basta vontade política. Eis o problema.

- Leia a matéria completa do G1

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O que todo mundo já esperava está acontecendo: o tráfico de papagaios

“Todo mundo sabe, afinal o problema se repete há anos. Setembro chega e uma quantidade assustadora de papagaios-verdadeiros (Amazona aestiva) recém-nascidos é coletada por traficantes de animais no Cerrado do Mato Grosso do Sul. É questão de dias para as pequenas aves, muitas delas ainda sem penas e com os olhos fechados, chegarem amontoadas e encaixotadas em grandes centros urbanos do Sudeste, principalmente na Região Metropolitana de São Paulo.” – texto da matéria “Aberta a temporada do tráfico”, publicada na edição 101, de setembro de 2012, da revista Terra da Gente

E, como foi anunciado... começou:

“A Polícia Ambiental do Paraná apreendeu 33 papagaios que estavam em um ônibus de turismo que transitava na PR-323, perto do Cianorte, no noroeste do estado, por volta da meia-noite de sexta-feira (21). As aves estavam dentro de duas malas no bagageiro ônibus que saiu de Alto Paraíso, também na região noroeste, com destino a Curitiba.

Filhotes, ainda sem penas, nas malas dos traficantes
Imagem: Reprodução RPCTV

(...)A dupla (dois homens foram detidos) disse à polícia que os papagaios foram capturados em ninhos no Parque Nacional de Ilha Grande, próximo a cidade de Guaíra, e seriam entregues para um comprador na Rodoferroviária de Curitiba.

As aves vão ser levadas para uma fazenda, autorizada pelo Instituto Brasileiro  do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Mato Grosso do Sul, para depois serem novamente introduzidas na natureza.”
– texto da matéria “Polícia apreende 33 papagaios que estavam em bagageiro de ônibus”, publicada em 21 de setembro de 2012 pelo portal G1

Alguns dias depois, ainda no Mato Grosso do Sul...

“Operação conjunta da Policia Militar Ambiental de Navirai e de Dourados apreendeu nesta quarta-feira (27) 19 filhotes de papagaio. Os animais estavam em um barraco, às margens da rodovia MS 141, próximo ao trevo das sete placas.

Recém-nascidos e vítimas do tráfico de animais
Foto: Divulgação PMA/MS

(...)Ainda de acordo com os policiais, a região principal do problema é a situada nos municípios de Batayporã, Bataguassu, Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Anaurilândia, Três Lagoas, Santa Rita do Pardo, Nova Andradina e Brasilândia, além de Naviraí e Mundo Novo.”
– texto da matéria “PMA apreende 19 filhotes de papagaios em barraco”, publicada em 27 de setembro de 2012 pelo site Capital News

“O resultado dessa pressão sobre a população de papagaios-verdadeiros ainda é desconhecido. De acordo com Glaucia, do Projeto Papagaio-verdadeiro, que foi escolhido como representante do bioma Pantanal no Programa E-CONS - Empreendedores da Conservação - pela ONG Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental(SPVS), o fato dessas aves terem uma vida longa, possivelmente os declínios na quantidade delas podem ser demorados a detectar, mas o tráfico da espécie, aliado à destruição dos ninhos no momento da apanha e à perda por desmatamento de ambientes naturais utilizados para alimentação e reprodução, pode levar à extinção.” – texto da Terra da Gente

- Leia a matéria completa do portal G1
- Leia a matéria completa do Capital News
- Leia a matéria completa da Revista Terra da Gente

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pássaros na bagagem: o tráfico de animais pelas estradas brasileiras

“A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) apreendeu na noite de terça-feira (28) três aves silvestres que estavam dentro de uma bolsa, encontrada em um ônibus que fazia a linha Foz do Iguaçu-Rio de Janeiro (RJ). O fato ocorreu durante uma fiscalização na PR-317, em Floresta, no Noroeste do estado.

Aves apreendidas em ônibus
Foto: Divulgação PRE

As aves “trinca-ferro” estavam sem anéis de identificação e presas em duas gaiolas, envolvidas por uma blusa de moletom. O proprietário da bagagem não foi localizado pelos policiais, que constataram que um dos passageiros com nome na lista de embarque não estava no ônibus.”
– texto da matéria “Polícia encontra aves silvestres dentro de uma bolsa”, publicada no jornal Gazeta Maringá (PR) em 29 de agosto de 2012

O ocorrido mostra uma situação bastante corriqueira no Brasil: animais vítimas do tráfico de fauna sendo escoados pelas estradas. O caso noticiado é uma situação que envolve um comprador final e não um traficante, já que apenas três aves estavam sendo transportadas. As pequenas gaiolas são típicas das usadas em feiras pelos criminosos que comercializam os pássaros.

Vale esclarecer que, caso o responsável pelas aves fosse identificado entre os passageiros, ele responderia criminalmente por manter animais silvestres em cativeiro sem autorização. Pela lei brasileira (artigo 29 da Lei de Crimes Ambientais), a punição prevista é a mesma da de uma pessoa surpreendida com 500 animais, por exemplo: entre seis meses e um ano de prisão.

Distorções que reforçam a impunidade.

- Leia a matéria completa da Gazeta Maringá