quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Tráfico de animais: o Sul marca presença e a impunidade continua Brasil afora

“Operação da Polícia Federal (PF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) prendeu, nesta terça-feira, oito pessoas suspeitas de tráfico internacional de animais silvestres. Ao menos duas quadrilhas, lideradas no Estado, teriam ramificações no Uruguai, na Argentina e em São Paulo.

Tigres d'água apreendidos pela PF
Foto: Divulgação Polícia Federal

O Ibama acredita que, ao longo dos seis meses de investigação, as duas células criminosas tenham contrabandeado cerca de 2 mil animais, entre exóticos e nativos. Nesta terça-feira, 10 mandados de busca e apreensão recuperaram aproximadamente 600 exemplares em poder de ambos os grupos durante a Operação Pampa Verde. Outras três ações prévias teriam apreendido mais 600 espécies, na maioria aves, somando um total de 1,2 mil animais recuperados.”
– texto da matéria “Quadrilha presa nesta terça-feira traficou 2 mil animais silvestres em seis meses”, publicada em 17 de outubro de 2012 pelo jornal gaúcho Zero Hora

Normalmente, a imprensa e os órgãos ambientais dão destaque para o tráfico de fauna no Nordeste, Norte, Centro-oeste e Sudeste do país. Pouco se divulga o que acontece nos estados do Sul, que possui quadrilhas extremamente bem organizadas e com atuação internacional (isso pela proximidade com as fronteiras).

“Régis Fontana Pinto, chefe de fiscalização do Ibama no RS, lamenta o fato de os suspeitos presos serem os mesmos que atuam no Estado há mais de 20 anos. Segundo ele, a legislação de crime ambiental mais branda e a falta de estrutura para monitorar os casos de tráfico de animais têm dificultado a repressão no Brasil.” – texto do Zero Hora

A legislação fraca, como o próprio agente do Ibama salientou, está entre as principais causas que motivam o tráfico. Em todo país é assim. Veja:

“Doze dias depois de ser detido com filhotes de papagaios, um traficante de aves voltou a ser flagrado ontem pela PMA (Polícia Militar Ambiental). No dia 3, ele estava com 38 aves. No último flagrante, foram apreendidos 46 filhotes.

Papagaios apreendidos com reincidente
Foto: Divulgação PMA/MS

As aves eram levadas em um Gol, fiscalizado em Novo Horizonte do Sul após a polícia receber denúncia. Foram detidos dois homens. Como a pena vai de seis meses a um ano de prisão, traficante de aves não fica preso. Ele assina um termo circunstanciado de ocorrência e responde em liberdade. Apesar de um novo flagrante, o traficante não foi considerado reincidente, pois ainda não teve condenação judicial.” – texto da matéria “Em 2º flagrante no mês, traficante é detido com 46 filhotes de papagaio”, publicada em 16 de outubro de 2012 pelo site Campo Grande News

O tráfico de animais silvestres está presente em todos os recantos do país. Seja com maior ou menor intensidade, a atividade criminosa existe, fazendo com que cerca de 38 milhões de bichos sejam retirados da natureza por ano no Brasil (estimativa da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – Renctas).

Com a atual legislação impedindo que os traficantes de animais sejam presos e efetivamente condenados por seus crimes, resta ao poder público, além de alterar as leis, investir pesado em educação ambiental. A cadeia do tráfico de animais seria fortemente combatida se houvesse uma considerável redução da demanda, isto é, de compradores.

- Leia a matéria completa do Zero Hora
- Leia a matéria completa do Campo Grande News

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Problema sem solução: centros de triagem lotados e sem estrutura. Animais continuarão sofrendo

O que está acontecendo com o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) mantido pelo governo do Rio Grande do Sul no zoológico de Sapucaia do Sul não é novidade e, infelizmente, vai continuar a acontecer.

“O Centro de Triagens (Cetas) que funciona nas dependências do Parque Zoológico está superlotado. O espaço, que recebe animais silvestres encaminhados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Brigada Ambiental, por apreensão ou situação de risco, deveria abrigá-los, no período máximo de 15 dias após tratamento. Porém não é o que ocorre.” – texto da matéria “Centro de Triagem do zoo está superlotado de pássaros”, publicada em 16 de outubro de 2012 pelo jornal Diário de Canoas

Veterinária do Cetas com papagaios-verdadeiros
Foto: Tiago da Rosa/GES

A matéria mostra uma evidente falta de sintonia entre o Ibama e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). O órgão federal alega ter oferecido receber animais para projetos de soltura, enquanto o órgão estadual afirma não ter aceitado porque os bichos estão incapacitados para voltar à natureza. Há uma clara divergência técnica (e não política), que é inadmissível. Afinal, há parâmetros científicos que podem balizar esse trabalho.

Para não afirmar que algum dos lados é incompetente em analisar a possibilidade de soltura, parece que alguém está com má vontade. Enquanto isso, quem sofre são os animais.

“Trinta papagaios da espécie verdadeiros, por exemplo, vão completar um ano em um viveiro de passagem impróprio para moradia. (...)

Também no Cetas Sapucaia se encontra um bugio fêmea. Conforme a veterinária Maria do Carmo Both, Nica, como é carinhosamente chamada, veio de Estância Velha com poucos dias de vida porque sua mãe havia sido atropelada e está há quatro meses em uma gaiola com menos de um metro quadrado de área.” – texto do jornal Diário de Canoas

Em 8 de dezembro de 2011, a presidente Dilma Rousseff assinou a Lei Complementar nº 140, que determinou exatamente quais são as funções da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal na gestão e fiscalização ambiental. Dentre as funções específicas dos Estados (artigo 8º) estão:

“XVII - elaborar a relação de espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção no respectivo território, mediante laudos e estudos técnico-científicos, fomentando as atividades que conservem essas espécies in situ;

XVIII - controlar a apanha de espécimes da fauna silvestre, ovos e larvas destinadas à implantação de criadouros e à pesquisa científica, ressalvado o disposto no inciso XX do art. 7o;

XIX - aprovar o funcionamento de criadouros da fauna silvestre”.


Isso fez com que o Ibama deixasse de ser o órgão responsável por tais atividades, que devem ser exercidas pelos Estados. Mas isso não vai ser fácil, já que muitas unidades da federação não possuem infraestrutura para assumir a responsabilidade. E afirmo que não terão...

Afirmo isso porque não vejo os Estados anunciarem investimentos ou a formulação de políticas públicas competentes para assumirem a gestão da fauna silvestre.

Os bichos vão sair da ineficiência do Ibama para a falta de interesse dos Estados.

- Leia a matéria completa do Diário de Canoas

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Grande apreensão de pássaros na Bahia mereceu registro medíocre da mídia

A imprensa já conhece o problema do tráfico de animais silvestres, tanto que publica as apreensões feitas pela polícia e pelo Ibama. Mas o tratamento que dá ao problema ainda é medíocre...

“A Polícia Rodoviária Federal apreendeu ontem 730 pássaros silvestres que eram transportados dentro de um EcoSport, na rodovia BR-101. Essa é a maior apreensão desse tipo de animal realizada nas rodovias da Bahia desde o início do ano.

Alguns pássaros estavam mortos
Foto: Divulgação Polícia Rodoviária Federal

Segundo a polícia, os pássaros das espécies Canário da Terra e Papa-capim estavam em pequenas gaiolas quando o veículo foi abordado no km 720, no fim da tarde de ontem. Devido às condições precárias, algumas aves estavam mortas, de acordo com a polícia.” – texto da matéria “Polícia faz maior apreensão de pássaros silvestres do ano na BA”, publicada em 11 de outubro de 2012 pela Folha de S. Paulo

Apesar de o título chamar a atenção para a dimensão do fato, a matéria em nada contextualiza a apreensão e não apresenta nada além dos registros feitos no local. De onde vinham as aves? Para onde elas estavam sendo levadas? Essas espécies são bastante traficadas na região?

Essas e muitas outras perguntas ficam sem respostas. Assim como o destino dessas aves...

Trabalhando assim, caros colegas jornalistas, a população vai continuar achando que o problema dos animais está resolvido com a apreensão – quando, na verdade, a possibilidade de retorno à vida livre é bastante burocrática e complicada (se ocorrer).

Trabalhando assim, caros jornalistas, vocês continuarão reforçando a prática dos veículos de comunicação de publicarem apenas as "notícias-espetáculo".

E essa abordagem fraca não foi privilégio da Folha de S. Paulo. Nenhum jornal ou site informativo publicou algo melhor.

- Leia a matéria completa da Folha de S. Paulo

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Começar a semana pensando...

...no futuro dos primatas. E o tráfico de animais está envolvido!

“A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) divulgou nesta segunda-feira (15), durante evento da COP11 da Biodiversidade, o relatório Primatas em Perigo – Os 25 primatas mais ameaçados do mundo, referente ao período de 2012 a 2014.

Imagem: Composição com ilustrações do relatório (Planeta Sustentável)

A lista revela as espécies que, nos próximos dois anos, devem estar no topo da lista dos animais que precisam de esforços globais de conservação para que não deixem de existir. Entre os primatas estão dois brasileiros: o macaco-caiarara (Cebus kaapori), encontrado sobretudo na Amazônia, e o bugio-marrom (Alouatta guariba guariba), que vive na Mata Atlântica de Minas Gerais.

O continente africano é o que abriga o maior número de espécies de primatas que estão em grave risco de extinção: são 11, sendo que seis delas são endêmicas da Ilha de Madagascar. Em segundo lugar aparece o continente asiático, com nove espécies listadas no relatório da IUCN, seguido pela América do Sul, que tem cinco.

Ainda segundo o estudo, atualmente, mais da metade dos 633 tipos de primatas conhecidos em todo o mundo correm perigo de desaparecer para sempre por conta de ações humanas como queima e desmatamento de florestas tropicais, caça para alimentação e comércio ilegal de animais silvestres.”
– texto da matéria “IUCN divulga lista dos 25 primatas mais ameaçados de extinção”, publicada em 15 de outubro de 2012 pelo Planeta Sustentável

- Leia a matéria do Planeta Sustentável
- Conheça o relatório “Primatas em Perigo – Os 25 primatas mais ameaçados do mundo” (em inglês)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reflexão para o fim de semana: reutilizando materiais do tráfico de animais

Conheça a história de Antônio Pestana, que hoje transforma gaiolas em brinquedos e objetos para educação. Ele é o vencedor do concurso cultural Aniversário SKY HDTV e teve sua história filmada. O vídeo, de 7 minutos, aborda com muita sensibilidade o tráfico de animais e a iniciativa de transformar um símbolo de sofrimento(que muitos fiscais e muita gente envolvida no combate ao tráfico de fauna destroem com extremo e justificado prazer) em ferramenta para a liberdade.

Foto: Renata Diem

Quem puder, siga o exemplo!


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quando traficantes de drogas e de animais se confundem

“Cinco pessoas suspeitas de tráfico de drogas foram presas na noite de quarta-feira (3) em Hidrolândia, Região Metropolitana de Goiânia. Com elas, a polícia apreendeu mais de oito quilos de pasta base de cocaína, carros, armas, R$ 6 mil em cédulas falsificadas e cigarro contrabandeado. Mas o que mais chamou a atenção foi um filhote de jaguatirica que estava sob o poder do grupo.

Filhote encontrado com acusados de tráfico de drogas
Foto: Divulgação Polícia Militar de Goiás

Segundo a Polícia Militar, o filhote tem aproximadamente três meses de vida e era tratado como animal de estimação. Ele foi levado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).” – texto da matéria “Polícia Civil encontra jaguatirica com suspeitos de tráfico de drogas, em GO”, publicada em 4 de outubro de 2012 pelo portal G1

A quadrilha, investigada há meses, produzia em três chácaras cocaína para distribuição em Goiânia e Aparecida de Goiânia.

Uma correção: o Fauna News recebeu e-mails, inclusive do biólogo Leonardo Sartorello, informando que o animal apreendido não é um filhote de jaguatirica, mas de onça-parda.

Em 2001, a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestre (Renctas) publicou o 1º Relatório Nacional de Tráfico sobre Tráfico de Fauna Silvestre. O trabalho já alertava para a existência de cerca de 350 a 400 quadrilhas de tráfico de animais, sendo que 40% delas estariam envolvidas com outras atividades ilegais – comércio ilegal de pedras preciosas, drogas e armas, por exemplo.

- Leia a matéria completa do portal G1
- Conheça a Renctas
- Releia "Drogas e animais silvestres: pontos em comum para algumas quadrilhas", publicado pelo Fauna News em 23 de novembro de 2011

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tráfico de animais no Brasil: primatas também são vítimas

Quando se fala em tráfico de fauna no Brasil, imediatamente se pensa em aves. Afinal, elas representam mais de 80% dos animais vítimas dessa atividade criminosa. Outro grupo bastante explorado é o dos pequenos primatas, que incluem macacos-prego, micos e saguis.

“Neste sábado, dia 06 de outubro de 2012, por volta das 14h, policiais militares ambientais localizaram um macaco-prego que estava em cativeiro na cidade de Sertanópolis, no norte do Paraná.

Macaco-prego apreendido no Paraná
Foto: Divulgação Polícia MilitarAmbiental

Uma denúncia anônima levou os policiais militares ambientais à casa localizada na rua Amazonas, área urbana da cidade, onde o animal silvestre estava sendo criado em um viveiro no quintal.

Viveiro onde estava o macaco
Foto: Divulgação Polícia Militar Ambiental

Foi localizada uma adolescente de 17 anos de idade que relatou que o animal era mantido por seu Amasio, de 22 anos de idade, que não estava na residência. A jovem desconhecia a origem do animal.” – texto da matéria “Polícia ambiental resgata macaco-prego que era mantido em cativeiro”, publicada em 8 de outubro de 2012 pela Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda)

“Apesar da redução do comércio legal de primatas, o ilegal continua e estes ainda são retirados em número significativo em relação ao tamanho de suas populações naturais. Mesmo um pequeno comércio vai afetar populações raras, vulneráveis ou ameaçadas, que sofrem também com a perda e a alteração do habitat.” – texto do 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico da Vida Silvestre publicado pela ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas)

Esse tipo de cena ainda é bastante comum
Foto: Divulgação SOS Fauna

- Leia a matéria completa da Anda
- Conheça a Renctas